A lista para o Inventário Eurocult de hoje foi uma belíssima contribuição do Matheus Ferraz. Crítico de cinema do site Boca do Inferno e o simples fato de criar um blog para se dedicar ao gênero Nazisploitation demonstram que o sujeito tem bala na agulha e um gosto muito refinado. Além disso, Matheus é romancista e em 2013 lançou seu primeiro livro, Teorema de Mabel, altamente recomendado. Assim como suas escolhas nessa lista, apresentando algumas raridades e recheada com comentários mais que especiais:
O CAÇADOR DE BRUXAS (Witchfinder General, Reino Unido, 1968);
Dir. Michael Reeves, com Vincent Price, Ian Ogilvy e Rupert Davies
Vincent Price é o Mal encarnado nesse filme britânico de Michael Reeves, uma das melhores obras cinematográficas a lidar com a Inquisição. Price interpreta Matthew Hopkins, o caçador de bruxas do título, que executa a “tarefa de Deus” com requintes de crueldade. A imagem final é simplesmente devastadora.
EUGENIE (Espanha/Alemanha, 1970);
Dir. Jess Franco, com Marie Liljedahl, Maria Rohm, Jack Taylor e Christopher Lee
Meio adaptação, meio homenagem à Filosofia na Alcova do Marquês de Sade, este filme dirigido por Jess Franco (em momento Phillip Kaufman) é para paladares refinadíssimos.
A CONDESSA DRÁCULA (Countess Dracula, Reino Unido, 1971);
Dir. Peter Sasdy, Ingrid Pitt, Nigel Green e Sandor Èles
Ingrid Pitt é celebre como Carmilla, mas para mim ela nunca esteve tão linda e diabólica quanto em A Condessa Drácula, onde interpreta a infame Elizabeth Bathory. Esse filme da Hammer explora o vampirismo de forma original, sem apelar para elementos sobrenaturais, mas fazendo uso de bastante erotismo.
IL DECAMERONE NERO (Itália/França, 1972);
Dir. Piero Varelli, com Beryl Cunningham, Djbril Diop e Line Senghor
Produção decamerótica com diversas histórias envolvendo luxúria e situações picantes no coração da África. Com um elenco totalmente negro (exceto por um único ator), esta é uma das melhores produções que saíram na esteira do Decameron de Pasolini e um raro exemplo de filme passado no continente africano que mantém o clima jovial e divertido, sem abordar assuntos de praxe como miséria e pobreza.
AS CONDENADAS, aka GESTAPO’S LAST ORGY (L’ultima orgia del III Reich, Itália, 1977); Dir. Cesare Canevari, com Adriano Micantoni, Daniela Poggi e Maristella Greco.
É estranho como um filme ambientado num campo de concentração pode ser ao mesmo tempo tão grotesco e poético. A trilha sonora é arrebatadora e os atores estão ótimos, especialmente Adriano Micattoni e Daniela Poggi, que vivem um bizarro caso de amor em meio a torturas, coprofilia e canibalismo.
O MALDITO (Mosquito der Schänder, Suíça, 1977);
Dir. Marijan David Vajda, com Werner Pochath, Ellen Umlauf e Birgit Zamulo
Obscuro filme suiço em que Werner Pochath interpreta um solitário surdo-mudo que se dedica a invadir necrotérios e mutilar cadáveres. Apesar dos efeitos pobres, O Maldito se beneficia da fantástica interpretação do seu personagem principal e de diversos momentos oníricos raros nesse tipo de filme.
RITRATTO DI BORGHESIA IN NERO (Itália, 1978);
Dir. Tonino Cervi, com Ornella Muti, Senta Berger, Capucine
Jovem vai a Veneza para estudar piano e acaba se tornando o terceiro elemento no romance incestuoso entre seu melhor amigo e a mãe dele. Isso é só o começo das intrigas sexuais da alta burguesia veneziana, que ainda conta com a jovem lasciva interpretada por Ornella Muti. Filme injustamente desconhecido, com um roteiro bem escrito que envereda por caminhos pouco convencionais.
DA CORLEONE A BROOKLYN (Itália, 1979);
Dir. Umberto Lenzi, com Maurizio Merli, Mario Merola e Van Johnson
Se você acha que Bruce Willis suou a camisa ao guiar um homem marcado para morrer por 16 Quadras, imagine o sufoco que Maurizio Merli tem que passar guiar uma testemunha perigosíssima da Sicília até Nova Iorque! Cheio de perigos e reviravoltas, Da Corleone a Brooklyn encontra seu ápice no choque cultural do crime organizado italiano e o crime não tão organizado dos EUA.
O PÁSSARO SANGRENTO (Deliria, Italia, 1987);
Dir. Michele Soavi. com David Brandon, Barbara Cupisti e Giovanni Lombardo Radice
Mostrando os ataques de um serial killer a uma companhia de teatro, O Pássaro Sangrento é um slasher arthouse, e pelo menos para mim a obra-prima de Michelle Soavi. A caracterização do assassino é soberba, e os assassinatos deixam qualquer Sexta-Feira 13 no chinelo.
O MONSTRO (Il Mostro, Itália/França, 1994);
Dir. Roberto Begnini, com Roberto Begnini, Michel Blanc e Nicoletta Braschi
Roberto Benigni interpreta um inocente salafrário que, sem saber, está sendo caçado pela polícia, suspeito de ser o assassino cruel que aterroriza a cidade. Comédia de erros perfeita e inescrupulosa, que ganha pontos pela presença da deusa Nicoletta Braschi, esposa de Benigni na vida real.


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Gostei desse blogue, principalmente por dar destaca aos filmes europeus obscuros. Desses aí eu só assisti ao excelente Pássaro Sangrento e o divertidíssimo O Monstro, mas iriei atrás dos outros.
Finalmente alguém fez justiça a “Il Mostro”. Filme foda. Desde que começaram a acusar o Woody Allen de ter abusado da filha que eu o imagino como personagem desse filme hahahaha (aliás acho até que o Benigni se inspirou nos filmes do Allen da época do “Tudo o que vc sempre quis saber sobre sexo…”
“…mas tinha medo de perguntar”
Master Bates
Realmente o “Il Mostro” é muito bom, um comédia como não se faz a muito! Ainda há pouco tempo revi com a esposa que não conhecia esta beleza.
Fiquei muito curioso com esse DA CORLEONE A BROOKLYN. Sou fã de Maurizio Merli, mas nunca encontrei esse filme no «supermercado do povo».
E a realização é do Umberto Lenzi, ou seja, é obrigatório!