UNDERCOVER (1995)

Série Scream Queens/Femme Fatales #1: Athena Massey 

Iniciando uma nova série aqui no blog, pra ver se dou uma animada, de vez em quando vou fazer umas postagens especiais homenageando algumas das minhas Scream Queens ou Femme Fatales favoritas, especialmente aquelas que faziam “sucesso” na minha época de adolescente. Portanto, não esperem Barbara Stanwyck ou Rita Hayworth como Femme Fatales. O negócio vai ser mais na linha Julie Strain e Maria Ford.

Mas, para começarmos, vamos de Athena Massey com o filme UNDERCOVER, um exemplar que mistura policial com softcore e  leva muito a sério a questão de cumprir o que promete. A única intenção dos realizadores é mostrar uns peitos de fora, portanto o faz com muita categoria.

Na trama (sim, temos algo que possa chamar de trama), uma prostituta de luxo é assassinada misteriosamente. É aí que entra Cindy (Massey), uma policial que precisa se disfarçar de garota de vida fácil para tentar encontrar o assassino. É claro que até chegar ao ponto de ficar de frente com o matador, a moça vai ter que abrir as pernas váááárias vezes, para o desespero do seu namorado, que também é policial, e de seu chefe.

E dá-lhe cenas de sexo softcore. Mas até que são bem encenadas e conseguem ser sensuais, que é um grande problema desses filmes que passavam no Cine Privé, na Band. Na adolescência era excitante assistir de madrugada escondido dos pais e qualquer gostosa robusta que surgisse sem sutiã era suficiente pro trabalho braçal. Mas hoje a maioria daqueles filmes não consegue nem fazer, com perdão do meu francês, o pau subir. UNDERCOVER consegue. Graças, especialmente, a performance da bela Athena Massey, que não tem frescura de tirar a roupa em momento algum e parece gostar do que faz.

E para provar que UNDERCOVER não é só peitos de fora, com boa vontade dá para refletir as transformações da protagonista, que nessa de se disfarçar de puta, acaba descobrindo um lado sexual que nem sabia que tinha. Claro, é uma leitura difícil, é preciso concentração profunda e entendimento de psicologia comportamental para olhar para a policial gostosona que ela é e acreditar que este pedaço de mau caminho nunca havia explorado seu lado sensual antes…

Uma das coisas legais desses filmes de baixo orçamento que ninguém lembra, ou nem faz ideia que exista, é aquele momento “o passado me condena”. Aposto que o Jeffrey Dean Morgan gostaria de apagar este personagem da sua filmografia:

Mas também acontece o contrário. É comum encontrarmos umas figuras que já tiveram dias melhores tendo que aceitar alguns papéis em filmes meia boca pra pagar o aluguel. Sim, estou me referindo a você, Meg Foster:

Sobre o assassino, no final ficamos sabendo quem é. Mas isso não faz a menor diferença após quase 90 minutos de Athena Massey balançando os peitos na tela.

IT’S ALIVE III – ISLAND OF THE ALIVE (1987)

IT’S ALIVE III – ISLAND OF THE ALIVE costuma ser apontado como a ovelha negra da trilogia dos bebês monstros criada pelo genial Larry Cohen. Lembro de ter visto fragmentos dele no SBT, já no fim dos anos 90, exibido como A ILHA DOS MONSTROS, mas sem nunca ter acompanhado o filme inteiro. Revendo agora, fica claro o motivo do estranhamento. Se os dois primeiros carregavam a elegância sombria do horror setentista, este terceiro capítulo, feito quase dez anos depois, abraça sem vergonha o espírito mais escrachado e exagerado do horror oitentista.

Cohen já havia levado a franquia por caminhos inesperados em IT LIVES AGAIN, mas aqui ele chuta o balde de vez. ISLAND OF THE ALIVE expande o universo da série em direções cada vez mais absurdas, misturando humor, drama, delírio e, claro, muito sangue. É um filme que não conhece freio nem bom senso para o nosso prazer.

Michael Moriarty assume o protagonismo como um ex-ator completamente desequilibrado que, por uma ironia do destino, é pai de um dos famigerados bebês monstruosos. O filme já começa em tom operístico, com o personagem implorando pela vida do “filho” diante de um tribunal, enquanto a criatura rosna e se debate dentro de uma jaula. A essa altura da franquia, os bebês já não são mais automaticamente exterminados: o governo decidiu isolá-los numa ilha, onde são largados à própria sorte, vivendo como conseguem, longe do continente.

Curiosamente, ISLAND OF THE ALIVE não se interessa tanto pela ilha em si, mas pelo colapso psicológico do personagem de Moriarty. Marcado para sempre como o pai de uma aberração, ele vê sua vida e sanidade se esfarelarem aos poucos. Não consegue se relacionar com ninguém, muito menos com mulheres — especialmente com sua ex-esposa, mãe da criatura, interpretada por Karen Black. A cada nova situação, fica evidente que o sujeito está à beira, ou além, do colapso mental. E isso é só o começo do filme, uma premissa…

Tentar descrever a trama de forma linear é quase inútil, porque acontece coisa demais, e a maioria não faz o menor sentido, de uma forma positiva. Em determinado momento, Moriarty parte numa expedição à ilha dos monstros com um grupo de desavisados. Lá, ele finalmente perde qualquer resquício de lucidez, a maioria dos integrantes acaba dilacerada, e o protagonista retorna ao continente num barco carregando as criaturas. Por ser pai de uma delas, ele não é atacado, mas acaba jogado ao mar, vai parar em Cuba e precisa encontrar um jeito de voltar aos Estados Unidos. Sim, é exatamente esse tipo de filme. Uma sucessão ininterrupta de acontecimentos cada vez mais bizarros. Tem como não se divertir com isso aqui?

Além dessa narrativa completamente desgovernada, mas que, de algum modo, me prendeu do início ao fim, outra grande diferença aqui é o posicionamento emocional. Pela primeira vez na série, me peguei torcendo não só pelo protagonista, mas também pelos monstros, alguns já crescidos e do tamanho de um ser humano. Ver essas criaturas soltas, se defendendo e até se dando bem, pareceu muito mais interessante do que vê-las sendo abatidas como nos filmes anteriores. Os efeitos especiais também mudam. Nada de Rick Baker desta vez: os monstros em movimento são animados em stop motion, o que lhes dá mais visibilidade, embora perca aquele clima misterioso criado pelas sombras nos dois primeiros filmes. Já as criaturas adultas são interpretadas por atores maquiados de forma bastante tosca. Mas há ali um charme inegável do horror mais rasteiro, exagerado e artesanal (sei que “trash” é um termo mal utilizado, mas espero que o sentido aqui esteja claro).

Apesar de todos os elogios que coloquei carinhosamente neste texto, é impossível negar que este é o filme mais fraco da trilogia. Não por ser ruim, longe disso… Quero dizer, ruim ele é, mas num bom sentido, me diverti bastante com essa insanidade sem rédeas. Mas é o mais fraco simplesmente porque os dois primeiros são realmente magníficos. Eles vão além do horror, dialogam com questões morais, sociais e políticas de forma surpreendente. ISLAND OF THE ALIVE, no fim das contas, se contenta em ser um filme de monstros. Mas que fique claro: um filme de monstros dos mais pitorescos e divertidos dos anos 80.

IT LIVES AGAIN (1978)

O mais interessante em IT LIVES AGAIN é que Larry Cohen não opta pelo caminho mais fácil de simplesmente requentar os elementos do filme anterior. Em vez disso, ele realmente se empenha em expandir o universo dos bebês monstros que criou, ampliando tanto o escopo narrativo quanto o peso moral da história. É verdade que, mais uma vez, acompanhamos um casal em situação semelhante à dos Davis no filme de 1974, mas os desdobramentos agora são radicalmente diferentes. Aqui, o bebê mutante é capturado logo ao nascer, colocado numa gaiola e levado para um centro de pesquisas secreto, onde já existem outros dois exemplares da mesma espécie sendo estudados. Nada daquela figura solitária vagando pelas ruas e deixando um rastro de mortes como no primeiro filme. Cohen troca o horror urbano quase acidental por algo mais institucional, mais frio e, de certa forma, ainda mais perturbador.

Alguns elementos, claro, precisavam ser mantidos para o bem da série. O principal deles é a acidez com que Cohen tempera seu horror com uma análise moral direta, agora ainda mais dramática e explícita do que em IT’S ALIVE. O filme não tem pudor algum em discutir controle estatal, ética científica, aborto, eugenia e o valor da vida, tudo isso embrulhado em um exploitation de horror que jamais finge ser neutro.

E não, quatro anos de intervalo entre um filme e outro não significaram um aumento no orçamento. Cohen precisa, mais uma vez, demonstrar criatividade para driblar as limitações financeiras. A forma como ele filma os bebês é um ótimo exemplo disso: quase sempre em relances, envoltos em sombras, enquadrados de maneira mais sugestiva. Esse jogo com a escuridão não só resolve um problema técnico como também adiciona uma camada de mistério e desconforto. Cohen é um mestre do horror americano, e eu demorei demais para perceber isso.

Há também mais espaço para a violência gráfica, com destaque para o excelente trabalho de maquiagem e efeitos especiais de Rick Baker, que dá textura e credibilidade às criaturas. John P. Ryan retorna como Frank Davis, agora assumindo a missão de alertar casais prestes a dar à luz bebês mutantes. É o caso de Jody e Eugene Scott (interpretado por Frederic Forrest), que vivem o drama de esperar um filho enquanto o governo se prepara para exterminar impiedosamente qualquer criatura que nasça fora do “padrão”. Enquanto isso, Davis trabalha ao lado de um grupo de cientistas, entre eles um personagem vivido pelo sempre ótimo Eddie Constantine, cuja intenção é salvar e estudar essas criaturas em vez de simplesmente eliminá-las. O embate entre ciência, governo e moralidade dá ao filme um peso dramático inesperado para um horror B.

O casal protagonista merece destaque especial. Suas discussões são intensas, bem encenadas e emocionalmente críveis, afinal, não é todo dia que o filho tão esperado nasce mais feio que o Ronaldinho Gaúcho. John P. Ryan, por sua vez, retorna com um personagem muito mais interessante e carregado de culpa e urgência. Em determinado momento, quem também reaparece é James Dixon, o detetive responsável pelo caso no primeiro filme. Curiosamente, o único personagem presente nos três filmes da série. O grande John Marley completa o elenco, chefiando a operação governamental com a autoridade de sempre. IT LIVES AGAIN consegue manter o mesmo nível reflexivo do filme de 1974, expande seu universo de maneira inteligente e ainda entrega um horror atmosférico de primeira. No Brasil, recebeu o título A VOLTA DO MONSTRO e, como esqueci de mencionar anteriormente, IT’S ALIVE ficou conhecido por aqui como NASCE UM MONSTRO. Clássicos absolutos. Em breve, o terceiro para fechar a trilogia.

IT’S ALIVE (1974)

Preciso voltar a escrever com mais frequência sobre filmes de horror. É um gênero que eu amo tanto quanto ação e tenho estagnado o blog apenas com este último gênero… não pode. Portanto, decidi tomar jeito na vida e encarar a trilogia do Larry Cohen, IT’S ALIVE, que nunca tinha visto, para tentar reativar esse lado aterrorizante adormecido. Assisti ao primeiro hoje e encontrei um autêntico clássico!

Com uma atmosfera magnífica e extremamente original, o título remete ao clássico FRANKENSTEIN, de 1931, onde o cientista Henry Frankenstein grita ao dar vida ao seu monstro “It’s Alive! It’s Alive!”. O protagonista deste aqui, Frank Davis (o ótimo John Ryan) comenta, em determinado momento, que quando era pequeno pensava que Frankenstein era o monstro, vivido por Boris Karloff… e quem nunca pensou isso na infância? Essa cena reflete um bocado a situação do personagem ao se sentir o próprio Frankenstein por ter criado, com sua esposa, um bebê monstruoso terrível (concebido pelo Rick Baker), dotado de dentes afiados e garras bem amoladas. A criatura mal deixa a barriga da mãe e massacra meia dúzia de médicos e enfermeiras. A cena acontece off screen, mas a maneira como o suspense é construído demonstra a maestria de quem entende da linguagem do cinema.

Logo depois, o bebê monstro foge do hospital e desaparece, tendo todo esquadrão da polícia em seu encalço e ainda alguns pesquisadores científicos interessados em estudá-lo. E é nesse cenário que o diretor e roteirista Larry Cohen explora alguns tópicos de seu interesse em IT’S ALIVE, lançando seu olhar sobre a família de classe média americana e seu comportamento diante de um fenômeno ligado ao fantástico, sem contar as alfinetadas na industria farmacêutica e suas imprudências, um provável responsável pelo surgimento do monstro. Há também alguns exageros cômicos na maneira de agir da polícia, especialmente quando um grupo de agentes da lei muito bem armados cercam o suspeito: um bebê fofinho tranquilão… É dessas cenas comprovam a genialidade de um diretor!

É preciso destacar o modo como Cohen vai brincando com esses temas, driblando a evidente falta de recurso, de maneira inteligente e reflexiva, sem ignorar os elementos do horror. Isso implica também na parte técnica, mas o sujeito consegue se sair bem até nesse aspecto. De acompanhamento musical estamos bem servidos: Bernard Herrmann (não me pergunte como conseguiram). E a forma como Cohen filma a criatura, por exemplo, sempre de relance, nas sombras, é outra estratégia interessante, aguça ainda mais o clima de horror e também a curiosidade do espectador, algo que foi totalmente destruído com a popularização do CGI em qualquer produção de fundo de quintal.

Sempre tive consciência da reputação de IT’S ALIVE. É merecida. Filmaço simplesmente perturbador e muito perspicaz! As continuações também são escritas e dirigidas pelo Cohen. Pelo que andei lendo por aí, o segundo mantém o nível, já o terceiro possui uma fama ruim. E como eu costuma gostar dessas ovelhas negras… Mas chegaremos lá!

JOHN DIES AT THE END (2012)

Don Coscarelli tem total respeito da minha parte. Ser o culpado por uma das séries de horror mais geniais do cinema americano ajuda abundantemente. Estou falando de PHANTASM e suas continuações, embora até hoje espere pelo desfecho desta saga que possui as famigeradas esferas mortais… e Coscarelli deveria se apressar antes que Angus Scrimm bata as botas!

O último filme do diretor foi o peculiar e engraçado BUBBA HO-TEP, lançado há mais de dez anos. Sim, demorou pra caceta, mas finalmente saiu algo novo do homem. Saiu JOHN DIES AT THE END, baseado no livro de um sujeito que atende pelo nome de James Wong, que oferece um mundo de bizarrices alucinógenas para que Coscarelli se aproprie e recrie em seu imaginário pessoal, que já é estranho suficiente, da maneira que bem entender. Quem já viu PHANTASM e BEASTMASTER sabe do que o sujeito é capaz.

Na trama, seres de outra dimensão planejam invadir a terra utilizando uma droga poderosíssima como portal entre os mundos. Dois loosers, Dave e John, após o contato com o entorpecente, acabam se deparando com a possibilidade de se tornarem os defensores do universo, enfrentando diversas criaturas que cruzam seus caminhos. Há uma cena logo no início do filme na qual John e Dave estão no porão de uma casa, diante do perigo, e um deles tenta sair na primeira porta que vê pela frente. Só que no momento de pegar na maçaneta, ela se transforma num pênis grande! What the fuck!? Isso é a coisa mais arrepiante que eu já vi na vida… É um pesadelo filmado! o que mais esses dois vão encarar daí pra frente? E, para minha felicidade, momentos WTF aconteceram várias vezes durante a narrativa (não, eu não gosto de pênis, momentos WTF não se resumem a isso, estamos entendidos?).

Mas será que tudo não passa de uma viagem lisérgica dos protagonistas? A verdade é que o filme não está nem um pouco interessado em responder esse tipo de pergunta. Nem deixa margem para refletir sobre a possibilidade do que é real ou se é real. Também não consigo imaginar alguém considerando JOHN DIES AT THE END uma espécie de drug movie, pois o filme abraça o lado sci-fi de maneira tão forte que pra mim é impossível não assistí-lo como uma odisséia desprovida de qualquer racionalidade. Apesar de ser interessante a maneira com a qual a juventude atual é retratada, numa espécie de apatia e alienação. E nesse sentido me peguei pensando no cinema de John Carpenter, na questão do personagem marginal que fica responsável por salvar o presidente dos Estados Unidos, ou deter uma invasão alienígena, ou impedir que o demônio encarne na terra, ou enfrentar um velho feiticeiro que pretende dominar o mundo… todo esse paralelo Carpenteriano pode ser refletido nos dois jovens sem futuro que acabam se tornando na esperança da terra.

A indagação sobre realidade e fantasia pouco importa pra mim também. O que vale é o que é mostrado na tela, uma sucessão de situações das mais absurdas, alucinantes, violentas, engraçadas suficientes para fazer JOHN DIES AT THE END uma belíssima experiência fora do convencional. Pretendo assisti-lo outras vezes, não porque seja complexo ou algo assim, mas porque além de ser realmente divertido, é daquele tipo de filme rico em elementos, simbolismos e detalhes visuais que podem ser descobertos a cada assistida, sem contar os diálogos filosóficos e viajantes que fazem um bom acompanhamento às imagens.

Outro destaque é o elenco. A dupla protagonista é formada por rostos desconhecidos do público em geral, Chase Williamson e Rob Mayers, que dão conta fácil do trabalho, são bastante convincentes. Já os mais aficcionados vão encontrar algumas figuras familiares em papéis coadjuvantes, como Clancy Brown e Glynn Turman. Paul Giamatti é o mais famoso e, exatamente por isso, tornou-se o “garoto propaganda” e produtor do filme. O ator, que faz uma ótima participação por aqui, declarou que sempre foi fã do trabalho de Coscarelli, que ele deveria estar fazendo mais filmes, etc, e resolveu investir em JOHN DIES AT THE END. Já o Coscarelli, que demonstra total segurança como contador de histórias fantásticas, provando que nunca deixou de ter talento para a coisa, já anunciou que tudo depende do sucesso do filme para que haja novas aventuras com os personagens. Mas antes, parece que vamos ter BUBBA NOSFERATUS! Mas bem que podia ser o desfecho de… ah, vocês já sabem.

FAVORITOS DEMENTIA¹³ DE 2012

20. 4:44, Abel Ferrara
19. REC³, Paco Plaza
18. THE INNKEEPERS, Ti West
17. LAWLESS, John Hillcoat
16. A ENTIDADE (Sinister), Scott Derrickson
15. SHAME, Steve McQueen
14. CAMINHO PARA O NADA (Road to Nowhere), Monte Hellman
13. DREDD 3D, Pete Travis
12. 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (Skyfall), Sam Mendes
11. O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS 
(Tinker Tailor Soldier Spy), Tomas Alfredson
10. KILL LIST, Ben Weathley
09. THE GREY, Joe Carnahan
08. UNIVERSAL SOLDIER 4: DAY OF RECKONING, John Hyams
07. KILLING THEM SOFTLY, Andrew Dominik
06. THE CABIN IN THE WOODS, Drew Goddard 
05. THE RAID – REDEMPTION, Gareth Evans
04. OS MERCENÁRIOS 2, Simon West
03. PROMETHEUS, Ridley Scott
02. KILLER JOE, William Friedkin
01. HOLY MOTORS, Leo Carax

Bom 2013 para todos.

PAINEL DO CINEMA DE AÇÃO EM 2012

Em relação a 2011, este ano tivemos um retrocesso na quantidade de filmes de ação realmente estimulantes e interessantes. Naquela altura, consegui listar doze bons representantes do gênero, desta vez, apenas cinco… apesar de todos serem de muito respeito, a constatação de um número tão baixo é deprimente para os fãs de ação. De todo modo, segue a lista dos exemplares que em 2012 mereceram os devidos elogios (em ordem alfabética):

007 – SKYFALL, Sam Mendes
DREDD 3D, Pete Travis
OS MERCENÁRIOS 2, Simon West
THE RAID, Gareth Evans
UNIVERSAL SOLDIER 4: DAY OF RECKONING, John Hyams

Outro seis exemplares que, se não possuem o mesmo nível desses aí em cima, ao menos não são de se jogar fora (em ordem alfabética):

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA, de Marc Webb
GET THE GRINGO, Adrian Grunberg
LOOPER, Rian Johnson
PROTEGENDO O INIMIGO, Daniel Espinosa
RECOIL, Terry Miles
OS VINGADORES, Josh Wedhon

Agora, fiquei abismado pela numerosa quantidade de decepções que o gênero proporcionou esse ano. Uma caralhada de filmes péssimos, vagabundos, que eu esperava, no mínimo, noventa minutos de diversão. E alguns estrelados por Van Damme, Lundgren, Adkins, Danny Trejo… 2012 realmente não foi bom para o cinema de ação direct to video. Segue uma amostra:

6 BULLETS, Ernie Barbarash. Com Van Damme.
DRAGON EYES, John Hyams. Com Van Damme e Peter Weller.
EL GRINGO, Eduardo Rodriguez. Com Scott Adkins.
FORÇA TÁTICA, Adamo P. Cultraro. Com Steve Austine e Michael Jai White
ONE IN THE CHAMBER, William Kaufman. Com o Dolph.
BOURNE LEGACY, Tony Gilroy
BAD ASS, Craig Moss. com Danny Trejo.
BUSCA IMPLACÁVEL 2, Olivier Megaton (relutei em colocar este aqui nesta categoria, pois apesar do roteiro besta, tem ação suficiente pra prender a atenção. O problema é que o tal do Megaton [com esse nome de Transformers] consegue filmar ação pior que o Michael Bay. Assim não dá ).

E alguns outros que não me lembro agora…

TOP 5 – BADASSES de 2012

Dando início às listas de melhores do ano com o selo DEMENTIA 13, aqui vai um top 5 dos personagens mais durões, truculentos, cascas-grossas que tivemos em 2012:

05. John (Scott Adkins) – UNIVERSAL SOLDIER 4: DAY OF RECKONING 
 Sujeito que encara Andrei Arlovski, Dolph Lundgren e Jean Claude Van Damme no mesmo filme, tem que estar na lista.

04. Drayke Salgado (Danny Trejo) – RECOIL 
Onde o Trejo falhou sendo “mocinho” de BADASS, acertou em cheio sendo o vilão carrancudo de RECOIL, que não despreza um bom mano a mano para massacrar suas vítimas. 

03. Forrest Bondurant (Tom Hardy) – LAWLESS 
Mãos humanas são incapazes de destruir esse cara.

02. Mad Dog (Yayan Ruhian) – THE RAID 
Eu prefiro enfrentar dez Iko Uwais de uma só vez do que Mad Dog sozinho! O sujeito é cão chupando manga! O vilão mais assustador do cinema de ação dos últimos anos.

01. BOOKER (CHUCK NORRIS) – OS MERCENÁRIOS 2
O mito cristalizado ao som de Ennio Morricone.

OS BÁRBAROS (The Barbarians, 1987)

Daquela listinha de filmes de fantasia, Sword and Sorcerer, que eu postei outro dia, um dos exemplares que causou mais alvoroço foi OS BARBAROS. Alguns amigos acharam engraçado por eu ter lembrado desse filme que passou milhares de vezes no Cinema em Casa do SBT. E como estamos falando de um trabalho do italiano Ruggero Deodato, nada melhor que ressaltar como era bom ter doze anos e poder conferir às tardes da TV brasileira nos anos 90 um filme com bastante sangue, membros decepados e peitos de fora. Algo impossível para um moleque atualmente, que tem de se contentar com os filmes de animais falantes que empesteiam diariamente a programação… Neste fim de ano, meus votos de um grande pau no c@#$% do politicamente correto.

De todo modo, OS BÁRBAROS é uma porcaria. Fui rever essa semana para escrever para o blog e, putz, acreditem, é a coisa mais ridícula do mundo. Ainda bem que já sou vacinado contra tralhas desse tipo e encontro tantos elementos engraçados que fica impossível não sair satisfeito quando o filme termina. Tem que “saber ver”… ou ter um puta mal gosto, que deve ser o meu caso. Ainda bem que nem mesmo os próprios realizadores levaram o filme a sério. Devem ter percebido a estupidez que estavam fazendo…

Se não estou enganado, é o longa mais caro da carreira do Sr. Deodato, uma produção da nostálgica Cannon group. Custou cerca de quatro milhões de dólares (a obra prima do homem, CANNIBAL HOLOCAUSTO, pra ter uma noção, custou estimados cem mil mangos). Além disso, pelo que consta nos autos, Ruggero entrou na bagaça um mês depois que a pré-produção havia começado, substituindo o iuguslavo Slobodan Sijan. Mas não acredito que o orçamento caro e a maneira como entrou no projeto poderiam causar interferências no resultado do trabalho de um galo velho como o Ruggero Deodato.

Na minha opinião, quem realmente atrapalha são esses dois fortinhos aí em cima, os protagonistas, conhecidos como “barbarians brothers”, Peter Paul e David Paul, gêmeos idênticos e que não passam de montanhas de músculos que mal conseguem decorar o texto do roteiro. As atuações são inteiramente resumidas naquilo que, visualmente, suas capacidades físicas podem demonstrar. Como conseguem levantar uma pesadíssima pedra que impede uma passagem; como conseguem arrebentar uma corda, durante o próprio enforcamento, utilizando apenas os músculos do pescoço; como abrem passagem por uma parede para escapar de algum perigo, etc, etc… Vez ou outra, tentam compensar a limitação dramática com constrangedoras encenações humorísticas. E é simplesmente ridículo quando começam a fazer sons de animais, como lobo ou jegue… sem qualquer motivo!!! Fico pensando como deve ter surgido a ideia…

Peter ou David, ou ambos: “E se ao invés de falar essa frase profunda e filosófica que está no roteiro, eu fizesse o som de um jumento?!?!

Ruggero Deodato: “Cáspita! Desisto!  Por que não conseguiram me trazer o austríaco?

Menahen Golan: “Sr. Deodato, ninguém faz um som de jegue tão bom quanto esses gêmeos. Não são uma graça?

Whoops! Filme errado!

E aí são caretas, beijinhos e piscadelas pra tela… É tão imbecil que eu não conseguia parar de rir.

A trama trascorre em tempos antigos, “a time of Demons, Darkness and Sorcery“, como diz o narrador. Uma caravana de artistas circences nômades é atacada pelo exército do terrível Kadar, vivido pelo genial Richard Lynch, que deseja tomar posse de um rubi mágico que pertence ao grupo, além de querer papar a líder, Canary, que é um loira bonitona. Kadar não é bobo… Logo, Canary e todo seu grupo é levado cativo, inclusive dois garotos irmãos gêmeos, que crescem, ficam fortes, fogem, recuperam o tal rubi, libertam Cannay e conseguem vingança destruindo Kadar. É isso.

Existem várias sacadas legais em OS BÁRBAROS que tornam o filme mais divertido, como por exemplo o fato dos irmãos serem criados longe um do outro, fazendo trabalhos forçados e apanhando covardemente. Um leva chicotada de um grandalhão que usa um capacete dourado. O outro, a mesma coisa, só muda o grandalhão e a cor do capacete para prata. Já adultos, Kadar – que se fosse nosso contemporâneo seria publicitário – ordena uma luta de espadas entre os dois. O plano maquiavélico do sujeito é fazer com que os irmãos se enfrentem com ódio extremo no coração relacionando o significado visual dos capacetes representado para os dois protagonistas.

Depois, o filme fica mais bobo ainda, mas nunca chato! Mantém sempre o grau de entretenimento na mesma proporção do nível de ridículo do desempenho dos “barbarian brothers”. Ao menos é possível notar como a produção gastou muito bem o orçamento nos figurinos dos personagens, nos cenários fantasiosos, nas maquiagens, no monstro gigante mecânico e, claro, no elenco, que além do Richard Lynch temos o galã Michael Barryman marcando presença. Ambos haviam trabalhado com Deodato no filmaço CUT AND RUN. George Eastman, aka Luigi Montefiori, faz uma rápida participação disputando uma queda de braço com um dos barbarian brothers antes de iniciar uma briga frenética numa taverna. Até isso não faltou em OS BÁRBAROS

Abaixo, um aperitivo que demonstra o grande talento dos “barbarian brothers“. Um dos grandes mistérios do cinema é tentar descobrir os motivos pelos quais não foram indicados ao Oscar por essa impressionante atuação. Confiram:

WALTER HILL EM TALES FROM THE CRYPT

Uma das coisas mais legais dessas séries que eu via na infância e mexiam com o fantástico, como AMAZING STORIES e TWILIGHT ZONE, era poder conferir a seleção dos diretores e roteiristas interessantes daquele período que ficavam responsáveis pelos episódios. Walter Hill, por exemplo, era um dos produtores de TALES FROM THE CRYPT e chegou a dirigir três episódios nas três primeiras temporadas da série. Como venho escrevendo sobre alguns filmes dele atualmente, como forma de preparação para o lançamento de BULLET TO THE HEAD no ano que vem, não custa nada comentar essas pequenas produções que levam a sua assinatura.

THE MAN WHO WAS THE DEATH foi o primeiríssimo episódio de toda a série, lançado em 10 de Junho de 1989. Conta com o subestimado William Sadler encabeçando o elenco, vivendo um carrasco dos tempos modernos. Para ser mais exato, é o sujeito que liga a cadeira elétrica na execução dos condenados. E ele preza bastante pelo serviço que presta. O problema é quando surge uma lei abolindo a pena de morte e o personagem decide, simplesmente, continuar a fazer o seu trabalho, como uma espécie de vigilante, arranjando maneiras de eletrocutar meliantes. Nada sensacional, mas uma delícia de se ver. Hill sabe muito bem onde colocar a câmera, sem fazer firulas, constrói tudo no equilíbrio entre o humor e o clima de suspense. Mas o destaque mesmo é a grande atuação de Sadler, que narra o episódio e vez ou outra resolve olhar diretamente para a câmera, para o público, enquanto constrói a narrativa. Bom episódio pra começar uma das séries mais bacanas que eu assistia na TV na pré adolescência.

Já o CUTTING CARDS, terceiro episódio da segunda temporada, é sensacional! Eu já não me lembro tanto, mas deve ser um dos mais legais da série inteira! Hilário, macabro, tenso… A trama é a seguinte: dois jogadores viciados e rivais, encarnados com genialidade por Lance Henriksen (que trabalhou com Hill em JOHNNY HANDSOME) e Kevin Tighe (que esteve em 48 HORAS – PARTE 2), decidem, em apenas uma noite, resolver as suas diferenças fazendo apostas extremas e perigosas. A atenção do episódio se divide entre ver esses dois magníficos atores contracenando e a habilidade de Hill em manter a dose de humor negro e a tensão das situações. Uma roleta russa malfadada e um jogo de poker macabro, onde a cada rodada, o perdedor tem um dedo decepado pelo seu adversário. Depois, outro dedo, e outro… a mão, braço e por aí vai… Só não digo que é das melhroes coisas que o Hill já filmou porque o sujeito tem coisa boa até dizer chega em sua carreira, mas é mais uma boa prova da maestria deste grande diretor.

Apesar disso, DEADLINE, da terceira temporada, não é tão bom quanto esses dois acima, infelizmente. Aqui temos Richard Jordan como um jornalista desempregado, por causa dos problemas com álcool, tentando de tudo conseguir seu emprego de volta. Para isso precisa de uma boa história que será colocada no caderno policial e vai conseguir, nem que tenha, de fato, criar a notícia, se é que me entendem… A história é boa e Jordan está excelente como sujeito desesperado tentando não surtar. Mas o que pega é que falta uma certa leveza… aquele equilíbrio entre um humor ácido com os elementos do horror e suspense não aparece tão bem em relação ao que Hill havia conseguido anteriormemente. Esperava mais. No entanto, vale a pena a conferida para os fãs que desejam ver tudo do homem.

Aliás, os três episódios podem ser conferidos no youtube.

KILLING THEM SOFTLY (2012)

E estreou o KILLING THEM SOFTLY, que estava a fim de conferir há tempos. Motivos não faltavam. É do mesmo diretor do western poético O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD (ufa); o roteiro é baseado num autor que eu curto; e tudo indicava que o tema iria envolver máfia, crime, assassinato, essas coisas que sempre me despertam o interesse.

No Brasil, recebeu o título O HOMEM DA MÁFIA. Aqui em Portugal, uma tradução mais literal: MATE-OS SUAVEMENTE. Achei bem melhor, diga-se de passagem. Mas não importa, a experiência é a mesma, ou seja, trata-se de um puta filme de crime, bastante perspicaz, que carrega um subtexto político bem relevante. A história transcorre na época da eleição presidencial americana de 2008, quando os EUA estavam atravessando uma delicada situação financeira. De alguma forma os personagens que habitam KILLING THEM SOFTLY são uma representação do próprio governo americano (ou, literalmente, fazem parte desse governo), também lidando com uma crise financeira, com a diferença de que nesse universo a coisa pode ser resolvida à base de chumbo grosso.

Foi inspirado num romance de George V. Higgins, que possui outro livro adaptado para as telas de cinema, OS AMIGOS DE EDDIE COYLE, um filmaço estrelado pelo Robert Mitchun e dirigido pelo Peter Yates (e que eu já comentei aqui no blog). Não vale a pena divulgar tanto sobre a trama de KILLING THEM SOFTLY. É daqueles filmes que será melhor degustado tendo o mínimo de informação possível. Se alguém por aí ainda não viu, não deveria estar lendo isso aqui… Whoops!

Mas já que estamos aqui destaco a maravilha que é o elenco. Não há exatamente um protagonista, apesar do Brad Pitt estampar várias artes promocionais. Na verdade, a coisa aqui funciona na base dos duelos magistrais de interpretação, contando com umas figuras simpáticas que gostamos de ver em cena, como Richard Jenkins, Ray Liotta, James Gandolfini, o próprio Brad Pitt pagando de bad-ass e outros. Além de uma rápida participação de Sam Shepard. O filme transpira a precisão narrativa de Dominik, discípulo de Terence Malick, que abusa da presença desses atores magníficos, um roteiro cheio de longos diálogos interessantes, texto sensacional, e de um visual muito bem elaborado que cria planos maravilhosos e várias cenas antológicas.

Os eventuais assassinatos, por exemplo, acontecem exatamente como o título sugere. De maneira suave. Mas de extrema violência! Uma violência belíssima de se ver. A sequência da execução que ocorre no semáforo, em câmera lenta e música de fundo, é simplesmente sublime. DRIVE já começou a deixar seus vestígios… Mas a grande sacada de KILLING THEM SOFTLY são os GENIAIS cinco minutos finais, quando todo o subtexto político finalmente se revela com clareza e a porrada pega em cheio… Nem preciso dizer que é altamente recomendado, não é?

A CAÇADA (Fled, 1996)

Para um adolescente viciado em filmes de ação sem muitos critérios, assistir A CAÇADA na época que saiu nas locadoras foi o máximo! Me peguei pensando nesse filme recentemente e fui rever pra ver o que acontecia. Anda meio esquecido atualmente (e por que alguém se lembraria?), então resolvi ressuscitá-lo, até porque se está bem longe de ser um dos melhores filmes do gênero, é bem mais movimentado do que eu lembrava. Noventa minutos de pura diversão bobinha que passam voando. Claro, basta não levar muito a sério.

A CAÇADA é inspirado em ACORRENTADOS (58), de Stanley Kramer, cuja trama é sobre dois prisioneiros, um branco e um negro, acorrentados um ao outro, tentando escapar após um acidente com o ônibus do presídio. Na atualização da história a coisa é um pouco mais elaborada, envolvendo um policial infiltrado, roubos milionários cibernéticos e um disquete com informações suficientes para colocar um chefão da máfia cubana atrás das grades… não que isso torne o filme mais complexo. Ao contrário, o longa original em sua simplicidade é muito mais definido nos temas que aborda. Aqui tudo leva à ação. Se naquela altura os protagonistas eram os grandes Sidney Poitier e Tony Curtis, aqui temos a presença de Laurence Fishburne e Stephen Baldwin. O elenco ainda conta com Bill Patton (fazeno um sotaque redneck muito bizarro), Salma Hayek e Robert John Burk.

Fishburne, um tempinho antes de virar Morpheus, parece à vontade, encarnando o personagem durão que faz pose para atirar nos bandidos e solta um “Time do pay the piper” antes de jogar o vilão para a morte (só para constar, o nome do personagem é Piper, ). Já o Baldwin é aquele caso de ator que de tão canastra eu acabo gostando. O sujeito até que se esforça, mas sua atuação acaba ficando mais cômica do que já é. Principalmente quando tenta pagar de bonitão, como na cena na boate de striptease aí em baixo. Aliás, uma boa cena!

A direção é de Kevin Hooks, que fez outro filme de ação dos anos noventa carente de uma revisão: PASSAGEIRO 57, com o Wesley Snipes. Em A CAÇADA, a ação até que é boa, mas filmada de maneira simples demais. Até temos alguns momentos interessantes e que nunca saíram da minha memória, como a cena em que Fishburne atira contra um carro depois de uma perseguição em alta velocidade pilotando uma Ducati. No entanto, o departamento seria melhor avaliado pela quantidade de tiroteios, perseguições, pancadaria e situações de tensão do que a qualidade da direção dessas cenas. É nesse ponto que um John Woo ou Walter Hill fazem a diferença em relação a outros diretores. Talvez uma caprichada na construção e decupagem dos tiroteios e etc transformassem A CAÇADA em algo mais marcante.

Mas foi legal revê-lo. Talvez o faça de novo daqui uns 50 anos.

FIREFOX (1982)

Não, não se trata de uma versão cinematográfica do browse de internet, Mozilla Firefox. FIREFOX, do Clint Eastwood, é simplesmente um dos thrillers mais extraordinários que o sujeito já dirigiu, basicamente por causa de uma ideia que beira a genialidade. Clint tem que roubar um avião russo super moderno, cujos comandos de controle devem ser enviado através do pensamento utilizando um capacete especial. Detalhe: o pensamento tem que ser em russo! Isso é fantástico!!! É para esse tipo de coisa que o cinema existe.

De uma forma geral, o filme não chega nem perto de ser uma obra prima ou coisa parecida, embora seja um eficiente thriller de espionagem. Mas a simples ideia do “pensar em russo” é desses detalhes que me causam fascínio extremo.

Clint interpreta um ex-piloto do exército americano que vive recluso no meio do nada, após sofrer alguns traumas durante a guerra do Vietnã, e é novamente recrutado para essa missão super secreta que eu escrevi ali em cima. Outro detalhe, o personagem do Clint sabe russo. E um dos grandes destaques de FIREFOX é poder acompanhar o ator/diretor nesse papel, um piloto que já não é mais tão jovem, resgatado da aposentadoria contra sua vontade para realizar um tipo de serviço que só ele pode fazer. E o Clint está bem à vontade no personagem.

A maior parte do filme é o sujeito se esgueirando pelas ruas de Moscou ou vilarejos na Rússia, usando disfarces diferentes, passaportes falsos, encontrando espiões que lhe ajudam, esse tipo de coisa que o Hitchcock fez muito bem em CORTINA RASGADA. Há momentos que são realmente intrigantes, alguns de prender a respiração, como na cena em que o protagonista precisa matar um agente da KGB num banheiro de metrô. Mas há uma série de trechos em que não acontece muita coisa. FIREFOX acaba sendo muito mais longo do que precisa.

Mas tudo prepara o espectador para o tal roubo do jato, durante o climax final. Quando isso de fato acontece, é um espetáculo, e o problema do ritmo já nem incomoda mais. As cenas do jato com o Clint pilotando com os pensamentos em russo – e uma perseguição que ocorre em pleno ar quando surge um outro super avião querendo derrubá-lo – foram supervisionadas pelo mestre dos efeitos especiais John Dykstra, que já estava na onda das naves espaciais, fazendo o mesmo trabalho em STAR WARS. O resultado aqui é visualmente incrível.

FIREFOX recebeu o título literalmente traduzido no Brasil: RAPOSA DE FOGO. Recomendo para quem curte um thriller de espionagem fora dos padrões.

SOUTHERN COMFORT (1981)

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SOUTHERN COMFORT é sobre um grupo da Guarda Nacional americana que realiza uns treinamentos de localização e navegação pelos pântanos da Louisiana, tentando encontrar um local específico, exercitando a utilização de mapas, etc. A maioria deles está levando o trabalho bem à sério, muito preocupados com as putas que vão comer quando terminar o exercício. Quero dizer, até mesmo as armas que levam em punho estão carregadas com festim. Em quem vão atirar? Estão em solo americano, não existe inimigo nesse treinamento…

Os problemas começam quando se dão conta de que estão completamente perdidos. Onde deveria haver tal objetivo, só tem água e mais água… Decidem então pegar “emprestado” algumas canoas que encontram num acampamento aparentemente abandonado à beira do rio, com alguns animais esfolados no local e tal… Mas deixam um bilhete pra quem quer que fosse. Depois de alguns minutos navegando, o pelotão descobre que está sendo observado à distância por um grupo de cajuns*, os possíveis donos das canoas. Eles gritam para que leiam o bilhete, mas os caipiras não se mexem. Um dos soldados então, decide ser o engraçadinho da turma e começa a atirar na direção dos sujeitos com uma metralhadora cheia de festim. Rá! Muito engraçado mesmo.

* Os Cajuns são os decendentes dos Acadianos, expulsos do Canadá, que se instalaram na Louisiana. [/Wikipédia mode off]

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Só que os cajuns respondem ao fogo, e a munição deles é bem real, para azar dos pobres militares. A primeira bala já acerta a testa do lider do pelotão (Peter Coyote) e, bom, vocês já podem começar a imaginar o que teremos aqui.

Walter Hill é um dos canônes em orquestrar sequências de ação, colocou Charles Bronson pra brigar em gaiolas em seu primeiro filme, realizou uma das obras mais representativas dos anos 70 com THE WARRIORS, fez algumas das perseguições de carros mais impressionantes que eu já vi em THE DRIVER, imitou Sam Peckinpah num western, enfim é um dos grandes mestres do cinema de ação americano e… agora é o diretor de um dos melhores filmes de caipiras psicopatas que existe!

Na época, era clara a intenção de Hill em fazer referência à guerra do Vietnam, mas o filme se manteve atual e até há poucos anos era difícil ver SOUTHERN COMFORT sem pensar no Iraque e outros países do Oriente Médio. Mantém sua análise, só muda o local. Quero dizer, temos aqui um pelotão americano, alguns deles agindo como autênticos imbecis, numa região na qual não entendem porcaria nenhuma de seus habitantes, sua cultura, não falam nem sua língua. Chega sem permissão, se achando os fodões, mas descobre rapidinho que a coisa não é bem assim. O adversário conhece o território, monta armadilhas, sabe onde se esconder e como monitorá-los…

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É o simbolo perfeito para o fracasso inevitável nesse tipo de negócio que o governo americano insiste em fazer de vez em quando ao longo de sua história.  E não importa se estão apenas “pegando emprestado uma canoa”… Com toda essa substância, fica difícil não preferir SOUTHERN COMFORT em relação a outros filmes do gênero “caipiras assassinos“, como DELIVERANCE, de John Boorman, por exemplo, que é mais aclamado (e não tiro os méritos).

Mesmo suprimindo a análise política, sobra ainda um puta thriller de caçada humana (o final, na vila dos cajuns, é de ficar com o coração na boca, a contrução da tensão é absurda), o qual destaca-se desde o roteiro, escrito à seis mãos pelo próprio Walter Hill, Michael Kane e David Giler, a utilização dos cenários naturais dos pântanos da Louisiana, passando pela direção habitualmente magistral de Hill e, principalmente, o elenco com feras do calibre de Powers Boothe, Keith Carradine, Fred Ward, Peter Coyote e especialmente um Brion James tão assustador quanto os piores monstros e psicopatas dos slashers oitentistas.

REVENGE (1990)

Lembrei que assisti a REVENGE. Foi logo depois que o Tony Scott pulou de uma ponte há poucos meses. Quem me acompanha sabe que tenho costume de “homenagear” diretores/atores recém falecidos, vendo ou revendo um de seus trabalhos e postando alguns comentários e tal. Escolhi este aqui, primeiramente, porque é um dos filmes menos comentados do Scott e, segundo, porque meu velho amigo Daniel Vargas vivia me enchendo, dizendo que se tratava de um dos melhores filmes do “Toninho”. E não é que o sujeito tinha razão?

Até o Kevin Costner não decepciona em REVENGE, interpretando um piloto de caça da marinha americana que resolve se aposentar e ir para o México onde tem um amigo rico, chamado Tibey, também conhecido por Tiburón, vivido pelo monstro Anthony Quinn. Parece ser um sujeito legal e já não me recordo direito de onde surgiu a amizade entre os dois, já que Quinn é bem mais velho, mas a todo momento há um pressentimento ruim em relação a Tibey, sempre rodeado por guarda-costas de óculos escuros, e seu temperamento estranho.

Agora, eu preciso mencionar um detalhe fundamental em toda história. Um pequeno detalhe que, se não existisse, REVENGE seria apenas um drama sobre um jovem ex-piloto e sua amizade com um velho gangster que vive no México. Esse fator é aquilo que destrói os corações dos homens e apesar de todos efeitos malígnos que possam existir a seu respeito, não conseguimos viver sem. Estou falando de MULÉ!!! E das boas! O lance é que Tibey possui uma jovem esposa, encarnada pela Madeleine Stowe, que na época de adolescente era dessas atrizes que fazia meu coração parar… Hoje anda sumida. O último dela que vi foi aquela tralha com o Stallone que comentei aqui outro dia. Enfim, Stowe resolve se engraçar justamente com o jovem amigo de seu marido.

Estão me acompanhando? Vocês já devem ter adivinhado o tipo de situação que pode rolar entre esses personagens. O marido é um velho, ela é jovem e gostosíssima e com vontade de dar, e aí aparece um bonitão na pele de Kevin Costner (ui!)… é muito conflito dramático para um filme do Toninho. Mas se mesmo assim vocês ainda não estiverem entendendo o que eu quero dizer, as imagens abaixo falam por mim:

Pois é, eles não se aguentam. Mesmo depois de relutar, os pombinhos fazem de tudo e mais um pouco. E eu ficava falando “Não faça isso, Kevin Costner, eu sei que ela é de matar, mas isso literalmente vai acontecer com você se o marido descobre!“. Mas aí entra naquele paradoxo masculino… o que é melhor, comer a Madeline Stowe e ser espancado até a morte pelos cupinchas do marido ou não comer e passar o resto de seus dias imaginando como teria sido uma foda com a Stowe, por mais arriscado que seja? Mas, como disse antes, se o sexo entre os dois não acontecesse, REVENGE não teria motivos de existir. Obviamente, depois de comer Madleine Stowe, Costner é descoberto, espancado e deixado para morrer no deserto. Mas o que vocês esperavam? Ele comeu a mulher do Anthony Quinn!

A partir daí, poderíamos utilizar aquela anedota mais que batida de que “a vingança é um prato que se come frio”. Mas não vamos usar. Quero fugir dos clichês! No entanto, Tony Scott conduz lentamente sua narrativa, o que não significa que seja chato, ao contrário, é isso que me admira em REVENGE. Toninho sempre tachado pelos detratores de clipeiro e etc, constrói aqui um filme de duas horas, lento pra cacete, mas que mantém um grau de tensão do início ao fim. A segunda metade o filme se transforma num western moderno… isso me faz lembrar que Toninho tinha intenções de refilmar MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA, do Bloody Sam, uma atitude desnecessária, concordo, mas contrariando o mundo inteiro, fiquei curioso para saber o que saíria de suas câmeras, já que nos últimos trabalhos só entregara bons filmes. Agora que tinha acertado a mão, resolveu pular da ponte, uma pena.

Mas, estou divagando. Kevin Costner, todo arrebentado no deserto mexicano, é encontrado por um sujeito que leva-o a uma curandeira. Meses depois, já consegue agir dentro de seus planos, que não é exatamente se vingar, mas tentar encontrar Madeline Stowe, que não deve ter recebido um tratamento diferente do dele. Claro que, no caminho, esbarra com alguns capangas que lhe esmurraram e não custa nada retribuir a gentileza. Meu único problema com REVENGE é perto do final, o reencontro entre Quinn e Costner. A atitude dos dois é honrosa e ambos reconhecem seus erros. E isso é ótimo. Não vou dizer o que acontece. Mas eu esperava um pouco mais de… ação! Achei bunda mole da parte do Toninho nos fazer esperar tanto tempo para um climax tão sem graça (e minha reclamação não tem nada a ver com as atitudes dos personagens).

Aliás, Costner está muito bem. Não acho que seja um grande ator, mas sempre funcionou com esse tipo de personagem e nunca esteve tão bad-ass como aqui. E Anthony Quinn é um gigante da atuação. Consegue ser a simpatia em pessoa e o demônio no mesmo personagem. O filme ainda conta com a presença de John Leguizano e do sumido Miguel Ferrer. E temos Madeleine Stowe fazendo o que sabe fazer de melhor: sendo gostosa.

PS: Dois dos melhores filmes do ano assistidos: KILLER JOE, do Friedkin, e HOLY MOTORS, de Leos Carax. Provavelmente escreva algo sobre o primeiro. Mas ambos são recomendadíssimos!

WRONG TURN (2003 – 2012)

Nunca dei bola para a franquia de terror WRONG TURN, mas outro dia entrei num desses sites especializados em filmes de horror e vi que estava pra sair o quinto exemplar, e pensei comigo, “não é possível que os quatro anteriores sejam tão descartáveis pra ganhar mais um capítulo”. Portanto, separei dois minutos da minha vida para assistir ao trailer de WRONG TURN 5. E não é que gostei muito do que vi? Logo, como estava de bom humor, arranjei todos os filmes, e resolvi dar uma conferida na série inteira. Abaixo, alguns pequenos comentários, que podem ou não conter spoilers

O primeiro WRONG TURN, de 2003, dirigido por Rob Schmidt, não vai receber nenhum prêmio de criatividade, mas realmente me surpreendeu pela qualidade técnica. Na verdade, não era pra ter surpresa alguma, já que nos créditos iniciais surge o nome de Stan Winston como produtor, então era óbvio que no departamento de efeitos especiais e maquiagem, a coisa iria funcionar de maneira impecável. No entanto, o mais legal é que tudo vai muito além de qualidade técnica, o filme tem o espírito do horror rural dos anos setenta, pegando emprestado ideias de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, QUADRILHA DE SÁDICOS e outros filmes da época.

Na trama, um sujeito está a caminho de uma entrevista de trabalho em outra cidade e decide tomar um atalho (oh, oh) no meio do nada. E quando você dirige no meio do nada não é bom tirar os olhos da estrada, correndo sério risco de bater em algo… Whoops! É o que acontece com o nosso amigão aqui. Seu carro vai de encontro com um outro veículo que pertence a um grupo de jovens que saiam para se divertir no campo, mas acabaram presos no local com os pneus misteriosamente furados. Como um bom horror teen, a maioria são jovens estúpidos e irritantes, mas pelo menos temos a delícia Eliza Dushku, de camisa branca apertadinha desfilando o filme inteiro…

Er… muito bem, não demora muito para o sangue começar a rolar quando uma família de freaks caipiras deformados e canibais resolve fazer os indivíduos de almoço, caçando-os floresta adentro como animais. Algumas sequências que surgem a partir daí são sensacionais, como as que se passam dentro da cabana dos deformados ou a cena dos galhos de árvores, quem viu sabe do que estou falando. O visual dos mutantes é interessante, muito bem feito, nada muito exagerado, mas grotesco o suficiente para inquietar, sem contar as suas habilidades em construir armadilhas e o manuseio do arco e flecha e objetos cortantes. Alan McElroy, que trabalhou muito com personagens em quadrinhos, como SPAWN, é o criador desses amistosos caipiras.

Passatempo curto, divertido, parece filme de aventura com elementos de horror e doses cavalares de gore sem frescura, que não se leva mais a sério que o necessário. Já havia me dado por satisfeito e pensei que WRONG TURN 2 seria apenas uma continuação besta, mas…

WRONG TURN 2: DEAD END, lançado cinco anos depois, foi feito diretamente para o mercado de vídeo. Demonstra desde os primeiros minutos que o orçamento diminuiu consideravelmente em relação ao anterior, que apesar da batuta do Stan Wiston, já era um produto independente. Mas também mostra a liberdade criativa que se pode ter quando se pensa numa sequência descompromissada e com o mesmo espírito do original. Sendo assim, o diretor Joe Lynch (CHILLERAMA) e seus roteiristas aproveitam para aumentar ainda mais o nível de gore, com algumas sequências de mortes bem elaboradas, e acrescentar uns peitos de fora, detalhe sempre bem vindo e que faltou no anterior. 

A trama de DEAD END evita o clichê “jovens perdidos na floresta”, os personagens estão, na verdade, participando de um reality show de sobrevivência, estilo “No Limite” e, por acaso, uma família de canibais caipiras deformados vive na região (mas não é mesma do primeiro filme) e resolve ir à caça.  Eles precisam botar comida na mesa, não é? O filme não tem muito a intenção de ser um terror assustador, no entanto é extremamente influenciado pelo O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e o final possui um “jantar familiar” que remete explicitamente ao clássico do Tobe Hooper. E quase me fez colocar pra fora meu próprio jantar.

 

A dose de sangue no climax é realmente abundante em DEAD END, especialmente quando Henry Rollins – um dos destaques do filme, como apresentador do reality, uma mistura de lutador de MMA com o RAMBO – entra em ação, para salvar os pobres jovens que restam. Curiosamente, esses últimos sobreviventes não são exatamente os que esperamos encontrar vivos a essa altura do filme. Os roteiristas resolveram matar exatamente aqueles personagens construídos normalmente para sobreviverem até o final. Aí fica difícil não curtir a brincadeira. Acho que gostei até mais que o primeiro.

O terceiro episódio é o WRONG TURN 3: LEFT FOR DEAD, de 2009, dirigido por Declan O’Brien, que resolveu criar raízes aqui e ficou responsável também pelo quarto e o quinto. E ele começa bem, dentro do possível. Quero dizer, a sequência de abertura é muito boa, com dois rapazes e duas garotas relaxando no mato, após uma descida de rafting, bem à vontade, com direito a um topless de primeira qualidade.

Wow! Mas eis que os nossos estimados caipiras deformados canibais chegam para estragar a festa e temos aqui algumas mortes bem interessantes. Um ponto positivo deste terceiro filme é que a trama mais uma vez consegue variar do modelo tradicional. Dessa vez os personagens são prisioneiros e policiais que se deslocam pelas estradas num ônibus de prisão, sofrem um acidente causado por um carro de reboque no meio do nada e se transformam, como era de se esperar, em caça para os freaks rednecks.

No entanto, a coisa aqui deu um passo para trás em alguns departamentos. Primeiro, o roteiro é bem pior que o de costume, com diálogos medíocres e situações bestas. Geralmente esse tipo de filme possui essas características. Mas aqui vai ao extremo. A história não flui de maneira divertida como nos dois primeiros e após um início de arrebentar, entra num marasmo, com o grupo rodando pela floresta sem que aconteça muita coisa. Torna-se repetitivo, arrastado demais. Mesmo as cenas de morte que eventualmente acontecem não ajudam muito para melhorar o ritmo.

Outro problema são os efeitos especiais em algumas cenas. Como estamos carecas de saber, a tecnologia definitivamente não é muito bem vinda em produções de orçamentos risíveis. É nível da The Asylum ou do canal Syfy. Simplesmente ridículo. LEFT FOR DEAD melhora consideravelmente quando se aproxima do final, e começa a entrar no clima dos filmes anteriores, voltados mais para a aventura com elementos de terror, sem se preocupar muito em querer assustar. De repente se transforma num filme de ação encharcado de sangue e tripas, cheio de ideias que não são nada descartáveis. Mas no fim das contas, é fraco. Tem seus momentos e vale uma conferida para quem curte uma bagaceira. O problema é que o quarto filme vai pelo mesmo caminho…

O título WONG TURN 4: BLOODY BEGINNINGS (2011) já está associado a um provável início sangrento… Mas início de que? Bom, o quarto episódio da série, na verdade, é uma prequel e conta a origem dos canibais caipiras deformados lá do primeiro filme. Para isso temos um prólogo, que é um espetáculo, a melhor sequência da franquia inteira, que transcorre num sanatório nos anos 70 onde os três pequenos freaks vivem enjaulados. O legal é que eles conseguem escapar e tocam o terror no local ao som de Danúbio Azul. Uma coisa linda de se ver. O desfecho é com o diretor da instituição sendo violentamente desmembrado e… sem efeitos exagerados e toscos de CGI!!! Uma das coisas que desapontou no filme anterior foi o uso excessivo dos efeitos de computação gráfica para recriar gore. Aqui não há tanto, tem um pouco, claro, mas não incomoda. 

Então, saltamos no tempo até o ano de 2003 (o mesmo ano em que o filme original foi lançado), temos um grupo de jovens indo se divertir numa cabana no meio da floresta, com a diferença dessa vez é a paisagem é coberta de neve, e durante o percurso, oh oh, wrong turn! Acabam perdidos e vão parar justamente no instituto do prólogo, hoje “abandonado”. BLOODY BEGINNINGS tem uns detalhes agradáveis de se ver, como porexemplo a quantidade de peitos de fora, consideravelmente maior que nos três filmes anteriores. Há cenas até de lesbianismo que fariam Jim Wynorski se sentir orgulhoso.

O problema é lá pelas tantas, o ritmo começa a desandar, assim como no exemplar anterior. Declan O’Brien tirou pouco proveito dos corredores do sanatório e a tensão claustrofóbica que poderia construir… Claro, existem as boas e sangrentas cenas de morte, especialmente a que o grupo de canibais decide fatiar uma de suas vítimas ainda consciente, gritando angustiadamente. Mas é pouco para tanto marasmo e situações desinteressantes. E é curioso, porque dentre esses quatro primeiros filmes, BLOODY BEGINNINGS é o único que tenta realmente ser um exemplar de terror. Mas o resultado final também não é nada tão desprezível… Pra quem encarou os três primeiros seguidos, esse aqui desceu junto numa boa.

E chegamos ao último filme da série! Último por enquanto… daqui a pouco surge mais, enquanto render dinheiro para alguém. Se bem que WRONG TURN 5: BLOODBATH, lançado no mês passado no mercado de vídeo, não decepciona. Tem seus defeitos, mas mantém o nível de divertimento dos dois primeiros exemplares. Um dos motivos deste aqui ser tão legal é a presença de ninguém menos que Doug Bradley, o eterno Pinhead da série HELLRAISER, soltando várias frases boas, interpretando uma espécie de mentor para os caipiras deformados comedores de gente, ensinando-os a sobreviverem na floresta. É uma continuação direta do quarto filme, portanto, ainda é prequel do original.

Depois de dirigir os filmes mais fracos da série, finalmente Declan O’Brien acertou a mão, variando novamente com a história. Temos uma boa cena de abertura, com um casal de jovens fazendo sexo e levando um susto de seus amigos utilizando máscaras de caipiras deformados, porque estão à caminho de uma festa regional que celebra o misterioso desaparecimento da população de um vilarejo ocorrido há alguns séculos e no qual existe a lenda de que os habitantes foram devorados por caipiras canibais da época. Após uma confusão envolvendo Doug Bradley e os jovens, todos vão parar em cana. A trama se passa, então, durante esse festival, na delegacia de uma cidadezinha próxima e seus arredores, com os canibais deformados tentando libertar o Pinhead, aumentando ao máximos a contagem de corpos do filme e uma xerife gostosa tentando manter as coisas sob controle.

O roteiro é completamente desprovido de originalidade, mas não pára um minuto e consegue manter constantemente uma boa carga de tensão. Mantém também o bom nível de criatividade nas cenas de morte, como a do rapaz que tem as pernas quebradas à base da pancada e depois é atropelado. Há também uma cena na qual outro mancebo está enterrado apenas com a cabeça do lado de fora e um dos freaks utiliza um veículo de cortar grama para… vocês sabem. Me lembrou uma cena de CALIGULA, só que com mais sangue e realismo. O gore corre solto por aqui, tudo muito bem feito. E é sempre bom alertar o pobre espectador sobre a quantidade de nudez. Bem, para nós que gostamos de ver umas senhoritas atraentes despidas, BLOODBATH é um prato cheio.

Dito TUDO isso, não recomendo a franquia WRONG TURN pra ninguém. O que fiz foi uma loucura, porque até mesmo os bons episódios (1, 2 e o 5) não fazem grande diferença na vida de um apreciador de filmes de horror. Existem milhares e milhares de filmes bem melhores a serem descobertos por aí… É preciso estar muito no clima pra embarcar na série. Consegui entrar quando percebi que as sessões me fizeram sentir um pouco como na época de adolescente, quando pegava velhas fitas num fim de semana para ver e rever franquias de terror, independente da qualidade. Além disso, é um cinema ingênuo e muito simples, sem grandes pretensões, a não ser de proporcionar uns bons momentos de tensão, sangreira e mulher pelada. Portanto, particularmente, valeu a pena. Agora é esperar que o sexto filme se passe no espaço sideral!

SELVAGENS (2012)

Cá estou em Portugal já faz quase duas semanas e finalmente atualizei o recinto! Cheguei agora há pouco da minha primeira sessão de cinema por aqui e, infelizmente, preciso concordar com o amigo Alucard, que havia suspeitado no último post que o circuito comercial daqui era pior que o do Brasil. Digamos que ambos são a mesma porcaria, mas, por exemplo, SELVAGENS, novo trabalho do veterano Oliver Stone, ainda não estreou em terras tupiniquins, enquanto o novo filme do Woody Allen só chegou por aqui neste fim de semana. Então, tudo na mesma… A sala era boa, com poltronas muito confortáveis e curiosamente TODAS as sessões possuem intervalo no meio da projeção. Não sei se isso é bom ou ruim, mas pelo menos fui ao banheiro sem perder um pedaço do filme…

Sobre SELVAGENS, não é nada sensacional, mas é um Stone em boa forma, o que pra mim é muita coisa. Confesso que desde aquele dejeto chamado WORLD TRADE CENTER eu não vi mais nada do homem. E foi por esquecimento mesmo, até queria ter visto W e o novo WALL STREET, mas foi passando o tempo e nada… Agora o Stone resolveu voltar suas câmeras para o submundo do crime, das drogas, aí não tinha escapatória. Os protagonistas são dois traficantes independentes da Califórnia que dividem a mesma mulher e isso é o que há de melhor em SELVAGENS. Em certo momento, a mocinha diz que são como BUTCH CASSIDY & SUNDANCE KID, mas eu prefiro remetê-los a uma espécie de JULES E JIM do tráfico. Só que ao invés de provocar, o diretor trata a relação à três com uma delicadeza absurda. E quando Stone acerta, nem que seja em pequenos detalhes, é imbatível. O trio se mete numa enrascada das boas quando o cartel mexicano decide “propor uma parceria”. É o mote para o diretor expor sem dó nem piedade uma profusão de violência, tensão, cheio de personagens interessantes, como o vivido por Benício Del Toro, um assassino cruel à serviço do cartel; ou John Travolta, na pele de um federal corrupto. E de quebra, temos ainda Salma Hayek como rainha mexicana das drogas.

Contextualizando na filmografia do Stone, digamos que SELVAGENS se alinha esteticamente a ASSASSINOS POR NATUREZA, REVIRAVOLTA, essas realizações mais viajadas visualmente, com planos em preto e branco, outros com tonalidades fortes, fusões de imagens, etc, mas sem exagerar em demasia. A direção tem a energia usual dos seus melhores filmes, mas o resultado final não tem calibre suficiente pra tanto. Tem lá suas parcelas de problemas, mas do jeito que ficou, não tenho do que ficar reclamando.

DEMENTIA 13 EM PORTUGAL

Caros, este é o meu último post em território nacional. Amanhã, justamente na infame data de 11 de setembro, parto para terras portuguesas, onde estarei, provavelmente, pelos próximos dois anos realizando meu mestrado na cidade do Porto.

Tudo ainda é um mistério pra mim, só vou poder “sentir a coisa” (no bom sentido) quando estiver lá, mas pretendo continuar as atualizações do blog normalmente, firme e forte, na medida do possível, cobrindo um pouco do circuito cinematográfico de lá (com certeza bem melhor que o daqui), além das tralhas de sempre…

Se eu sobreviver à longa viagem, trago novidades em breve. Até!

PORTO DOS MORTOS DISPONÍVEL NO NETFLIX

Da Lockheart Filmes:

“O longa-metragem brasileiro PORTO DOS MORTOS, produzido por Lockheart Filmes, está disponível ao público na plataforma VOD (“vídeo on demand”) no Brasil, EUA e América Latina, incluindo Caribe. Mistura de horror, “road movie” existencial e faroeste “spaghetti”, o filme pode ser assistido imediatamente no serviço por assinatura Netflix em mais de 40 países. No dia 2 de novembro, o público de Porto Alegre poderá assistir ao longa na tela do cinema. Vencedor de dois prêmios internacionais e selecionado para o Festival de Cinema Latino de Chicago e Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (Cuba), entre outros, PORTO DOS MORTOS (também conhecido como BEYOND THE GRAVE ou MÁS ALLÁ DE LA TUMBA) alcançou status de filme de culto entre festivais de cinema “underground” e críticos de Internet ao redor do mundo. Rodado em HD na cidade de Porto Alegre (RS), a produção tem orçamento estimado em 300 mil reais.”

DEMENTIA 13 assistiu ao filme em 2010, na sua primeira exibição pública, em São Paulo, no CINEFANTASY. Meu texto escrito na época pode ser lido aqui.