ALGUMAS OBRAS-PRIMAS CONFERIDAS EM 2025

Pra finalizar o período de listas de 2025. Aqui vai uma pequena relação de dez filmes conhecidos ou não, celebrados ou não, que, seja lá por quais motivos, só fui assistir pela primeira vez no ano passado. Não tem posições de preferência, coloquei em ordem cronológica mesmo, mas alguns provavelmente entrariam numa lista atualizada dos meus 100 filmes favoritos.

Os textículos que acompanham são de anotações do meu Letterboxd.

INTOLERANCE: LOVE’S STRUGGLE THROUGHOUT THE AGES
1916, de D.W. Griffith

Épico monumental, com a montagem inovadora e a grandiosidade das cenas que ainda surpreendem depois de mais de um século. Quatro histórias interligadas que mostram como a intolerância atravessa eras. Absolutamente magnífico.

THE ROAD TO YESTERDAY
1925, de Cecil B. DeMille

Mistura fascinante de romance contemporâneo e drama histórico de época. Através de um acidente de trem (aliás, uma cena espetacular!), o filme nos transporta para o século XVII, sugerindo que os conflitos amorosos e de outras particularidades do presente são ecos de vidas passadas e pecados não resolvidos. O puro suco do entretenimento da “velha Hollywood”.

THE UNKNOWN
1927, de Tod Browning

Melodrama grotesco e cruel. Lon Chaney é um criminoso que finge não ter os braços para trabalhar em um circo e esconder sua identidade, mas acaba desenvolvendo uma obsessão doentia por uma moça, (Joan Crawford), traumatizada por homens de braços fortes. A performance de Chaney “sem braços” é visceral e o filme leva o drama ao extremo, numa história de amor doentia que termina em puro horror.

HELLZAPOPPIN’
1941, de H. C. Potter

Os primeiros 15 minutos. Um dos momentos mais inventivos que eu já pude testemunhar num filme. O restante não chega no mesmo nível, mas mantém a graça. Um caos delicioso que atropela a lógica narrativa com metalinguagem, piadas visuais, quebra da quarta parede e nonsense puro, que ignora qualquer tentativa de coesão para mergulhar numa anarquia cômica. Antecipa o humor de Monty Python, Looney Tunes, Mel Brooks, ZAZ.

Um clássico subversivo que impressionou todo mundo com quem eu falei pós sessão, nos Encontros de Cinema do Fundão, em Portugal. Quem escolheu o filme pra passar, com carta branca, foi o maestro Enzo G. Castellari, que estava presente na sessão. Histórico.

20,000 LEAGUES UNDER THE SEA
1954, de Richard Fleischer

What is it?
Burial ceremony under the sea.

E de repente estamos assistindo a algumas das imagens mais incríveis da história do cinema. O Nautilus é um mundo onde maravilha e horror convivem. Onde enterros subaquáticos têm a serenidade de um rito ancestral e monstros gigantes emergem como parte natural desse universo. No centro tá o Capitão Nemo de James Mason, figura trágica empurrada pelo ódio e pela perda. Um gênio que oscila entre tirano e criança ferida, e o filme acompanha esse abismo. Ao seu redor, Kirk Douglas encarna o impulso mais terreno, quase um contraponto humano à grandiosidade sombria do capitão.

Fleischer filma esse universo de Julio Verne com uma rara clareza imaginativa. É até curiosa a sua escolha para comandar essa super produção. Richard Fleischer é filho de Max Fleischer, um dos maiores concorrentes da Disney, pioneiro no desenvolvimento de desenhos animados. Responsável pela transformação de personagens de história em quadrinhos para a animação, como Betty Boop e Popeye. E, bom, este filme é uma produção da Disney.

Consta que Fleischer chegou a procurar Walt Disney pra perguntar se ele sabia quem ele era, de quem era filho. E Disney respondeu que sabia muito bem e que o contratara porque o considerava a melhor pessoa para o trabalho. E de fato, era mesmo. Em outra entrevista, para a Cahiers, na época de VIAGEM FANTÁSTICA (1966), Fleischer ressalta a influência de seu pai pro visual de seus filmes e que este aqui especificamente é quase um desenho animado. Mas é também um grande trabalho de cinema. A cada sequência de 20,000 LEAGUES UNDER THE SEA parece que seu cinema tenta tocar algo absoluto, algo que os olhos nunca viram antes, a beleza, o terror, o desejo de compreender o que nunca se deixa agarrar. É uma aventura clássica com alma inquieta, uma das grandes sinfonias visuais que Hollywood já produziu.

VIOLENT SATURDAY
1955, de Richard Fleischer

Tenho visto muitos Fleischer atualmente, então… O filme pega a estrutura de um heist movie, filme de assalto, e transforma num raio-X de uma cidadezinha americana hipócrita. A trama acompanha três criminosos preparando um assalto a banco enquanto, em paralelo, a comunidade vive seus pequenos dramas de adultério, dívidas, alcoolismo, frustração sexual, covardia, etc… Fleischer filma em CinemaScope e cores vibrantes, criando um contraste maravilhoso entre o visual “postal” da cidade e a podridão moral que vai emergindo. Cada enquadramento é milimetricamente pensado, o que torna isso aqui um prazer aos olhos. O nível é esse aqui:

E a geografia, a noção do espaço durante algumas sequências, como a do assalto ou no clímax na fazenda é de uma clareza e tensão impressionantes. Já demonstra um Fleischer no auge da precisão como diretor de ação. O elenco (formado por gente grande, do nível de Victor Mature, Ernest Borgnine, Lee Marvin) sustenta personagens que parecem arquétipos à primeira vista, mas ganham camadas de fragilidade. É aquele tipo de filme que prova como o cinema de gênero dos anos 50 podia ser ferozmente moderno. Um noir a céu aberto, em Technicolor, que desmonta o mito da comunidade perfeita e termina com uma catarse tão violenta quanto moralmente ambígua. Até o momento em que faço essa peregrinação pelo cinema do homem, é a obra-prima do Fleischer.

WINDOW WATER BABY MOVING
1959, de Stan Brakhage

2025 foi um ano em que me debrucei, por um certo período, no cinema experimental. E inevitavelmente acabei esbarrando em várias coisas de Stan Brakhage, que é, talvez, o grande nome do cinema de vanguarda americano. E foi recompensador. WINDOW WATER BABY MOVING, por exemplo, foi uma das experiências mais fascinantes que tive com cinema nos últimos tempos (só perde pra assistir KEOMA na presença do próprio Castellari). Um filme visceral e poético, o registro documental do nascimento da primeira filha de Brakhage se transforma em percepção sensorial e emocional, com a câmera se movendo de forma hipnotizante, explorando o corpo da mãe, Jane Wodening, e a vida que cresce dentro dela. Entre ternura e desconforto, beleza e choque, redefine o cinema como experiência corporal.

DOG STAR MAN
1965, de Stan Brakhage

Outro Brakhage. Este aqui é o seu épico, o estudo mais radical sobre percepção e visão que o sujeito fez até aquela altura. Um marco do cinema experimental e da arte visual do século XX.

Basicamente, há uma única ação: um lenhador, interpretado por Brakhage, sobe uma colina e corta uma árvore. Mas o filme se desdobra a partir disso e repete partes dessa ação, da paisagem, do universo, com imagens telescópicas do sol, da lua, das estrelas, de sua família, de um coração batendo, dos pulmões e da corrente sanguínea, e mesmo de células microscópicas. A maior parte da fotografia foi feita em 1959-60 e depois editada e reeditada em cinco seções: Prelúdio e Partes Um a Quatro” – Sheldon Renan (no livro Uma Introdução ao cinema Underground Americano)

No Prelúdio, Brakhage estabelece a base conceitual do projeto. Um material visual caótico e denso, composto por sobreposições, distorções e cores que parecem buscar o limite da experiência sensorial. A Parte Um mostra o lenhador subindo a montanha, com seu cachorro e carregando um machado, quase um gesto arquetípico, filmado de forma fragmentada. Uma ação simples que se transforma numa metáfora sobre esforço, existência e consciência. Na Parte Dois a montagem volta a acelerar e se torna mais agressiva. Um retorno às origens da vida, mostra o que parece ser o subconsciente de um recém-nascido. É o ponto alto do filme pra mim, o segmento mais bonito, alternando imagens de um bebê, imagens abstratas e texturas que evocam processos mentais e fisiológicos.

Parte Três segue a mesma linha da Parte Dois. Mas agora me parece uma regressão ainda mais profunda, a da intimidade sexual: corpos, pele, vislumbres de rostos e dos órgãos sexuais (às vezes planos detalhados do que parecem ser o interior dos corpos, coração batendo, músculos, corrente sanguínea), sobreposições com imagens abstratas e mais texturas. E a Parte 4 é o encerramento do ciclo, a figura do lenhador retorna brevemente, mas já dissolvida na abstração. A escalada se torna simbólica, uma tentativa de compreender a experiência visual em sua totalidade, do concreto ao puramente sensorial.

WAVELENGTH
1967, de Michael Snow

Mais cinema experimental. Já tinha visto, há alguns anos, todas as 3 horas de LA RÉGION CENTRALE e agora fui nessa outra maravilha, que é WAVELENGHT. Uma viagem minimalista e meditativa de 45 minutos em que durante a projeção, a câmera estática faz um único e lento zoom, atravessando um loft em Nova York, de um plano geral até uma foto de um oceano que tá pendurada na parede oposta, revelando todos os detalhes do recinto pelo caminho, transformando o espaço banal de um apartamento em algo quase hipnótico. Entre mudanças de luz, filtros, sons e pequenos gestos narrativos, o filme força a encarar o tempo e a percepção quase como uma matéria-prima do próprio cinema. E a beleza do filme tá nessa jornada gradual. É um troço radical, que desafia a percepção das coisas, mas também se revela como uma das mais puras investigações sobre o olhar no cinema.

CAPRICCI
1969, de Carmelo Bene

Isso aqui é pesadíssimo. Uma tentativa de trazer uma sinopse seria algo como dois sujeitos, um escritor e um pintor, após uma briga no apartamento de um deles, se separam. O escritor, junto de sua parceira, passa a se dedicar a provocar acidentes contínuos em um campo repleto de carcaças de automóveis. Já o pintor é recrutado para matar, por meio de um quadro envenenado, um velho, permitindo que sua esposa possa viver com o amante, um outro velho. Mas o que realmente importa aqui é a força da transgressão do cinema de Bene, o seu ataque constante à lógica narrativa e a beleza perturbadora da anarquia visual.

THE HART OF LONDON
1970, de Jack Chambers

Pra finalizar, mais um filme de vanguarda. Brakhage disse que THE HART OF LONDON é “um dos poucos grandes filmes de todo o cinema” e lá fui eu ficar quase 80 minutos hipnotizado diante dessa ambiciosa e fascinante obra de Chambers.

Vou colocar aqui o belo texto do Fred Camper, publicado na última edição da Foco sobre o filme, porque particularmente, nem tenho muitas condições de articular as ideias, de dissertar sobre seus temas, uma espécie de explorações sobre os ciclos de vida e morte, a relação entre natureza e civilização, mas que vai se desdobrando pra outros subtemas que aparentemente não se conecta com nada. E quando se percebe uma conexão, já se desdobrou pra outra coisa. Mas no final entra de certo modo numa sintonia, apresentado numa mistura de filmagens pessoais, imagens de arquivo (incluindo noticiários), sequências mais gráficas difícies de assistir. E uma montagem complexa que alterna preto e branco, imagens sem contraste cinzas em sobreposições, e cor. Posso dizer que é um filme poderoso. Muito denso e muito pessoal, e que certos momentos faz o LE SANG DES BÊTES, do Franju, parecer um filme infantil.

Se por um lado 2025 foi um ano muito fraco pra acompanhar os lançamentos, a graça da cinefilia permanece ao rever os filmes que amamos e descobrir obras que ainda surpreendem. E é o que provavelmente vou continuar fazendo neste ano e no próximo, e no próximo…

MELHORES FILMES DE 2025

Não vi tantos filmes, então é isso aí que consegui reunir aqui. Filmes de 2024 assistidos em 2025 estão valendo.

A ordem é preferecial, mas tem vários filmes que são “meia boca”, senti que esse foi um dos piores anos pra acompanhar a safra recente… Então a ordem tá meio jogada só pra completar o número de 20 filmes.

Melhores do ano

The Schrouds
The Phoenician Scheme
The Mastermind

20. MISSION: IMPOSSIBLE – THE FINAL RECKONING (2025)
Fechamento aquém do esperado, mas ainda diverte com Cruise levando o corpo ao limite mais uma vez. A sequência do submarino pelo menos tá entre as melhores do ano.

19. HIGHEST 2 LOWEST (2025), de Spike Lee
Mistura crime, política e cultura de massa num filme irregular, mas com certa energia e ideias. Mesmo quando tropeça, você sente um Spike Lee ainda inquieto, cutucando o presente.

18. BUGONIA (2025), de Yorgo Lanthimos
Farsa paranoica sobre teoria da conspiração, colapso social, etc… Não sou muito fã, mas o Lanthimos dessa vez equilibra um humor cruel, horror e sci-fi e tem bons momentos entre Emma Stone e Jesse Plemons.

17. REFLECTION IN A DEAD DIAMOND (2025), de Bruno Forzani e Hélène Cattet
O casal de diretores continua obcecado mais em criar atmosferas hipnóticas do que narrativas convencionais. O resultado até que diverte, o visual é criativo e tem Fabio Testi no elenco.

16. DIABLO (2025), de Ernesto Diaz Espinoza
Parceria Espinoza/Zaror segue demonstrando paixão pelo cinema de artes marciais, agora turbinada com Scott Adkins. A trama simples, a ação direta e é eficaz. O grande trunfo é El Corvo, vilão que o Zaror faz, com visual de HQ e bastante sádico. Menos inventivo que outros trabalhos da dupla, mas como cinema de porrada entre dois monstros do gênero, é obrigatório.

15. ANORA (2024), de Sean Baker
Filme sensação mais pro início do ano, período das premiações, ganhou Oscar de melhor filme e tal… E até que é legalzinho. Baker humaniza o submundo com humor e melancolia, e entrega uma jornada frenética e emocionante que consagra Mikey Madison.

14. CAUGHT STEALING (2025), de Darren Aronofsky
Aronofsky troca os dramas densos por um suspense policial sujo e acelerado à la Guy Ritchie. É divertido sem abrir mão de uma sensibilidade mais trágica e uma brutalidade que eu não tava esperando. 

13. AVATAR: FIRE AND ASH (2025), de James Cameron
O mais fraco da trilogia, mas Cameron ainda domina o espetáculo como poucos. A trama repete umas fórmulas, porém as batalhas e o mundo de Pandora continuam sendo experiência de cinema de gente grande.

12. WEAPONS (2025), de Zach Cregger
Cregger confirma que é um nome interessante do horror atual, demonstra bom domínio dos tropos do gênero, criou uma vilã icônica e excêntrica e acrescenta umas pitadas de humor com boa precisão, criando algo que oscila entre o absurdo e momentos de tensão sem perder o controle. 

11. EDDINGTON (2025), de Ari Aster
Tudo que tinha pra dizer desse, escrevi aqui nesse post.

10. THE SHROUDS (2024), de David Cronenberg
Nem Cronenberg sai ileso da qualidade geral do cinema atual. Seu último filme é bom, mas tá longe de estar nos seus melhores dias. Ainda assim, consegue voltar ao “body horror” de forma cerebral e melancólica, explorando a conexão entre a carne e a memória, num mergulho íntimo e tecnológico no luto.

09. BALLERINA (2025), de Len Wiseman
Tudo que tinha pra dizer desse, escrevi aqui nesse post.

08. SIRAT (2025), de Oliver Laxe
Gosto como esse filme te leva pra uns caminhos inesperados. Começa com a trama de um pai em busca da filha desaparecida, numa rave no Marrocos, e de repente se transforma numa viagem devastadora, um filme de sobrevivência no deserto. 

07. BROKEN RAGE (2024), de Takeshi Kitano
Kitano só precisa de pouco mais de uma hora pra fazer um experimento, contar a mesma história, mas em duas versões distintas. Na primeira, um thriller de máfia/policial dramático carregado do seu estilo seco. A segunda, uma autêntica comédia pastelão. Traduz de forma fascinante a carreira multifacetada deste mestre do cinema.

06. THE PHOENICIAN SCHEME (2025), de Wes Anderson
É um filme que ganha vida na dinâmica entre a espiritualidade de uma noviça e o mundo sujo de seu pai, interpretado por um Benicio Del Toro em estado de graça. Talvez seja o trabalho mais memorável do diretor em anos, elevando sua estética habitual a um território existencialista e religioso fascinante.

05. NOSFERATU (2024), de Robert Eggers
Eggers se redimiu depois daquele fraquinho, THE NORTHMAN… Aqui funde terror clássico, obsessão erótica e folclore europeu numa nova encarnação do vampiro com uma força visual que me surpreendeu.

04. THE MASTERMIND (2025), de Kelly Reichardt
Belo filme. O roubo é só sintoma da mediocridade e do vazio de um homem em crise. Reichardt prefere o depois do crime, fazendo uma jornada silenciosa, lenta, mas impossível desgrudar os olhos.

03. IT WAS JUST AN ACCIDENT (2025), de Jafar Panahi
Tão cuidadosamente construído e mesmo assim em franca busca pelos movimentos mais profundos da emoção humana. Apesar de todas as complexidades morais em jogo, é um filme extremamente envolvente e acessível, sobre um mecânico que acredita ter encontrado o homem que o torturou numa prisão iraniana anos atrás. Sem saber o que fazer, nem mesmo se aquele é realmente o homem certo, o sujeito luta com o desejo de vingança mesmo correndo o risco de perder a própria humanidade. É também um filme surpreendentemente engraçado, um tipo de humor sombrio, ironizando absurdos enquanto ainda te conduz a uma descida ao inferno e aos cantos mais escuros da experiência humana.

02. MISERICORDIA (2024), de Alain Guiraudie
Drama rural impregnado de desejos sombrios, sobre um sujeito que retorna à sua cidade natal para o funeral de seu antigo chefe e a coisa vai se desenrolando pra uns caminhos estranhos e cada vez mais fascinantes. É um filme que mais uma vez revela a inclinação do Guiraudie para transitar entre gêneros com uma imprevisibilidade narrativa impressionante.

01. ONE BATTLE AFTER ANOTHER (2025), de Paul Thomas Anderson
O filme é quase todo bom, podia evitar alguns detalhes aqui e ali e sobretudo no desfecho, mas tudo bem. Um filme ambicioso e ousado (como quase tudo que o PTA faz), com um olhar atento tanto para a conexão emocional quanto para a comédia absurda, equilibra bem sequências de ação, um estado de tensão constante, com uma narrativa envolvente. E o elenco tá sensacional. É também o trabalho mais abertamente político do PTA, ainda que evite mirar diretamente em pessoas ou políticas específicas, expõe com clareza as falhas humanas que levam ambos os lados de um conflito a tomar decisões equivocadas por motivos diversos.

Não deixa de ser, no entanto, até o momento, o filme definitivo do Trump 2.0 e só consigo imaginar neste momento o Ari Aster chorando em posição fetal. ONE BATTLE AFTER ANOTHER é tudo o que EDDINGTON queria ser e não chegou nem perto. E olha que nem acho o filme do Aster ruim, quase entrou no top 10.

Dois momentos: tudo o que acontece quando o filme se transforma numa fuga caótica do DiCaprio, tentando saber da filha, tentando carregar a bateria do celular, sendo ajudado pelo Del Toro, etc… E a perseguição de carros pelas estradas onduladas. Magistral. Algumas das melhores coisas que o PTA já filmou na carreira. 

Piores do ano

E pra fechar o ano, uma seleção dos piores e mais decepcionantes filmes deste ano. Nenhuma ordem específica, mas deixo claro qual o pior dentre os piores:

Sinners

BLINK TWICE (2024), de Zoe Kravitz
Suspense “social” que grita por atenção, mas de cinema mesmo, não entende nada.

SUPERMAN (2025), de James Gunn
A revitalização do herói nas mãos de James Gunn entregou o Superman mais bunda-mole da história e um excesso de personagens que mais parece um comercial longo da DC.

28 YEARS LATER (2025), de Danny Boyle
O reencontro de Boyle e Garland (diretor e roteirista do original) é uma confusão tonal que ignora o terror visceral do original para se perder em um horror folclórico chatíssimo.

HERETIC (2024), de Scott Beck e Bryan Woods
Se eu soubesse que teria tanto falatório, tanta explicação, eu preferia ter ido assistir a um podcast. Nem o Hugh Grant num papel inusitado salva alguma coisa. Mas pelo menos é só um filme ruim, não tava botando fé em nada não…

WICKED (2024), de Jon M. Chu
Entendo quem consegue embarcar. O visual dá uma enganada, um espetáculo bonito e tecnicamente impecável. Mas pra mim não dá. Os poucos momentos que poderiam me agradar chegam tarde demais depois de uma narrativa que se arrasta, sem energia, uma grande bobagem. Antes tivessem feito os cenários em CGI mesmo, dava menos a impressão de desperdício.

BABYGIRL (2024), de Halina Reijn
Parece escrito por alguém que nunca conheceu um ser humano na vida, que nunca teve uma relação, que não faz a menor ideia de como construir uma relação, uma interação. Patético. Mas, fico pensando o que o Verhoeven faria com esse material.

FRANKENSTEIN (2025), de Guillermo Del Toro
Confesso que estava até curtindo enquanto o Frankenstein e sua obsessão em criar vida, e tudo o que isso implica esteticamente, burocraticamente, cientificamente e moralmente, era o foco da narrativa. Apesar de já aqui perceber alguns problemas. 

Mas aí veio a segunda parte, a mudança do ponto de vista, o “outro” que dá a sua versão da história. E aí, eu simplesmente não tenho palavras pra descrever o quão medonho se transforma esse filme. Digamos apenas que temos aqui a pior caracterização do monstro na história do cinema. E a participação da Mia Goth, a relação que ela estabelece com o monstro e todos os momentos que contracenam estão entre as coisas mais constrangedoras que eu já vi na minha vida. E, desculpem, mas o filme terminar com o monstro dando um beijinho na testa do seu criador define o estado atual do cinema, é a prova definitiva de que se é esse o tipo de coisa pelo qual o público agora se interessa, é porque a coisa realmente já foi pro buraco, não tem mais volta.

EMILIA PEREZ (2024), de Jacques Audiard
Com esse aqui fazia muito tempo que eu não passava tanta vergonha alheia na vida… Sim, este aqui é disparado o pior filme desta lista.

SINNERS (2025), de Ryan Coogler
Esse aqui é a grande decepção. Tanta gente boa falando bem. Porém, quando parei pra ver, não conseguia acreditar que era disso aqui, dessa coisa capenga que as pessoas tanto admiravam… Enfim, aqui mais nesse post.

E então? Quais foram os filmes favoritos de 2025 pra vocês? E os piores? As decepções? Deixa aí seu comentário.

E me segue aí no Letterboxd ou Instagram, que é onde eu ando mais ativo atualmente.

Um bom final de ano e um ótimo 2026 pra todos.

MELHORES FILMES DE 2024

Sim, você não leu errado, mas é 2024 mesmo. No ano passado, eu não postei minha tradicional lista de melhores filmes do ano. Portanto, antes de publicar a lista dos meus favoritos de 2025, vou corrigir esse erro.

Considerei apenas os filmes assistido em 2024, com margem até o ano anterior. Portanto, os filmes do ano passado que assisti em 2025, vão entrar na lista deste ano.

Então, vamos lá, a lista dos meus filmes favoritos de 2024 ficaria mais ou menos assim:

Cloud, Kurosawa
Juror #4, Eastwood
Ferrari, Mann

20. HIT MAN (2023), de Richard Linklater
Linklater entrega uma comédia policial bem ok. Mas com certa perspicácia e sensualidade. Usa o carisma de Glen Powell para questionar identidade e desejo com uma leveza rara.

19. THE BEEKEEPER (2024), de David Ayer
O tipo de coisa que eu espero ver num domingo à tarde sem nada pra fazer. Um filme de ação brucutu assumidamente absurdo e que diverte. Além disso, tem Jason Statham enchendo pessoas de porrada, desmantelando conspirações com a eficiência de uma força da natureza.

18. LONGLEGS (2024), de Oz Perkins
Não é nenhuma maravilha, mas tem atmosfera, é perturbador. Oz Perkins trabalha bem o pavor do ocultismo com um Nicolas Cage irreconhecível.

17. MAHARAJA (2024)
Um tempo atrás eu dei mais atenção aos filmes indianos. Porém, nos dois últimos ignorei. Mas esse aqui é muito bom. É um thriller que começa como drama doméstico, por conta do roubo de uma lata de lixo. Aos poucos revela uma trama de vingança cuidadosamente arquitetada, com excelente atuação de Vijay Sethupathi.

16. PERFECT DAYS (2023), de Win Wenders
Wenders filma a rotina de um limpador de banheiros em Tóquio como meditação e, assim, celebra a beleza nas pequenas coisas e a paz na solidão. Belo filme.

15. A SUBSTÂNCIA (2024), de Coralie Fargeat
Um “body horror” satírico e grotesco que leva a vaidade de Hollywood ao limite sangrento, com atuações viscerais de Demi Moore e Margaret Qualley.

14. SHE IS CONANN (2023) Bertrand Mandico
Mandico reimagina o mito do bárbaro através de uma lente queer e ultra-estilizada, criando uma odisseia visual onírica sobre violência e desejo.

13. LOVE LIES BLEEDING (2024), de Rose Glass
Neo-noir de músculos, onde romance lésbico e violência de filme B se fundem num universo sujo e estilizado. Kristen Stewart e Katy O’Brian carregam um mundo inteiro de frustração e fúria em cada cena.

12. ONE MORE SHOT (2024), de James Nunn
A continuação de ONE SHOT segue a mesma lógica do primeiro, um único plano-sequência agressivo que dura o filme inteiro. Puro exercício de adrenalina.

11. MAXXXINE (2024), de Ti West
Slasher autoconsciente, ácido e estiloso, numa Los Angeles imunda e banhada em neon, fechando a trilogia com comentário amargo sobre o sonho de Hollywood.

10. THE KILLER (2024), de John Woo
O mestre do cinema de ação faz uma releitura do seu próprio clássico de 1989, mas com uma personagem feminina no lugar que foi de Chow Yun-fat. Obviamente não tá no mesmo nível, mas o sujeito demonstra que ainda não perdeu o tato pra ação.

09. TWILIGHT OF THE WARRIORS: WALLED IN (2024), de Pou Soi Cheang
Não é dos melhores filmes do diretor que eu já vi, mas é um épico de artes marciais irresistível, que recria a lendária Kowloon Walled City para entregar lutas viscerais.

08. THE BOY AND THE HERON (2023), de Hayao Miyazaki
Miyazaki retorna com uma obra profundamente pessoal e surrealista sobre luto e criação, provando que sua imaginação ainda não tem limites.

07. FURIOSA: A MAD MAX SAGA (2024), de George Miller
Ópera pós-apocalíptica sobre vingança e sobrevivência num mundo totalmente movido por obsessões. Além disso, Miller continua filmando ação como poucos, com geografia cristalina e imagens de guerra mitológica.

06. SERPENT’S PATH (2024), de Kiyoshi Kurosawa
Kurosawa remolda seu filme de 98, agora filmando na França (assim como Woo fez com o novo THE KILLER), entregando uma obra gélida, metódica e cinematograficamente impecável sobre vingança e culpa.

05. BY THE STREAM (2024), de Hong Hang-soo
Mais uma variação delicada de Hong sobre encontros, conversas e pequenos deslocamentos no espaço. Muda-se uns cenários e alguma premissa, mas eu adoro como sempre.

04. CLOUD (2024), de Kiyoshi Kurosawa
Mais um Kurosawa. Aqui ele faz um thriller que começa como um drama sobre comércio digital e aos poucos termina num caos de violência absurda e niilismo.

03. JUROR #2 (2024), de Clint Eastwood
Com 94 anos e, ainda assim, Clint entrega um drama de tribunal clássico e moralmente ambíguo que questiona a justiça com uma sobriedade magistral.

02. FERRARI (2023), de Michael Mann
Crônica de um momento de crise na vida de Enzo Ferrari, misturando frieza empresarial, luto e velocidade. Além disso, as sequências de corridas são ótimas.

01. CHIME (2024), de Kiyoshi Kurosawa
Sim, o terceiro filme do Kurosawa na lista. E na primeira posição. Mas o sujeito tava mesmo imparável em 2024. E este aqui é um média-metragem inquietante de horror das melhores coisas que surgiu nos últimos anos. Não tinha como ficar de fora nem em outra posição.

Em breve retorno com os meus favoritos de 2025.

FAVORITOS DE 2023

Terminando mais um ano, vamos aos filmes que mais gostei. Como sempre faço, a minha lista de favoritos tem uma margem de um ano, pra incluir os filmes do ano passado que acabei assistindo este ano. Portanto, alguns filmes de 2022 que só fui assistir pela primeira vez em 2023 estão presentes. E seguindo a tradição, aqui vai um TOP 20:

20. THE CAINE MUTINY COURT-MARTIAL (2023), de William Friedkin
Friedkin foi embora e deixou esse belo presente. Não é nenhum filmaço, mas é uma despedida de respeito do diretor/roteirista. Filme de tribunal (em escala menor, uma corte marcial, como o título já indica), de praticamente uma única locação, mas bem conduzido e com excelentes performances, sobretudo de Kieffer Sutherland. O discurso e ato final, que fecha o filme, feito pelo personagem de Jason Clarke, representa muito bem a essência dessa figura provocativa, atrevida e que tá pouco se lixando pro que as pessoas pensam, que era o Friedkin.

19. RDX: ROBERT DONY XAVIER (2023), de Nahas Hidayath
Já seria bacana só pela trama, um masala malaialo intenso, romântico, cheio de graça (pelo menos na primeira metade) e músicas boas, tem um drama familiar que se desdobra numa história de vingança intrigante… Mas por acaso também resolveram transformar isso aqui num espetáculo de pancadaria desenfreada e alucinante que faria alguns realizadores de Hollywood pensarem duas vezes antes de filmar um soco. Ademais, qualquer filme no qual os dilemas da vida são solucionados com violência, com chute na cara e no uso de um Nunchaku sempre terá a minha admiração.

18. THUNIVU (2023), de H. Vinoth
Começa como um thriller de ação de assalto a banco e se transforma num drama de consciência financeira e análise social do mundo financeiro. Narrativa ligada no 220, num ritmo frenético de tirar o fôlego, que mistura excelentes doses de ação com uma escrita social consciente e boas reviravoltas nos seus 146 minutos. Mas o que realmente faz disso aqui um grande filme é a presença do astro do cinema tamil Ajith Kumar, que domina o espetáculo quando tá em cena e constrói um dos melhores personagens do ano.

17. MAD FATE (2023), Pou Soi Cheang
O filme anterior do Soi Cheang, LIMBO, é possivelmente o melhor filme da década até agora, então é ok que este aqui não esteja no mesmo patamar. Ainda assim é um dos troços mais bizarros que o sujeito já fez. A trama é meio bagunçada, envolve serial killer, misticismo, estudo sobre psicopatia e mais um monte de coisa, mas tudo é embalado por situações malucas, um humor esquisito, violência e pelo habitual apuro visual do Cheang, que continua sendo um dos diretores mais interessantes da atualidade.

16. JAWAN (2023), de Atlee
É meio desconjuntado, a trama no geral é uma maluquice desengonçada recheada com a típica falta de sutileza do cinema indiano pra abordar questões nacionalistas, políticas e injustiças sociais – ao ponto do Shah Rukh Khan ter seu momento de O GRANDE DITADOR e fazer um discurso olhando para câmera sobre a importância do voto. Mas, puta merda, me perguntem se eu consegui tirar o olho da tela… Isso aqui é uma das experiências cinéticas mais fascinantes que eu tive este ano, 2h50 de pura overdose masala. Eu já tinha visto dois filmes do Atlee, ainda na indústria tamil, MERSAL e BIGIL, ambos estrelados pelo Vijay, mas JAWAN é disparado o melhor. O sujeito tem muita noção de ritmo e bom olho pra composições e cores, e o filme tem sempre algo bonito pra se olhar, especialmente nas sequências musicais e de ação/pancadaria (incluindo uma perseguição de carro/moto/caminhão coordenada por ninguém menos que Spiro Razatos).

15. MISSÃO: IMPOSSÍVEL – ACERTO DE CONTAS: PARTE 1 (2023), de Christopher McQuarrie
Por mais que eu já tenha gostado muito, é um filme que acho que tende a crescer ainda mais com o tempo, com as revisões e quando ele estiver “completo”. Por agora é um filme que faz jus a esse “Parte 1” no título, sendo apenas metade da história, deixando o conflito central entre o herói e o vilão pra resolver depois… Visto como uma obra independente, é tão empolgante quanto os outros exemplares da série, com sequências de ação realmente impressionantes, como a perseguição de carros enlouquecida pelas ruas de Roma e a sequência final que se passa num trem; isso sem falar da cena em que Cruise se joga de moto do alto de uma montanha. Mesmo tendo visto e revisto todos os vídeos e comerciais que promoveram essa cena, ainda causa um impacto danado ver esse astro de 60 anos fazendo esse tipo de acrobacia e colocando sua vida em risco pra nos entreter. ❤️

14. THE KILLER (2023), de David Fincher
Fico feliz pelo Fincher ter se recuperado depois daquela porcaria que é MANK, voltando ao thriller com pegada psicológica sobre um assassino profissional viciado em The Smiths que tem a capacidade de ser metódico e atrapalhado ao mesmo tempo. Imaginem LE SAMOURAI, do Jean-Pierre Melville, mas interpretado pelo Peter Sellers… Fassbender tá ótimo aqui e a direção de Fincher e suas escolhas estilísticas se conectam bem no tipo de história que quer contar. Eu entrei meio que num estado de hipnose de tão imerso que fiquei nessa narrativa, nas imagens, no texto em off. E Fincher consegue usar esse material como ponto de partida pra um comentário interessante sobre o estado das coisas na sociedade atual.

13. TOBY (2023), de Basil Alchalakkal
Este aqui chegou aos 45 minutos do segundo tempo de 2023, mas deu tempo ainda de ficar maravilhado mais uma vez com um filme indiano neste ano de descobertas tão revigorantes deste país e suas diferentes indústrias cinematográficas. Um mundo novo que se abriu, um novo sopro de cinefilia… E um dos principais realizadores que entrou na minha lista “a ser seguido” é Raj B. Shetty, que já tinha escrito, dirigido e atuado no devastador GARUDA GAMANA VRISHABHA VAHANA em 2021 e agora estrela e assina o roteiro de TOBY, mais uma paulada do cinema kannada que me prendeu desde o início pela história impressionante, numa estrutura meio que de CIDADÃO KANE, que se constrói a partir de relatos que revelam um dos personagens mais fascinantes do cinema indiano recente, o tal Toby do título, numa performance sublime de Shetty, e um universo desgraçado, onde a violência anda quase de mãos dadas com a ternura, enraizada por um cenário socio-político-cultural tão marcante do sul da Índia. Filmaço!

12. SHIN KAMEN RIDER (2023), de Hideaki Anno
Dessas brincadeiras do Hideaki Anno de atualizar filmes kaiju e tokusatsus conhecidos da cultura pop japonesa (SHIN GODZILLA, SHIN ULTRAMAN) ao seu imaginário peculiar, este aqui é o meu favorito. Um tokusatsu raiz, nostálgico, mas com os fetiches psicológicos, filosóficos e sentimentais do criador de Neon Genesis Evangelion. Uma coisa linda. Espero que não pare por aqui…

11. WALTAIR VEERAYYA (2023), de Bobby Koli
Masala telugo com suas megalomanias na trama, reviravoltas, humor absurdo, nas músicas e principalmente na ação hiper exagerada. Ou seja, uma delícia do início ao fim. Mas obviamente o que torna isso aqui um troço mágico é a performance do “MEGASTAR” Chiranjeevi, um dos maiores ícones do cinema telugo, que faz o personagem título e oferece uma das figuras mais marcantes do cinema indiano recente. Destaque também para a participação do “MASS MAHARAJA” Ravi Teja, que deixa tudo ainda melhor. Um dos filmes mais divertidos que vi em 2023.

10. LEO (2023), de Lokesh Kanagaraj
Eu tava no hype com esse filme desde fevereiro quando lançaram um teaser que me fez ir atrás de outros filmes do Vijay e finalmente mergulhar no cinema atual feito na Índia. E posso dizer que toda a minha expectativa foi atendida. LEO é um espetáculo de ação dos bons, um masala violento, barulhento e com boa carga dramática. E até agora tem minha performance favorita do Vijay. Cinéfilos ocidentais que ainda não estão acostumados com a abordagem indiana de contar suas histórias correm o risco de estranhar. Histórias que, inclusive, até conhecemos. Já vimos a de LEO antes, é uma nova adaptação da graphic novel de John Wagner/Vince Locke, que anteriormente chegou às telas como MARCAS DA VIOLÊNCIA, de David Cronenberg. É MARCAS DA VIOLÊNCIA só que na Índia, sob o viés da essência estética e cultural do cinema Tamil, com números musicais, melodrama e muitas sequências de ação. Sob o viés sobretudo de Lokesh Kanagaraj – simplesmente um dos melhores diretores de ação da atualidade – e a sua integração ao multiverso LCU (Lokesh Cinematic Universe), numa trilogia que inclui outros filmes do diretor que estão vagamente conectados: KAITHI, VIKRAN e agora LEO. Todos obrigatórios.

9. FAST X (2023), de Louis Leterrier
É isso, tem VELOZES E FURIOSOS no meu top 10. Uma coisa que adoro é como tudo aqui é basicamente uma consequência de FAST FIVE, que é um dos meus favorito dessa franquia tão amada e odiada. Então foi legal ver como eles amarraram tudo. Mas de certa forma é um F&F que quebra um bocado as expectativas, diferente do que ficamos acostumados a ver nos últimos filmes. É o começo de uma suposta trilogia, com uma abordagem narrativa mais cadenciada, o filme espalha os personagens em blocos e mantém mistérios e surpresas para serem resolvidos nos próximos episódios… Ao mesmo tempo tá tudo ali num alto nível de diversão, na figura mítica de Dom Toretto e sua ideia de família que, como conceito, é imortal pra franquia tanto de forma figurativa quanto literal. Até a ação é peculiar. Tirando a sequência de Roma, que tem um grau de destruição mais grandioso, os próprios set pieces de FAST X me parecem dar um passo atrás em escala épica, indo contra o crescendo que havia nos últimos filmes – um submarino no 8, ir para o espaço no 9 – a coisa aqui retorna às acrobacias dos carros, mas sem deixar de desafiar as leis da física, obviamente… O que é bom, porque o Leterrier tá bem longe de ser um Justin Lin, F. Gary Gray ou James Wan. Mas até que o francês consegue mandar bem na medida do possível nessa “escala menor”, com pancadarias, tiroteios e perseguições, até chegar num clímax mais espetacular que é simplesmente inacreditável de absurdo e entrega o nível de adrenalina esperado. E nisso tudo as atenções acabam indo pra outro elemento do filme, que é a composição de Jason Momoa, psicótico, afetado, maravilhoso em cada frame. Tem vários personagens que se destacam aqui em algum momento, mas nada se compara a Momoa. Disparado o melhor vilão de toda a franquia.

8. KNOCK AT THE CABIN (2023), de M. Night Shyamalan
Um dos filmes mais contidos de Shyamalan, mas que a partir de um núcleo que gira em torno de decisões morais difíceis de tomar, desencadeia o apocalipse na terra. Tenso, cheio de momentos especiais e boas atuações (Bautista fenomenal). Shyamalan conduz tudo com sua habilidade artesanal, transforma esse suspense de invasão de domicílio numa parábola sobre fé, juizo final e palco para seus floreios formais. Uma belezura.

7. DASARA (2023), de Srikanth Odela
É um filme que até tem lá seus tropeços, mas minha nossa, esses caras do sul da Índia sabem criar um espetáculo político, retumbante, sensorial e com um orgulho desgraçado de ser “terceiro mundo” como ninguém. Você pega KARNAN (que entrou nos meus favoritos do ano passado), ASURAN, KANTARA (filme que tá aqui nesta lista) e DASARA e se você ficar indiferente com esses filmes, significa que já morreu por dentro, bicho… O diretor deste aqui é um estreante que faz maravilhas com a imagem, especialmente nos momentos musicais e de ação/tensão… A sequência do ataque noturno pós-casamento é um absurdo, me fez prender a respiração por um bom tempo, é uma das melhores do ano. Surra de CINEMA.

6. NAPOLEÃO (Napoleon, 2023), de Ridley Scott
O filme mostra tanto um Napoleão habilidoso estrategista da guerra (várias das sequências de batalha — sobretudo a no gelo em Austerlitz — estão entre as melhores sequências de ação que Scott já filmou) quanto uma figura que poderia ser interpretada pelo Leslie Nielsen nos anos 80… E aparentemente essas mudanças de tom entre a violência nos campos de guerra e as cômicas peripécias nos aposentos de Napoleão, meio que em formato de pequenos esquetes (e até mesmo as imprecisões históricas, wtf?! Alguém ainda reclama disso?!?!) tem chateado a moçada. Muita gente não entrou na brincadeira. Uma pena. Eu achei uma maravilha. E Joaquim Phoenix tá sensacional, conduz o trabalho à sua maneira única, nos detalhes, nos pequenos gestos, tá divertidíssimo acompanhar o sujeito por aqui… Agora quero ver a versão de 4 horas…

5. K.G.F: CHAPTER 2 (2022), Prashanth Neel
Se o Tony Scott tivesse encarnado em algum diretor indiano, provavelmente teria sido no Prashanth Neel. É dos poucos que conseguiu emular o estilo de Scott com tanta autenticidade e energia. Nem os diretores ocidentais chegaram tão perto. E aqui o sujeito tá no seu ápice! É até difícil descrever o que se passa aqui, mas utilizando as palavras do meu parceiro de Cine Poeira, Luiz Campos, K.G.F. poderia ser resumido numa mistura de SCARFACE com o CONAN – O BÁRBARO… Pra entender melhor o que isso significa, só mesmo assistindo. Tanto o capítulo 1 quanto este aqui estão disponíveis no Amazon Prime.

4. KANTARA (2022), de Rishab Shetty
Todo ano a Índia solta vários masalas rurais pra encher os nossos olhos, mas alguns deles transcendem e se tornam especiais. DASARA ali em cima é um deles, mas em 2022 saiu essa joia do cinema Kannada, que assisti ainda no início de 2023 e que ajudou no meu processo de amor pelo cinema indiano. A trama é sobre Shiva (vivido pelo próprio diretor), um vagabundo tribal, feliz em vagar com seus amigos e fazer pequenos trabalhos para seu senhorio, mas que entra em conflito com um guarda florestal casca-grossa. O que parece simples, se revela um filme enraizado no folclore e na mitologia rural local, que mescla habilmente uma cultura tão rica e nova com sensibilidades que também despertam novas sensações com a experiência cinematográfica. As sequências de ação, as danças, as atuações e as impressionantes cenas noturnas são um espetáculo para ser admirado.

3. ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES (Killers of the Flower Moon, 2023), de Martin Scorsese
Acho doido que o Scorsese mais uma vez, de certa forma, acabou fazendo um filme de gangster, mas que ao invés de mostrar ascensões e quedas e como os personagens se beneficiam da violência e busca por poder, ele agora mostra as consequências históricas trágicas, como a que afetou o povo Osage. Desaparece o “estilo”, o formalismo da violência e o que resta é o horror causado por isso. O pesar que vem depois. Scorsese sabe que o público de seus filmes cresce quando a crueldade de seus personagens estão no centro das atenções – quando ele abraça sua reputação como diretor de filmes de gangster. Então ele meio que aproveita seu lugar na cultura pop para contar uma das maiores histórias de gangsters de todas: eis como a América e seus povos nativos foram destroçados, narrado como uma epopeia de crime de cidade pequena, um microcosmo de uma dinâmica nacional, repleto de assassinatos, dinheiro e busca por poder. Apenas Scorsese, que já não devia mais nada a ninguém, resolveu simplesmente criar mais uma obra-prima monumental em todos os sentidos nessa reta final de carreira.

2. JIGARTHANDA DOUBLE X (2023), de Karthik Subbaraj
Mistura faroeste spaghettigangster movie, thriller político embalado numa carta de amor ao próprio cinema. Tem facilmente o melhor roteiro dentre os filmes que vi este ano. É complexo, transcende ao sublime em diversos momentos e não tem frescura de ser um produto para agradar as multidões. Cinema como espetáculo, como concepção de mitos – e o Allius Ceaser de Raghava Lawrence já nasceu clássico -, cinema como arma política e pra tocar corações. Fiquei em estado de êxtase com isso aqui.

1. JOHN WICK: CHAPTER 4 (2023), de Chad Stahelski
Escrevi umas poucas palavras sobre ele aqui. É o filme que mais me fascina em 2023, é uma das franquias de ação mais sublimes deste século… E esse quarto filme veio pra coroar a grandeza de tudo que envolve John Wick como criação de mitos, como universo que se expande, como narrativa de filme de ação, como cinema. Uma obra-prima do gênero.

Até 2024.

15 ANOS NA TELA… E UMA HOMENAGEM À FRIEDKIN

Uau, já passou mais um ano depois desse post. Parece que foi ontem… Mas estamos aí, mais uma vez. Chegamos ao número quinze! É algo a se comemorar, então aqui vai um top 15 atual dos meus filmes favoritos do coração (que já vai ter relativa diferença do que postei ano passado, porque minhas listas de favoritos mudam constantemente e ano que vem já vai ser diferente).

15. O PODEROSO CHEFÃO – PARTE II
(The Godfather: Part II, 1974), de Francis F. Coppola

14. DURO DE MATAR (Die Hard, 1988), de John McTiernan

13. CASSINO (Casino, 1995), de Martin Scorsese

12. FERVURA MÁXIMA (Hard Boiled, 1992), de John Woo

11. 08. CRASH – ESTRANHOS PRAZERES
(Crash, 1996), de David Cronenberg

10. A ESTRADA PERDIDA (Lost Highway, 1997), de David Lynch

09. ERA UMA VEZ NA AMÉRICA
(Once Upon a Time in América, 1984), de Sergio Leone

08. O FRANCO ATIRADOR (The Deer Hunter, 1978), de Michael Cimino

07. MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA
(The Wild Bunch, 1969), de Sam Peckinpah

06. O PODEROSO CHEFÃO – PARTE III
(The Godfather: Part III, 1990), de Francis F. Coppola

05. TAXI DRIVER (1976), de Martin Scorsese

04. APOCALYPSE NOW (1979), de Francis F. Coppola

03. O PORTAL DO PARAÍSO (Heaven’s Gate, 1980), de Michael Cimino

02. TRÊS HOMENS EM CONFLITO
(The Good, the Bad and the Ugly, 1966), de Sergio Leone

01. FOGO CONTRA FOGO (Heat, 1995), de Michael Mann


WILLIAM FRIEDKIN

Mas não vamos comemorar tanto assim. Eu ainda não sei nem o que expressar, mas ontem foi-se um dos maiores. Friedkin é um desses diretores de cabeceira, um dos responsáveis por eu amar tanto cinema. E tem pelo menos 5 obras-primas perfeitas que poderiam estar aí em cima (e se não estão é mero detalhe), os quais listo aqui em ordem de preferência:

5. O EXORCISTA (The Exorcist, 1973)

4. OPERAÇÃO FRANÇA (The French Connection, 1971) – REVIEW AQUI

3. PARCEIROS DA NOITE (Cruising, 1980)

2. O COMBOIO DO MEDO (Sorcerer, 1977)

1. VIVER E MORRER EM LOS ANGELES (To Live and Die in L.A., 1985)

Vou ver se faço uma retrospectiva completa do homem aqui no blog. Vida longa à Bill Friedkin.

INDIANA JONES – DO PIOR AO MELHOR

Tá nos cinemas um quinto filme do arqueólogo mais famoso do cinema. Quem diria que em pleno 2023 teríamos mais uma aventura de Indiana Jones e estrelado pelo Harrison Ford no auge dos seus aproximados 80 anos… Eu não sei direito o que pensar sobre isso. Mas já que fizeram um novo filme, INDIANA JONES E A RELÍQUIA DO DESTINO, de James Mangold, o primeiro sem a direção do Spielberg, só me resta torcer pra ser bom… Sim, eu ainda não assisti, mas resolvi fazer esse post rankeando os quatro filmes anteriores em ordem da minha preferência pessoal. Do pior ao melhor.

Os filmes ainda estão frescos na minha memória por conta de uma maratona que fiz do Spielberg há poucos anos e rever a franquia de Indiana Jones, um dos principais clássicos da minha infância, é sempre mágico. Bem, quase todos…

4. INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL (2008)

É, esse aqui obviamente tem seu lugar garantido no último lugar. É um projeto que tem cheiro de mofo… Lembro de ter curtido em algum nível quando vi no cinema, mas na revisão caiu muito. Os primeiros 20 minutos são os mais próximos que se consegue chegar na essência da trilogia original. Depois, apesar de uma ou outra boa sequência de ação, o filme só afunda cada vez mais num roteiro sofrível e muitas, mas MUITAS mesmo, escolhas erradas (principalmente tudo o que envolve o Shia LaBeouf) até chegar no final constrangedor, quem tem muito a cara de ter sido ideia do George Lucas… Não vou dizer que é uma bomba completa. Se tiver passando na TV dá pra ver umas partes sem pretensão, de boa. Num bom dia talvez até dê pra se divertir. Mas em comparação com os filmes anteriores, não passa de uma aventurazinha sem brilho.

3. INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO (1984)

Curioso que no meu mundo distorcido de criança sempre achei O TEMPLO DA PERDIÇÃO o melhor da série. Se me perguntassem há cinco anos atrás, eu não teria dúvida em apontar isso. Mas agora, depois da revisão, pela primeira vez senti inferior aos outros dois restantes… É bem provável que a estrutura de playground de ação não me encante tanto mais quanto a do filme anterior, por exemplo, mais definido conceitualmente na sua ideia de pastiche de matinê. Mas, quero deixar bem claro que este aqui continua maravilhoso. Quero dizer, eu ainda curto um bom “playground de ação”. heheh!

É notório que se trata de um filme mais sombrio que os outros, mas é notável um diretor no auge, com tanto poder e controle em mãos, tanta responsabilidade, e mesmo assim poder se divertir com seu cinema. Você praticamente sente Spielberg rindo fora da tela enquanto dirige aqueles primeiros 20 minutos, que são geniais, inspirado em James Bond; filmando aquela sequência de jantar, servindo cérebro de macaco para a futura esposa, Kate Capshaw; e utilizando os melhores cenários de toda a série para Harrison Ford pular, correr, escapar, trocar socos com bandidos (a perseguição de carrinhos de mineração e a sequência da ponte no clímax ainda impressionam)… Não tem nada mais “spielberguiano” do que o próprio Spielberg filmando como uma criança que brinca com seus bonecos de ação.

2. INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (1989)

É o que fecha a trilogia inicial e ao mesmo tempo meio que retorna às bases do primeiro filme, com toda a carga de inspiração nos seriados de matinês que Spielberg/Lucas assistiam na infância – uma volta até para um terreno mais seguro depois de O TEMPLO DA PERDIÇÃO – e acrescenta ainda mais elementos que interessam a Spielberg, sobretudo na dinâmica emocional e problemática do relacionamento pai/filho, que é um desses princípios fundamentais do cinema do homem. Provável que seja o filme mais “spielberguiano” da franquia, ainda que não seja – por MUITO pouco – o meu favorito.

Mas não deixa de ser perfeito. O ritmo é frenético, a quantidade de ação é absurda, tem duas das minhas sequências de ação favoritas da série – quando Indy e seu pai fogem de um dirigível até culminar na cena em que o pai derruba um avião com os pássaros, e toda sequência do tanque de guerra no final. Acho que é o filme que mais remete a Buster Keaton em termos de construção de ação na série; e o humor funciona lindamente. Enfim, uma maravilha.

1. OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (1981)

Ah! Onde tudo começou… A obsessão de Spielberg por seriados e filmes de sua juventude ganha uma representação em seu próprio cinema. São as aventuras indianas de Fritz Lang, é James Bond, Humphrey Bogart, Westerns e ódio pelos nazistas, tudo misturado para criar um clássico oitentista que, pra mim, que cresceu assistindo isso aqui até perder as contas, virou sinônimo de tudo o que determina um filme de aventura na sua essência. No quesito “ação”, Spielberg é demonstra ser um dos grandes mestres. Sequências como a que Indy recupera a arca sozinho de dentro de um caminhão, encarando um comboio de nazistas, é digna de antologia di cinema de ação dos anos 80. Mas o grande trunfo deste filme (e da trilogia inicial) é o seu senso de humor, o fato do projeto não se levar muito a sério em momento algum e em conseguir transformar esse pastiche de matinê numa obra-prima.

Acredito que não há a menor possibilidade do quinto filme chegar no mesmo nível disso aqui… Mas tudo bem. Se for divertido já tá de bom tamanho.

FAVORITOS DE 2022

Por aqui a gente só assiste a filme novo pra fazer listinha de final de ano. Brincadeira, tem muita coisa boa saindo e aqui está a prova disso, uma relação de filmes realmente notáveis e que valeram uma conferida. Pelo menos pra mim…

Como sempre faço, a minha lista de favoritos tem uma margem de um ano, pra incluir e contemplar os filmes do ano passado que acabei assistindo no ano vigente. Portanto, alguns filmes de 2021 que só fui assistir pela primeira vez em 2022 estão presentes.

Deste ano, a única coisa que resolvi deixar de fora foi a obra-prima chamada “Final da Copa do Mundo entre Argentina e França”, que foi um dos maiores espetáculos audiovisuais dos últimos anos… Enfim, mantendo a tradição, segue um top 20 dos meus favoritos de 2022:

20. VORTEX (2021), de Gaspar Noé
Retrato de um casal de idosos lidando com a demência da esposa e a fragilidade crescente do marido, interpretado por ninguém menos que o mestre do horror italiano Dario Argento. O filme tem aquelas frescurites do Noé, tela dividida durante todo o filme, uns blackouts, ao mesmo tempo em que é também o trabalho mais “discreto” do diretor em termos de câmera e ritmo. O resultado não deixa de ser tão amargo, barra-pessada e trágico quanto os filmes mais frenéticos de Noé.

19. OCCHIALI NERI (2022), de Dario Argento
Por falar em Argento, não poderia faltar também o filme que ele dirigiu. Acho que todos que assistiram a isso aqui concordam que tá longe dos melhores trabalhos do homem, mas a essa altura do campeonato, pela idade do Argento e pelo próprio contexto histórico do cinema italiano de gênero nos últimos 20, 25 anos, é bobagem ficar esperando algo do nível de SUSPÍRIA ou PROFONDO ROSSO. Dito isso, o filme mostra que o sujeito ainda tem bala na agulha para construir um thriller tenso, divertido e cheio de novas possibilidades a serem exploradas.

18. SHIN ULTRAMAN (2022), de Shinji Higuchi
Essa brincadeira do Hideaki Anno (criador de Neon Genesis Evangelion) de atualizar filmes kaiju e tokusatsus conhecidos da cultura pop japonesa ao seu imaginário peculiar tem rendido coisas curiosas. Esse SHIN ULTRAMAN, por exemplo, que Anno escreveu o roteiro e é o segundo que lançaram até o momento (o primeiro foi SHIN GODZILLA em 2016, esse dirigido por Anno), é um barato, um espetáculo de estética, cores, composições e MUITA pancadaria entre o herói do título contra monstros gigantes. Pode não ter a mesma complexidade e seriedade de SHIN GODZILLA, mas me deixou sorrindo durante toda a sessão. Agora aguardo ansiosamente por SHIN KAMEN RIDER que deverá sair em breve.

17. IN FRONT OF YOUR FACE (2021), de Hong Sang-Soo
O cinema de Sang-Soo me encanta de um jeito que não sei explicar. Acho que são os pequenos detalhes, gestos, interações desajeitadas, revelações que vão surgindo em situações tão simples e banais. Uma mancha de molho numa roupa, um ponto de encontro alterado, um sonho que não se pode contar, uma gargalhada que não se sabe bem se é de desespero ou de zoeira… E nisso já tô completamente imerso nesses micro universos, diante de mais uma pequena obra gigante desse diretor que filma coisa pra cacete. Este é o primeiro filme do homem – de dois – que consta nesta lista.

16. THE BANSHEES OF INISHERIN (2022), de Martin McDonagh
Muitos anos depois de IN BRUGES, McDonagh reúne novamente Colin Farrell e Brendan Gleeson para outra comédia dramática bizarra, sobre a separação complicada de dois amigos, que termina mais sombrio e melancólico que eu esperava… Gosto do McDonagh e ele novamente consegue fazer o que Michael Mann conseguiu em MIAMI VICE e Woody Allen em CASSANDRA’S DREAM: convencer a todos de que Collin Farrel é um ator de primeira.

15. VIKRAM (2022), de Lokesh Kanagaraj
2022 foi o ano que entrei numa de me interessar pelo cinema indiano de ação. Acabei não vendo tantos filmes quanto queria, mas a quantidade já foi maior do que assisti em uma década. VIKRAM é um desses exemplares que merece estar nessa lista, um thriller de ação intrigante, com personagens fantásticos, e sequências de ação de arrepiar. Vikram é um dos meus personagens favoritos do ano e o ator que o interpreta, Kamal Haasan, até pode ter aparência daquele seu tio que vive no bar com uma lata de Brahma na mão, mas o sujeito é mais cool e badass que 99% dos heróis de ação que Hollywood nos enfia goela abaixo no cinema atual.

14. KARNAN (2021), de Mari Selvaraj
Mais cinema indiano… Eu posso até não entender com profundidade alguns aspectos políticos e culturais do que acontece na Índia, mas KARNAN é um filme quase didático que consegue pôr em evidência questões que as castas mais baixas enfrentam no país. Isso sem deixar de ter uma abordagem que visa em primeiro lugar o entretenimento. O que significa que a pancadaria rola solta em vários momentos. Mas o melhor do cinema indiano ainda está por vir mais aí pra baixo… Sim, serão três filmes indianos na minha lista.

13. ARMAGEDDON TIME (2022), de James Gray
Um James Gray “menor” ainda é melhor que MUITA coisa que o cinema atual produz. E esse trabalho autobiográfico é um conto de moral muito bonito e bom de acompanhar, ambientado no Queens de 1980, com atuações magníficas de Anthony Hopkins, Anne Hathaway, Jeremy Strong e o jovem Banks Repeta, o sensível protagonista, que faz amizade com um garoto negro ao mesmo tempo que descobre a realidade de uma escola particular e o racismo descarado de seus colegas.

12. NOPE (2022), de Jordan Peele
O que acho massa no Jordan Peele é que me parece que ele não se acomoda, é um daqueles raros diretores do mainstream hollywoodiano que não tem medo de se arriscar sem ficar seduzindo o espectador com obviedades. Aqui ele funde ficção científica, horror e faroeste para criar um novo tipo de filme de monstro. O resultado é uma obra estranha, que não tá isenta de falhas (como todo bom filme que se arrisca) mas que é enervante, perturbador e ocasionalmente engraçado, iluminado pela performance de Keke Palmer e de um estoico Daniel Kaluuya. Mas o que realmente perdura é a meditação elegíaca sobre pessoas negras em uma indústria que transformou seu sofrimento em espetáculo.

11. STARS AT NOON (2022), de Claire Denis
A Claire Denis lançou dois filmes este ano. Só gostei realmente deste aqui. Um thriller político, adaptação atualizada de um romance de Denis Johnson dos anos 1980, sobre uma jornalista americana (Margaret Qualley, numa das grandes performances que eu vi este ano) à deriva na Nicarágua sob ditadura militar e atraída por intrigas misteriosas na fronteira ao se relacionar com um britânico de terno branco. O filme também abre espaço para algumas coisas que interessam à Denis, como o erotismo latente de seu cinema.

10. THE FABELMANS (2022), de Steven Spielberg
Ah, esse sentimentalismo açucarado de Spielberg sempre me encanta, incomparável em sua capacidade de fazer o que em outras mãos poderia parecer muito piegas, e como transforma em arte, em filmes genuinamente comoventes. E THE FABELMANS não é diferente – um relato semi-autobiográfico da juventude de Spielberg na casa tumultuada, mas amorosa, de seus pais e sua descoberta como cineasta. A sequência final que o jovem protagonista encontra um John Ford desbocado interpretado pelo David Lynch de tapa-olho e fumando um charutão é uma das melhores do ano.

09. BLONDE (2022), de Andrew Dominik
Aproveitem que essa vai ser das poucas listas de melhores do ano com BLONDE em posição tão privilegiada. Filme que gerou um certo desconforto por um suposto viés misógino, muita problematização, etc, os quais não entro em detalhes. Cada um interprete, goste ou deixe de gostar pelos motivos que quiser. Do lado de cá, gostei muito, o pesadelo hollywoodiano filmado por Dominik é uma das experiências visuais mais interessantes de 2022. E que performance da Ana de Armas!

08. AFTER BLUE (2021), de Bertrand Mandico
O cinema de Mandico foi uma das grandes descobertas que fiz este ano. Mesmo atrasado. Sejam em curtas metragens psicodélicos, clipes musicais ou seu primeiro longa, o fantástico LES GARÇONS SAUVAGES, percebe-se um artista bem consciente de suas influências e do tipo de imagem que quer colocar na tela. AFTER BLUE é o seu segundo longa e pode ser definido como um faroeste sci-fi de fantasia lésbica surreal e espiritual, com estética colorida dos anos 70 e sem um único plano, composição ou enquadramento desperdiçado, que parece ter saído direto das páginas de alguma comic book européia. Muito vanguardista ou experimental para quem gosta de filmes de super heróis da Marvel, e muito filosófico e reflexivo para quem quer ver apenas bizarrices trash. Uma maravilha.

07. RRR (2022), de S. S. Rajamouli
Último filme indiano da lista, prometo. Mas esse aqui não poderia faltar. Foi a sensação que conquistou os nossos corações este ano. Situado na Índia dos anos 20, ele se concentra num soldado e um aldeão que se unem contra o Império Britânico em busca de uma garota sequestrada. A partir disso, o diretor Rajamouli joga todos os ingredientes que maximizam o cinema indiano em termos de ação em escala épica e, como pano de fundo, uma bela história de fraternidade e companheirismo. Ah, e vários números musicais de encher os olhos que não poderiam faltar na receita…

06. THE NOVELIST’S FILM (2022), de Hong Sang-Soo
Aqui tá o outro filme do Sang-Soo da lista. É sobre uma escritora que a partir de encontros casuais resolve fazer um filme. Tudo que disse sobre o outro lá em cima cabe aqui, os pequenos detalhes em situações banais, conversas fiadas em interações desajeitadas… Só que o nível de fascínio e imersão deste foi ainda maior.

05. AMBULANCE (2022), de Michael Bay
É um VELOCIDADE MÁXIMA para a geração GTA 5. Ou uma bela maneira de matar saudades do Tony Scott, um dos caras mais influentes no cinema de Bay. O que poderia ter sido um conto de crime rápido e discreto (como o filme dinamarquês original), recebe o tratamento completo do homem: um filme de ação como uma visão poética da desunião americana contemporânea, ação essa quase ininterrupta num filme que é praticamente uma longa perseguição, com tiros, explosões e carros colidindo aos montes; Gyllenhaal tá surtadíssimo. Filmaço!

04. TOP GUN MAVERICK (2022), de Joseph Kosinski
Por falar em Tony Scott, taí a continuação do clássico oitentista que dirigiu. Superou todas as minhas expectativas, é um dos filmes de ação dos mais puros, sinceros e anacrônicos do blockbuster americano dos últimos anos, com toda a carga de adrenalina que o fã do original merece. Tom Cruise tem uma dos seus melhores desempenhos como herói de ação, constrói um personagem que finalmente aceita o peso da idade, falho e mortal. As sequências aéreas, aliás, são um deleite, um espetáculo vertiginoso de tão bem filmadas e editadas. Joseph Kosinski, vou ser obrigado a te dar mais uma chance…

03. CRIMES OF THE FUTURE (2022), de David Cronenberg
O aguardado retorno de Cronenberg ao seu universo do body horror só poderia resultar em coisa boa. Escrevi sobre o filme aqui. Então vou poupá-los de mais um mini-comentário. Podem continuar rolando aí pra baixo que já tá acabando.

02. THE FIRE WITHIN: REQUIEM FOR KATIA AND MAURICE KRAFFT (2022), de Werner Herzog
Eu Nunca tenho medo porque vi tantas erupções em 23 anos que, mesmo que eu morra amanhã, não me importaria”, é o que diz Maurice Krafft diante das câmeras nesse documentário que mostra como o casal Kraftt se colocava no limite para filmar vulcões de forma inacreditável. Herzog concorda “Eles desceram ao inferno para arrancar aquelas imagens das garras do próprio diabo”. Herzog é um dos meus diretores favoritos justamente por ter criado algumas das imagens mais fascinantes da história do cinema, mas aqui ele se depara com um tipo de material que nem ele mesmo conseguiu superar e as usa para dar um novo significado. Acabou criando um dos filmes mais poderosos visualmente do ano.

01. AVATAR: THE WAY OF WATER (2022), de James Cameron
James Cameron tem lugar reservado no céu. E é isso. O filme que mais me fascina, que mais me empolgou, que mais me emocionou, a maior experiência que tive dentro de uma sala de cinema este ano foi AVATAR: THE WAY OF WATER. Um filme cheio de emoção e ideias para absorver e, sim, um épico de ação sublime. Ao longo de mais de uma década fico feliz em perceber que Cameron não perdeu o tato pra contar boas histórias, par a criar personagens cativantes, não perdeu o senso de grandeza do tipo de aventura que se propõe a criar e, principalmente, não perdeu o talento para fazer de cada plano, cada imagem, cada frame de AVATAR: THE WAY OF WATER uma experiência visual arrebatadora.

Enfim, o ano acabou. Já não quero saber de mais nada. Em 2023 retornamos. Sigam-me no instagram e outras redes. Tem uns links aí do lado. Até breve.

RANKING PSICOSE

Já que estamos no mês de Halloween, nada mais justo que ver uns filmes de horror pra variar… Como se eu já não assistisse coisas do gênero o ano inteiro. Mas enfim, há alguns dias resolvi rever a franquia PSICOSE. Sim, o clássico de Alfred Hitchcock de 1960 teve algumas continuações nos anos 80 e 90, caso alguém não saiba. Eu já tinha visto quando era moleque e não me lembrava de nada. E foi uma boa jornada. Quero dizer, pelo menos alguns valeram muito a pena. Outros nem tanto. Então resolvi listar os filmes da série em ordem de preferência, do pior ao melhor.


6. BATES MOTEL (1987), de Richard Rothstein

O pior filme da franquia PSICOSE disparado é isso aqui. Entre PSICOSE III (1986) e PSICOSE IV (1990), tentaram fazer um spin-off da coisa toda, uma série de TV que acabou não indo pra frente. O piloto acabou virando esse TV movie meia boca que ignora as continuações produzidas até ali e imagina como seria se o serial killer Norman Bates tivesse ficado amigo de um garoto dentro da instituição que estava preso logo após os eventos do primeiro filme. 27 anos depois, Bates morre e deixa o famigerado motel de herança pro rapaz, que precisa reformar e reabrir o local… É o multiverso PSICOSE.

É fraquinho, uma comédia dramática sobre esse sujeito chamado Alex West (Bud Cord), um deslocado social tentando lidar com a vida fora da instituição onde passou a vida inteira preso, as burocracias para reabrir o motel, fazendo amizade com novas pessoas e, de vez em quando, encarando uma ou outra situação de horror, como se o mal que assombrou a família Bates ainda estivesse ligado ao local. Se o trabalho de suspense e horror não fosse nulo, talvez rendesse algo, mas nem pra isso BATES MOTEL presta. O arco da escritora, por exemplo, no terceiro ato, uma historinha de fantasmas totalmente deslocada da trama principal, é constrangedor e provavelmente dá um gostinho do que seria a série. Da mesma forma, a revelação final, ao estilo desfecho de Scooby Doo é um dos troços mais ridículos que já vi. Enfim, não vale muito a recomendação, a não ser que você seja um completista obcecado.

5. PSICOSE (1998), de Gus Van Sant

É o único filme que não revi, então nem vou me prolongar muito. Um experimento que o Van Sant fez de refilmar o clássico de Hitchcock quadro a quadro… Há quem defenda, mas eu particularmente acho uma inutilidade. Prefiro rever o original trocentas vezes. Mesmo assim, pelas minhas lembranças, ainda é melhor que BATES MOTEL.

4. PSICOSE IV (1990), de Mick Garris

O quarto e último da série PSICOSE também é um filme feito pra TV. Ao longo de quase 90 minutos assistimos Norman Bates (Anthony Perkins já imortalizado pelo personagem) tentar desempacotar toda a sua bagagem emocional e psicológica ao telefone num programa de rádio, com um monte de flashbacks da sua infância e adolescência, explorando as origens que o levaram a ser um serial killer e sua relação edipiana com a mãe (Olivia Hussey). Também descobrimos que Norman agora se casou e está tentando acabar com seus demônios para sempre. O que inclui matar sua esposa grávida para que o mal não passe para a próxima geração…

Mas é tudo meio decepcionante. Até curto algumas coisas do Mick Garris, mas acho que sempre foi mais simpatia pela sua boa vontade com o gênero do que realmente talento, mas temos alguns momentos aqui e ali mais inspirados em PSICOSE IV, como quando Henry Thomas (o garotinho do E.T. O EXTRATERRESTRE) assume o papel de Norman Bates adolescente, lutando com seus sentimentos inquietantes por sua mãe e propensão a esfaquear mulheres. Mas num geral as coisas não funcionam muito bem, é tudo muito chato e nem trazer o roteirista do original e a trilha sonora de Bernard Herrmann ajuda muito…

3. PSICOSE III (1986), de Anthony Perkins

Aqui começam as surpresas. Não lembrava que este terceiro filme era tão legal. Foi dirigido pelo próprio Anthony Perkins, que não se aguenta em criar uns fan service para homenagear o filme original (com alguns detalhes e enquadramentos que copiam o filme de 1960) e o próprio Hitchcock (a sequência inicial das freiras remete muito a VERTIGO), mas ao mesmo tempo transporta o material para o slasher dos anos 80 em toda sua essência: exagerado, com grande dose de nudez, um bocado de violência, muito neon, só coisa boa… Pode não ter um trabalho psicológico tão complexo, como o de PSICOSE II (1982), mas todos esses elementos típicos do horror oitentista compensam pra diversão.

Perkins, particularmente, tá um bocado over, mas ainda é maravilhoso assisti-lo como Norman Bates. E ainda demonstra um bom domínio na direção, na condução das coisas, construção de atmosfera tão peculiar do slasher e da estética do horror dos anos 80 num geral… Podia ter investido mais no ofício. Mas o que realmente se destaca em PSICOSE III é a presença insana do grande Jeff Fahey. O cara tá sensacional!

2. PSICOSE II (1982), Richard Franklin

Uma sequência que consegue expandir o cânone do primeiro filme, que é um dos maiores da história (e a essa altura já sabem que ficou em primeiro lugar neste ranking), ao mesmo tempo em que se aprofunda nos seus mistérios. Um filme com grande interesse em examinar essa figura que é Norman Bates (Anthony Perkins simplesmente genial aqui) sem transformá-lo em um rato de laboratório, simpático ao espaço mental do personagem, interessado em descompactar as camadas de uma vida inteira de trauma, culpa e medo na sua psique, 22 anos depois dos eventos do primeiro filme.

Há também uma boa dosagem de momentos de tensão e horror para equilibrar o drama, com algumas mortes realmente divertidas (e como já estamos nos anos 80 aqui, um pouco mais de violência gráfica que o clássico) e algumas boas reviravoltas. Ótimo roteiro de Tom Holland e a direção sempre competente de Richard Franklin, o “Hitchcock australiano”. Pode não chegar aos pés do original (poucos filmes do gênero chegam) mas temos aqui um dos melhores filmes de psicopatas dos anos 80.

1. PSICOSE (1960), de Alfred Hitchcock

Por fim, a cereja do bolo. Não tinha como ser diferente. E talvez neste momento, revisto pela milésima vez, PSICOSE seja o meu Hitchcock preferido… Desses filmes que eu já coloquei numa prateleira especial dos exemplares que nunca vou cansar de rever. É perfeito. Quantos filmes podem se orgulhar de terem reformulado um gênero? Não acho exagero nenhum dizer que essa obra-prima de Hitchcock, talvez o mais famoso filme de serial killer da história, criou o horror moderno.

Dessa vez fiquei atento nos detalhes da atuação de Anthony Perkins como o jovem Norman Bates – seu rosto, no final, é uma das mais terríveis expressões do mal já vistas. É tão antológica que não surpreende o sujeito nunca mais conseguir se livrar do papel. Mas o que faz mesmo de PSICOSE um filme extraordinário é a brilhante construção de planos que Hitchcock usa para costurar uma história que é simplesmente fantástica. Desde o plano inicial, a Janet Leigh de sutiã, o domínio do suspense durante cada segundo de sua “fuga”, a trilha sonora do Herrmann entoando, o encontro com Bates, até chegar na cena do chuveiro, que é uma das mais icônicas da história e que desconstruiu toda a noção de protagonismo que o cinema havia trabalhado até então.

É brutal, tenso, tesudo pra cacete e com aquela ironia macabra tão inerente ao velho Hitch.

Enfim, tudo já foi dito sobre PSICOSE. Essa revisão, mesmo depois de tantas e tantas ao longo de décadas, foi primordial só pra perceber ainda mais o quanto amo esse filme.

14 anos na tela…

E continuamos aqui, firme e forte… Quero dizer, nem tão firme e nem tão forte quanto antes, mas só do blog não ter morrido durante esse tempo todo, já é alguma coisa. Continuamos.

Pra comemorar, um top 10 atual dos meus filmes favoritos do coração*.

10. FERVURA MÁXIMA (Hard Boiled, 1992), de John Woo

09. A ESTRADA PERDIDA (Lost Highway, 1997), de David Lynch

08. CRASH – ESTRANHOS PRAZERES
(Crash, 1996), de David Cronenberg

07. ERA UMA VEZ NA AMÉRICA
(Once Upon a Time in América, 1984), de Sergio Leone

06. O PODEROSO CHEFÃO – PARTE III
(The Godfather: Part III, 1990), de Francis F. Coppola

05. TAXI DRIVER (1976), de Martin Scorsese

04. APOCALYPSE NOW (1979), de Francis F. Coppola

03. O PORTAL DO PARAÍSO (Heaven’s Gate, 1980), de Michael Cimino

02. TRÊS HOMENS EM CONFLITO
(The Good, the Bad and the Ugly, 1966), de Sergio Leone

01. FOGO CONTRA FOGO (Heat, 1995), de Michael Mann

*Filmes vistos ou revistos nos últimos cinco anos.

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – DO PIOR AO MELHOR

Outro dia lançaram um novo filme da série O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA na Netflix, então eu resolvi ver toooodos os filmes da franquia que ainda não tinha assistido e rever os que já tinha conferido antes de encarar esse mais recente. O resultado foi esse ranking, do pior ao melhor, já incluindo o tal novo filme da Netflix:

9. Na última posição, ficou O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3D – A LENDA CONTINUA (Texas Chainsaw 3D, 2013), de John Luessenhop. Na maioria das vezes eu sou a favor da desmitificação e revisionismo de padrões, ícones e cânones no cinema, mas transformar o Leatherface numa espécie de anti-herói, um tipo de protetor, e alguém que mereça algum cuidado e carinho, é algo que eu não sei ainda como lidar. Especialmente depois de ver cada filme da franquia em sequência. Talvez se o filme fosse bom, eu não ficaria me procupando muito com esses detalhes, mas é bem meia boca na maior parte do tempo, a tram demora pra engrenar, e não consegui entrar muito na dos personagens na primeira metade do filme. 

A segunda metade já vira aquele banho de sangue padrão, sem muito brilho, mas sempre divertido de acompanhar, com algumas boas mortes… E tendo ainda Alexandra Daddario como protagonista, que é uma belezinha. Enfim, tem seus momentos. Mas é bem estúpido.

8. Agora, daqui pra frente é só alegria. Não que os filmes da série sejam geniais (na verdade, dois são sim, mas vamos esperar as primeiras posições), mas no geral me divertem em maior ou menor grau. MASSACRE NO TEXAS (Leatherface, 2017), de Alexandre Bustillo & Juliem Maury, já ganha uns pontinhos por tentar contar uma história diferente de tudo relacionado ao cânone de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA. A maior parte da trama se passa em meados dos anos 60, com o jovem Leatherface escapando de uma instituição mental. Há uma espécie de componente whodunnit no filme, porque é mostrado que os internos têm seus nomes alterados para evitar a associação com seu passado criminoso, então nem sabemos exatamente quem é o Leatherface no grupo fugitivo até certo momento chave. E o filme é incrivelmente violento, incluindo um tiroteio em um restaurante ao estilo ASSASSINOS POR NATUREZA.

Longe de ser perfeito, surpreende pela visão brutal do horror da dupla francesa Bustillo e Maury (L’INTÉRIEUR e LIVIDE), que conduz com segurança um filme agressivo, macabro (a cena de sexo com o cadáver é um troço bizarro), com bons personagens e atuaçõs fortes (Stephen Dorff e Lily Taylor estão muito bem), excelentes efeitos de gore práticos, belo clima e até mesmo uma história convincente de origem, bem respeitosa ao personagem do título.

7. Olha o novo filme aí. O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA: O RETORNO DE LEATHERFACE (Texas Chainsaw Massacre, 2021), de David Blue Garcia, tem uma sequência em um ônibus de festa, com um monte de influenciadores digitais sendo cortados em pedaços pelo Leatherface que é simplesmente uma delícia e já vale o filme. Que aliás, só tem cerca de 80 minutos de duração. Então, por mais bobo e descartável que seja, é difícil até culpá-lo por desperdiçar seu tempo, porque ocupa tão pouco… E a contagem de corpos é altíssima, tem várias mortes legais, uns momentos bem tensos, umas sacadas visuais interessantes – como Leatherface no meio dos girassóis. Que venham mais filmes da franquia, mesmo que sejam massacrados pela crítica, mas tão divertidos como este aqui.

6. LEATHERFACE: O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3 (Leatherface: The Texas Chainsaw Massacre III, 1990), de Jeff Burr. A década de 80 ficou marcada pela ascensão do slasher, não apenas como um subgênero, mas como uma fonte de criação de ícones de terror na cultura popular. A New Line, estúdio que trouxe Freddy Krueger ao mundo, resolveu colocar as mãos numas outras franquias, como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, com a ideia de que Leatherface precisava ser o próximo grande ícone do gênero. Então, o terceiro filme da série colocou seu nome no título, um tempinho a mais de tela, com o personagem confeccionando uma de suas máscaras de pele humana, e até mesmo presenteou-o com uma motosserra mais épica, de aço inoxidável com a frase “The Saw Is Family” gravadas na lâmina.

A intenção também era desviar-se do humor de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 e devolvê-la às raízes do horror mais puro do filme original; contrataram David J. Schow pra isso, um pioneiro da literatura “splatterpunk” para escrever o roteiro, e na direção, Jeff Burr, que não é um Tobe Hooper, mas sempre mandou bem em produções pequenas, embora aqui tivesse que lidar com vários problemas durante as filmagens, além da série de cortes da MPAA, que meteu tanto a tesoura nas cenas de violência que até a versão unrated é branda.

O resultado, convenhamos, não é lá grandes coisas, mas ao longo do tempo se tornou um “filme do coração”, um pequeno e belo exemplar do horror noventista, que muitos odeiam, eu sei, mas que tenho um carinho especial. Acho divertidíssimo, é direto, não chega a 90 minutos de duração e consegue entregar um certo nível de insanidade que a franquia precisa.

O problema é que a trama é basicamente uma recauchutagem do filme original e o casal protagonista, interpretados por Kate Hodge e William Butler, são muito chatos. Temos novamente uma sequência que recria o jantar, sem a mesma força dos dois filmes anteriores, mas, vejamos, temos a mocinha com as mão pregadas à marteladas numa cadeira, um jovem Viggo Mortensen como um dos canibais, chamado Tex, um sujeito pendurado de cabeça para baixo pronto para ser abatido com uma martelada, Leatherface com sua nova motosserra cromada, personagens da família canibal nunca visto antes. E de quebra, a presença de Ken Foree como herói badass que surge nesta mesma cena metralhando todo mundo, para logo depois encarar Leatherface no mano a mano dentro de um mangue cheio de pedaços de corpos. Cacete, não tem como não se divertir com essa porcaria…

5. Se O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA: O INÍCIO (The Texas Chainsaw Massacre: The Beginning, 2006), de Jonathan Liebesman, é um filme que não justifica tanto sua existência – a de ser um prequel do remake de 2003, mostrando como os Hewitts (a nova família) se tornaram canibais assassinos e contando as origens de Leatherface – ao menos se justifica como um filme de horror muito eficiente, mais direto, sujo, violento pra cacete e com um trabalho de tensão bem muito competente, de fazer o espectador pregar na poltrona durante um bom tempo. Não deixa de ser descartável, mas para quem quer ver uma boa dose de matança, com Leatherface fazendo bom uso de sua motosserra, este aqui é altamente recomendável… R. Lee Ermey, que já havia brilhado no filme de 2003, continua um destaque. E para o roteiro trouxeram mais uma vez o pioneiro “splatterpunk” David J. Schow, que já havia trabalhado no filme acima, MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3.

4. Eu não diria que O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (The Texas Chainsaw Massacre, 2003), de Marcus Nispel, seja um filme obrigatório, não é nada lá muito memorável. Mas uma coisa que eu não lembrava e que foi uma grande revelação pra mim nessa revisão é o fato de ser um remake que não tenta ser o original e muda tudo aquilo que lhe convém – trama, situações, personagens… Não que isso o torne melhor, mas pelo menos lhe dá alguma autenticidade dentro de sua proposta conceitual, mesmo que o resultado geral seja genérico em tom e visual. O problema é que o Marcus Nispel filma mal, com um ou outro momento de destaque. Um diretor mais talentoso teria transformado isso aqui num clássico do horror dos anos 2000. Mas ok, ainda assim, tudo funciona pra mim de alguma maneira, sobretudo no terceiro ato quando o filme se torna só uma frenética – e realmente tensa – perseguição de Leatherface à final girl de Jessica Biel, com alguns momentos bem inspirados e violentos. No fim, fiquei bem satisfeito. Me parece um filme que se arrisca mais, o que acaba adicionando uns pontos à seu favor, mesmo que falhe em algumas coisas no percurso.

Mas aí entra o xerife de R. Lee Ermey, que é o que o filme tem de mais desconcertante, e uma das melhores coisas da franquia inteira. Tudo sobre a presença do sujeito é simplesmente aterradora, tensa e desagradável de assistir – uma performance que merecia ser mais lembrada. O sujeito era foda.

3. O quarto filme da franquia, O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA: O RETORNO (The Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation, 1995), foi escrito e dirigido por Kim Henkel – que é o co-criador do primeiro filme, o clássico de 74, junto com Tobe Hooper. Henkel considera o filme uma paródia da franquia (ele até recria algumas cenas do original), mas o público na época não achou muita graça e foi um fracasso nas bilheterias. Desde então, vem ganhando um status cult e agora eu entendi porquê (esse foi um dos que eu nunca tinha assistido antes)… Trata-se de um dos filmes mais surtados, bizarros, anarquistas, doentios, com um humor debochado dos mais absurdos que eu já vi dentro de uma franquia de horror mais conhecida. Em determinado momento eu pensei que tava vendo um filme do David Lynch… As atuações de Matthew McConaughey e Renée Zellweger, os dois nomes que acabaram ficando famosos, acompanham toda a loucura com a mesma intensidade de suas performances; e o filme também apresenta um Leatherface travestido, o que é simplesmente genial. Toda vez que lembro desse filme, gosto ainda mais.

2. O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (Texas Chainsaw Massacre 2, 1986) foi produzido pela Cannon Group como parte de um acordo com Tobe Hooper, que poderia dirigir este aqui contanto que fizesse mais dois filmes para o estúdio. Foi inicialmente planejado como uma continuação muito maior, mais épica e bizarra, com uma cidade inteira de canibais. De certa forma, continua sendo um filme “maior”, mais épico e bizarro, porém o orçamento foi reduzido durante a produção e algumas ideias foram deixadas de lado. Não sei se estava no projeto inicial, mas Dennis Hopper está aqui como um Texas Ranger obcecado, parente de vítimas do primeiro filme. Ele quer se vingar e vai usar motosserras para atingir seu objetivo! E só por isso, já dá pra colocar o filme num pedestal.

Lembro da decepção que foi ver esse filme pela primeira vez. Provavelmente porque não esperava a total mudança de tom, mais carregado no humor, e é tudo ainda mais exagerado, mais colorido, em muitos aspectos o oposto do primeiro filme. Mas com várias revisões que fui fazendo ao longo dos anos passei a apreciá-lo cada vez mais. Hoje considero uma obra-prima. sobretudo por compreender melhor a ideia de Hooper em fazer uma continuação que reagisse aos anos 80, numa sátira autoconsciente do próprio produto que criou e também pelo contexto daquela época, de uma América oitentista cheia de traumas e ressaca das últimas décadas…

Certamente não era a continuação que os fãs do primeiro filme queriam, há uma recusa em atender as expectativas, um grande foda-se pra tudo isso. Mas ainda assim estamos falando de Tobe Hooper, então, para quem embarca na loucura, vai se deliciar com alguns dos momentos mais antológicos do horror nos anos 80. Como Leatherface descobrindo o “amor” e usando sua motosserra como extensão de seu… Bom, vocês sabem. Ou Dennis Hopper encarando Leatherface num duelo de motosserras, que é algo para se ver de joelhos. E apesar de Hopper estar maravilhoso, é preciso destacar Bill Moseley, que dá uma “roubada de cena” quando aparece. Pode não estar no mesmo nível do primeiro (óbvio, até porquê pouquíssimos filmes estão), mas de alguma maneira acabou sendo uma continuação perfeita de um filme perfeito.

1. Obviamente que o primeiro lugar seria do clássico de 1974. Não tinha como ser diferente. O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (Texas Chain Saw Massacre, 1974), de Tobe Hooper, continua uma das experiências mais perturbadoras mesmo depois de tantas revisões, e permanece na mente como um pesadelo. Ok, “pesadelo filmado” é uma daquelas expressões que acabaram banalizadas pelo seu uso excessivo, mas aqui não existe definição mais perfeita. Tobe Hooper tira toda a gordura habitual do gênero, concentra-se no essencial e nos serve um filme aterrador, sublime e revolucionário; horror na sua forma mais pura e cristalina: um pesadelo filmado.

A antológica sequência do jantar com a família de canibais é um é uma das coisas mais absurdas e subversivas que existe no gênero até hoje; a mise-en-scène de Hooper, os ângulos oblíquos dos enquadramentos, a luz desorientadora, o pandemônio auditivo potencializados pelos gritos desesperados de Marilyn Burns, possui todos os ingredientes daquilo que é feito um… pesadelo. E convenhamos: só a ideia de um psicopata brutamontes, com uma máscara feita de pele humana, portando uma motosserra perseguindo uma garota inocente é algo simplesmente genial. Com isso em mente, o filme culmina numa das sequências mais inesquecíveis da minha vida, uma perseguição final que tem desfecho na icônica imagem cristalizada de Leatherface (Gunnar Hansen), perfilado contra o sol fumegante, agitando sua motosserra como numa dança macabra. Obra-prima, clássico, etc, qualquer termo desse tipo é pouco pra classificar isso aqui.

FAVORITOS DE 2021

Já adiantei no twitter e instagram um top 10 dos filmes que mais gostei neste ano, mas aqui aproveito pra estender a lista em quantidade e também acrescentar os filmes de 2020 que acabei assistindo só em 2021. E é preciso dizer, este ano deu de lavada. Foi um grande ano, com filmes realmente bons e, caramba, não é sempre que dá pra reunir gente gabaritada como Clint Eastwood, Steven Spielberg, Abel Ferrara, Paul Verhoeven, Ridley Scott, M. Night Shyamalan e Paul Schrader numa mesma lista de melhores do ano…

Então, vamos ao que interessa, segue aí um top 20 com as produções que mais me marcaram em 2021, com alguns breves comentários marotos sobre cada:

#20. CLIFF WALKERS (2021), de Zhang Yimou: Noir de espionagem chinês. Não é das tarefas mais fáceis de acompanhar a trama, cheia de detalhes contextuais da época que a história se passa e excesso de personagens, mas depois que se acostuma é bem envolvente.

Imagem

#19. A WRITER’S ODISSEY (2021), de Lu Yang: Fantasia espetacular de ação, um pouco pesado no CGI e na duração, mas bem divertido e com umas boas alfinetadas contra o corporativismo estatal.

#18. THE POWER OF THE DOG (2021), de Jane Campion: Belo conto de desmistificação do cowboy, do velho oeste. Sobre desejos reprimidos pela imposição da pose de machão.

Imagem

#17. DON’T LOOK UP (2021), de Adam McKay: Documentário sobre como o negacionismo de pessoas ineptas como Trump/Bolsonaro fodem o mundo.

Imagem

# 16. ONE SHOT (2021), de James Nunn: A devoção de Scott Adkins ao cinema de ação de baixo orçamento é pra sempre nos lembrar que ainda há vida inteligente no gênero.

Imagem

#15. WIFE OF A SPY (2020), de Kyioshi Kurosawa: Um Kurosawa menor, na minha opinião, mas com força suficiente pra demonstrar porque o sujeito é um dos maiores em atividade.

Imagem

#14. THE WOMAN WHO RAN (2020), de Hong Sang-soo: A cena do sujeito discutindo sobre os gatos já é candidata a uma das melhores da década.

Imagem

#13. RAGING FIRE (2021), de Benny Chan: RIP Benny Chan. Você era foda.

Imagem

#12. MALIGNANT (2021), James Wan: Às vezes eu sinto falta de um filme de horror de qualidade, só que mais escrachado e galhofeiro. E isso aqui acertou em cheio nisso.

Imagem

#11. MONSTER HUNTER (2020), de Paul W. S. Anderson: Gosto como a coisa toda é urgente e direto na sua proposta: o filme é sobre Milla Jovovich e Tony Jaa enfrentando monstros gigantes. Ponto. É o que ele entrega e entrega de forma linda. Não preciso mais que isso. Ajuda muito eu já ter uma queda pelo cinema do PWSA.

Imagem

#10. OLD (2021), de M. Night Shyamalan: Reflexivo, tenso e aterrador. É tudo o que se poderia esperar do diretor caso dirigisse um longo episódio do seriado ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

Imagem

#09. THE CARD COUNTER (2021), de Paul Schrader: O mal não é uma força vaga e nebulosa, existem pessoas físicas reais com endereço fixo que a pratica. Mais do mesmo dos filmes que Paul Schrader tem feito. Ou seja, maravilhoso.

Imagem

#08. CRY MACHO (2021), de Clint Eastwood: Auto-consciência de um ícone envelhecido, olhando para o que representou, com alguns arrependimentos aqui e provas de sabedoria ali. Já não há muito o que fazer, Clint agora só quer sossego ali naquela cidadezinha mexicana, dançando uns clássicos com aquela senhora do restaurante que faz uma comida boa, e soltar reflexões ao rapaz do galo como “essa coisa de macho é superestimada”… Clint já não está lá mais interessando em encontrar algum punk pra “fazer o seu dia”

Imagem

#07. BENEDETTA (2021), de Paul Verhoeven: O Holandês maluco e suas provocações, expondo a podridão dos jogos de poder e hieraquia da igreja católica. E ainda faz uma belo exemplar de numsploitation que deixariam Jess Franco e Joe D’Amato orgulhosos.

Imagem

#06. WEST SIDE STORY (2021), de Steven Spielberg: A câmera de Spielba continua um deleite. Cada plano desse filme é um espetáculo. O melhor do diretor desde MUNIQUE (2005).

#05. DRIVE MY CAR (2021), de Ryusuke Hamaguchi: Conto delicado de quase três horas sobre personagens quebrados, revirando memórias e tentando superar suas perdas numa relação que se estabelece a partir de um carro véio que o protagonista possui.

Imagem

#04. THE LAST DUEL (2021), de Ridley Scott: Questões modernas através de uma lente medieval. Ridley Scott continua mostrando porque é um dos grandes mestres em atividade. Pena que não consegui ver HOUSE OF GUCCI a tempo, corria o risco de ter dois filmes do homem nessa lista.

Zeros and Ones | The Film Stage

#03. ZERO AND ONES (2021), de Abel Ferrara: Não entendi um caralho em termos de trama. Mas é uma das experiências atmosféricas mais fascinantes da carreira do Ferrara. E o fato de ser todo revestido pelo contexto da pandemia a coisa fica ainda mais intensa e angustiante.

Imagem

#02. MATRIX RESURRECTIONS (2021), de Lana Wachowski: Quanto mais nerdolas e fanboys dos filmes anteriores têm odiado esse novo MATRIX, mais eu tenho amado. O “blockbuster anti-blockbuster” do ano. Um tapa na cara do público acostumado com as fórmulas de filmes de bonecos que vêm se acumulando nos últimos 15 anos em Hollywood.

Limbo movie review: Hong Kong crime thriller starring Lam Ka-tung, Mason  Lee and Cya Liu sees director Soi Cheang return to his nihilistic best |  South China Morning Post

#01. LIMBO (2021), de Soi Cheang: E o filme do ano é essa pedrada que vem da China, dirigido por Pou Soi Cheang, que já fez alguns filmaços, ACCIDENT (2009), MOTORWAY (2012), SPL 2 (2015)… Desses diretores que é obrigatório conhecer. Trata-se de um neo-noir em preto e branco expressivo, com o alguns códigos básicos habituais do gênero: dois detetives, um jovem e outro experiente, que estão à caça de um serial killer. Mas a coisa se subverte como uma das experiências visuais mais impressionantes que eu tive em muito tempo (vem sendo filmado desde 2017, com um cuidado estético de cair o queixo). Trágico, psicológico, atuações sublimes e sequências de tensão de tirar o fôlego – sem contar a questão visual, que é realmente a grande força do filme – LIMBO é a obra-prima de 2021.

Até o ano que vem.

FAVORITOS DE 2020

Chegou aquele momento tradicional do blog, um TOP 20 com os filmes que pessoalmente e por diversos aspectos mais me agradaram durante o ano que passou. Confesso que não foi muito fácil compor a lista, foi um ano estranho para lançamentos e vocês sabem que não sou nenhum devorador de filmes recentes e procuro ver apenas o que julgo essencial. Mas fiquei bem satisfeito com os vinte filmes que elegi como meus favoritos do ano. O critério principal foram as produções recentes conferidas no ano de 2020, mas com margem de até um ano. Ou seja, filmes de 2019 que acabei conferindo só em 2020 estão elegíveis.

Vamos à lista:

20. JIU JITSU (2020), de Dimitri Logothetis

19. RESGATE (Extraction, 2020), de Sam Hargrave

18. LET HIM GO (2020), de Thomas Bezucha

17. BRONX (2020), de Olivier Marchal

16. FIRST LOVE (2019), de Takashi Miike

15. COME TO DADDY (2019), de Ant Timpson

14. DEPRAVED (2019), de Larry Fessenden

13. THE DEBT COLLECTORS (2020), de Jesse V. Johnson

12. CAPONE (2020), de Josh Trank

11. O OFICIAL E O ESPIÃO (J’Accuse, 2019), de Roman Polanski

10. SERTÂNIA (2019), de Geraldo Sarno

09. ALONE (2020), de John Hyams

08. POSSESSOR (2020), de Brandon Cronenberg

07. SIBERIA (2020), de Abel Ferrara

06. TOMMASO (2019), de Abel Ferrara

05. A COR QUE CAIU DO ESPAÇO (The Color Out of Space, 2019), de Richard Stanley

04. O FIM DA VIAGEM, O COMEÇO DE TUDO (2019), de Kiyoshi Kurosawa

03. RICHARD JEWELL (2019), de Clint Eastwood

02. CHASING DREAM (2019), de Johnnie To

01. DA 5 BLOODS (2020), de SPIKE LEE

FAVORITOS DE 2019

Meu tradicional TOP 20 com os filmes que pessoalmente e por diversos aspectos mais me agradaram durante 2019. Como sempre, o critério principal são as produções recentes conferidas neste ano, mas com margem até de um ano. Ou seja, filmes de 2018 que acabei conferindo só em 2019 estão elegíveis.

E para provar como sou extremamente inconstante, algumas posições dessa relação já não possuem coerência alguma com a lista de melhores da década… Mas, foda-se, né?

Segue a lista:

mv5bzwnjmta1zmmtmgvlny00mda0lwjmymmtymzmzdhmmda5ztlhxkeyxkfqcgdeqxvymtkxnjuynq4040._v1_sy1000_sx1500_al_-e1571788649841.jpg20. JOKER (Todd Phillips, 2019)

EARNZayUIAEc4Gc19. MIDSUMMER (Ari Aster, 2019)

MV5BN2U4NGEwMGItN2QzYi00NzAxLTgxY2YtYWUwOGQ0MjdmN2RhXkEyXkFqcGdeQXVyMjMzMDI4MjQ@._V1_SX1777_CR0,0,1777,744_AL_18. US (Jordan Peele, 2019)

mv5byjbizta1zdetodc5my00yje1lwjknjitytc5owrkotaxngi0xkeyxkfqcgdeqxvynzi1nzmxnzm40._v1_sx1777_cr001777832_al_.jpg17. 6 UNDERGROUND (Michael Bay, 2019)

MV5BOWFlMWM2ZTUtMGM1NC00ZDBjLTg2MWUtNDYzNzFhMTZmNzI5XkEyXkFqcGdeQXVyMTkzODUwNzk@._V1_16. BACURAU (Juliano Dornellas e Kleber M. Filho, 2019)

MV5BNDhiZmQ5NjAtZDVhZC00YzkxLThmN2UtMmEwMDZlODBmODllXkEyXkFqcGdeQXVyODUxNjcxNjE@._V1_15. HIGH LIFE (Claire Denis, 2018)

MV5BMDBlN2U5MGItNDdkOC00YjMwLTgwNDQtZGNjZmMxZjk5MzllXkEyXkFqcGdeQXVyNzI2NzgzMzc@._V1_SX1777_CR0,0,1777,999_AL_14. O BAR DA LUVA DOURADA (Fatih Akin, 2019)

MV5BY2Q2ZTU2YjEtMTQ3Yy00MmI1LWFiMDAtMTIzOTRiZWIwNjFkXkEyXkFqcGdeQXVyNjM5MDU4OTU@._V1_SX1777_CR0,0,1777,740_AL_13. JOHN WICK: CHAPTER 3 – PARABELLUM (Chad Stahelski, 2019)

EItgqtzWsAE2xNd12. PARASITE (Bong-Joon Ho, 2019)

EEwcb6qXYAAdgzF11. AVENGEMENT (Jesse V. Johnson, 2019)

mv5bnjdkytjjotutndi0ni00njg0lwjkzdgtnte1mtgwzmeynzm3xkeyxkfqcgdeqxvymtkxnjuynq4040._v1_sy1000_cr0011951000_al_.jpg10. THE LIGHTHOUSE (Robert Eggers, 2019)

the_traitor-publicity_still-h_201909. IL TRADITORE (Marco Bellocchio, 2019)

every-m-night-shyamalan-movie-ranked-from-worst-to-best08. GLASS (M. Night Shyamalan, 2019)

D0Dm9TmUUAAorV407. DRAGGED ACROSS CONCRETE (S. Craig Zahler, 2018)

MV5BNmE5YWIwNGYtNDFkOS00OWY4LThhYzUtMWVlZTFjMzA3YWVjXkEyXkFqcGdeQXVyMTAzMDg4NzU0._V1_SX1777_CR0,0,1777,744_AL_06. UNCUT GEMS (Josh e Benny Safdie, 2019)

MV5BNDQzMWU5ODgtMTBiYy00NDQwLWFiYTEtYTMyYmMwMTQ4MTY2XkEyXkFqcGdeQXVyNjgzMjQ0MTA@._V1_05. VITALINA VARELA (Pedro Costa, 2019)

MV5BMmZlZmYzMTktZjdjZi00NjEyLTllMjMtYWVlMjhhNDQ0MTBjXkEyXkFqcGdeQXVyNjUwNzk3NDc@._V1_04. AD ASTRA (James Gray, 2019)

MV5BODEzODUwYWMtYjdlMC00ODY5LTlmMTgtMGM1MDAyMWNmZDEzXkEyXkFqcGdeQXVyNjUwNzk3NDc@._V1_03. THE MULE (Clint Eastwood, 2018)

EGNWDrrWsAMiI3g02. ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD (Quentin Tarantino, 2019)

EFKSgyWWkAUQ_FY01. O IRLANDÊS (Martin Scorsese, 2019)

UM ÓTIMO 2020 PARA TODOS

MELHORES DA DÉCADA (2010 – 2019)

Mais uma listinha. Por aqui, vai uma versão resumida, um ranking com os meus dez filmes favoritos desta década que termina. No meu Instagram e no Letterboxd postei uma relação mais avantajada, com 100 filmes.

tumblr_d2a78a86fb05b75fb07d3768cd712491_46432d52_128010. SHUTTER ISLAND (2010), de Martin Scorsese

tumblr_pkv7gg64JH1x5knrko1_128009. ONLY GOD FORGIVES (2013), de Nicolas Winding Refn

mv5bmtq3nju2mzgwov5bml5banbnxkftztcwmdiwmta0nw4040._v1_sx1777_cr001777999_al_.jpg08. 4:44 (2011), de Abel Ferrara

MV5BZTQ4MTFiZDctOTRhMC00M2ZmLTkyYWEtOTVlNDJmZGMyN2Q0XkEyXkFqcGdeQXVyOTA2MzQwMg@@._V1_07. FIRST REFORMED (2016), de Paul Shrader

enb9-l8xyaatcui.jpeg06. HOLY MOTORS (2012) de Leos Carax

ELtSB-RUUAECsAr05. MAD MAX: FURY ROAD (2015), de George Miller

ENI9EwjXYAAbXTw04. THE LOST CITY OF Z (2016), de James Gray

EFKSgyWWkAUQ_FY03. O IRLANDÊS (2019) de Martin Scorsese

EDCM-grXUAA1QZx02. HARD TO BE A GOD (2013), de Aleksey German

MV5BMDFlMmFiMzktZWJkMy00NDEwLThhYTEtNWI3OTU5NWUzMjI3XkEyXkFqcGdeQXVyOTc5MDI5NjE@._V1_01. O CAVALO DE TURIM (2011), de Béla Tarr

GRANDES FILMES DE AÇÃO DA DÉCADA (2010 – 2019)

Iniciando os trabalhos de final de ano/década, com algumas listas de filmes favoritos e escolhas pessoais. Vamos começar com a dos filmes de ação que, particularmente, me chamaram a atenção durante estes últimos dez anos. Em ordem cronológica:

EMytrKQWkAAfzGk13 ASSASSINS (2010), de Takashi Miike

D2dAPUuW0AcQCKtESSENTIAL KILLING (2010), de Jerzy Skolimowski

TheExpendables-RourkeMirrorOS MERCENÁRIOS (The Expendables, 2010), de Sylvester Stallone

ef3f90565e8c3366cffa899ef1d52336UNDISPUTED III: REDEMPTION (2010), de Isaac Florentine

EMMkB9nWkAAfmYOUNSTOPPABLE (2010), de Tony Scott

DuVCkVnWsAA8BllFAST FIVE (2011), de Justin Lin
Menção honrosa: FAST & FURIOUS 6 (2013), de Justin Lin, e
FAST 7 (2015), de James Wan

ELnh5YCW4AAOZmNTHE RAID (2011), de Gareth Evans

D0ld2KJWoAAkjCJDREDD (2012), de Pete Travis

EBUQkcAXkAM3fRdOS MERCENÁRIOS 2 (2012), de Simon West

C2EBtnBXUAUYyEgNUIT BLANCHE (2011), de Frédéric Jardin

D70krXjXYAMFbSQRESIDENT EVIL: RETRIBUTION (2012), de Paul W. S. Anderson

DvmHP7BUUAAsgnoSKYFALL (2012), de Sam Mendes

DVjdFKvUMAEuWXcUNIVERSAL SOLDIER: DAY OF RECKONING (2012), de John Hyams

DfGmU5PUwAAbpuATHE PACKAGE (2013), de Jesse V. Johnson

EMWmbT6WwAAPlY7EDGE OF TOMORROW (2014), de Doug Liman

EM9Te8tUcAAkhXHJOHN WICK (2014), de David Leitch e Chad Stahelski

D-oowzQWwAAGjTcNON-STOP (2014), de Jaume-Collet Serra
Menção Honrosa: os outros filmes de ação do Serra em parceria com Liam Neeson: UNKNOWN (2011), RUN ALL NIGHT (2015) e
O PASSAGEIRO
(2018)

ELCpHq7UEAAGocyBLACKHAT (2015), de Michael Mann

ELtSB-RUUAECsArMAD MAX: FURY ROAD (2015), de George Miller

CPNSS5qUsAABtNrSPL 2: A TIME FOR CONSEQUENCES (2015), de Soi Cheang
Menção honrosa: MOTORWAY (2012), também dirigido por Soi Cheang

DGUIZ_vU0AExXAOJOHN WICK: CHAPTER 2 (2017) de Chad Stahelski

Doler2bW0AAYjn9MISSION: IMPOSSIBLE – FALLOUT (2018), de Christopher McQuarrie
Menções Honrosas: todos os outros filmes da série lançados nessa década: GHOST PROTOCOL (2011), de Brad Bird e ROGUE NATION (2015), de Christopher McQuarrie

EEwcb6qXYAAdgzFAVENGEMENT (2019), de Jesse V. Johnson
PS: Encontra-se disponível na Netflix com o título IMPLACÁVEL

Cahiers du Cinéma: Top 10 filmes da década 2010-2019

Enquanto não finalizo a minha lista dos melhores filmes da década, vou colocar aqui um top 10 dos melhores “filmes” dos últimos dez anos (“filmes” entre aspas mesmo, porque tem séries na relação…) que a famosa revista francesa Cahiers du Cinema publicou esta semana.

OkpEW910. O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA (2010), Manoel de Oliveira

bvf1Tc09. UNDER THE SKIN (2013), Jonathan Glazer

qdttbx08. MELANCHOLIA (2011), Lars Von Trier

captura-2018-10-11-12h04m35s15007. MIA MADRE (2015), Nanni Moretti

2_zps1ytfmrdy06. TONI ERDMANN (2016), Maren Ade

b4187705. LE LIVRE D’IMAGE (2018), Jean-Luc Godard

CBtFIB04. TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS (2010), Apichatpong Weerasethakul

tumblr_nfawo7pRqi1s9q35fo10_128003. P’TIT QUINQUIN (2014), Bruno Dumont

img94_557_5354917402. HOLY MOTORS (2012), Leos Carax

Ortrtmp01. TWIN PEAKS: THE RETURN (2017), David Lynch

FOR YOUR CONSIDERATION: 21 CRIME MOVIES/POLICIAL OITENTISTAS

WAR_101_11-09-17_GB_4746

CAÇADA NA NOITE (1980), de John Mackenzie

cruising

PARCEIROS DA NOITE (1980), de William friedkin

thief

PROFISSÃO: LADRÃO (1981), de Michael Mann

prince_of_the_city

O PRÍNCIPE DA CIDADE (1981), de Sidney Lumet

Body-Heat-4_1

CORPOS ARDENTES (1981), de Lawrence Kasdan

nighthawks

FALCÕES DA NOITE (1981), de Bruce Malmuth

ms_forty_five_ver2

SEDUÇÃO E VINGANÇA (1981), de Abel Ferrara

i_the_jury

EU SOU A LEI (1982), de Richard T. Heffron

pope_of_greenwich_village

NOS CALCANHARES DA MÁFIA (1984), de Stuart Rosenberg

tightrope_ver2

UM AGENTE NA CORDA BAMBA (1984), de Richard Tuggle

fear_city

CIDADE DO MEDO (1984), de Abel Ferrara

to_live_and_die_in_la

VIVER E MORRER EM LA (1985), de William Friedkin

year_of_the_dragon

O ANO DO DRAGÃO (1985), de Michael Cimino

manhunter_ver1

DRAGÃO VERMELHO (1986), de Michael Mann

at_close_range

CAMINHOS VIOLENTOS (1986), de James Foley

fifty_two_pick_up

A HORA DA BRUTALIDADE (1986), de John Frankenheimer

china_girl

INIMIGOS PELO DESTINO (1987), de Abel Ferrara

best_seller

A MARCA DA CORRUPÇÃO (1987), de John Flynn

colors

COLORS – AS CORES DA VIOLÊNCIA (1988), de Dennis Hopper

cop_xlg

UM POLICIAL ACIMA DA LEI (1988), de James B. Harris

relentless

OBCECADO PARA MATAR (1989), de William Lustig

20 FILMES DE CABECEIRA (HOJE)

the-good-the-bad-the-ugly

Resolvi aproveitar o feriado para respirar fundo e atualizar a minha lista de filmes favoritos da vida. Só que meu gosto pelos chamados “filmes da vida” ou “filmes de cabeceira” é muito instável e, portanto, este tipo de lista já vem com com prazo de validade quase vencido, já que amanhã ou depois eu posso perceber que cometi injustiças, ou esqueci de algum filme ou mesmo as posições entre si devem intercambiar… Enfim, é o preço que se paga por fazer esse tipo de relação.

São vintes filmes, em ordem de preferência, apenas um de cada diretor, para dar aquela variada:

01. TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, The Bad and The Ugly, 1966), de Sergio Leone
02. FOGO CONTRA FOGO (Heat, 1995), de Michael Mann
03. CONAN – O BÁRBARO (Conan – The Barbarian, 1982), de John Milius
04. O PORTAL DO PARAÍSO (Heaven’s Gate, 1980), de Michael Cimino
05. RASTROS DE ÓDIO (The Searchers, 1956), de John Ford
06. O PAGAMENTO FINAL (Carlito’s Way, 1993), de Brian De Palma
07. FIRST BLOOD (1982), de Ted Kotcheff
08. O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 – O JULGAMENTO FINAL (1991), James Cameron
09. MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (Wild Buch, 1969), de Sam Peckinpah
10. O ENIGMA DO OUTRO MUNDO (The Thing, 1982), de John Carpenter
11. DURO DE MATAR (Die Hard, 1988), de John McTiernan
12. ROBOCOP (1987), de Paul Verhoeven
13. VIVER E MORRER EM LOS ANGELES (To Live and Die in LA, 1985), de Bill Friedkin
14. TAXI DRIVER (1976), de Martin Scorsese
15. VIDEODROME (1983), de David Cronenberg
16. O SELVAGEM DA MOTOCICLETA (Rumble Fish, 1983), de Francis F. Coppola
17. OS IMPERDOÁVEIS (Unforgiven, 1992), de Clint Eastwood
18. PROFISSÃO: REPÓRTER (Professione: reporter, 1975), de Michelangelo Antonioni
19. ROLLING THUNDER (1977), de John Flynn
20. CÃO BRANCO (White Dog, 1982), de Sam Fuller

TOP 20 – 1998

Ano passado eu fiz um throwback de 20 anos, um retorno a 1998, e redescobri o cinema daqueles 365 dias. Vi várias coisas que deixei escapar na época e ao longo dos anos, e revi muita coisa que só tinha visto quando foram lançados por aqui, no cinema ou em vídeo. Deixo então um top 20 como resultado dessa prospecção:

tumblr_pboyra6yML1v0rvpuo5_1280

Willen Dafoe mexe com quem não devia em NEW ROSE HOTEL

tumblr_ow1lz0UOQB1ro1yrjo1_1280

James Woods encara seu pior pesadelo em VAMPIROS

1_VfI0Jg0Lfux-poUzUUXVhw

Nic Cage com a fuça esmurrada em OLHOS DE SERPENTE

01. NEW ROSE HOTEL, Abel Ferrara
02. VAMPIROS, John Carpenter
03. OLHOS DE SERPENTE, Brian De Palma
04. ALÉM DA LINHA VERMELHA, Terrence Malick
05. BUFFALO 66, Vincent Gallo
06. SMALL SOLDIERS, Joe Dante
07. EYES OF THE SPIDER, Kyioshi Kurosawa
08. O GRANDE LEBOWSKI, Ethan e Joel Coen
09. O NEGOCIADOR, F. Gary Gray
10. MÁQUINA MORTÍFERA 4, Richard Donner
11. HE GOT GAME, Spike Lee
12. THE HOLE, Tsai Ming Liang
13. INIMIGO DO ESTADO, Tony Scott
14. KNOCK-OFF, Tsui Hark
15. GAROTAS SELVAGENS, John McNaughton
16. SOLDIER, Paul W.S. Anderson
17. DARK CITY, Alex Proyas
18. US MARSHALS – OS FEDERAIS, Stuart Baird
19. O RESGATE DO SOLDADO RYAN, Steven Spielberg
20. UM PLANO SIMPLES, Sam Raimi

Este ano já estou fazendo a mesma coisa com 1999… veremos no que dá.

25 FILMES PARA ESPERAR EM 2019

once-uponjw3benedetta

Uma relação do que realmente me interessa assistir este ano. Cortei fora alguns filmes que já foram lançados em alguma parte do mundo, mas que vão entrar no circuito nacional por agora, especialmente CREED II e THE MULE, de Clint Eastwood. Este último para aguardar salivando! Dos filmes esperados para o resto do ano, estes 25 aqui são os que me apetecem uma conferida:

3 FROM HELL, de Rob Zombie. Sim, ainda gosto do Zombie…
6 UNDERGROUND, de Michael Bay
AD ASTRA, ficção científica de James Gray
BENEDETTA, nunsploitation de Paul Verhoeven!
DEAD DON’T DIE, zombie movie de Jim Jarmusch
DOMINO, de Brian De Palma (será que este ano vai?)
DRAGGED ACROSS CONCRETE, S. Craig Zahler, o mesmo diretor de BONE TOMAHAWK e BRAWL IN CELL BLOCK 99, ou seja, um dos nomes mais interessantes do cinema atual
GLASS, de M. Night Shyamalan
GODZILLA 2: O REI DOS MONSTROS, de Michael Dougherty
HELLBOY, de Neil Marshall

high_life

HIGH LIFE, ficção científica de Claire Denis
O spin off de VELOZES E FURIOSOS, HOBBS & SHAW, de David Leitch
IRISHMAN, THE, de Martin Scorsese, obviamente…
IT: CHAPTER 2, de Andy Muschietti
JOHN WICK 3: PARABELLUM, de Chad Stahelski
LIGHTHOUSE, de Robert Eggers, o mesmo diretor de A BRUXA
MONSTER HUNTER, de Paul W. S. Anderson. Ok, eu sei que sou minoria, mas eu adoro os filmes desse cara!
ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD, de Quentin Tarantino
PRISONERS OF THE GHOSTLAND, de Sion Sono, estrelado pelo melhor ator do mundo em atividade. Sim, ele mesmo: NICOLAS CAGE!
RAMBO 5: LAST BLOOD, de Adrian Grunberg
SANDMAN, THE, de Dario Argento (será que vai?)

terminator

Novo EXTERMINADOR DO FUTURO, de Tim Miller, pelo retorno de James Cameron na produção e roteiro, e da Linda Hamilton, como Sarah Connor
TOMMASO, de Abel Ferrara
TRIPLE THREAT, de Jesse V. Johnson, ação com Iko Wuais, Tony Jaa, Tiger Hu Chen, Scott Adkins, Michael Jay White. Imperdível.
UNCUT GEMS, de Josh e Benny Safdie

Provavelmente devo ter esquecido um monte de coisas que quero ver, mas ao longo do ano, se eu me comprometer a ser um blogueiro exemplar (e não essa porcaria que tenho sido), vou trazendo mais novidades.

Para finalizar, uma série obrigatória para acompanhar em 2019:

TOO OLD TO DIE YOUNG, criada e toda dirigida pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn

mv5bztq4ymy5mmqtowfjzi00zdk3lwi0n2qtnmvkmwm5njewotq5xkeyxkfqcgdeqxvyntuynjiymzg@._v1_