IT LIVES AGAIN (1978)

O mais interessante em IT LIVES AGAIN é que Larry Cohen não opta pelo caminho mais fácil de simplesmente requentar os elementos do filme anterior. Em vez disso, ele realmente se empenha em expandir o universo dos bebês monstros que criou, ampliando tanto o escopo narrativo quanto o peso moral da história. É verdade que, mais uma vez, acompanhamos um casal em situação semelhante à dos Davis no filme de 1974, mas os desdobramentos agora são radicalmente diferentes. Aqui, o bebê mutante é capturado logo ao nascer, colocado numa gaiola e levado para um centro de pesquisas secreto, onde já existem outros dois exemplares da mesma espécie sendo estudados. Nada daquela figura solitária vagando pelas ruas e deixando um rastro de mortes como no primeiro filme. Cohen troca o horror urbano quase acidental por algo mais institucional, mais frio e, de certa forma, ainda mais perturbador.

Alguns elementos, claro, precisavam ser mantidos para o bem da série. O principal deles é a acidez com que Cohen tempera seu horror com uma análise moral direta, agora ainda mais dramática e explícita do que em IT’S ALIVE. O filme não tem pudor algum em discutir controle estatal, ética científica, aborto, eugenia e o valor da vida, tudo isso embrulhado em um exploitation de horror que jamais finge ser neutro.

E não, quatro anos de intervalo entre um filme e outro não significaram um aumento no orçamento. Cohen precisa, mais uma vez, demonstrar criatividade para driblar as limitações financeiras. A forma como ele filma os bebês é um ótimo exemplo disso: quase sempre em relances, envoltos em sombras, enquadrados de maneira mais sugestiva. Esse jogo com a escuridão não só resolve um problema técnico como também adiciona uma camada de mistério e desconforto. Cohen é um mestre do horror americano, e eu demorei demais para perceber isso.

Há também mais espaço para a violência gráfica, com destaque para o excelente trabalho de maquiagem e efeitos especiais de Rick Baker, que dá textura e credibilidade às criaturas. John P. Ryan retorna como Frank Davis, agora assumindo a missão de alertar casais prestes a dar à luz bebês mutantes. É o caso de Jody e Eugene Scott (interpretado por Frederic Forrest), que vivem o drama de esperar um filho enquanto o governo se prepara para exterminar impiedosamente qualquer criatura que nasça fora do “padrão”. Enquanto isso, Davis trabalha ao lado de um grupo de cientistas, entre eles um personagem vivido pelo sempre ótimo Eddie Constantine, cuja intenção é salvar e estudar essas criaturas em vez de simplesmente eliminá-las. O embate entre ciência, governo e moralidade dá ao filme um peso dramático inesperado para um horror B.

O casal protagonista merece destaque especial. Suas discussões são intensas, bem encenadas e emocionalmente críveis, afinal, não é todo dia que o filho tão esperado nasce mais feio que o Ronaldinho Gaúcho. John P. Ryan, por sua vez, retorna com um personagem muito mais interessante e carregado de culpa e urgência. Em determinado momento, quem também reaparece é James Dixon, o detetive responsável pelo caso no primeiro filme. Curiosamente, o único personagem presente nos três filmes da série. O grande John Marley completa o elenco, chefiando a operação governamental com a autoridade de sempre. IT LIVES AGAIN consegue manter o mesmo nível reflexivo do filme de 1974, expande seu universo de maneira inteligente e ainda entrega um horror atmosférico de primeira. No Brasil, recebeu o título A VOLTA DO MONSTRO e, como esqueci de mencionar anteriormente, IT’S ALIVE ficou conhecido por aqui como NASCE UM MONSTRO. Clássicos absolutos. Em breve, o terceiro para fechar a trilogia.

2 ideias sobre “IT LIVES AGAIN (1978)

  1. Pingback: IT'S ALIVE III - ISLAND OF THE ALIVE (1987) - vício frenético

  2. “não é todo dia que o filho tão esperado nasce mais feio que o Ronaldinho Gaúcho”

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