LES TROTTOIRS DE BANGKOK (1984)

bscap0011Então em vez de conferir algum dos mais conhecidos filmes do francês Jean Rollin que eu ainda não vi, resolvi encarar este petardo do sujeito da fase oitentista. Mas até que foi uma boa surpresa! Nessa época o diretor se afastava um bocado dos filmes de horror que o consagrou na década anterior, com as vampiras belas e sexys que povoavam a maioria de suas narrativas, e desbravava novos temas. Além de uns pornozinhos habituais que ajudavam a bancas suas produções mais “sérias”, começou a aparecer na filmografia do Rollin alguns thrillers como LE PAUMÉES DU PETIT MATIN (81), e este LES TROTTOIRS DE BANGKOK, um thriller de ação e espionagem que lembra um bocado alguns trabalhos tardios de Joe D’Amato e Jess Franco.

Aliás, santa trindade: D’Amato, Franco e Rollin. Mas a real é que o tom da trama de BANGKOK é, antes de tudo, Hitchcockiano, com uma personagem inocente sendo perseguida pra todo lado, envolvida num mistério, além de um típico MacGuffin, um cilindro contendo uma perigosa arma química desejado por agentes secretos sem escrúpulos e quadrilhas que pretendem vender o artefato no mercado negro. Ou seja, é o mesmo enredo de quinhentos milhões de filmes de espionagem que o cinema sempre produziu, a diferença é o olhar do Rollin, repleto de toques geniais e que transformam uma história besta como esta aqui em algo bem mais apetitoso.

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BANGKOK começa com a morte do agente secreto Rick, cravado de balas pelo próprio diretor nas ruas da cidade que aparece no título (embora o filme tenha sido rodado na França e todas as cenas em que Bangkok aparece na tela são enxertos de outras produções). Rick estava na cidade com a missão de encontrar a tal arma biológica que todos querem. A última vez que ele foi visto com vida foi na companhia de Eva, uma dançarina de casa noturna que acredita-se ter recebido e escondido o objeto. E a partir daí começa a jornada da pobre moça, que acaba indo parar em Paris, sendo perseguida por todo tipo de pessoas com más intenções sem entender o porquê.

No meio disso tudo, uma galeria de personagens interessantes se apresenta em cena: um clone do Fu Manchu, dançarinas exóticas, belas agentes que não têm receio de tirar a roupa, espiões cascas-grossas e até um cão policial estilo Rin Tin Tin, versão de araque. Eva também é ótima personagem. Creditada apenas como Yoko (a oriental cuja imagem abre o post), é uma péssima atriz, mas tem certo carisma e a fragilidade necessária que o papel exige.

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Com duração que não chega aos 90 minutos, o ritmo frenético com o qual BANGKOK é narrado pode espantar os acostumados pela poética e lentidão dos filmes de horror de Rollin. A exceção são as longas cenas de danças na casa noturna, briga de mulheres na lama e massagens eróticas, todas com várias mulheres gratuitamente nuas e que – pensei que nunca diria isso na vida – quebram o bom ritmo do filme e poderiam ser mais enxutas. Até isso contribui para ser um exemplar bem fora das convenções do Rollin.

Mas nada que atrapalhe o andamento de BANGKOK de maneira tão grave… Mulheres nuas nunca são problemas. Há até alguns momentos específicos que só poderiam ter saído da mente de um diretor como ele (e como o D’Amato/Franco): Eva é amarrada e açoitada sob câmeras de vigilância para o deleite da mente criminosa por trás de sua captura, uma loura cinquentona e robusta que utiliza as imagens para se excitar e abrir as pernas para o seu capanga. Coisa de gênio!

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Vários outros momentos como este tornam BANGKOK um filme assistível  para quem curte uma boa bagaceira – a participação do cão, por exemplo, é nível de um Samuel Fuller ou Howard Hawks – e até delicioso para quem já conhece e admira o trabalho do Rollin e deseja conferir como o sujeito se sai fora da sua zona de conforto. E preparem-se que adentrei 2014 num clima de “Eurotrash” e pretendo compartilhar com vocês algumas experiências. Stay tuned!

JOHNNY HAMLET (1968)

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O famoso personagem de Shakespeare já foi adaptado para as telas do cinema nas mais possíveis contextualizações. Mas imaginem ver Hamlet, com toda a carga de conflitos que o sujeitinho carrega na obra do dramaturgo inglês, só que na pele de um jovem rápido no gatilho do velho oeste. É exatamente o que temos em JOHNNY HAMLET, um autêntico encontro de Shakespeare com o Spaghetti Western, sob o olhar inspirado de Enzo G. Castellari.

Johnny Hamilton (Andrea Giordana) é um jovem soldado confederado que retorna, após dois anos, da guerra civil americana. Ele descobre que durante sua ausência seu pai foi morto misteriosamente e sua mãe está casada com seu tio, Claudius (Horst Frank), que agora é dono de todas as terras de seu falecido irmão. A culpa pelo assassinato de seu pai caiu para cima de um bandido chamado Santana, que, aparentemente, já foi morto por Claudius. Achando tudo isso meio estranho, Johnny, com a ajuda de Dazio (Gilbert Roland), um amigo de seu pai, tenta descobrir o que realmente aconteceu.

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Quem conhece a peça Hamlet, vai perceber que a maioria dos personagens permanece fiel aos escritos de Shakespeare, como Claudius, a mãe, Polonius, que aqui surge como o xerife, Rozencrantz e Guildenstern… Emily, uma jovem que serve de par romântico a Johnny é claramente inspirada em Ophelia. A trama, de uma forma geral, possui reviravoltas e situações bem mais condizentes a um spaghetti, para manter um ritmo mais movimentado, mas são todas alterações bem-vindas que surtem efeitos positivos ao resultado do filme e podem agradar até o apreciador mais exigente, tanto de spaghetti quanto de Hamlet

Na verdade, não duvido que JOHNNY HAMLET agrade a qualquer pessoa que realmente goste de cinema, que valoriza a forma, um visual criativo, porque é impossível escrever qualquer coisa sobre esta obra sem destacar o trabalho notável da direção de Enzo G. Castellari. O sujeito dá ao filme uma riqueza estética impressionante, equivalente aos grandes mestres do gênero. Somos fisgados a partir da primeira cena, onde vemos uma sequência de sonho, cheia de elementos de horror e um belíssimo uso das cores. Logo depois, o nosso protagonista acorda em uma praia com uma trupe circense, um universo surreal que serve de introdução para o famoso monólogo “ser ou não ser”. E o nível de qualidade estética se mantém firme até o último segundo desta bela obra-prima do gênero.

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E pensar que a ideia original de JOHNNY HAMLET surgiu de outro diretor italiano, Sergio Corbucci, que teve de abandonar o projeto pelo seu envolvimento com outras produções. Corbucci também era um mestre do gênero, mas seu estilo talvez não tivesse a mesma força poética do olhar de Castellari. Num exercício de imaginação, não trocaria o que temos aqui por nada…

Como muitos Spaghetti Westerns, JOHNNY HAMLET foi retitulado em outros países como mais um filme da série DJANGO. Um detalhe que não custa lembrar é que esses italianos eram todos picaretas. Mudavam títulos, redublavam cenas, faziam o que fosse possível para promover seus filmes. Naquela época, DJANGO, do já citado Corbucci, foi um dos grandes sucessos do gênero e o que surgiu de produção explorando a popularidade do personagem não é brincadeira! No Brasil, foi lançado em DVD pela distribuidora Ocean há alguns anos, como JOHNNY HAMLET mesmo. A capa é feia e pode parecer apenas mais um exemplar comum do gênero, no entanto, trata-se de um filme obrigatório em todos os sentidos.

SINGAPORE SLING (1990)

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Alguém aí conhece esta belezura vindo da Grécia? Eu não fazia ideia da existência de SINGAPORE SLING até ontem a noite quando me deparei por acaso. Trata-se de uma das experiências mais bizarras e perturbadoras que eu já tive com cinema, uma coisa linda, encontro de cinema noir dos anos 40 com David Lynch, surrealismo, filmado em preto e branco, alto grau de erotismo e imagens extremas de revirar o estômago.

Na trama, um detetive procura Laura, que está desaparecida, mas acaba sequestrado por duas mulheres em uma mansão – uma delas é sósia da tal Laura (ou será que ela é mesmo a desaparecida?) – que adoram explorar os limites do prazer, seja cometendo assassinatos, comendo carne humana como se fosse um manjar da alta classe e praticando o coito em suas mais variadas formas, utilizando dos mais variados estímulos, como tortura, choques elétricos, vômito e urina enquanto praticam o ato sexual.

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Tudo isso é lançado na tela de forma quase explícita pelas cameras do diretor Nikos Nikolaidis, que também é o autor do roteiro e que morreu em 2007. Gostei bastante da direção, muito seguro no que faz aqui, uma bela obra de arte. Sabe brincar com sua narrativa nada convencional e utiliza de elementos, enquadramentos, narração em off retiradas dos filmes noir, que parece ser a principal fonte de inspiração. Alguns detalhes são bem evidentes: Laura, por exemplo é o título de um belo noir de Otto Preminger e uma das personagens usa o mesmo vestuário de Glória Swanson em CREPÚSCULO DOS DEUSES.

SINGAPORE SLING é bem aberto e confuso na medida exata de um bom surrealismo e deixa várias imagens poderosas de impacto para serem sentidas, vislumbradas pelos espectadores que sabem desfrutar uma bizarrice extrema. Vale destacar também os três atores, os únicos que aparecem em cena, três insanos em um notável desempenho. Corro o risco de ser o último a tomar conhecimento desta obra, mas confesso que nunca tinha ouvido falar. De qualquer forma, vale a pena deixar essa dica para quem ainda não viu. A pergunta do início do texto ainda vale…

GIALLO (2009)

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Se fosse realizado nos anos 70, GIALLO não teria nada de especial, seria apenas um bom suspense policial em meio às tantas obras-primas que o cinema italiano apresentou no período. Mas no contexto atual, o novo filme de Dario Argento é tudo aquilo que se espera da discreta proposta de retornar às origens de um gênero estuprado por jovens cineastas – americanos, na grande maioria – e que atualmente vem tentando se revitalizar com alguns bons exemplos aqui e ali. O filme continua não tendo muito de original, mas Argento consegue provar que é possível fazer um excelente trabalho, à moda antiga, sem a frescurada de hoje, montagens espertinhas ou efeitos especiais em CGI (como o próprio Argento havia errado a mão em A MÃE DAS LÁGRIMAS).

Apesar do nome, GIALLO não possui os elementos necessários para fazer parte do subgênero que o diretor ajudou a consolidar na Itália nos anos 70 e 80. E qualquer um com o mínimo de desconfiança sabe que é praticamente impossível fazer um legítimo giallo nos dias de hoje. Mas nem era essa a pretensão de Argento. Ele simplesmente dirige uma trama policial onde temos Adrien Brody encarnando um detetive a procura de um serial killer que sequestra belas mulheres para desforrar seus traumas em cima delas. O “amarelo” do título (que em italiano é giallo), se deve a uma peculiaridade do tal bandido. No elenco, ainda temos Emmanuelle Seigner vivendo a irmã de uma das vítimas e que resolve se meter no caso…

O filme serve também para provar que Argento permanece como um dos grandes nomes do horror e um artista único na condução e no controle de todos os elementos que tem em mãos, como a estética das cores, a movimentação da câmera desvencilhada, a mise en scène, a violência gráfica, com direito à baldes de sangue, como nos velhos tempos de TENEBRE e PROFONDO ROSSO. O conteúdo pode ser simples (embora o roteiro tenha boas sacadas com o passado do personagem de Brody), mas na forma Argento continua genial. Cada detalhe de cena, planos memoráveis (como a do final quando Brody se afasta do local do crime), a fotografia, tudo é valorizado ao máximo para trazer um novo frescor ao gênero e colocar o nome de Dario Argento de volta ao panteão, de onde nunca deveria ter saído. Uma pena que a distribuidora daqui fez o favor de nos poupar de ir ao cinema assistir a esta belíssima obra na tela grande.

MILANO CALIBRO 9 (1972)

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Assisti, no último fim de semana, a este espetáculo regido pelo Fernando Di Leo. MILANO CALIBRO 9 é um filme poderosíssimo, já se tornou provavelmente o meu poliziesco favorito. E nas cenas de abertura sente-se o peso da pancada: grupo de jagunço da máfia espancando, cortando e explodindo três indivíduos que participaram de uma transação de negócios cujo dinheiro desaparece misteriosamente. Onde foi parar a grana? Ninguém sabe. Mas suspeita-se que esteja com Ugo Piazza (Gastone Moschin), um sujeito que acabou de sair da prisão e jura pela sua mãe morta que não escondeu a mufunfa.

A trama gira em torno deste pobre homem que quer apenas levar a vida na tranqüilidade, mas tem de prestar satisfações a um delegado (Frank Wolff) – que quer utilizá-lo como isca para atrair a bandidagem – e com o poderoso mafioso (o americano Lionel Stander) – que só não o mata porque acredita piamente que o cabra escondeu o boró. E isso é mais que suficiente para que Di Leo construa seu pequeno épico poliziesco.

Moschin está muito bem no papel do herói cheio de ambiguidade, mas quem rouba a cena é Mario Adorf, que lembra o Bruce Campbell um pouco mais gordo, ator impressionante que destrói num desempenho muito inspirado. Ele vive Rocco, o braço direito do chefão americano (que aliás, no filme é chamado de “Americano” mesmo). Fãs do cinema popular italiano ainda vão reconhecer várias figuras marcantes, como por exemplo o francês Philippe Leroy e, claro, Barbara Bouchet, uma das mulheres mais belas que já pisou em frente às câmeras em toda a história do cinema! Ela vive o par romântico do protagonista, demonstrando que apesar da aparência de brutamonte cabeça dura, o sujeito é bem esperto. Ou talvez não…

O VOYEUR (L’Uomo che guarda, 1994)

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Os filmes do italiano Tinto Brass sempre me fascinam, e não é só pelas beldades em trajes mínimos que o diretor arruma para embelezar suas produções (claro que isso ajuda muito), mas realmente acho o sujeito um diretor talentosíssimo, esteticamente ousado. E O VOYEUR é um dos seus melhores trabalhos nesse sentido, um dos mais surpreendentes exercícios visuais do diretor que evoca, com sua câmera, uma forma de fazer o publico extrair o voyeur que existe em cada um de nós (que filosófico… ou seria perversão mesmo?).

E para isso, o filme não se resume em constantes closes das periquitas, peitinhos, bundas, mulheres nuas o tempo todo, embora aconteça isso durante toda projeção. E o que é bom fica melhor ainda, pois há sempre um olhar poético por parte de Brass no seu estudo erótico, e o enredo é interessante o suficiente para justificar as cenas de putaria, mesmo que isso não importe tanto, já que a grande maioria vai assistir a um filme do Brass só pra ver a abundancia de beldades nuas. Cambada de devassos!

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Na verdade, a trama não possui nada de mais e é bem simples. A complexidade concentra-se na psicologia dos personagens. Até porque devassidão, fetiches e questões do desejo humano são comportamentos e elementos que podem naturalmente ser relacionados à um estudo da psicologia. Portanto, temos aqui um professor que vive com o pai inválido – este sob os cuidados de uma empregadinha danada de safada – com uma tremenda dor de cotovelo passando por uma crise existencial e tenta reatar o romance com sua ex-mulher exibicionista, numa jornada de descobrimentos. É o cuidado com os pequenos detalhes dessa trama, com os personagens, que dão uma certa substância e fazem O VOYEUR valer a pena.

Algumas sequências são dignas de antologia: a cena em que a mulher do cara (Katarina Vasilissa, que é lindíssima!) abre as pernas num restaurante, de um jeito que faria Sharon Stone de INSTINTO SELVAGEM parecer uma freira. Toda a sequência envolvendo uma aluna africana do protagonista que teve o clitóris retirado quando criança. Ainda há uma parte na praia, que é bem característico de Brass, e todos os momentos com a empregadinha safada.

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Francesco Casale, que interpreta o personagem central, transmite ao seu personagem toda a carga dramática do filme numa atuação digna de nota. A fotografia de Massimo Di Venanzo e a trilha de Riz Ortolani também são ótimas, e a direção do Brass é magistral com todos aqueles seus enquadramentos habituais, a montagem frenética e as particularidades de sempre, como o mesmo quarto cheio de espelhos utilizado em vários de seus outros filmes. Mas pensando bem, analisar um filme como este é meio que uma perda de tempo. Aposto que as imagens do post vão chamar muito mais a atenção.

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Mas se alguém por aí conseguir ver O VOYEUR com um olhar reflexivo, vai se surpreender com uma das grandes criações de Tinto Brass como cineasta criativo e talentoso que é. Se for buscando apenas uma boa quantidade de mulheres nuas, está no lugar certo também.

EMANUELLE IN AMERICA (1977)

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Quando se fala em Emanuelle, muita gente vai se lembrar da famosa série erótica na qual a personagem infestava as mentes dos pré-adolescentes que ficavam até altas horas das madrugadas de sábado para assistir o Cine Privé da Band. Bons tempos aqueles, mas não é exatamente desta Emanuelle que hoje vamos falar, mas sim da misteriosa e sensual Black Emanuelle interpretada pela musa Laura Gemser, que encarnou a personagem pela primeira vez no filme EMANUELLE NERA, de Bitto Albertini.

Com o passar dos anos, vários diretores utilizaram a personagem em seus filmes, e sempre com Gemser interpretando seu papel. Laura Gemser tinha uma beleza exótica magnífica e explodia em sensualidade. Bastava tirar a roupa e dizer as falas que os enquadramentos dos planos e uma ótima fotografia ficavam a cargo de um resultado satisfatório. O nosso famigerado Joe D’Amato que o diga, foi um desses diretores que trabalhou com a personagem em diversos filmes, inclusive tomou Laura Gemser como musa nos mais variados tipos de produção.

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Foi aí que surgiu EMANUELLE IN AMERICAum dos melhores exemplos desta parceria entre D’Amato e Gemser. A história gira em torno de uma repórter que investiga o submundo do sexo entre milionários excêntricos e acaba se metendo no meio do perigoso universo dos snuff movies (filmes que mostram assassinatos reais). A trama se passa com certa lentidão, onde temos muitas cenas de nudez e sexo entre as investigações. Vale lembrar que algumas cenas são de sexo explícito (sem a Gemser, óbvio), detalhe que faz parte de uma das principais características de D’Amato, sempre em busca do choque visual, misturando tais cenas com tramas de suspense ou terror, como em PORNO HOLOCAUST e EROTIC NIGHT OF LIVING DEADS, por exemplo.

99cbf77e73f1e4969c57302aec8ba3f0D’Amato chega a filmar uma mulher excitando um cavalo em uma reuniãozinha dos milionários (da mesma forma que fez em sua versão de CALÍGULA). Embora não mostre o ato sexual da mulher x cavalo, é um dos momentos mais impressionantes do filme. Junto, é claro, com as famosas cenas de snuff movie, que são de um realismo extraordinário e causou muita polêmica na época. Foi quando surgiu a lendária história que D’Amato havia conseguido cenas de Snuff com a máfia russa! Na verdade, foram filmadas pelo próprio D’Amato sob a batuta do trabalho do grande mestre dos efeitos especiais Gianetto de Rossi. Mas só de ter criado esses boatos o filme já merece o status de genial!

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JOE D’AMATO, UM DIRETOR COM COLHÕES

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Não se pode exigir qualidade de todas as produções do diretor italiano Joe D’Amato. Aliás, qualidade é algo que o sujeito não tem muito o costume de prezar mesmo. O que devia ser mais importante pra ele é a quantidade. Que digam os mais de 190 filmes no currículo. D’Amato, cujo nome verdadeiro era Aristide Massaccesi, filmava uns oito filmes por ano e às vezes mais de um ao mesmo tempo! Dentro desse amontoado de filmes, cuja direção era assinada com vários pseudônimos diferente, salva-se mesmo uns 20 filmes.

Mas então o cara era uma droga como diretor? Sim! Em muitos casos, o resultado de seu trabalho não era muito diferente de bosta de cavalo, então por que raios eu gosto do sujeito? Porque Joe D’Amato tinha o que muitos diretores não têm: colhões! Ele foi um dos cineastas mais ousados, corajosos e picaretas de seu tempo e toda e qualquer ideia, por mais perturbadora, iconoclasta, sádica e imoral que tivesse, era aproveitada em seus filmes.

Até aqui, este texto seria a introdução de uma análise que eu iria fazer de um dos seus petardos, o filme ROSSO SANGUE, aka ABSURD, aka ANTROPOPHAGUS 2, de 1982, mas resolvi deixar pra escrever mais tarde. Joe D’Amato vai ser figurinha constante no Dementia 13, seja com suas tralhas de baixa categoria, seja com seus filmes mais famosos.

Eis aí mais alguns motivos para gostar de Joe D’Amato:

• O canibal grego Nikos, interpretado por George Eastman, eleva seu nível de sadismo ao máximo na cena em que mastiga um feto em ANTROPOPHAGUS (1980).

• No mesmo filme, depois ter a barriga perfurada e as tripas colocadas pra fora, Nikos resolve nada mais nada menos que colocar tudo de volta pra dentro. Literalmente, o sujeito “se come”.

• D’Amatao dá uma aula de direção filmando uma autópsia extremamente realista no romance necrófilo BUIO OMEGA (1979).

• Cenas de Snuff Movies de EMANUELLE NA AMÉRICA (1977). Diz a lenda que D’Amato conseguiu imagens reais de snuff’s com mafiosos russos! Hahaha!

• Mistura de sexo explícito com terror e suspense em filmes como PORNÔ HOLOCAUSTO (1981), EMANUELLE NA AMÉRICA (1977) e EROTIC NIGHTS OF LIVING DEADS (1980).

• Realizou um dos filmes mais importantes do subgênero Nunsploitation (aqueles onde freiras sapecas são protagonistas), IMMAGINI DI UN CONVENTO (1979), com mais doses erotismo e atacando a igreja católica de todas as formas possíveis.

• Dirigiu Klaus Kinski em A MORTE SORRIU PARA O ASSASSINO (1973).

D’Amato morreu em 1999 em plena atividade e muitos outros momentos poderiam ser destacados, obviamente…