
IT’S ALIVE III – ISLAND OF THE ALIVE costuma ser apontado como a ovelha negra da trilogia dos bebês monstros criada pelo genial Larry Cohen. Lembro de ter visto fragmentos dele no SBT, já no fim dos anos 90, exibido como A ILHA DOS MONSTROS, mas sem nunca ter acompanhado o filme inteiro. Revendo agora, fica claro o motivo do estranhamento. Se os dois primeiros carregavam a elegância sombria do horror setentista, este terceiro capítulo, feito quase dez anos depois, abraça sem vergonha o espírito mais escrachado e exagerado do horror oitentista.
Cohen já havia levado a franquia por caminhos inesperados em IT LIVES AGAIN, mas aqui ele chuta o balde de vez. ISLAND OF THE ALIVE expande o universo da série em direções cada vez mais absurdas, misturando humor, drama, delírio e, claro, muito sangue. É um filme que não conhece freio nem bom senso para o nosso prazer.
Michael Moriarty assume o protagonismo como um ex-ator completamente desequilibrado que, por uma ironia do destino, é pai de um dos famigerados bebês monstruosos. O filme já começa em tom operístico, com o personagem implorando pela vida do “filho” diante de um tribunal, enquanto a criatura rosna e se debate dentro de uma jaula. A essa altura da franquia, os bebês já não são mais automaticamente exterminados: o governo decidiu isolá-los numa ilha, onde são largados à própria sorte, vivendo como conseguem, longe do continente.


Curiosamente, ISLAND OF THE ALIVE não se interessa tanto pela ilha em si, mas pelo colapso psicológico do personagem de Moriarty. Marcado para sempre como o pai de uma aberração, ele vê sua vida e sanidade se esfarelarem aos poucos. Não consegue se relacionar com ninguém, muito menos com mulheres — especialmente com sua ex-esposa, mãe da criatura, interpretada por Karen Black. A cada nova situação, fica evidente que o sujeito está à beira, ou além, do colapso mental. E isso é só o começo do filme, uma premissa…
Tentar descrever a trama de forma linear é quase inútil, porque acontece coisa demais, e a maioria não faz o menor sentido, de uma forma positiva. Em determinado momento, Moriarty parte numa expedição à ilha dos monstros com um grupo de desavisados. Lá, ele finalmente perde qualquer resquício de lucidez, a maioria dos integrantes acaba dilacerada, e o protagonista retorna ao continente num barco carregando as criaturas. Por ser pai de uma delas, ele não é atacado, mas acaba jogado ao mar, vai parar em Cuba e precisa encontrar um jeito de voltar aos Estados Unidos. Sim, é exatamente esse tipo de filme. Uma sucessão ininterrupta de acontecimentos cada vez mais bizarros. Tem como não se divertir com isso aqui?

Além dessa narrativa completamente desgovernada, mas que, de algum modo, me prendeu do início ao fim, outra grande diferença aqui é o posicionamento emocional. Pela primeira vez na série, me peguei torcendo não só pelo protagonista, mas também pelos monstros, alguns já crescidos e do tamanho de um ser humano. Ver essas criaturas soltas, se defendendo e até se dando bem, pareceu muito mais interessante do que vê-las sendo abatidas como nos filmes anteriores. Os efeitos especiais também mudam. Nada de Rick Baker desta vez: os monstros em movimento são animados em stop motion, o que lhes dá mais visibilidade, embora perca aquele clima misterioso criado pelas sombras nos dois primeiros filmes. Já as criaturas adultas são interpretadas por atores maquiados de forma bastante tosca. Mas há ali um charme inegável do horror mais rasteiro, exagerado e artesanal (sei que “trash” é um termo mal utilizado, mas espero que o sentido aqui esteja claro).
Apesar de todos os elogios que coloquei carinhosamente neste texto, é impossível negar que este é o filme mais fraco da trilogia. Não por ser ruim, longe disso… Quero dizer, ruim ele é, mas num bom sentido, me diverti bastante com essa insanidade sem rédeas. Mas é o mais fraco simplesmente porque os dois primeiros são realmente magníficos. Eles vão além do horror, dialogam com questões morais, sociais e políticas de forma surpreendente. ISLAND OF THE ALIVE, no fim das contas, se contenta em ser um filme de monstros. Mas que fique claro: um filme de monstros dos mais pitorescos e divertidos dos anos 80.