INVENTÁRIO EUROCULT #13

Rafael Medeiros é um sujeito gente boa, aficcionado por Tokusatsu e mantém o blog Cine Tosco. É ele quem enviou a lista com os seus filmes europeus de gênero favoritos para o Inventário Eurocult dessa semana. Uma lista bem curiosa, aliás, com um ou outro título habitual, mas recheado de surpresas que nunca imaginei que veria nessas listas. Viva a diversidade:

6ugL0nkAk9AcraN6ZActTfsuq7G taxidermia_xlgO GABINETE DO DR. CALIGARI (Das Cabinet des Dr. Caligari, Alemanha, 1920);
Dir. Robert Wiene, com Werner Krauss e Conrad Veidt

HAMLET (Reino Unido, 1948);
Dir. Laurence Olivier, com Laurence Olivier, John Laurie e Anthony Quayle

O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE (L’Armata Brancaleone, Itália/França/Espanha, 1966); Dir. Mario Monicelli, com Vittorio Gassaman, Gian Maria Volonté e Barbara Steele

A DUPLA EXPLOSIVA (…altrimenti ci arrabbiamo!, Itália/Espanha, 1974);
Dir. Marcello Fondato, com Terecen Hill, Bud Spencer e Donald Pleasence

O ANTICRISTO (L’anticristo, Itália, 1974);
Dir. Alberto De Martino, com Carla Gravina, Mel Ferrer, Arthur Kennedy e Alida Valli

CANIBAL HOLOCAUSTO (Cannibal Holocaust, Itália, 1980);
Dir.: Ruggero Deodato, com Robert Kerman, Francesca Ciardi e Perry Pirkanen

HELLRAISER: RENASCIDO DO INFERNO (Hellraiser, Reino Unido, 1987);
Dir. Clive Barker, com Andrew Robinson, Claire Higgins, Ashley Laurence e Doug Bradley

A VIDA É BELA (La vita è bella, Itália, 1997)
Dir. Roberto Benigni, com Roberto Benigni e Nicoletta Braschi

[Rec] (Espanha, 2007)
Dir. Jaume Balagueró e Paco Plaz, com Manuela Velasco e Ferran Terranza

TAXIDERMIA (Hungria/Áustria/França, 2006);
Dir. György Pálfi, com Csaba Czene, Gergely Trócsányi e Marc Bischoff

Hellraiser-UK-poster

INVENTÁRIO EUROCULT #12

O Inventário Eurocult foi agraciado novamente com uma lista mais que especial, desta vez do ilustre Eduardo Aguilar. Dizer apenas que o sujeito é um grande conhecedor de cinema de gênero europeu é pouco diante de um currículo que inclui ter trabalhado no cinema da Boca do Lixo, nos gloriosos anos 80, e convivido com gente do calibre de Alfredo Sternheim, Ody Fraga, Antônio Meliande, Jean Garret e principalmente o saudoso Carlão Reichenbach, de quem foi assistente de direção. Entre vários trabalhos, um dos mais curiosos foi de continuista no obscuro e desconhecido THE GUEST, uma co-produção ítalo-brasileira com Carlos Pasini Hansen na direção, Antonio Meliande como dir. de fotografia, e no elenco John Phillip Law e Stella Stevens. O filme narra a vinda do diabo em pessoa (John) ao Brasil para encontrar uma espécie de bíblia do Diabo que levaria o mundo ao caos! Uma raridade que pouca gente viu e só sei da existência porque o próprio Edu me contou. Nem no imdb está listado… Aos caçadores de filmes raros, taí uma missão. Atualmente, Edu é professor de cinema e diretor de curtas metragens, alguns deles inspirados em obras do universo Eurocult:

RABID_DOGS_2D_BD    que-la-bete-meure-affiche_365623_44700

Fiquei muito feliz ao ser convidado pelo Ronald Perrone para participar dessa proposta, sinto muita falta dos tempos em que descobri a saudosa lista de discussão “Canibal Holocausto” que debatia esse tipo de filme, reconheço que apesar de adorar o gênero horror tinha muito preconceito contra os filmes de horror e também os policiais feitos por europeus, a exceção ficava por conta dos faroestes spaghettis, e felizmente acabei me libertando disso! Essa lista é uma mescla dessa libertação que me permitiu admirar nomes como Lucio Fulci e Amando do Ossório e ao mesmo tempo “descobrir” que diretores que sempre admirei como Buñuel e Chabrol flertaram com o cinema de gênero e fizeram filmes incríveis!

O SILÊNCIO (Tystnaden, Suécia, 1963);
Dir. Ingmar Bergman, com Ingrid Thulin, Gunnel Lindblom e Birger Malmsten

UMA BALA PARA O GENERAL (Quién Sabe?, Itália, 1966);
Dir. Damiano Damiani, com Gian Maria Volonté, Klaus Kinski e Lou Castel

OS VIOLENTOS VÃO PARA O INFERNO (Il Mercenario, Itália/Espanha, 1968);
Dir. Sergio Corbucci, com Franco Nero, Jack Palance e Tony Musante

A BESTA DEVE MORRER (Que la bête meure, França/Itália, 1969);
Dir. Claude Chabrol, com Michel Duchaussoy, Caroline Cellier e Jean Yanne

KES (Reino Unido, 1969);
Dir. Ken Loach, com David Bradley e Freddie Fletcher

AND SOON THE DARKNESS (Reino Unido, 1970);
Dir. Robert Fuest, com Pamela Franklin, Michele Dotrice e Sandor Elès

PS: Inicialmente, a escolha do Edu foi O ABOMINÁVEL DR. PHIBES (The Abominable Dr. Phibes, 1971), também do Fuest, mas para nossa surpresa, é uma co-produção americana. Como o filme possui todo o clima do horror britânico, deixo aqui esta observação. É um filme que merece ser visto.

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

O HOMEM DE PALHA (The Wicker Man, Reino Unido, 1973)
Dir. Robin Hardy, com Edward Woodward, Christopher Lee, Ingrid Pitt e Britt Ekland

CÃES RAIVOSOS, aka RABID DOGS (Cani Arrabbiati, Itália, 1974);
Dir. Mario Bava, com Riccardo Cucciolla, Don Backy, George Eastman e Lea Lander

O INQUILINO (Le Locataire, França, 1976);
Dir. Roman Polanski, com Roman Polanski, Isabelle Adjani, Melvyn Douglas e Jo Van Fleet

CADÁVERES ILUSTRES (Cadaveri Eccelenti, Itália/França, 1976);
Dir. Francesco Rosi, com Lino Ventura, Fernando Rey e Max Von Sydow

POSSESSÃO (Possession, França/Alemanha, 1981);
Dir. Andrzej Zulawski, com Isabelle Adjani e Sam Neill

O ESTRIPADOR DE NOVA YORK (Lo squartatore di New York, Itália, 1982);
Dir. Lucio Fulci, com Jack Hedley e Almanta Suska

O ELEMENTO DO CRIME (Forbrydelsens Element, Dinamarca, 1984);
Dir. Lars Von Trier, com Michael Elphick, Esmond Knight e Me Me Lai

DELLAMORTE DELLAMORE (Cemetery Man, Itália/França/Alemanha, 1994);
Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

Anexo:
A MORTE NESTE JARDIM
(La mort en ce jardin, França/México*, 1956);
Dir. Luis Buñuel, com Simone Signoret e Michel Piccoli

PS: O Edu colocou este na lista por prevalecer o olhar europeu do mestre Luis Buñuel, dos atores principais, por ser falado em francês… Mas por ser uma co-produção mexicana, não poderia entrar no inventário. Vamos manter como um anexo, pois como o projeto serve como uma lista de compras, tenho certeza que se o Eduardo indicou este filme é porque deve ser um ingrediente que não pode faltar.

268750-westerns-the-mercenary-poster

STARCRASH (1978)

iT4nh

É comum considerar STARCRASH, de Luigi Cozzi, um mero rip-off italiano de STAR WARS. A verdade é que não deixa de ser mesmo. O filme abre com uma longa e lenta tomada de uma nave sobrevoando o espaço bem ao estilo de George Lucas e durante a aventura vários outros detalhes o apontam como uma “cópia descarada”, com direito ao maniqueísmo básico, um andróide como alívio cômico, batalhas de naves espaciais e até sabres de luz. Mas se observarmos com mais cuidado a concepção da obra, as influências do cinema de Cozzi, é possível encontrar um filme desvencilhado, de universo próprio, diferente de outras produções que almejavam tirar uma casquinha do sucesso do filme de Lucas.

A prova disso é que a ideia que originou STARCRASH foi concebida antes da existência de um STAR WARS. Era o projeto dos sonhos de Cozzi e que, numa primeira tentativa de levar adiante, ninguém se interessou em bancar. A sorte é que pouco tempo depois, o filme de Lucas estreou e, como todos sabemos, foi um grande sucesso. Os mesmos produtores que haviam rejeitado o projeto de Cozzi anteriormente, agora percebiam que poderiam tirar proveito daquele filão que surgia.

dJHVG

Com algumas mudanças e adaptações, STARCRASH foi ganhando uma roupagem estilo STAR WARS, mas no fim das contas, Cozzi, que foi creditado sob o pseudônimo de Lewis Coates, conseguiu, na medida do possível, deixar intacta a essência do seu cinema, cuja paixão pelo sci-fi americano dos anos 50 e por Ray Harryhausen predominam no cerne do filme. Além, é claro, da influência evidente de produções do passado, como JASÃO E OS ARGONAUTAS e BARBARELLA, para citar alguns.

É notória essa devoção de Cozzi pela ficção científica e o seu debut como diretor foi um exemplar de baixíssimo orçamento, chamado IL TUNNEL SOTTO IL MONDO. Nada  que se compare com a produção de STARCRASH que, se não chega aos pés do orçamento de STAR WARS, ao menos era suficiente para um “equivalente” italiano. Mas é possível perceber a utilização de alguns elementos do gênero durante toda a carreira do homem, independente do tipo de filme que estivesse envolvido. Seja num giallo, convencendo Dario Argento a usar uma ideia fantasiosa inspirada numa revista científica em 4 MOSCAS NO VELUDO CINZA, ou, já nos anos 80, as criaturas mecânicas bizarras que aparecem em HERCULES, com Lou Ferrigno.

C4loK

STARCRASH, portanto, é o parque de diversões de Cozzi, onde ele pôde mergulhar de cabeça no universo que tanto admirava tendo recurso pra isso, trabalhando suas obsessões como contador de histórias e criador de mundos. Em termos de script é o seu “caos organizado” habitual, já que o diretor nunca foi um grande entusiasta do chamado roteiro “bem estruturado”. O filme parece ser todo pensado de maneira visual, em cenas específicas, sequências épicas, efeitos especiais, ideias interessante, mas que juntando tudo acaba virando uma porra-louca sem muita lógica narrativa. Até entendo porquê os produtores, num primeiro instante, rejeitaram o Projeto.

A trama é centrada nas aventuras de um casal contrabandista espacial, Stella Star (a musa Caroline Munro) e seu parceiro no crime Akton (Marjoe Gortner). Ambos são recrutados pelo imperador do universo, vivido por Christopher Plummer, para ajudá-lo a combater o terrível Conde Zarth Arn, encarnado pelo genial Joe Spinnel. Acompanhados de Thor (Robert Tessier pintado de verde) e Elle, um andróide badass, sensível e todo engraçadão, essa turma realiza jornadas pelos confins do espaço para tentar localizar o planeta onde o facínora construiu uma arma poderosíssima. E se, por um acaso, toparem com o filho do imperador durante a missão, devem trazê-lo de volta também. Como ninguém sabe onde está a tal arma, o grupo vai parando de planeta em planeta, dos mais variados tipos, cores e criaturas diferentes para averiguar. E assim STARCRASH apresenta um catálogo dos mundos criados por Cozzi.

Em determinado momento, Akton revela-se bem mais que um simples sidekick, demonstrando poderes sobrenaturais, se tornando um personagem chave. É ele quem surge com o sabre de luz para salvar o dia. Finalmente eles encontram o planeta correto, que por acaso é o mesmo onde descobrem o príncipe, interpretado pelo astro de S.O.S. MALIBU, David Hasselhoff, enfrentam robôs em stop motion, conhecem a verdade sobre a tal arma e, por fim, retornam a tempo para participar da gloriosa batalha final contra o exército de Zarth Arn.

7hZTe

O visual do filme, extravagante e bem elaborado, é um dos grandes trunfos de STARCRASH e demonstra como a criatividade dos realizadores neste departamento é ilimitada. O que é bom, porque em termos de ação, as lutas, tiroteios com raios lasers, as batalhas espaciais, tudo é filmado de maneira bastante simplória. O que realmente diverte são as ideias e os contextos em que essas cenas ocorrem. A sequência que se passa num planeta dominado por guerreiras amazonas é um bom exemplo, com a mulherada bonita e que culmina com uma estátua gigantesca em stop-motion perseguindo os heróis. Canhestro e fascinante ao mesmo tempo. E como o ritmo é frenético, mantém sempre uma ação contínua na tela, segurando a atenção do público.

Outro grande destaque que não poderia deixar de mencionar é a presença de Caroline Munro como protagonista. Simplesmente não dá pra desgrudar os olhos da beldade… Deslumbrante em cada enquadramento e abusando de modelitos mínimos e apertados, Caroline foi a primeira escolha de Cozzi para viver a personagem de Stella Star, que pode ser definida como uma versão mais “experimentada” de Barbarella (Jane Fonda), mas tão incompetente quanto. No entanto, a beleza e a vontade de se aventurar no desconhecido acaba fazendo com que nos derretamos por ela.

WDKB5

Curioso que Caroline voltaria a trabalhar com o ator Joe Spinnel após contracenarem por aqui, no excelente MANIAC (80), de William Lustig, e THE LAST HORROR FILM (82), de David Winters. Spinnel é um ator magnífico e subestimado que merecia ser mais lembrado. Parece se divertir bastante fazendo o grande imperador do mal. O restante do elenco, já citado, também contribui, com atenção especial para o ainda jovem, mas já canastrão, mister SOS Malibu, e o desempenho de Plummer, o único que parece estar levando a produção a sério. Hehehe!

Mas até o Cozzi, mesmo tendo consciência que estava criando um produto matinée, uma aventura sci-fi inofensiva e divertida, sem grandes pretensões inventivas, também não deixa de levar STARCRASH a sério. Afinal, é o filme definidor de sua arte, de seu cinema, é o trabalho pelo qual será sempre lembrando pelos admiradores e que o coloca como uma das mentes mais criativas do cinema popular italiano.

Mais imagens de STARCRASH aqui. E um pouco mais de Caroline Munro aqui.

SELEÇÃO JOE D’AMATO

…OU CINCO FILMES DO DIRETOR PARA INICIANTES

Não é tarefa das mais fáceis dar o primeiro passo e saber por onde começar a desbravar o extenso currículo de um diretor que possui a filmografia de um Joe D’Amato, com seus, de acordo com o imdb, 199 filmes – provavelmente há mais. Uma escolha errada pode ser frustrante. Então preparei uma seleção de filmes para adentrar no cinema deste incansável mestre do cinema italiano. Não são títulos absolutos, ou seja, haverão vários outros filmes que servem ao propósito. Começar por esses, no entanto, já seria de grande ajuda para entender a essência do cinema do homem.

DeathSmiledAtMurde_003

LA MORTE HA SORRISO ALL’ASSASSINO (73): D’Amato tentando brincar de horror gótico, não se contenta em apenas explorar uma vertente do gênero e acaba fazendo uma mistureba muito louca com vários elementos que tangem o sobrenatural e o real, tudo jogado em cena sem qualquer coesão ou preocupação temporal. Mas temos Klaus Kinski interpretando um médico, o que é sempre bom. Não é dos melhores filmes do homem, mas coloquei nessa lista por ser o que podemos chamar de “primeiro D’Amato movie“, onde ele começa a demonstrar um estilo próprio. Algumas cenas são bem chatas, na verdade, mas outras compensam com uma boa dose de gore, atmosfera densa e as cenas com o Kinski.

Emanuelle_In_America_2

EMANUELLE IN AMERICA (77): A bela Laura Gemser na pele da sua personagem mais famosa, a Emanuelle nera, que não tem nenhuma relação com aquela Emanuelle da Sylvia Kristel. Esta aqui é uma repórter que investiga o submundo do sexo para descobrir relevantes assuntos que eu já não faço a menor ideia do que seja… Mas como não faltam cenas de sexo explícito, lesbianismo, zoofilia, não preciso me preocupar em lembrar detalhes da trama. Uma curiosidade é a cena de snuff movie que aparece no final. Na época especulou-se que fosse real e que D’Amato havia conseguido tais imagens com a máfia russa! Ah, tem como não amar esse cinema?

image

IMMAGINI DI UN CONVENTO (79): O Nunsploitation, filmes de horror/erótico com freiras sapecas e insaciáveis, era muito comum naquela época e D’Amato deixou sua contribuição no subgênero com mais de um exemplar. Este aqui é o melhor, mais acessível, bem dirigido e fotografado, e contém algumas cenas barra-pesadas de lesbianismo e sexo explícito, como o estupro na floresta. A sequência final na qual o padre, interpetrado pelo Donald O’Brien, tenta benzer os corredores do convento com as freiras possuídas esfregando as periquitas é uma das mais memoráveis que D’Amato já realizou!

06

BUIO OMEGA (79): Considerado por muitos o filme mais perturbador de D’Amato, a trama gira em torno de um triângulo amoroso bizarro entre um taxidermista, sua mulher defunta e a criada praticante de magia negra. No decorrer da história temos assassinatos, corpos desmembrados, canibalismo, necrofilia e uma aula de direção de D’Amato, na cena em que o protagonista abre o corpo de sua amada e a prepara para ser empalhada. Um misto de pura maestria visual com o que há de mais extremo, subversivo, abjeto e doentio… A sequência toda é tão bem feita, que na época gerou boatos de que a produção tivesse arranjado um corpo real para as filmagens. É ver para crer.

Antro-Eastman-catacombs

ANTROPOPHAGUS (80): Tisa Farrow e alguns amigos vão parar numa ilha Grega aparentemente abandonada e descobrem, da pior maneira possível, que toda a população foi brutalmente assassinada e devorada pelo grotesco Nikos, o famoso canibal interpretado pelo grande George Eastman. Apesar da narrativa lenta em alguns momentos, é um dos filmes mais atmosféricos e brutais de D’Amato. A cena em que Nikos devora um feto é digna de antologia do horror europeu, assim como o desfecho, cujo gore faz a alegria dos espectadores sedentos por sangue.

+1

YeDd2qS

EMANUELLE & FRANÇOISE LE SORELLINE (75): Não acho que seja um exemplar essencial nessa iniciação, mas como atualmente é o meu filme favorito do D’Amato, vale a pena listar como um anexo. Quando Françoise comete suicídio após ser abandonada por um crápula – novamente George Eastman – sua irmã, Emanuelle, decide por em prática um plano mirabolante e maquiavélico para se vingar. Primeiro ela o seduz, depois deixa-o sedado e, por fim, tortura o sujeito acorrentado num quarto secreto que ela construiu em sua casa. O filme tem bastante nudez, mas não o suficiente para excitar, nem tanto gore para chocar, mas a direção de D’Amato é das melhores que já vi, a trilha sonora é excelente, os atores estão muito bem e o final, apesar de óbvio, fecha com chave de ouro essa pequena jóia do cinema italiano.

INVENTÁRIO EUROCULT #11

A lista para o Inventário Eurocult de hoje foi uma belíssima contribuição do Matheus Ferraz. Crítico de cinema do site Boca do Inferno e o simples fato de criar um blog para se dedicar ao gênero Nazisploitation demonstram que o sujeito tem bala na agulha e um gosto muito refinado. Além disso, Matheus é romancista e em 2013 lançou seu primeiro livro, Teorema de Mabel, altamente recomendado. Assim como suas escolhas nessa lista, apresentando algumas raridades e recheada com comentários mais que especiais:

last_orgy_of_the_third_reich_poster_01    Decamerone_nero

O CAÇADOR DE BRUXAS (Witchfinder General, Reino Unido, 1968);
Dir. Michael Reeves, com Vincent Price, Ian Ogilvy e Rupert Davies

Vincent Price é o Mal encarnado nesse filme britânico de Michael Reeves, uma das melhores obras cinematográficas a lidar com a Inquisição. Price interpreta Matthew Hopkins, o caçador de bruxas do título, que executa a “tarefa de Deus” com requintes de crueldade. A imagem final é simplesmente devastadora.

EUGENIE
 (Espanha/Alemanha, 1970);
Dir. Jess Franco, com Marie Liljedahl, Maria Rohm, Jack Taylor e Christopher Lee

Meio adaptação, meio homenagem à Filosofia na Alcova do Marquês de Sade, este filme dirigido por Jess Franco (em momento Phillip Kaufman) é para paladares refinadíssimos.

A CONDESSA DRÁCULA (Countess Dracula, Reino Unido, 1971);
Dir. Peter Sasdy, Ingrid Pitt, Nigel Green e Sandor Èles

Ingrid Pitt é celebre como Carmilla, mas para mim ela nunca esteve tão linda e diabólica quanto em A Condessa Drácula, onde interpreta a infame Elizabeth Bathory. Esse filme da Hammer explora o vampirismo de forma original, sem apelar para elementos sobrenaturais, mas fazendo uso de bastante erotismo.

IL DECAMERONE NERO (Itália/França, 1972);
Dir. Piero Varelli, com Beryl Cunningham, Djbril Diop e Line Senghor

Produção decamerótica com diversas histórias envolvendo luxúria e situações picantes no coração da África. Com um elenco totalmente negro (exceto por um único ator), esta é uma das melhores produções que saíram na esteira do Decameron de Pasolini e um raro exemplo de filme passado no continente africano que mantém o clima jovial e divertido, sem abordar assuntos de praxe como miséria e pobreza.

AS CONDENADAS, aka GESTAPO’S LAST ORGY (L’ultima orgia del III Reich, Itália, 1977); Dir. Cesare Canevari, com Adriano Micantoni, Daniela Poggi e Maristella Greco.  

É estranho como um filme ambientado num campo de concentração pode ser ao mesmo tempo tão grotesco e poético. A trilha sonora é arrebatadora e os atores estão ótimos, especialmente Adriano Micattoni e Daniela Poggi, que vivem um bizarro caso de amor em meio a torturas, coprofilia e canibalismo.

O MALDITO (Mosquito der Schänder, Suíça, 1977);
Dir. Marijan David Vajda, com Werner Pochath, Ellen Umlauf e Birgit Zamulo

Obscuro filme suiço em que Werner Pochath interpreta um solitário surdo-mudo que se dedica a invadir necrotérios e mutilar cadáveres. Apesar dos efeitos pobres, O Maldito se beneficia da fantástica interpretação do seu personagem principal e de diversos momentos oníricos raros nesse tipo de filme.

RITRATTO DI BORGHESIA IN NERO (Itália, 1978);
Dir. Tonino Cervi, com Ornella Muti, Senta Berger, Capucine

Jovem vai a Veneza para estudar piano e acaba se tornando o terceiro elemento no romance incestuoso entre seu melhor amigo e a mãe dele. Isso é só o começo das intrigas sexuais da alta burguesia veneziana, que ainda conta com a jovem lasciva interpretada por Ornella Muti. Filme injustamente desconhecido, com um roteiro bem escrito que envereda por caminhos pouco convencionais.

DA CORLEONE A BROOKLYN (Itália, 1979);
Dir. Umberto Lenzi, com Maurizio Merli, Mario Merola e Van Johnson

Se você acha que Bruce Willis suou a camisa ao guiar um homem marcado para morrer por 16 Quadras, imagine o sufoco que Maurizio Merli tem que passar guiar uma testemunha perigosíssima da Sicília até Nova Iorque! Cheio de perigos e reviravoltas, Da Corleone a Brooklyn encontra seu ápice no choque cultural do crime organizado italiano e o crime não tão organizado dos EUA.

O PÁSSARO SANGRENTO
 (Deliria, Italia, 1987);
Dir. Michele Soavi. com David Brandon, Barbara Cupisti e Giovanni Lombardo Radice

Mostrando os ataques de um serial killer a uma companhia de teatro, O Pássaro Sangrento é um slasher arthouse, e pelo menos para mim a obra-prima de Michelle Soavi. A caracterização do assassino é soberba, e os assassinatos deixam qualquer Sexta-Feira 13 no chinelo.

O MONSTRO (Il Mostro, Itália/França, 1994);
Dir. Roberto Begnini, com Roberto Begnini, Michel Blanc e Nicoletta Braschi

Roberto Benigni interpreta um inocente salafrário que, sem saber, está sendo caçado pela polícia, suspeito de ser o assassino cruel que aterroriza a cidade. Comédia de erros perfeita e inescrupulosa, que ganha pontos pela presença da deusa Nicoletta Braschi, esposa de Benigni na vida real.

countess_dracula_ver2

INVENTÁRIO EUROCULT #10

O amigo Pedro Pereira é uma das maiores autoridades que conheço quando o assunto é Spaghetti Western. Basta conferir seu blog, Por um Punhado de Euros, em parceria com Emanuel Neto, para isso ficar evidente. Mas também é um bom apreciador de outros gêneros europeus, filmes de porrada e bagaceiras de toda espécie. Sua admiração por esse tipo de produção pode ser acompanhada no Filmes de Merda, com textos curtos e diretos. Pois é com prazer que desta vez recebemos a lista do Pedro para integrar o Inventário Eurocult, que aceitou o desafio de maneira interessante, com comentários e títulos que farão a cabeça dos fãs do estilo. Confiram:

300px-1226128422_COMMANDOS    Il_Grande_Racket2

A produção cinematográfica europeia das duas décadas anteriores à minha “chegada ao planeta terra”, foram ferozes. Nesses anos as pessoas iam mesmo aos cinemas e devoravam tudo o que aparecia, razão pela qual seria possível que tanto sub-género conseguisse proliferar e gente com qualidade questionável conseguisse chegar à cadeira da realização.

Desses sub-géneros o meu favorito é obviamente o western-spaghetti que colecciono avidamente já há muitos anos e tento dissecar no “Por um punhado de euros”, mas salivo também por um bom poliziotteschi, giallo, macarroni-combat e afins.

Não podia pois excluir-me deste inventário eurocult lançado pelo amigo Ronald Perrone. Tentei obedecer ao limite de dez filmes impondo-me apenas uma condição, esquecer por ora os amados euro-westerns. Contemplai então as minhas propostas:

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

No que toca ao cinema de terror europeu, os italianos levaram sempre a melhor, mas esta produção luso-espanhola deu um bigode na concorrência. Cavaleiros templários zumbificados, quem vai querer perder isso?! E por curiosidade, saibam que até o grande Phil Anselmo (vocalista dos Pantera, Down, Superjoint Ritual, etc) é fã deste aqui!

SUMMERTIME KILLER (Un Verano para Matar, Espanha/França/Itália, 1972);
Dir. Antonio Isasi-Isasmendi, com Karl Malden, Christopher Mitchum e Olivia Hussey

Parcialmente filmado em Portugal, este é garantidamente um dos meus filmes de acção favoritos. Admito que as histórias de vingança são um lugar demasiado comum no cinema de género europeu, mas este “Um verão para matar” destaca-se pelo bom ritmo, e claro, pela grande perseguição de homens a cavalo em plena serra de Sintra!

O QUE VOCÊS FIZERAM COM SOLANGE? (Cosa avete fatto a Solange?, Itália/Alemanha 1972); Dir. Massimo Dallamano, com Fabio Testi e Cristina Galbó

Depois de fazer carreira enquanto cinematografo, Massimo Dallamano saltou para a direcção, logrando realizar alguns filmes de belo efeito. Adoro o seu western-spaghetti “Bandidos” mas o seu momento mais alto é este “Que Fizeram a Solange?”. Um dos melhores giallos com que me deparei até à data.

IL GRANDE RACKET (Itália, 1976);
Dir. Enzo G. Castellari, com Fabio Testi, Vincent Gardenia e Orso Maria Guerrini

Se fora fácil replicar o western na Europa, mais fácil seria ainda desenvolver um cinema de acção contemporâneo. Em meados de setenta surgem policiais italianos aos magotes. E tal como no western-spaghetti mais de 50% da produção seria lixo cinematográfico, mas os bons souberam fazer a transição. Caso do maestro Enzo G. Castellari que engendrou este betardo. Imperdível!

ROMA A MANO ARMATA (Itália, 1976);
Dir. Umberto Lenzi, com Maurizio Merli, Arthur Kennedy e Giampiero Albertini

Maurizio Merli não viveu tempo suficiente para atingir o estatuto de estrela que mereceria, mas nos anos em que esteve activo protagonizou alguns dos mais frenéticos policiais italianos. É difícil apontar qual desses o melhor mas este filme aqui parece-me especial por conseguir arranjar um vilão tão caricato que quase consegue esvanecer a importância do valente comissário.

IL BOSS (Itália, 1973);
Dir. Fernando Di Leo, com Henry Silva, Gianni Garko e Richard Conte

Fernando Di Leo realizou na década de setenta alguns dos melhores policiais do cinema europeu. Podia destacar meia-dúzia deles mas escolho este aqui por ser um dos mais violentos. O elenco é encabeçado por Henry Silva que encarna um bandido do piorio e conta ainda com um Gianni Garko num papel de polícia corrupto, muito distante dos papéis de herói galã que o notabilizaram.

CONFISSÕES DE UM COMISSARIO DE POLÍCIA AO PROCURADOR DA REPÚBLICA (Confessione di un commissario di polizia al procuratore della repubblica, Itália, 1971); Dir.: Damiano Damiani, com Franco Nero, Martin Balsam e Marilù Tolo

Poucos terão tido a capacidade de tão bem retractar os longos tentáculos da máfia italiana como o mestre Damiano Damiani. O filme ainda que demasiado pausado para o meu gosto é um indiscutível para os fãs de cinema policial.

COMANDOS (Commandos, Itália/Alemanha, 1968);
Dir. Armando Crispino, com Lee Van Cleef, Jack Kelly e Giampiero Albertini

O macarroni-combat não teve uma vida muito longa nos cinemas europeus, e não fora o lançamento de “Sacanas sem lei”* dificilmente se falaria tanto dele actualmente. Creio que é um género que peca pela falta de credibilidade na recriação do ambiente de terror que uma guerra exige. Mas há excepções e este “Comandos” é um bom exemplo disso. Uma trama pouco usual, encabeçada por um elenco de se lhe tirar o chapéu.

IL DITO NELLA PIAGA (Itália, 1969);
Dir. Tonino Ricci, com George Hilton, Klaus Kinski e Ray Saunders

Há coisas que não tem preço, ver o alemão Klaus Kinski trajado de soldado americano a demolir tanques nazis é uma delas! Sou sincero, não acredito que este filme seja algum dia elevado ao estatuto de filme de culto mas é para mim um daqueles guilty pleasures que todos acabamos um dia por ter de admitir.

ZOMBIE – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (Zombie a.k.a. Zombi 2, Itália, 1979); Dir. Lucio Fulci, com Tisa Farrow, Richard Johnson e Al Cliver

Este é mais um daqueles caminhos paralelos abertos pelas produtoras italianas, que desesperadamente tentavam encaixar alguns tustos explorando conceitos de filmes estrangeiros bem recebidos pelo grande público. Aqui foi a saga dos mortos-vivos de George Romero a ser roubado mas “Aliens”, “Predador”, “Tubarão”, “Mad Max”, “Warriors” e afins teriam sorte igual.

MPW-38405

 

*No Brasil, SACANAS SEM LEI é o BASTARDOS INGLÓRIOS, do Tarantino.

INVENTÁRIO EUROCULT #9

Hoje temos a lista do Tony Sarkis, do ótimo blog A Sétima Cultura, que nos enviou uma relação dos seus títulos favoritos pra lá de curiosa. Alguns filmes, evidentemente, já são figurinhas carimbadas, mas vários são obscuridades de diretores pouco falados e que valem muito a pena serem descobertos e conhecidos. Uma bela aquisição para o Inventário Eurocult:

3661282124721029Lo_strano_vizio_della_signora_Wardh   nv-00

SOMETHING IS CRAWLING IN THE DARK (Qualcosa striscia nel buio, Itália, 1971)
Dir. Mario Colluci, com Stelvio Rossi, Mia Genberg e Farley Granger

UN BIANCO VESTITO PER MARIALÉ (Itália, 1972);
Dir. Romano Scavollini, com Ida Galli, Ivan Rassimov e Luigi Pistilli

NELLA STRETTA MORSA DELL RAGNO (Itália/França/Alemanha, 1971);
Dir. Antonio Margheriti, com Anthony Franciosa, Michèle Mercier e Klaus Kinski

UMA FACA NA ESCURIDÃO (Lo strano vizio della Signora Wardh, Itália/Espanha, 1971); Dir. Sergio Martino, com George Hilton, Edwige Fenech e Conchita Airoldi

THE PERFUME OF THE LADY IN BLACK (Il profumo della signora in nero, Itália, 1974); Dir. Francesco Barilli, com Mimsy Farmer, Maurizio Bonuglia e Aldo Valletti

NUAS E VIOLENTADAS PELO ASSASSINO (Nude per l’assassino, Itália, 1975);
Dir. Andrea Bianchi, com Edwige Fenech, Nino Castelnuovo e Femi Benussi

PRELÚDIO PARA MATAR (Profondo Rosso, Itália, 1975);
Dir. Dario Argento, com David Hemmings e Daria Nicolodi

SUSPIRIA (Itália, 1977);
Dir.: Dario Argento, com Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci

NERO VENEZIANO (Itália, 1978);
Dir. Ugo Liberatore, com Renato Cestiè, Rena Niehaus e Yorgo Voyagis

BUIO OMEGA (Beyond the Darkness, Itália, 1979);
Dir. Joe D’Amato, com Kieran Canter, Cinzia Monreale e Franca Stoppi

TERROR NAS TREVAS (…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà, aka The Beyond, Itália, 1981); Dir. Lucio Fulci, com Katherine MacColl, David Warback, Antoine Saint-John, Veronica Lazar e Al Cliver

DELLAMORTE DELLAMORE (Cemetery Man, Itália/França/Alemanha, 1994);
Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

MORTE AO VIVO
(Tesis, Espanha, 1996);
Dir. Alejandro Amenabar, com Ana Torrent, Fele Martínez e Eduardo Noriega

19560_orig

INVENTÁRIO EUROCULT #8

Mais uma lista saindo para o Inventário Eurocult. Desta vez é de um leitor, que atende pelo nome de The Driver e que nos enviou uma seleção de filmes especialíssima, com direito a Skolimowski, Roeg e Verhoeven, três grandes nomes que até então não haviam pintado por aqui. The Driver possui uma página homônima no facebook onde compartilha imagens, videos e links sobre cinema de gênero, especialmente ação, gangster movies, western, cinema badass! Mas pela lista dá pra notar que o sujeito aprecia também um bom exemplar europeu. Clique aqui e curta a página do homem e confira a relação abaixo:

936full-dont-look-now-poster  turkish-delight-movie-poster-1975-1020208954
1. O VINGADOR SILENCIOSO (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968);
Dir. Sergio Corbucci, com Jean-Louis Trintignant, Klaus Kinski e Frank Wolff

2. INVERNO DE SANGUE EM VENEZA (Don’t Look Now, Inglaterra/Italia, 1973);
Dir. Nicolas Roeg, com Donald Sutherland e Julie Christie

3. TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad and The Ugly, Itália/Alemanha/Espanha, 1966);
Dir. Sergio Leone, com Lee Van Cleef, Eli Wallach e Clint Eastwood

4. ATO FINAL (Deep end, Reino Unido, 1970);
Dir. Jerzy Skolimowski, com Jane Asher e John Moulder-Brown

5. LOUCA PAIXÃO (Turks Fruit, Holanda, 1973);
Dir. Paul Verhoeven, com Rutger Hauer e Monique van de Ven

6. SUSPIRIA (Itália, 1977);
Dir.: Dario Argento, com Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci

7. O ESTRIPADOR DE NOVA YORK (Lo squartatore di New York, Itália, 1982);
Dir. Lucio Fulci, com Jack Hedley e Almanta Suska

8. KEOMA (Itália, 1976);
Dir. Enzo G. Castellari, com Franco Nero, William Berger e Olga Karlatos

9. O PÁSSARO SANGRENTO (Deliria, Italia, 1987);
Dir. Michele Soavi. com David Brandon, Barbara Cupisti e Giovanni Lombardo Radice

10. MILANO CALIBRO 9  (Itália, 1972);
Dir. Fernando Di Leo, com Mario Adorf, Gastone Moschin e Barbara Bouchet

+ 1

IL BOSS (Itália, 1973);
Dir. Fernando Di Leo, com Henry Silva, Gianni Garko e Richard Conte

keoma_poster_03

INVENTÁRIO EUROCULT #7

A lista para o Inventário Eurocult de hoje é de outro militante do universo blogueiro. Ailton Monteiro, de Fortaleza, mantém o seu espaço, Diário de um Cinéfilo, atualizado quase diariamente desde 2002! Qualquer pessoa minimamente interessada em cinema tem a obrigação de frequentar o recinto e se deliciar com textos despojados e precisos que estão por lá. O gosto refinado do sujeito pode ser conferido na belíssima lista abaixo, que possui nomes como Fritz Lang, Buñuel, Tarkovsky e outras gratas surpresas:

daughters_of_darkness_poster_01 M

1. O SACRIFÍCIO (Offret, Suécia/Reino Unido/França, 1986);
Dir. Andrei Tarkovsky, com Erland Josephson e Susan Fleetwood

2. AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (I Tre Volti della Paura a.k.a. Black sabbath, Itália/Inglaterra/França, 1963); Dir. Mario Bava, com Boris Karloff

3. M – O VAMPIRO DE DÜSSELDORF (M, Alemanha, 1931);
Dir. Fritz Lang, com Peter Lorre

4. ESSE OBSCURO OBJETO DO DESEJO (Cet obscur objet du désir, França/Espanha, 1977);
Dir. Luis Buñuel, com Fernando Rey, Carole Bouquet e Ángela Molina

5. TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad and The Ugly, Itália/Alemanha/Espanha, 1966);
Dir. Sergio Leone, com Lee Van Cleef, Eli Wallach e Clint Eastwood

6. A BELA INTRIGANTE (La belle noiseuse, França/Suiça, 1991);
Dir. Jacques Rivette, com Michel Piccoli, Emmanuelle Béart e Jane Birkin

7. ESCRAVAS DO DESEJO (Les lèvres rouges, Bélgica/França/Alemanha 1971);
Dir. Harry Kümel, com Delphine Seyrig e John Karlen

8. OS OLHOS SEM ROSTO (Les Yeux Sans Visage, França/Itália, 1960);
Dir. Georges Franju, com Alida Valli, Pierre Brasseur e Edith Scob

9. A PELE QUE HABITO (La piel que habito, Espanha, 2011);
Dir. Pedro Almodóvar, com Antonio Banderas, Marisa Paredes e Elena Anaya

10. A MANSÃO DO INFERNO (Inferno, Itália, 1980);
Dir. Dario Argento, com Leigh McCloskey, Daria Nicolodi e Alida Valli

aff   coveraha

INVENTÁRIO EUROCULT #6

A lista de hoje é um bocado especial. Estava eu navegando pelos sites e blogs de cinema, lá por 2004 ou 2005, e eis que me deparo com um endereço que me chamou a atenção. Comecei a ler alguns posts, textos de filmes que eu não conhecia e nomes de diretores que nunca tinha ouvido falar, mas tudo aquilo me fascinou de forma instantânea. Era meu primeiro contato com o eurohorror, com Lucio Fulci, Dario Argento, Joe D’Amato, Jess Franco e etc. O blog era o Mondo Paura e o seu autor, Marcelo Carrard, uma das grandes autoridades sobre o assunto. Na mesma época fui conhecendo outros endereços, como o blog do Carlão, do Herax, o extinto Erotikill e vários outros que não existem mais. Mas foi o Mondo Paura que me proporcionou um primeiro impacto, portanto, é com muita honra que hoje publico a lista de favoritos de Marcelo Carrard, que atualmente edita o blog Nudo e Selvaggio.

allthecolorsofthedark-1  hexen-bis-aufs-blut-gequalt-681035l

SUCCUBUS (Necronomicon – Geträumte Sünden, Alemanha, 1968);
Dir. Jess Franco, com Janine Reynaud, Jack Taylor e Howard Vernon

NAKED VIOLENCE (I Ragazzi del Massacro, Itália, 1969);
Dir. Fernando Di Leo, com Pier Paolo Capponi e Nieves Navarro

MARK OF THE DEVIL (Hexen bis aufs Blut gequält, Alemanha, 1970);
Dir. Michael Armstrong, com Herbert Lom e Udo Kier

BAY OF BLOOD (Reazione a Catena, Itália, 1971);
Dir. Mario Bava, com Claudine Auger e Luigi Pistilli

ALL THE COLORS OF THE DARK (Tutti i colori del buio, Itália/Espanha, 1972);
Dir. Sergio Martino, com George Hilton e Edwige Fenech

O ESPÍRITO DA COLMEIA (El Espíritu de la Colmena, Espanha, 1973);
Dir. Victor Erice, com Ana Torrent, Fernando Fernán Gómez e Teresa Gimpera

AUTOPSY (Macchie Solari, Itália, 1975);
Dir. Armando Crispino, com Mimsy Farmer e Ray Lovelock

LA BÊTE (França, 1975);
Dir. Walerian Borowczyk, com Sirpa Lane, Lisbeth Hummel e Elisabeth Kaza

DEMÊNCIA SINISTRA (Schizo, Reino Unido, 1976);
Dir. Pete Walker, com Lynne Frederick, John Leyton e Stephanie Beacham

LA RAGAZZA DEL VAGONE LETTO (Itália, 1979);
Dir. Ferdinando Baldi, com Zora Kerova, Silvia Dionisio e Werner Pochath

ZOMBIE – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (Zombie a.k.a. Zombi 2, Itália, 1979); Dir. Lucio Fulci, com Tisa Farrow, Richard Johnson e Al Cliver

ANTROPOPHAGUS (aka The Grim Reaper, Itália, 1980);
Dir. Joe D’Amato, com Tisa Farrow e George Eastman

CANIBAL HOLOCAUSTO (Cannibal Holocaust, Itália, 1980);
Dir.: Ruggero Deodato, com Robert Kerman, Francesca Ciardi e Perry Pirkanen

TENEBRE (aka Trevas, Itália, 1982);
Dir. Dario Argento, com Anthony Franciosa, John Saxon e Giuliano Gemma

A CATEDRAL (La Chiesa, Itália, 1989);
Dir. Michele Soavi, com Tomas Arana, Hugh Quarshie e Asia Argento

tenebre-1980-movie-poster1    antropophagus_poster_01

INVENTÁRIO EUROCULT #5

Historiador, pesquisador de cinema de gênero, e o maior fã de Charles Bronson que se tem notícia, Leandro Caraça é um velho conhecido daqueles que já vêm, há tempos, frequentando o universo dos blogs de cinema. Quem não se lembra do saudoso Viver e Morrer no Cinema, o blog onde compartilhava diariamente sua paixão pela sétima arte? Atualmente, é possível encontrar alguns de seus escritos na Revista Interlúdio. Mas é muito pouco. E esta lista especialíssima que ele nos enviou com os seus vinte Eurocults favoritos serve não apenas para abrilhantar o inventário, mas também reforça o clamor de todos para um retorno ao mundo dos blogues!

141091  blue-movie

E DEUS CRIOU A MULHER (Et Dieu… créa la femme, França/Itália, 1956);
Dir. Roger Vadim, com Brigitte Bardot, Curd Jürgens e Jean-Louis Trintignant

Enquanto os jovens turcos preparavam a revolução, Roger Vadim saiu na frente oferecendo Brigitte Bardot ao mundo.

OS OLHOS SEM ROSTO (Les Yeux Sans Visage, França/Itália, 1960);
Dir. Georges Franju, com Alida Valli, Pierre Brasseur e Edith Scob

A França adere ao cinema de horror moderno, com o exemplar mais lírico do gênero.

O ANO PASSADO EM MARIEMBAD (L’année dernière à Marienbad, França/Itália, 1961); Dir. Alain Resnais, com Delphine Seyrig, Giorgio Albertazzi e Sacha Pitoeff

O delirante labirinto de Resnais e Grillet. Simétrico e perfeito.

MACISTE CONTRO IL VAMPIRO (Itália, 1961);
Dir. Sergio Corbucci e Giacomo Gentilomo, com Gordon Scott e Leonora Ruffo

Um dos melhores exemplares de peplum, muito mais do que apenas um cara marombado passeando de tanga na tela.

MONDO CANE (Itália, 1962);
Dir. Paolo Cavara, Gualtiero Jacopetti e Franco Prosperi

O mundo como ele é, aqui e agora. Porca miséria!!!

ALPHAVILLE (Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution, França/Itália, 1965); Dir. Jean-Luc Godard, com Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamirof e Howard Vernon

Lemmy Caution perdido no mundo tecnológico e sem paixão de Godard.

LA NUIT LA PLUS LONGUE (aka L’enfer dans la peau, França, 1965);
Dir. José Bénazéraf, com Willy Braque, Yves Duffaut e Annie Josse

Um sequestro, uma antológica dança lésbica, Chet Baker, rebeldia. Isso é Bénazéraf.

A HORA DO LOBO (Vargtimmen, Suécia, 1968);
Dir. Ingmar Bergman, com Max Von Sydow e Liv Ullmann

A hora em que os lobos preferem uivar, as crianças preferem nascer e os insanos acordam e não conseguem mais dormir.

SUCCUBUS (Necronomicon – Geträumte Sünden, Alemanha, 1968);
Dir. Jess Franco, com Janine Reynaud, Jack Taylor e Howard Vernon

Os fetiches e obsessões de Franco agora estão livres de amarras. A partir desse ponto, é free jazz total.

OS DEMÔNIOS (The Devils, Inglaterra, 1971);
Dir. Ken Russel, com Vanessa Redgrave e Oliver Reed

Amai-vos uns sobre os outros como eu vos amei.

LE FRISSON DES VAMPIRES (França, 1971);
Dir. Jean Rollin, com Sandra Julien eJuan-Marie Durand

Vampiras frenéticas dentro de um castelo, dentro de um sonho de Jean Rollin.

CONTOS IMORAIS (Contes Immoraux, França, 1974);
Dir. Walerian Borowczyk, com Fabrice Luchini, Lise Danvers e Charlotte Alexandra

Erotismo ou pornografia ? Arte ou putaria. A dica de Borowczyk é relaxar e gozar.

O FANTASMA DA LIBERDADE (Le fantôme de la liberté, Itália/França, 1974);
Dir. Luis Buñuel, com Jean-Claude Brialy, Michel Piccoli, Adolfo Celi e Monica Vitti

A liberdade, a subversão, a arbitrariedade. Molecagens de um velho surrealista.

AS FILHAS DE DRÁCULA (Vampyres, Inglaterra, 1974);
Dir. José Ramón Larraz, com Marianne Morris e Anulka Dziubinska

Venha passar uma noite ao lado de Anulka e Marianne Morris.

GLISSEMENTS PROGRESSIFS DU PLAISIR (França, 1974);
Dir. Alain Robbe-Grillet, com Anicée Alvina, Olga Georges-Picot e Michael Lonsdale

Sucessivas demonstrações de dor e prazer.

LISA E O DIABO (Lisa e il diavolo, Itália/Alemanha/Espanha, 1973);
Dir. Mario Bava, com Telly Savalas, Elke Sommers, Sylvia Koscina e Alida Valli

Mario Bava é o demiurgo. E o pirulito é do Telly Savallas.

LE SEXE QUI PARLE (Pussy Talk, França, 1975);
Dir. Claude Mulot, com Penélope Lamour, Béatrice Harnois e Sylvia Bourdon

A buceta que fala. Cinema XXX francês no seu ápice.

BLUE MOVIE (Itália, 1978); Dir. Alberto Cavallone, com Danielle Dugas e Claude Maran

Cavallone jogando tudo para o alto e mandando público e crítica se foderem.

POSSESSÃO (Possession, França/Alemanha, 1981);
Dir. Andrzej Zulawski, com Isabelle Adjani e Sam Neill

Isabelle Adjani. Duplos. Aberrações gosmentas. Zulawski no divã, falando sobre o seu divórcio.

TERROR NAS TREVAS (…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà, aka The Beyond, Itália, 1981); Dir. Lucio Fulci, com Katherine MacColl, David Warback, Antoine Saint-John, Veronica Lazar e Al Cliver

O fim do mundo de acordo com Fulci. E além…

possession   vampyres_1974_poster_01.preview

INVENTÁRIO EUROCULT #4

Quando recebemos uma lista para ser adicionada ao Invetário Eurocult de um sujeito que escreveu uma tese de doutorado chamada Era Uma Vez no Spaghetti Western: Estilo e Narrativa na Obra de Sergio Leone, é porque a coisa tá ficando séria. Rodrigo Carreiro é do Recife, especialista em SW, editor do Cine Repórter e professor da UFPE. Sua relação de filmes demonstra como o universo eurocult é abrangente, trazendo títulos totalmente válidos de diretores consagrados do calibre de Jules Dassin, Sergio Leone, Claude Chabrol, Victor Erice e Ingmar Bergman. Enjoy!

il grande silenzio    good_the_bad__the_ugly_1967_french

RIFIFI (Du Rififi chez les Hommes, França, 1955);
Dir. Jules Dassin, com Jean Servais, Carl Möhner e Robert Manuel

OS OLHOS SEM ROSTO (Les Yeux Sans Visage, França/Itália, 1960);
Dir. Georges Franju, com Alida Valli, Pierre Brasseur e Edith Scob

TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad and The Ugly, Itália/Alemanha/Espanha, 1966);
Dir. Sergio Leone, com Lee Van Cleef, Eli Wallach e Clint Eastwood

KILL, BABY… KILL! (Operazione Paura, Itália, 1966);
Dir. Mario Bava, com Giacomo Rossi-Stuard, Erika Blanc e Fabienne Dali

O SAMURAI (Le Samourai, França/Itália, 1967);
Dir. Jean Pierre Melville, com Alain Delon

O VINGADOR SILENCIOSO (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968);
Dir. Sergio Corbucci, com Jean-Louis Trintignant, Klaus Kinski e Frank Wolff

O AÇOUGUEIRO (Le Boucher, França/Itália, 1970);
Dir. Claude Chabrol, com Stéphane Audran e Jean Yanne

O ESPÍRITO DA COLMEIA (El Espíritu de la Colmena, Espanha, 1973);
Dir. Victor Erice, com Ana Torrent, Fernando Fernán Gómez e Teresa Gimpera

PRELÚDIO PARA MATAR (Profondo Rosso, Itália, 1975);
Dir. Dario Argento, com David Hemmings e Daria Nicolodi

DA VIDA DAS MARIONETES (Aus dem Leben der Marionetten, Suécia/Alemanha, 1980); Dir. Ingmar Bergman, com Robert Atzon e Christine Buchegger

large_ya8i8DPF6lsNtdYFVqgD1Y90kWV  Aus dem Leben der Marionetten (1980)

INVENTÁRIO EUROCULT #3

Como tem brotado muita lista na horta do Dementia¹³, vamos postar mais uma para enriquecer o Inventário Eurocult. A relação de filmes de hoje vem do sul do Brasil, de um dos sujeitos mais gente fina que eu conheço nesse universo blogueiro. Ainda vou descer nessa região só para conhecer pessoalmente e tomar umas com o Paulo “Blob” Teixeira. Dono de um gosto cinematográfico peculiar, que era explorado num dos melhores blogs de gênero em língua portuguesa, o Blog do Blob, sua lista contribui extremamente para o inventário pelos seus títulos, comentários especialíssimos e por levar em consideração as listas anteriores.

Quien_puede_matar_a_un_nino-476825830-large torso_xlgPrimeiramente devo agradecer ao Ronald Perrone pela honra de participar desse inventário. Embora o Eurocult/Eurotrash seja bem amplo, resolvi colocar uma limitação para mim, após ler as maravilhosas listas anteriores do Osvaldo Neto e do Leopoldo Tauffenbach, conclui que muitos dos filmes citados pelos meus queridos amigos acabariam também respingando na minha lista, mas como citei acima, o terreno é amplo, então decidi não repetir nenhum título que teria sido citado anteriormente, por mais que eu goste, em contrapartida colocarei outros que tem lugar seguro no meu coração, e que suponho também tenha lugar no coração dos amantes do cinema de gênero do Velho Continente.
Assim como os ilustres companheiros, também mandei mais de 10, são 15 ao todo, e ficou uma porrada de fora (cadê o Jesus franco, por exemplo?). Quem sabe fica para uma outra hora, né?

1. TORSO (I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale, Itália, 1973);
Dir. Sergio Martino, com Suzy Kendall e Luc Merenda

O giallo em sua essência mais pura e brutal! A simplicidade é seu maior trunfo. Um assassino mascarado sai matando universitárias, anos antes de Michael Myers e Jason Vorhess transformar isso em modinha. Se você nunca viu um dos filmes “amarelos” italianos, recomendo que comece por esse. Um exercício de violência e tensão.

2. ZOMBIE – A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (Zombie a.k.a. Zombi 2, Itália, 1979); Dir. Lucio Fulci, com Tisa Farrow, Richard Johnson e Al Cliver

O meu filme preferido de zumbis! Fulci com sua criatividade e fúria a todo vapor, depois desse sua própria filmografia nunca mais foi a mesma.

3. VAMOS A MATAR, COMPAÑEROS (Itália/Alemanha/Espanha, 1970)
Dir. Sergio Corbucci, com Franco Nero, Tomas Milian e Jack Palance

Esse clássico do spaghetti western é um dos meus filmes favoritos. Ação, humor e política em doses cavalares. O que dizer da dupla Franco Nero e Tomas Milian? E o vilão bizarro de Jack Palance? Tudo emoldurado pela inesquecível trilha do mestre Enio Morricone. Antológico demais.

4. O DIA DA BESTA (El Día de la Bestia, Espanha, 1995)
Dir. Álex de la Iglesia, com Álex Angulo, Armando de Razza e Santiago Segura

Um dos meus filmes preferidos. A história do padre que vai tentar impedir o nascimento do anticristo no natal de 1995 em Madrid, com a ajuda de um headbanger e um apresentador de televisão de programas sensacionalistas sobre ocultismo mostra o diretor de la Iglesia no auge da forma: misturando humor negro, horror, critica social e personagens bizarros ele satiriza tudo e todos: cristãos, satanistas, metaleiros, extrema direita. Sem sobrar pedra sobre pedra. Olé!

5. PHENOMENA (Itália/Inglaterra/Alemanha/Suiça/Dinamarca, 1985)
Dir. Dario Argento, com Jennifer Connelly, Daria Nicolodi e Donald Pleasence

O filme síntese da carreira do Argento e sua penúltima obra-prima (depois ele faria Opera em 1987, para perder o rumo). Elementos sobrenaturais, de giallo, cenas de assassinato, trilha mesclando Iron Maiden, Motörhead, entre outros, junto com o Goblin, Jennifer Connelly estrelando, Donald Pleasence, cenas inesquecíveis como a piscina de vermes. São tantas coisas legais aqui, simplesmente demais!

6. AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR (I Tre Volti della Paura a.k.a. Black sabbath, Itália/Inglaterra/França, 1963); Dir. Mario Bava, com Boris Karloff

O Mestre Bava nos presenteia com três belos contos, dando uma síntese no cinema de horror italiano e uma aula de cores e climas. Destaque para a segunda, e melhor história, com o Boris Karloff como um patriarca de uma família de camponeses que vira vampiro. Simplesmente sublime.

7. ¿QUIÉN PUEDE MATAR A UN NIÑO? (Espanha, 1976)
Dir. Narciso Ibañez Serrador, com Lewis Fiander e Prunella Ransome

Não tem para ninguém, do filão de crianças sinistras e assassinas, dos quais podemos citar “A Cidade dos Amaldiçoados” e “A Colheita Maldita” como exemplos, nenhum deles é mais perturbador que essa obra, realizado por um uruguaio radicado na Espanha chamado Narciso Ibañez Serrador. A abertura do filme é antológica: um mini-documentário em preto-ebranco mostrando vários conflitos ao redor do mundo, dando ênfase na mortalidade infantil. O filme ganha cores, mostrando o cadáver de um adulto boiando no litoral espanhol. Os protagonistas são um casal de férias (ela grávida), que vão parar num a ilha aparentemente abandonada, mas descobrem estar tomada de crianças que insistem em matar todos os adultos. A boa direção do elenco infantil fará você gelar com esses moleques de semblantes diabólicos. Tensão em estado bruto. Essencial.

8- NEKROMANTIK (Alemanha, 1988); Dir. Jörg Buttgereit, com Beatrice M.

Este e a sua continuação em 1991, são as obras definitivas sobre necrofilia. A história do casal que leva um cadáver para casa, e inclui ele em seus joguinhos sexuais, foi banido em boa parte do globo, “Nekromantik” é daquelas obras de arte extremas que vai te desperta fascínio e repulsa ao mesmo tempo.

9. ANGST (Áustria, 1983); Dir. Gerald Kargl, com Erwin Leder

É da Áustria que vem um dos mais perturbados/perturbadores retratos sobre um serial-killer. O filme mostra um homem (Erwin Leder) siando da prisão após cumprir pena de dez anos por um assassinato que cometeu. Sem perspectivas, ou como se diz, sem eira nem beira, ele resolve morar numa casa que encontra, o problema são as moradoras da residência que ele terá que matá-las, uma jovem e sua mãe cadeirante. Desde a cena de abertura, que mostra a panorâmica de uma cidade austríaca, com seus telhados, ao som de uma goteira, dá para sacar que estamos diante de uma obra diferente e sem concessões. Um filme barra-pesada.

10. LA ROSE DE FER (França, 1973);
Dir. Jean Rollin, com Françoise Pascal, Hugues Quester e Natalie Perrey

Um casal, um cemitério, meia dúzia de figurantes e pronto! É o que basta para o mestre Rollin criar pura poesia. Essa obra minimalista é a minha preferida do Mestre francês. Aqui segue aquela máxima que os amantes do punk rock sabem faz tempo: a de que, às vezes, menos é mais.

11. AS FILHAS DE DRÁCULA (Vampyres, Inglaterra, 1974)
Dir. José Ramón Larraz, com Marianni Morris e Anulka Dziubinska

O espanhol Larraz rodou na Inglaterra um dos mais absurdos e tesudos filmes sobre vampiras. Duas belas vampiras, que insistem em ficar nuas, ficam rodando por aí fazendo vitimas, precisa de mais alguma coisa? As cenas de ataque das duas se destacam pela não economia no sangue e pelo frenesi da dupla, pontos para a Marianne Morris e a Anulka Dziubinska.

12. LA NOTTE DEI DIAVOLI (Itália/Espanha, 1972)
Dir. Giorgio Ferroni, com Gianni Garko, Agostina Belli e Roberto Maldera

Ferroni, mais conhecido pelo “Dólar Furado”, realizou apenas dois filmes de terror em toda a sua carreira: “Il Mulino delle Donne di Pietra” (1960) e este “La Notte dei Diavoli”. Segunda adaptação do conto “A Familia do Wurdulak” de Aleksei Tolstoy (a primeira versão foi justamente o segmento “I Wurdulak” de “As Três Mascaras do Terror” do Bava). Gianni Garko é o estranho misterioso que para em um hospício e através de flashbacks descobrimos o contato dele com uma família que foi atacada pelo mal do vampirismo. A transposição da história para a era contemporânea não perdeu em nada a atmosfera gótica do conto original. A única coisa a se lamentar é o fato do diretor não ter investido mais em filmes de terror.

13. VIY (União Soviética, 1967); Dir. Konstantin Yershov, Georgy kropachyov e Alexander Ptushko, com Leonid Kuravlyov, Natalya Varley e Aleksey Glazyrin

Considerado o primeiro filme de terror da então União Soviética, foi inspirado no conto “Viy” de Nikolai Gogol, que serviu de base também para Mario Bava criar seu clássico “La maschera del demônio” (1961). Aqui um jovem padre fanfarrão (Leonid Kuravlyov) se vê em maus lençóis quando terá que velar por três noites o cadáver de uma jovem moça, filha de um rico fazendeiro local, na verdade a garota é uma bruxa que convocará todas as forças do inferno para atormentar o pobre religioso. Um filme que ainda tem seu encanto e seu charme.

14. THE NIGHT THAT EVELYN LEFT THE TOMB (La notte che Evelyn uscì dalla tomba, Itália, 1971); Dir. Emilio Miraglia, com Anthony Steffen, Giacomo Rossi-Stuart e Erika Blanc

O italiano Miraglia é famoso por brindar o mundo com dois belos gialli embebedidos em elementos de terror gótico, não a toa gosto de brincar dizendo que são “gialli à moda Scooby-Doo” que são “La Dama Rossa Uccide Sette Volte” de 1972, e esse “La dama rossa uccide sette volte” realizado um ano antes. Aqui temos o galã ítalo-brasileiro Anthony Steffen como um nobre atormentado pala morte da esposa Evelyn, como passatempo ele captura prostitutas ruivas aonde leva para seu castelo e as tortura e mata, numa reviravolta que só poderia acontecer no cinema de gênero carcamano, logo nosso protagonista psicótico vira o herói da historia quando acaba sendo atormentado pelo fantasma da falecida e suspeito de outros crimes. Realmente instigante.

15. MATADOR IMPLACÁVEL (L’Assassino è Costretto ad Uccidere Ancora a.k.a. The killer Must Kill Again, Itália/França 1975); Dir. Luigi Cozzi, com George Hilton e Antoine Saint-John

Meu filme predileto do Cozzi! Aqui ele foge da fórmula tradicional do giallo, entregando os vilões ao público de cara, preferindo um jogo de gato e rato Hitchcockniano. George Hilton é um playboy cafajeste que, para se livrar da esposa e ficar com a herança, contrata um assassino mal encarado (Antoine Saint-John). O assassinato é cometido, mas o s problemas começam quando um casal de hippies rouba o carro do assassino, com o cadáver da mulher no porta-malas, para ir até o litoral. Inicia-se uma caçada ao casal de ladrões, que desconhecem a bagagem que levam. Suspense e ironia de primeira.

i-tre-volti-della-paura-126545l

INVENTÁRIO EUROCULT #2

A segunda lista incluída no Inventário é de Leopoldo Tauffenbach. Artista, professor, organizador de mostras, um emplogado pesquisador de cinema extremo e um grande amigo. Quando lhe dá na telha, atualiza o blog Cine Demência. O sujeito mandou uma lista de respeito, com alguns títulos fundamentais em qualquer prospecção do gênero e outros mais obscuros que valem muito a pena conhecer, com direito a comentários para cada exemplar. Com a palavra, Leopoldo:

escalofrio-poster  franju

Listas são extremamente divertidas justamente por seu suposto maior defeito: a exclusão. Seja criando listas ou contemplando as alheias, sempre me pego ansioso por saber quem seriam os contemplados dentro de um vastíssimo universo como é o do cinema. Suas imposições, na verdade, acabam se tornando estimulantes desafios ao pedir por um recorte, uma olhar mais concentrado. Listas, são justas e injustas, ao mesmo tempo, por sua própria natureza.

O desafio aqui era listar produções europeias. As orientações eram bem amplas, é verdade, por isso resolvi criar imposições adicionais. Em primeiro lugar, resolvi listar somente filmes de gênero ou que flertassem de algum modo esse cinema. Também impus a condição de listar somente um filme por diretor. Clássicos consagrados pela humanidade estariam de fora, porque se o objetivo inicial do editor deste blog era criar um guia para iniciantes, não haveria necessidade de propagandear mais uma vez Godard, Pasolini, Truffault, Visconti, Rosselini etc. Também tentei contemplar ao menos um gênero diferente em cada filme, mas neste caso falhei miseravelmente. Assim, o horror acabou predominando e nenhum faroeste conseguiu entrar na lista. Por último, nem 10 nem 20, mas ultrapassei o limite sugerido em 5 filmes. Reforçando o óbvio, é uma lista excludente como toda lista é, mas levando em consideração que se tratam de filmes minimamente excelentes, em minha modesta e nada absoluta opinião (do contrário não teria me lançado neste desafio) creio que pode servir para abrir portas ao iniciado que ousar se aventurar pelo percurso que aqui sugiro. Neste caso… good luck, and God help us all.

VAMPYROS LESBOS (Alemanha/Espanha, 1971);
Dir.: Jesus Franco, com Soledad Miranda, Ewa Stromberg e Dennis Price

A melhor combinação de horror e cinema erótico, amparada pela presença da deslumbrante Soledad Miranda, e embalada pelo experimentalismo jazzístico (que se manifesta na trilha sonora) do mestre dos mestres, Jesus Franco.

PERIGO: DIABOLIK (Diabolik, Itália/França, 1968);
Dir. Mario Bava, com John Philip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli e Adolfo Celi

Embora Mario Bava seja conhecido justamente pelos visionários filmes de horror, foi capaz de criar uma das mais deliciosas adaptações de quadrinhos de todos os tempos. Um dos raros casos onde é impossível não se apaixonar e torcer pelos vilões do filme.

CANIBAL HOLOCAUSTO (Cannibal Holocaust, Itália, 1980);
Dir.: Ruggero Deodato, com Robert Kerman, Francesca Ciardi e Perry Pirkanen

“A mãe de todos os filmes de canibal”, alardeava a publicidade desta obra fundamental. E até hoje assim se mantém: impávido, como uma das obras cinematográficas mais chocantes realizadas.

LÁBIOS DE SANGUE (Lèvres de sang, França, 1975);
Dir.: Jean Rollin, com Jean-Loup Philippe, Annie Belle e Natalie Perrey

Conheci o poeta Jean Rollin por Carlos Reichenbach. Foi amor à primeira vista. Nunca antes os vampiros atingiram um patamar tão sublime no cinema. Lábios de Sangue é pura poesia filmada; versos em celuloide.

EMANUELLE NA AMÉRICA (Emanuelle in America, Itália, 1977);
Dir.: Joe D’Amato, com Laura Gemser, Gabriele Tinti e Roger Browne.

Joe D’Amato passeou por todos os gêneros, mas é com a personagem Emanuelle que nota-se que o diretor fica mais à vontade. Poucos saberiam criar um exploitation com tanta categoria ao incluir zoofilia, sexo explícito e violência extrema no mesmo pacote. E mesmo assim costurar tudo com a leveza evocada por Laura Gemser. Somente para os bravos.

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

Que me perdoem os zumbis de George Romero, mas foram os mortos sem olhos de Amando de Ossorio os únicos a me darem calafrios.

THRILLER: A CRUEL PICTURE (Thriller – en grym film, Suécia, 1973);
Dir.: Bo Arne Vibenius, com Christina Lindberg, Heinz Hopf e Despina Tomazani

Uma pequena obra-prima do exploitation e que se tornou a referência do rape-revenge. Christina Lindberg mostra que usando apenas um olho pode criar uma das personagens icônicas da história do cinema. E, ainda que muita gente critique, as sequências em slow motion são um espetáculo à parte.

SUSPIRIA (Itália, 1977);
Dir.: Dario Argento, com Jessica Harper, Stefania Casini, Flavio Bucci

Dario Argento não é só um dos maiores mestres do cinema italiano, mas do mundo. E Suspiria é para mim a obra que sintetiza tudo o que há de melhor em seus filmes: cenários magníficos, suspense eficiente e um conto de horror que retoma o melhor clima gótico em uma roupagem contemporânea.

PELO AMOR OU PELA MORTE (Dellamorte Dellamore, Itália/França/Alemanha, 1994); Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

Uma obra-prima e sensível do cinema fantástico.

CONFISSÕES DE UM COMISSARIO DE POLÍCIA AO PROCURADOR DA REPÚBLICA (Confessione di un commissario di polizia al procuratore della repubblica, Itália, 1971); Dir.: Damiano Damiani, com Franco Nero, Martin Balsam e Marilù Tolo

Um filme policial que consegue, graças ao indubitável talento de Damiano Damiani, ser mais violento que seus pares apresentando pouquíssimas cenas de tiroteio e perseguição.

ESCALOFRÍO (Espanha, 1978);
Dir.: Carlos Puerto, com Ángel Aranda, Sandra Alberti, Mariana Karr

Outro exemplar do cinema espanhol, confirmando a total capacidade deste povo em realizar obras absolutamente perturbadoras, desta vez em uma mistura de magia negra e erotismo.

GRADIVA (C’est Gradiva qui Vous Appele, França/Bélgica, 2006)
Dir.: Alain Robbe-Grillet, com James Wilby, Arielle Dombasle e Dany Verissimo-Petit

O veterano Alain Robbe-Grillet entrega nada menos que uma aula de cinema no último longa-metragem de sua vida, ao contar a história de um historiador da arte que se envolve em um estranho mundo de sadomasoquismo.

MALADOLESCENZA (Alemanha/Itália, 1977)
Dir.: Pier Giuseppe Murgia, com Lara Wendel, Eva Ionesco e Martin Loeb

Um dos filmes mais incômodos e perturbadores produzidos na Europa (e no mundo). Embora os críticos chamem muito mais a atenção para as cenas de nudez e sexo simulado entre pré-adolescentes (uma delas filha da famosa fotógrafa Irina Ionesco) é um dos mais brutais retratos já feitos da psique infantil. Sempre me imagino o que Freud acharia desse filme.

SCHRAMM (Alemanha, 1996)
Dir.: Jörg Buttgereit, com Florian Koerner von Gustorf e Monika M.

Jörg Buttgereit é um diretor de poucos filmes, mas que nunca decepcionou. E não é diferente ao contar a história do taxista psicopata Schramm. O diretor consegue entregar uma obra fria e incômoda, definitivamente não indicada para pessoas sensíveis.

NOITES VERMELHAS (Nuits rouges, França/Itália, 1974)
Dir.: Georges Franju, com Gayle Hunnicutt, Jacques Champreux, Josephine Chaplin

Um dos filmes mais deliciosos saídos da França e da mente do mestre do fantástico, Georges Franju. Um conto de mistério e suspense onde um gênio do crime tenta, a todo custo, encontrar um tesouro perdido ao mesmo tempo que despista a polícia.

affiche-Levres-de-sang-1974-1  vampyros-lesbos 1971 poster

RATOS E ZUMBIS: DOBRADINHA MATTEI/FRAGASSO

4bxmu4Y

Anunciaram essa semana que vão lançar em breve um blu-ray com dois filmes da dupla Bruno Mattei e Claudio Fragasso, RATS – NOTTE DI TERRORE (84) e VIRUS – L’INFERNO DEI MORTI VIVENTI, aka HELL OF THE LIVING DEAD (80). Claro que a qualidade de imagem em alta definição não vai fazer muita diferença para quem já considerava esse tipo de produção puro lixo cinematográfico. Não vai transformá-los em obras-primas do horror oitentista. Mas para quem, como eu, sabe admirar essas tralhas italianas (ou seja, tem um puta mau gosto), será uma delícia poder rever essas belezinhas numa resolução mais adequada. Se é que vão mesmo fazer um bom trabalho de restauração. Esperamos que sim.

Dica para quem não conhece o trabalho dos realizadores e que serve também para uma porrada de outros nomes. Primeiro, Bruno Mattei e Claudio Fragasso (que não foi creditado em nenhum dos dois filmes) são considerados alguns dos piores diretores de todos os tempos pela crítica “séria” e cinéfilos coxinhas. Tendo isso em mente, já conhecendo o terreno no qual estamos pisando, ninguém vai sentar para assistir a um filme desses caras achando que vai ver encontrar algo do nível de um Mario Bava ou Dario Argento, certo? Esqueça qualquer tipo de virtuose cinematográfica. Segundo: arranje algumas bebidas, uns petiscos, chame uns dois amigos que tenham bom humor e que gostem pelo menos um pouco de filmes de terror sem grandes pretensões e pronto, não tem como não errar.

ratsnot7
Rxv80UV

Foi exatamente assim que me deparei com RATS há alguns anos. A diversão é garantida e foi impossível não ficar tirando sarro das situações absurdas, as atuações ridículas de todo o elenco e do trabalho técnico da produção que parecia não ter dinheiro nem pra bancar um lanchinho para a equipe nos intervalos das filmagens. A trama se passa num futuro pós-apocalíptico, quando um grupo de figuras simpáticas, que parecem saídos dos filmes MAD MAX, chega numa cidade devastada e abandonada onde resolve passar a noite. Mas algo terrível acontece: eles são atacados por perigosos e terríveis ratos!

E entre alguns momentos bizarros e outros que só servem para encher linguiça e dar sono, dá-lhe baldes de ratinhos de borracha pra cima dos atores! Ok, eu entendo que o Bruno Mattei não queria que sua obra virasse motivo de chacota, mas é bem melhor que tenha se tornado essa comédia involuntária divertidíssima que realmente é do que uma simples porcaria sem degustação que não serve para nada. E a revelação final é um dos momentos mais SUBLIMES de toda a história do cinema eurocult!

bscap0002

VIRUS é outra peça de rara beleza da  sétima arte. Eu vi mais recentemente e não foi exatamente nas condições que eu alertei ali em cima. Claro, havia um inebriante para acompanhar, mas assisti sozinho. Não sei se posso me chamar de experiente nesse universo, o que importa é que mesmo assim eu curti pra cacete essa tosqueira do Mattei. Eu falo que é do Mattei porque ele é mesmo o diretor, o Fragasso dirigiu algumas poucas cenas e chegou a ser creditado como assistente de direção.

Na trama, um experimento numa fábrica, em um país subdesenvolvido qualquer, dá errado e espalha um gás pelo resto do mundo! Um gás que transforma os mortos em zumbis, diga-se de passagem. Uma equipe da SWAT (!?), cujos uniformes são idênticos aos dos personagens de DAWN OF THE DEAD, do George A. Romero, é enviado até a tal fábrica para recolher alguns documentos e vestígios que possam ser úteis para esclarecer que raios aconteceu ali. No caminho, resgatam uma antropóloga (Margit Evelyn Newton) e seu cinegrafista, e enfrentam os perigos de uma região infestadas por zumbis.

hotld_shot2l

VIRUS é uma das maiores provas “vivas” da picaretagem desses italianos. Como grande parte da história se passa numa selva, Mattei/Fragasso e companhia utilizaram cenas de documentários para contribuir na ambientação, para não precisar viajar e levar equipe de filmagens e registrar a fauna, flora e tribos indígenas de outros continentes, afinal, o orçamento não era dos melhores. Uma prática comum, na verdade, em filmes como CANNIBAL HOLOCAUST, por exemplo, percebe-se várias cenas recicladas de stock footage retiradas de um National Geographic qualquer e tal, mas aqui a coisa é bizonha!

A título de curiosidade, utilizaram cenas de um documentário chamado NUOVA GUINEA, L’ISOLA DEI CANNIBALI (74) e também o doc clássico francês DES MORTS (79), mas é muito provável que tenha mais coisas por aí…

2dOePkd

Em determinado momento vemos elefantes africanos na tela, em outros instantes, tribos indígenas e animais silvestres da fauna da Nova Guiné, e por aí vai… Em que mundo se passa o filme? Os caras perderam totalmente a noção. E a maneira exagerada que essas imagens são colocadas e abusadas no meio da narrativa é impressionante, são cenas inteiras que “dialogam” de maneira esquisita com a película do filme, seja pelo o aspecto dessas imagens, que é totalmente diferente em termos de granulação, iluminação, cores, seja porque simplesmente a coisa não cola… E é por isso que eu amo esse cinema!

Só por esses detalhes já valeria a pena dar uma olhada em VIRUS. O roteiro de Fragasso garante, ainda, outros vários momentos da mais pura elegância narrativa. Mesmo nas partes chatas, há sempre algo que te surpreende, uma frase que te deixa feliz. Uma das minhas cenas favoritas é quando a personagem da Newton precisa entrar numa tribo antes dos demais, pois conhece os costumes do local e não quer correr riscos de algum tipo de confronto. Ela diz  “Eu vou na frente… E sozinha“, pra logo em seguida começar a arrancar a roupa na maior seriedade do mundo, sob o olhar dos outros personagens, apenas para o filme ganhar um pouco de nudez gratuita.

VirusCannibale6

Ah, esses italianos… Destaque também para a trilha sonora do Goblin, que se não é das mais inspiradas do grupo, pelo menos funciona para o tipo de filme que temos aqui. E a violência, claro, também chama a atenção, com muito sangue e efeitos de maquiagens caseiros, mas até que bem feitos. Não faltam cabeças alvejadas e esmagadas, mordidas que arrancam pedaços, personagens morrendo da maneira mais estúpida possível, enfim, tem de tudo e mais um pouco para toda a família. São todos ingredientes e ideias que Mattei e Fragasso conseguiram aproveitar de outros filmes de zumbis da época – chamam isso de inspiração – e que fazem de VIRUS um dos mais divertidos zombie movies do país da bota.

INVENTÁRIO EUROCULT #1

Estava pensando numa maneira de desenvolver um guia para iniciantes e interessados pelo universo Eurocult/Eurotrash e me veio a ideia de compilar listas de filmes favoritos. Por que não? Assim dá pra criar um inventário com os títulos essenciais e outros mais obscuros e que funcionam como uma “listas de compras” com os exemplares que precisamos conferir. Portanto, Convidei alguns amigos, blogueiros e especialistas que sei que já se enveredaram por essas estranhas paragens do cinema e que não iriam nos decepcionar.

Alguns já atenderam a requisição. Os outros, à medida em que forem me enviando, vou postando por aqui. Mas não precisamos esperar por eles também. Qualquer um pode participar, basta enviar a sua para o meu email (ronaldperrone@gmail.com) e terá sua lista adicionada ao inventário.  Dez eurocults favoritos, podem ser filmes europeus de qualquer gênero e de qualquer qualidade. Do horror ao peplum, do giallo ao Spaghetti Western, das tranqueiras do Bruno Mattei e Andrea Bianchi à elegância de um Mario Bava e Dario Argento. Enfim, seus dez filmes favoritos desse universo do cinema europeu. Pode ser em ordem, ou não, com breves comentários, ou não, tanto faz…

O primeiro a atender o pedido foi o meu amigo Osvaldo Neto. O sujeito nada mais é que o Guru dos filmes B, o maior especialista em filmes de baixo orçamento e microbudgets que se tem notícia em território brasileiro. Morador de Recife, tem colaborado e desenvolvido vários projetos ligados a cinema por lá. Um pouco do seu trabalho pode ser conferido no blog Vá e Veja. Quando ele atualiza, claro. E aqui vão os Eurocults favoritos do homem (eu pedi apenas dez, mas ele não se conteve e mandou quinze):

danger_diabolik_poster_032233292578_e212ac7ab0_o

O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE (L’Armata Brancaleone, Itália/França/Espanha, 1966); Dir. Mario Monicelli, com Vittorio Gassaman, Gian Maria Volonté e Barbara Steele

DJANGO VEM PARA MATAR (Se Sei Vivo Spara, Itália/Espanha 1967);
Dir. Giulio Questi, com Tomas Milian e Ray Lovelock

O SAMURAI (Le Samourai, França/Itália, 1967);
Dir. Jean Pierre Melville, com Alain Delon

PERIGO: DIABOLIK (Diabolik, Itália/França, 1968);
Dir. Mario Bava, com John Philip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli e Adolfo Celi

EUGENIE (Espanha/Alemanha, 1970);
Dir. Jess Franco, com Marie Liljedahl, Maria Rohm, Jack Taylor e Christopher Lee

A NOITE DO TERROR CEGO (La noche del terror ciego, Espanha/Portugal, 1972);
Dir. Amando De Ossorio, com Lone Flaming, César Burner e Helen Harp

EXPRESSO DO HORROR (Horror Express, Espanha/Inglaterra, 1972);
Dir. Eugenio Martín, com Peter Cushing, Christopher Lee e Telly Savalas

MILANO ODIA: LA POLIZIA NON PUÒ SPARARE (Almost Human, Itália, 1974);
Dir. Umberto Lenzi, com Tomas Milian e Henry Silva

BUIO OMEGA (Beyond the Darkness, Itália, 1979);
Dir. Joe D’Amato, com Kieran Canter, Cinzia Monreale e Franca Stoppi

UN UOMO IN GINOCCHIO (A Man on His Knees, Itália, 1980);
Dir. Damiano Damiani, com Giuliano Gemma, Eleonora Giorgi e Michele Placido

A MANSÃO DO INFERNO (Inferno, Itália, 1980);
Dir. Dario Argento, com Leigh McCloskey, Daria Nicolodi e Alida Valli

VIRUS (Hell of the Living Dead, Itália/Espanha, 1980);
Dir. Bruno Mattei (e Claudio Fragasso), com Margit Evelyn Newton

TERROR NAS TREVAS (…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà, aka The Beyond, Itália, 1981); Dir. Lucio Fulci, com Katherine MacColl, David Warback, Antoine Saint-John, Veronica Lazar e Al Cliver

DEMONS (Dèmoni, Itália, 1985);
Dir. Lamberto Bava, com Urbano Barberini e Natasha Hovey

DELLAMORTE DELLAMORE (Cemetery Man, Itália/França/Alemanha, 1994);
Dir. Michele Soavi, com Huppert Everett e Anna Falchi

Horror Express

INFERNO IN DIRETTA (aka Cut and Run, 1985)

926ab1fb414d6a7d15f054003772485e

INFERNO IN DIRETTA fecha uma espécie de trilogia da selva do diretor Ruggero Deodato, se considerarmos ULTIMO MONDO CANNIBALE e CANNIBAL HOLOCAUST como trabalhos da mesma, digamos, natureza. Mas é curioso saber como o filme surgiu. O primeiro tratamento do roteiro foi escrito (e seria dirigido) pelo Wes Craven e carregava o título provisório MARIMBA. Quando a busca de financiamento fracassou, reza a lenda que os produtores decidiram que não devolveriam o script para o Craven. Outro detalhe é que na mesma época já tentavam convencer o Deodato de realizar uma continuação de CANNIBAL HOLOCAUSTO, mas o sujeito se interessou mesmo pelo tal roteiro engavetado, que acabou resultando neste filme aqui.

Embora CANNIBAL HOLOCAUSTO seja, merecidamente, o trabalho mais notório da carreira do diretor, INFERNO IN DIRETTA consegue ser bem mais bizarro e absurdo pela miscigenação de gêneros e estilos colocados num único filme. Deodato consegue equilibrar terror, ação, aventura com a mesma atmosfera de seus cannibal movies, e ainda encontra inspiração em APOCALYPSE NOW, do Coppola, com direito a um coronel maluco comandando nativos no meio da selva.

cut_and_run6

Se funciona essa mistureba? Depende muito de cada espectador, mas ajuda bastante se você for fã do diretor. O negócio é que é impossível ficar indiferente com o poder das imagens concebidas por um sujeito como Ruggero Deodato atrás das câmeras. O cara não tem piedade com o público e suas aventuras na selva nunca serão experiências simples e banais. O diretor possui criatividade, talento e coragem suficiente para realizar um filme forte, singular, e que não fosse mais um rip-off de CANNIBAL HOLOCAUST como os que surgiam aos montes na época, embora utilizasse os os mesmos elementos de outrora. Ou seja, temos aqui um menu bem recheado para satisfazer os apreciadores de um bom cinema extremo, como violência explícita, decapitações, corpos abertos ao meio, torturas, crocodilos devorando cadáveres, nudez gratuita e claro, o trabalho da mídia sem escrúpulos… da mesma forma que em CANNIBAL HOLOCAUST, só que retrabalhado de diferentes maneiras, mantendo o frescor das ideias.

Após uma abertura chocante para habituar os espectadores com o nível de violência, a trama inicia com uma repórter (Lisa Blount) e seu cameraman em meio a uma investigação jornalística sobre tráfico de drogas em Miami. Em um dos locais investigados, todos os traficantes foram mortos misteriosamente e quando a dupla chega, encontra os corpos, o quarto revirado, e uma foto onde aparece Tommy, o filho do editor do programa para quem os dois repórteres trabalham e que estava desaparecido! Que puta coincidência! Na foto ele se está no meio da selva amazônica junto com o coronel Horne (Richard Lynch), sujeito dado como morto há anos. Convencendo o editor a financiar uma expedição e mais um pouco de enrolação, a dupla parte para o coração das trevas da floresta Amazônica em busca de Tommy e de uma boa matéria sobre o lance das drogas. Chegando lá, dão de cara com o terror que só mesmo um mestre do cinema extremos como Ruggero Deodato saberia proporcionar.

cut_and_run5

Além da grande variedade de elementos que Ruggero dispõe para manter o público ligado do início ao fim, outro grande destaque é o elenco formado com alguns nomes americanos como Karen Black, o genial Richard Lynch e o grande Michael Barryman, protagonizando algumas das sequências mais brutais de INFERNO. Barryman, que já havia trabalhado com o Wes Craven em QUADRILHA DE SÁDICOS, foi um dos remanescentes do projeto inicial. Também vale mencionar a excelente trilha sonora do ítalo-brasileiro Cláudio Simonetti, que auxilia na ambientação com seus sintetizadores, além da fotografia caprichada das belezas naturais da selva venezuelana.

Mas a grande sacada dos roteiristas é a referencia a APOCALYPSE NOW, ou melhor, a O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, muito bem representado no papel do coronel Horne e magnificamente desempenhado por Richard Lynch. A cena em que o ator discursa deitado numa rede tem a mesma força que as sequências de Marlon Brando no filme de Coppola… guardando as devidas proporções, obviamente. De qualquer maneira, são grandes momentos que eleva INFERNO IN DIRETTA à outro nível.

0f9d99f598cb439e8e733a3c7bb9892c

Deodato esteve envolvido há alguns anos com um projeto ligados a canibais, selva, etc, que não sei exatamente que fim levou, mas tudo indica que nunca vai acontecer… E não sei também se isso é bom ou ruim, tendo em vista CARIBBEAN BASTARDS, uma porcaria que o Enzo G. Castellari realizou após muitos anos sem filmar. Por enquanto, prefiro ficar com as dezenas de filmes que o sujeito realizou ao longo da carreira e que eu ainda não vi, mas já adianto que uma das experiências mais divertidas concebidas por Ruggero Deodato é, sem dúvida alguma, INFERNO IN DIRETTA!

LA BESTIA NELLO SPAZIO (1980)

bscap0012

Em 1977, os cinemas do mundo assistiram a estreia de STAR WARS, o clássico de George Lucas que, para o bem e para o mal, revolucionou o gênero sci-fi e o próprio universo do chamado “filme de verão americano”, ou blockbuster. O grande sucesso do filme inevitavelmente gerou imitações menos abastadas, mas, em alguns casos, até mais divertidas que o próprio filme estrelado por Mark Hammil e Harrison Ford. STARCRASH, de Luigi Cozzi, por exemplo. Os turcos fizeram sua versão, nos Estados Unidos choveu rip-offs, e até Os Trapalhões, no Brasil, aproveitaram da fórmula. Mas um sujeito que realmente se beneficiou com a exploração do filme de Lucas foi o italiano Alfonso Brescia (que assinava sob o pseudônimo Al Bradley para o mercado internacional). Entre 1977 e 1980, o homem escreveu e dirigiu cinco exemplares que desfrutavam das ideias de STAR WARS e do seu êxito comercial naquele período.

O modelo de realização desses filmes era bem simples e contribuíam para o baixo orçamento que tinham essas produções. Os realizadores construíram alguns cenários e uma única leva de objetos cenográficos, como vestuários e elementos de efeitos especiais, de forma que tudo pudesse ser reaproveitado mais de uma vez em filmes diferentes. Em seguida, os roteiros que escreviam eram adequados de acordo com o que possuiam de antemão. Daí surgiram WAR OF THE PLANETS (aka Anno Zero: Guerra Nello Spazio, 77); WAR IN SPACE (Battaglie negli Spazi Stellari, 78); WAR OF THE ROBOTS (La Guerra dei Robot, 78)  e SPACE ODYSSEY (Sette Uomini D’Oro nello Spazio, 79). Faltou, claro, LA BESTIA NELLO SPAZIO. Mas a gente chega lá…

bscap0007

Os três primeiro filmes citados eram sci-fi‘s que se esforçavam em ser produtos mais, digamos, sérios. Já o quarto exemplar, chutava o balde e parodiava esses rip-offs de STAR WARS, que haviam se tornado tão comuns naquela época. O problema é que na entrada da década de 80, esses filmes já começavam a demonstrar  sinais de cansaço criativo, embora no caso do Brescia ainda houvesse fôlego para mais. E então, o que fazer?

Bem, por que não acrescentar um estímulo erótico para apimentar as coisas? Ou seja, uma dose da boa e velha sacanagem! Vindo desses italianos picaretas, até que não era má ideia. No entanto, como a crise de criatividade parecia estar mesmo brava, até pra colocar sexo no filme precisaram buscar inspiração em outra produção. A vítima foi LA BÊTE, de Walerian Borowczyk, lançado cinco anos antes. Brescia não apenas aproveitou as ideias bizarras de LA BÊTE, o monstro peludo e pirocudo interessado nas reentrâncias de vestais desavisadas num bosque, como também pegou a atriz principal do filme do Boro, Sirpa Lane, para estrelar sua ficção científica. E foi pegando um pouco daqui, um bocado dalí, um quê de Buck Rogers, STAR TREK, O BURACO NEGRO da Disney, além de STAR WARS, obviamente, e assim surgiu LA BESTIA NELLO SPAZIO.

bscap0000

Nossa história começa com o Capitão da Frota Espacial Larrry Madison (Vassili Karis). Antes de zarpar para uma nova missão, o sujeito passa num boteco, pede um leite de Urânio, e dá uma paquerada nas moças. Ao adentrar o recinto, logo avista a sexy Sondra (Lane), mas precisa trocar umas porradas com a concorrência para conquistá-la. Seu oponente é Juan (Venantino Venantini), uma espécie de Han Solo de araque e, durante a briga, Larry descobre que Juan possui Anatalium, um raro elemento mineral bastante visado.

No fim das contas, Larry leva Sondra pro coito. Durante a noite, a moça acorda após ter um pesadelo recorrente no qual ela está no filme LA BÊTE, do Boro… Quer dizer, na verdade ela está sendo perseguida num bosque por um sujeito que é metade homem, metade animal. A metade animal é da cintura pra baixo, e, por consequência, a manjuba do sujeito é de fazer inveja a qualquer homem dentro do padrão médio de medição de órgão sexual masculino. Mas Larry não dá muita bola pro sonho de Sondra.

bscap0001

No dia seguinte, Larry é escalado para liderar uma missão até Lorigon, um planeta aparentemente inexplorado, em busca do tal mineral. E, vejam só, por uma coincidência daquelas, Sondra faz parte da tripulação, que é composta por quatro homens e três mulheres… Portanto, pelos meus cálculos, alguém vai ficar chupando o dedo. No trajeto, chegando perto de seu destino, a nave do capitão Larry é atacada por uma outra, comandada pelo desafeto do bar, Juan, e precisa fazer um pouso forçado em Lorigon.

Já no local, com a nave avariada, decidem explorar a região e seguir com os planos iniciais enquanto o trabalho de reparação é realizado. Não sei dizer porquê, mas o planeta parece um pouco o interior da Itália já visto em outros filmes…  Ao longo do caminho em busca do Anatalium, utilizando um detector que rastreia o mineral, o grupo avista um cavalo e uma égua acasalando e, por alguma razão, faz com que todos fiquem deslumbrados e as moças com um tesão danado, coçando a periquita. Em seguida, eles continuam o caminho sem nunca mencionar o ocorrido… Mas deu pra perceber que o planeta estava mexendo com a libido desses respeitáveis astronautas.

bscap0009

A medida em que o grupo avança, Sondra atenta constantemente sobre as semelhanças que todo aquele ambiente tem com os seus sonhos. O que inclui um castelo que encontram e descobrem que o planeta não é tão inexplorado assim. Dentro do recinto, são bem recebidos por Onaph, o único humano de Lorigon. Ele explica para seus visitantes que o Anatalium é o bem mais precioso do local, que diminui o seu envelhecimento e que todo o planeta e seu recurso mineral é controlado por um super computador chamado Zocor.

Mas os astronautas já não parecem muito interessados naquilo. Aparentemente Zocor também controla as mentes das pessoas. Depois de servir um banquete, inclusive com a presença de Juan que resolveu dar o ar da graça, agora todo amigável, o filme se torna num verdadeiro bacanal. Ninguém é de ninguém e, na versão xxx que eu assisti, rola até cenas de sexo explícito inseridas na edição. São claramente filmadas com outros atores, em outro momento, com outra iluminação, mas até que ficaram convincentes em alguns takes.

bscap0015

De qualquer forma, no meio da putaria, Onaph acaba se revelando o indivíduo metade homem, metade besta dos sonhos de Sondra, que termina estuprada por ele, apesar de depois do ocorrido, ela fique querendo um repeteco… vai entender. O único que não participa da festa é Juan, que sabe dos esquemas de bastidores e toma pílulas que bloqueiam o controle mental do super computador. Decidido a estragar a suruba, o sujeito espalha a pílula para a tripulação, que sai do transe erótico e entra em outro tipo de ação, agora com raios laser e sabres de luz contra um exército de robôs com perucas loiras vindo de um outro filme do Brescia, para destruir o Zocor e roubar o Anatalium.

vlcsnap-105656

Enquanto um STAR WARS da vida tem lá sua narrativa bem estruturada e ritmada, LA BESTIA NELLO SPAZIO possui o padrão tipicamente europeu, com toques que poderíamos chamar de surrealistas, ou oníricos, mas que, na maioria das vezes não passa de insanidade desses realizadores italianos, como Bruno Mattei, Claudio Fragasso, Andrea Bianchi… E o Brescia vai pelo mesmo caminho por aqui, especialmente quando se trata de situações envolvendo sexo. Sempre que pode, o sujeito gasta bastante tempo da narrativa explorando detalhes ginecológicos de seu elenco. Fazer o que se foi esse o diferencial que Brescia encontrou para justificar mais uma produção de ficção científica? E só mesmo no final que há um clímax mais movimentado, com batalhas, lutas e explosões.

Até que não tenho muito do que me queixar das cenas de sexo, embora não sejam lá muito excitantes. Mas mostram nudez suficiente para manter o público alegre. A exceção é a atriz finlandesa Sirpa Lane, que além de possuir uma beleza escandinava exótica, não tem pudores de ficar sem roupa na frente das câmeras e entrega um bom desempenho, seja nos poucos momentos “dramáticos”, seja nas muitas e insaciáveis sequências de sexo. Outro que merece destaque é Vassili Karis, que apesar de não ter o tipo físico de herói, consegue convencer no papel do capitão. O resto do elenco são figurinhas carimbadas do universo eurocult e não se esforça mais do que lhe é exigido.

bscap0014

Os iniciados no universo eurocult vão se esbaldar com os diálogos ruins, as atuações péssimas, os efeitos especiais que parecem de uma ficção científica da década de 30, as situações ridículas e absurdas e a maneira como Brescia encontra para filmá-las, é uma surpresa atrás da outra. O episódio do casal de equinos copulando, por exemplo, é hilário! Percebe-se claramente que as imagens foram inseridas de qualquer jeito sem qualquer tipo de preocupação: são stock footage filmados numa janela diferente do filme e acaba aparecendo esticados na tela; os cavalos estão com as rédeas e, pasmem, no fundo há um celeiro aparecendo na cara dura… E isso porque era pra ser um planeta inexplorado! A cena em que Onaph revela sua “identidade” da cintura pra baixo, e tudo que rola a partir daí, pode ser constrangedor, mas é digna de antologia do cinema eurotrash! Da mesma forma a batalha com os robôs dourados no final, conduzida de maneira tosca e desajeitada, mas com um charme e picaretagem de fazer inveja! Quando os personagens sacaram os sabres de luz eu simplesmente fui ao delírio!

E é por essas e outras que LA BESTIA NELLO SPAZIO vale uma conferida. Deixando bem claro que não quero pintá-lo como uma obra prima, ou algo de qualidade, pelo contrário, tenho plena consciência de que se trata de uma bobagem sem tamanho que não se deve levar a sério. Mas que acaba divertindo exatamente por esses detalhes toscos e pelo grau de insanidade e picaretagem que encontramos nesse tipo de produção. Acho até que para o espectador “comum”, sem muito contato com o cinema eurocultLA BESTIA NELLO SPAZIO não seria uma recomendação muito acertada. É preciso ter consciência que não é sempre que esses realizadores vão entregar um TERRORE NELLO SPAZIO (65), do maestro Mario Bava, esse sim uma obra -prima da ficção científica. Mas se querem assistir a um bom rip-off de STAR WARS pra começar, que seja STARCRASH, do Cozzi! Enfim, pra finalizar, deixo de presente essa bela imagem de Onaph, o Fauno bizarro e tarado do filme. Só espero que não tenham pesadelos como a Sondra…

vlcsnap-101865

DIRTY LOVE (Amore Sporco, 1988)

bscap0012 bscap0013 bscap0014 bscap0031

Aqueles filmes dos anos 80 que retratam a dura vida no universo da dança profissional, tipo FLASHDANCE, DIRTY DANCING e FOOTLOOSE, serviram de inspiração para Joe D’Amato em DIRTY LOVE. A trama é sobre uma moça que resolve encarar a cidade grande em busca do sonho de fazer parte de uma companhia de dança e conseguir uma acirrada vaga numa peça musical. Bem básico. Mas quem já conhece o trabalho do diretor sabe muito bem que D’Amato não está nem um pouco interessado no drama de sua protagonista em busca do seu lugar ao sol. Poucos diretores tiveram colhões quanto D’Amato, e sua obra é das mais ousadas, corajosas e picaretas e toda e qualquer idéia, por mais perturbadora, iconoclasta, sádica e imoral que tivesse, era muito bem aproveitada em seus filmes. Portanto, o interesse principal do D’Amato em DIRTY LOVE é este aqui:

bscap0008 bscap0015 bscap0010

Ou seja, é bem melhor que qualquer FLASHDANCE da vida…

Dois pontos a se destacar. Primeiro, a direção do D’Amato, que me surpreendeu e é realmente boa, com um acabamento bem acima do nível de algumas bagaceiras que o sujeito tinha no currículo. Não sei o que deu no homem, mas demonstra habilidade de um Verhoeven nos movimentos de câmera, enquadramentos elaborados, ritmo. Pena que a produção do filme não devia ter dinheiro pra contratar coreógrafos mais talentosos para as cenas de dança, que são bem fraquinhas, chega a ser constragedor. Mas D’Amato consegue extrair até demais com a câmera. Se bem que isso não importa tanto…

Fiquei na dúvida por um momento se o próprio D’Amato se encarregou do trabalho de diretor de fotografia, algo comum em sua obra, sempre assinando com seu nome verdadeiro, Aristide Massaccesi. Aqui aparece um tal de Federico Slonisco. Mas, já confirmei, trata-se mesmo de D’Amato inventando mais um pseudônimo. Verdade seja dita, o homem é um baita diretor de fotografia e, além dos seus próprios filmes, realizou essa função para alguns nomes importantes do cinema popular italiano, como Demofilo Fidani, Alberto de Martino e Massimo Dallamano.

bscap0018

O segundo ponto que merece atenção só poderia ser essa belezinha aí em cima. Valentine Demy não é atriz de profundo talento dramático, mas é deslumbrante, fogosa e não tem receio algum de tirar a roupa. Perfeita para o papel num filme como este, em que é explorado mais a sua avidez sexual do que o talento pra dança ou drama.  Mas não pensem que a personagem é vagabunda, pelo contrário, é uma mulher forte, liberta e de disponibilidade safa que faz questão de esnobar os boçais, machistas e provincianos que tentam lhe tirar proveito.

Nascida na região da Toscana, Valentine começou a trabalhar como atriz no fim dos anos 80 com diretores do calibre de D’Amato e Tinto Brass. No anos 90 não conseguiu segurar o fogo e entrou no universo dos filmes hardcore. Chegou a atuar sob a direção de grandes autores do gênero no país da bota, como Silvio Bandinelli e Mario Bianchi. Curioso que nunca mais voltou a trabalhar com D’Amato, que passou a década de 90 quase toda fazendo pornografia.

DIRTY LOVE e outros exemplares da época estão aí, para serem vistos e revistos. Em tempos púdicos como os que vivemos, sob a égide do politicamente correto, um filme como este aqui chega a ser um frescor.

bscap0020 bscap0009 bscap0021 bscap0019

PS: É preciso apontar também a presença de Laura Gemser numa pequena participação. Musa de D’Amato, tendo estrelado vários filmes do homem, ela aparece aqui como uma massagista que resolve colocar as mãos em áreas, digamos, mais erógenas da protagonista…