HARD TICKET TO HAWAII (1987)

Enquanto MALIBU EXPRESS era um produto que formava a base do cinema de Andy Sidaris, é com HARD TICKET TO HAWAII que o sujeito cristaliza seu estilo, com todo aquele conjuto de elementos que não falta em seus filmes e faz a cabeça de seus fãs. Ou seja, muitas playmates com peitos à mostra, sexo softcore, banheiras de hidromassagem, em tramas de espionagem com bastante sequências de ação, tiroteios, artes marciais muito mal filmadas e excesso de explosões… E pra não dizer que todos os trabalhos do Sidaris são iguais – só mudam os atores e os peitos – sempre há um ingrediente especial a mais para diferenciar uma obra da outra. HARD TICKET TO HAWAII, por exemplo, também é lembrado como o filme da cobra gigante mutante assassina!

São apresentadas por aqui a dupla de beldades, Donna (Dona Speir) e Taryn (Hope Mary Carlton), agentes especiais do governo disfarçadas que ainda protagonizariam mais outras duas produções de Sidaris: PICASSO TRIGGER e SAVAGE BEACH. As duas “atrizes” eram playmates na época e seus maiores talentos era não ter problema algum em mostrar seus atributos naturais. Isso antes da estética do silicone entrar em vigor, porque já nos anos 90, a coisa começa a ficar feia, surgem aquelas bolas siliconadas que muita gente chama de seios… mas é apenas um detalhe de preferência pessoal.

Na trama, essas duas belezinhas entram em atrito com uma rede criminosa de… de que mesmo? Aliás, eu já nem lembro do enredo, pra ser sincero. Mas isso não importa! O que vale mesmo é a quantidade de peitos e ação que isso faz render, sem contar as situações excêntrica que saem do imaginário fértil de Andy Sidaris. Eu prefiro MALIBU EXPRESS em todos os sentidos, mas entendo perfeitamente porque HARD TICKET TO HAWAII é considerado a obra prima do homem. Além dos constantes e belos pares de peitos balançando pela tela, da já citada subtrama com a cobra assassina e vários outros exemplos que comprovam a insanidade do diretor, temos a antológica e sangrenta sequência do “frisbee da morte”. Deixo apenas a imagem abaixo como ilustração:

E essa nem é a cena mais bizarra. Acho que merece esse posto a parte em que surge um sujeito de meia idade em cima de um skate, de ponta-cabeça, tentando atacar os heróis (um deles interpretado pelo canastrão Ronn Moss) num jipe e estes resolvem simplesmente explodir o cara com uma bazuca! Mas o que realmente chama a atenção é que o skatista, inexplicavelmente, traz consigo uma boneca inflável usando como escudo humano!!! Quando você pensa que já viu de tudo, um pequeno filme que você assiste apenas para ver uns peitinhos de fora acaba lhe surpreendedo com uma série de imagem como essa… não tem como não se apaixonar pelo cinema de Sidaris.

RUAS DE FOGO (1984)

Antes mesmo de me preocupar em saber o nome de diretores, eu já gostava do trabalho de Walter Hill. Alguns de seus principais filmes passavam exaustivamente na TV e durante a minha infância pude conferir várias belezinhas, como 48 HORAS I e II, INFERNO VERMELHO, THE WARRIORS, EXTREME PREJUDICE, etc…

No entanto, o curioso é que mesmo tendo visto apenas uma parcela de seu trabalho, adorando o cinema do sujeito, tendo-o, na minha opinião, como um dos pilares do cinema de ação moderno (junto com Woo, Flynn, Castellari, Mann e, claro, Peckinpah), grande parte da sua obra só fui parar para conferir há pouco mais de dois anos: LUTADOR DE RUA, CAVALGADA DOS PROSCRITOS, THE DRIVER, O IMBATÍVEL… Pra piorar (ou não, já que vou ter o prazer de assistir pela primeira vez), me falta conferir um bocado de coisa do homem ainda (SOUTHERN COMFORT, TRESPASS, JOHNNY HANDSOME, WILD BILL, etc).

E RUAS DE FOGO entra na categoria das descobertas recentes. Tive uma relutância boba, não sei explicar a razão por não ter assistido antes e me arrependo profundamente por tê-lo conferido agora. Não, não achei o filme ruim, ou algo parecido, pelo contrário, é uma obra muito estilosa, sonoricamente magnífica e visualmente hipnotizante, tem boa ação (não poderia ser diferente, já que estamos falando do Hill), enfim, é mais que uma simples diversão! Mas eu fico imaginando assistir com o olhar de menino… teria sido, no mínimo, mágico!

 

 

 

Situado em um universo paralelo em um período indefinido, um mundo mítico saído da mente de Hill – talvez o mesmo universo de THE WARRIORS – que mistura a década de 50 com a de 80, RUAS DE FOGO narra a simples fábula na qual Cody (Michael Paré), retorna para casa, após o chamado de sua irmã, para resgatar sua antiga namorada, agora uma cantora de sucesso, Ellen (Diane Lane), das garras de Raven (Willem Dafoe), líder de uma gangue de motoqueiros. Assim eles poderão tentar dar uma segunda chance ao amor, ou não, e ela poderá continuar cantando músicas bacanas como Tonight Is What It Means To Be Young, uma das tantas canções que fica grudada na cabeça:

 

*Este vídeo contém spoiler!

 

Ah, sim! Esqueci de dizer que o filme é meio que um musical… mas não do tipo convencional, desses que as pessoas substituem diálogos com cantoria, como nos desenhos da Disney. A narrativa é pontuada com trechos de shows da mocinha e outros músicos, e o filme inteiro acaba possuindo um ritmo alucinante no encadeamento das cenas. A sequência do resgate de Ellen é um bom exemplo, quando a edição entrecorta planos de Cody se preparando para distribuir sopapos, tiros, explodir motocicletas, com a apresentação de Rock’n’Roll dentro de um bar. O efeito sonoro-visual é simplesmente incrível!

 

 

 

Michael Paré demonstra ser um canastrão de rostinho bonito que prometia ser um astro, mas acabou entrando em cada furada… Nem mesmo o Hill conseguiu tirar muita coisa do sujeito, mas até que não se sai tão mal por aqui fazendo pose de herói de ação, com seu modelito cowboy, estilo ERA UMA VEZ NO ESTE. Já Diane Lane, apesar de ser de dublada nas cenas que aparece cantando, está admirável e tem bastante química com Paré. E ainda temos Willem Dafoe fazendo vilão com aqueles olhos esbugalhados e assustadores. Sujeito possui talento de sobra! O elenco se completa ainda com Bill Paxton, Rick Moranis, Deborah Van Valkenburgh e Amy Madigan, que é uma das personagens mais interessates, autêntica mulher-macho, que chuta a bunda dos marmanjos e faria Stallones e Schwarzeneggers pensarem duas vezes antes de mexer com ela.

 

 

 

 

O projeto inicial de Hill seria realizar uma trilogia com o personagem de Paré, mas como RUAS DE FOGO foi um desastre completo nas bilheterias, acabaram desistindo da idéia. Mas é um filme fascinante que já encontrou o seu público e ganhou status de cult, merecidademente. Ainda este ano ou no próximo (nunca se sabe), o diretor Albert Pyun, que é fã confesso de RUAS DE FOGO, pretende lançar uma espécie de continuação não oficial, ROAD TO HELL, estrelado pelo Paré. Vamos ver o que vai dar…

EXTREME PREJUDICE (1987)

Começando a entrar no clima do próximo filme do diretor Walter Hill, BULLET IN THE HEAD, o primeiro trabalho do diretor em dez anos, acho que é um bom momento para fazer um ciclo de revisões e descobertas com as obras desse gigante mestre do cinema de ação. Um dos seus principais exemplares, e que fazia muitos anos que eu não via, é o western contemporâneo EXTREME PREJUDICE, um daqueles típicos action movies brutos que parece impossível pintar na seara do cinema de ação da atualidade, além de ser uma apaixonada declaração de amor ao cinema de seu mentor, o gênial Sam Peckinpah.

Escrito pelo diretor de CONAN – O BÁRBARO, John Milius, a trama oferece o que há de melhor da mais pura truculência e testosterona em termos cinematográficos. Nick Nolte é um xerife durão do Texas, cujo melhor amigo da infância, vivido por Powers Boothe, escolheu o lado oposto da lei e se tornou o traficande de drogas número um da região, o que representa um conflito muito complexo quando ambos não abrem mão de suas intenções. Ao mesmo tempo, um grupo de mercenários formado por ex-militares “mortos” em combate, liderado por Michael Ironside, surge na região com um misterioso plano de, aparentemente, derrubar o império do tal chefão das drogas numa subtrama quase paralela.

O personagem de Nolte é um dos policiais mais interessantes do cinema de ação oitentista, um sujeito com aquele tratamento humano característico de Walter Hill, ao mesmo tempo em que personifica o herói cinematográfico do velho oeste que não recua diante do perigo, não hesita em meter uma bala nos miolos de seu adversário, quem quer que seja…

Da mesma maneira, Boothe está excelente como vilão, completamente desagradável e vestindo sempre branco, contrastando com a poeira do deserto e fazendo alusão ao personagem de Warren Oates em TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA, de Sam Peckinpah. E para demonstrar o nível de insanidade maquiavélica do bandido (e do próprio Boothe), o sujeito surge em cena esmagando um escorpião vivo, de verdade, na mão! Vai ser macho assim na p@#$%&*!!!

 

Michael Ironside, com aquele olhar demente e expressivo não fica muito atrás neste que é um de seus melhores papéis, cheio de ambiguidade. O elenco sensacional se completa com William Forsyth, Rip Torn, o fortão Tommy “Tiny” Lister, Clancy Brown e Maria Conchita Alonso (a peça central de um triângulo amoroso que bota mais lenha na fogueira na situação entre o xerife e o traficante).

Além deste all star cast formado por badasses de alto calibre, algo que merece grande destaque são as sequências de ação. É claro que se estamos falando de um filme de Walter Hill, as cenas de ação serão sempre pontos altos! Duas delas, então, merecem bastante atenção. A primeira, numa espécie de posto de gasolina abandonado no deserto, com Nolte distribuindo bala, utilizando uma caminhonete como escudo, enquanto um grupo de meliantes pratica tiro ao alvo em nosso protagonista. Filmado e editado com a elegância e precisão de quem realmente sabe filmar tiroteios. A outra é o gran finale, que estabelece uma fascinante ligação com o tiroteio derradeiro de MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA, uma frenética e violenta sequência, com dieito à sangue espirrando em slow motion, que deixaria Peckinpah orgulhoso.

 

 

 

O belo título foi retirado de uma linha do roteiro que, primeiramente, apareceria em APOCALYPSE NOW, de Francis Ford Coppola, também escrito por Milius. Como a frase não foi utilizada, o roteirista acabou colocando no script deste aqui e aproveitou para intitular esse filmaço. No Brasil, atende pelo título de O LIMITE DA TRAIÇÃO e até onde eu sei, ainda não foi lançado em DVD por aqui.

Mais filmes do Walter Hill no blog:

O IMBATÍVEL (2002)
THE DRIVER (1978)
LUTADOR DE RUA (1975)

O DIA DO COBRA, Il Giorno del Cobra (1980)

Outro dia parei para assistir a mais um Castellari, diretor que eu venho tentando fazer uma peregrinação, mas tenho me saído toscamente, já que os textos do diretor têm pintado esporadicamente por aqui. Pretendo consertar isso, porque se tem um diretor que vale a pena conferir toda a filmografia, é esse italiano maluco que eu considero um dos pilares do cinema de ação pós anos 70. E antes de Sylvester Stallone encarnar o marcante personagem Marion Cobretti, o tira casca gossa conhecido como COBRA, no filme de George P. Cosmatos de 1986, Castellari já havia chegado na frente e dirigido O DIA DO COBRA, em que o ator Franco Nero interpreta um policial com o mesmo apelido do “garanhão italiano”.

É a sexta parceria entre ator e diretor e, de alguma maneira, começa a demonstrar sinais de desgastes. O DIA DO COBRA já não possui a mesma energia pulsante de um HIGH CRIME ou VINGADOR ANÔNIMO, belos exemplares que a dupla já havia cometido alguns anos antes. Aliás, algumas cenas, detalhes da trama e até enquadramentos são cópias descaradas de coisas que o diretor já havia feito nos filmes que citei. Sem contar que o excesso de diálogos torna a obra uma experiência enfadonha.

No entanto, Castellari (quase) sempre é Castellari e (quase) tudo que faz dá pra tirar algum proveito. Apesar de insosso, problemático e sem o capricho de outrora, O DIA DO COBRA não deixa de ser um sólido filme policial, com mais um grande desempenho de Franco Nero, trilha sonora bacana e algumas sequências interessantes, como aquela bizarra na qual Nero enfrenta um transexual que luta kung fu! A produção ainda conta com uma femme fatale de resPEITO, a voluptuosa Sybil Danning, que fornece alguma nudez bem vinda, embora filmada de longe, não dando pra ver quase nada… mas tudo bem.

Castellari e Nero deram um tempo na parceria depois deste aqui e só voltariam a trabalhar juntos nos anos 90, no western JONATHAN DEGLI ORSI. O DIA DO COBRA é um filme recomendável. Mas se quiserem algo de qualidade mais certeira, recomendo mesmo HIGH CRIME, O VINGADOR ANÔNIMO, IL GRANDE RACKET e LA VIA DELLA DROGA para apreciar o melhor da maestria de Castellari no delicioso gênero poliziottesco.

FÚRIA ASSASSINA, aka RAGE (1995)

Querem saber o que é ação na sua forma mais pura? Basta assistir a RAGE, um dos melhores filmes do britânico Gary Daniels! Realizado nos tempos áureos da saudosa PM Entertainment, quando as locadoras de vídeo de bairro eram abastecidas com esse tipo de material, RAGE era uma das fitas que nunca acumulavam poeiras nas prateleiras! Lembro de ter alugado algumas vezes na minha adolescência e de ter ficado embasbacado com a proposta do filme, completamente maluca, que consiste simplesmente em entregar ao espectador, que não tem tempo de respirar, algumas das sequências de ação mais alucinantes do cinema de baixo orçamento.

Dirigido pelo “mestre” Joseph Merhi, um dos cabeças da famigerada PM, a trama tem no máximo uns dez minutos para apresentar o personagem principal (Gary Daniels interpretando um professor de primário, impagável) e mostrar como foi sequestrado, levado para um laboratório secreto de algum órgão do governo e injetado um tipo de super-soro… Pois é, os elementos de sci-fi que a PM gosta de incrementar de vez em quando. Depois disso tudo, o sujeito foge, e aí, meu amigo, é ação do início ao fim, com direito a muita perseguição de veículos em alta velocidade, tiroteiros exagerados, pancadaria comendo solta e as habituais explosões amareladas da PM. O que um fã do gênero precisa para um final de domingo chuvoso? Ou você perde tempo com Faustão, Gugu ou BBB?

O roteiro de RAGE chega a ser subversivo! Está pouco se lixando para as regras de manuais de script, evita qualquer tipo de desenvolvimento de personagens ou de enredo, e só se preocupa mesmo em dar trabalho para o departamento de dublês, efeitos especiais pirotécnicos, etc, porque o que vemos na tela é basicamente um espetáculo demonstrando o que esses profissionais especializados no gênero eram capazes de proporcionar. A atuação de Gary Daniels, por exemplo, se resume a fazer expressões de poucos amigos enquanto dirige um caminhão em alta velocidade pelas estradas ou enquanto dá um chute na cara dos malfeitores. Nada mais.

A coisa fica ainda mais divertida quando paramos para analisar alguams dessas sequências de ação, como por exemplo a do helicóptero que rodeia o topo de um prédio, com um policial atirando constantemente, enquanto Daniels está pendurado, segurando-se apenas com os dedos na beirinha do arranha-céu… é ridículo, mas ao mesmo tempo fascinante! Fico imaginando como esses caras arquitetavam a coreografia das coisas… Bons tempos em que o herói do filme protagonizava uma cena como a do caminhão pela estrada, fugindo dos policiais, matando por acidente pessoas inocentes, destruindo tudo pela frente, e saindo ileso ao pular de cima da cabine no momento exato em que seu veículo se choca com um ônibus escolar. É uma visão e tanto… A ação final é tão frenética que chega a dar náuseas. Se passa num shopping onde ocorre troca de tiros e muita pancadaria, com direito à vidros estilhaçando e uma ceninha de luta dentro de uma locadora de vídeos com vários cartazes da PM.

É até impressionante como os realizadores encontraram uma maneira de fazer uma crítica ao jornalismo sensacionalista durante a cobertura dos incidentes que o nosso herói se mete, sempre deixando um rastro de morte e destruição. Sim, RAGE é tão divertido quanto parece e vai deixar você, que é fã desse tipo de tralha, com um sorrisão estampado na cara durante um bom tempo!

CILADA MORTÍFERA, aka Murder by Contract (1958)

É nessas horas que eu percebo que não é apenas de tralhas de ação casca grossa dos anos 80 e 90 que um sujeito consegue viver. É óbvio que nunca vou abandonar essas bagaças, sou viciado nessas belezinhas, mas preciso urgentemente dar mais atenção aos precussores do cinema badass (nesse post eu disse que faria isso e acabei não fazendo), cujos personagens eram tão truculentos quanto John Matrix e Matt Hunter juntos, como é o caso de Claude. Alguém conhece o Claude? Pois é, deveriam…

Trata-se de um dos assassinos profissionais mais interessantes que eu já vi. Na verdade, pouca gente se lembra ou assitiu MURDER BY CONTRACT, apesar do diretor Martin Scorsese sempre falar da sua admiração pelo filme, da importância que teve sobre sua obra e como o influênciou especialmente em MEAN STREETS e TAXI DRIVER. Eu mesmo nunca tinha prestado muita atenção até o amigo Marcelo Valletta me fazer uma baita propaganda e finalmente parei pra ver.

E é uma coisa espantosa! Com 80 minutos de duração, o filme é de uma simplicidade, de uma economia na direção, na decupagem que deveria fazer os cineastas atuais sentirem vergonha de pisar num set de cinema. Só os dez minutos inciais, que fazem a apresentação do protagonista, são uma verdadeira aula de sofisticação e economia. Em tempos de Michael Bay, o trabalho do diretor Irving Lerner dá prazer aos olhos.

Filmado em apenas sete dias, MURDER BY CONTRACT é sobre esse assassino implacável e eficiente, que segue a mesma linha dos famosos matadores de aluguel que conhecemos hoje, como Jef Costello (Alain Delon, de O SAMURAI), Arthur Bishop (Bronson em THE MECHANIC), Ghost Dog (Forrest Withaker, de GHOST DOG), etc e tal… homens metódicos, que vivem sob suas próprias regras de sobrevivência, arquitetando com precisão a morte de seus alvos, mal sabia eu que, na verdade, todos esses caras são “filhos” de Claude, vivido brilhantemente por Vince Edward.

The only type of killing that’s safe is when a Stranger kills a Stranger”. Claude sempre demonstra-se como um homem frio e sem emoções, nunca carrega uma arma e aproveita dos hábitos próprios de suas vítimas para saber o momento de agir. Na trama, a série de serviços bem feitos, assassinando sem remorsos os homens pelos quais foi pago para matar, vai por água abaixo no instante que descobre que seu próximo alvo é bem diferente do que está acostumado…

O final antológico e anticlimático pode desagradar o espectador mais urgente, esperando algo mais espetacular… mas é perfeito na minha opinião, condiz muito bem com o clima de film noir existencialista que subverte certas expectativas. É um filme inventivo e subestimado, realizado liberto das amarras dos grandes estúdios, utilizando locações reais, etc… Com uma trilha sonora cativante e inusitada, visual sempre interessante, ótimo desempenho do elenco, MURDER BY CONTRACT entra fácil numa lista de melhores filmes sobre assassinos sob contrato. Um verdadeiro achado.

FEMALE VAMPIRE (1973)

A abertura de FEMALE VAMPIRE é uma beleza! Lina Romay se revela através de uma densa bruma vestindo apenas uma capa preta, com os seios à mostra, vagando lentamente em direção ao público, hipnotizado pela sua formosura. A câmera do diretor Jess Franco aproveita para dar alguns dos seus zoons característicos, mostrando em planos detalhes os dotes íntimos e robustos da vestal que continua seu trajeto diretamente para a câmera até a imagem escurecer.

É uma bela homenagem do Franco à exuberância de sua atriz, esposa, musa inspiradora, Lina Romay, que faleceu recentemente, vítima de câncer, aos 58 anos… E aqui prestamos a nossa singela homenagem à ela, pelo amor e dedicação que sempre teve ao cinema extremo e por ter inspirado esse prolífico cineasta a fazer mais de 200 obras!

FEMALE VAMPIRE é um dos filmes ideais para homenageá-la, embora não seja um dos meus favoritos do Franco. Na verdade, trata-se uma dessas produções mais discretas do diretor, realizado com pouquíssimo recurso, talvez filmado em três dias no máximo, com várias cenas claramente improvisadas e sem foco (da câmera mesmo!), sem roteiro, sem sentido algum. No entanto, a presença de Romay é um espetáculo. Nunca a considerei uma grande atriz, tecnicamente falando, mas para uma beldade que se vestia apenas quando o roteiro pedisse e praticava felaccios não simulados para as câmeras do marido, o talento pode ficar em segundo plano, não tem problema… hehe! Ela era perfeita naquilo que fazia.

Se há uma trama para ser descrita aqui, seria algo parecido com isso: Lina Romay é uma vampira muda que ao invés de utilizar os convencionais caninos para perfurar o pescoço e chupar o sangue de suas vítimas, prefere fazer um sexo mortal, cujo orgasmo leva o parceiro(a) à morte. E o filme inteiro segue nessa linha, só na sacanagem e mais sacanagem. Mas tanta sacanagem também cansa e é muito comum o Franco perder totalmente a noção de ritmo. Por outro lado, é justamente nesse tipo de filme que Franco ia às favas com a lógica ou a opinião pública, aproveitava de sua liberdade criativa, botava seu lado safado pra funcionar e ainda criava praticamente do nada uma espécie de narrativa de sonho, cheio de imagens oníricas… Talvez não funcione para o espectador comum, mas o autêntico fã de Jess Franco é igual ao sujeito que adora comer jiló, ninguém convence de que aquilo é ruim de doer!

O filme possui três cortes diferentes com graus de erotismo que variam de um para o outro, todas editadas pelo próprio Franco, utilizando pseudônimos. Na versão que eu vi, conhecida como FEMALE VAMPIRE, não há sexo explícito, apesar de uma ceninha rápida na qual Romay se empolga e abocanha o pinto do ator que contracenava. Mas se querem ver a versão mais quente, se não estou enganado, o título é EROTIKILL. Há ainda uma versão que acredito ser mais branda cujo título é LES AVALEUSES.
Eu não como jiló, mas sou fã de Jess Franco e por mais que FEMALE VAMPIRE tenha seus problemas, é um belo conto erótico sobre vampirismo que cresce a cada revisão, graças, especialmente, ao brilho da musa Lina Romay. Requiescat in pace, bella…

O CAÇADOR DE TUBARÕES, aka Il cacciatore di squali (1979)

O máximo que O CAÇADOR DE TUBARÕES conseguiu fazer para me empolgar, foram algumas ceninhas filmadas sob a água, com dublês interagindo com tubarões e que certamente não foram filmadas pelo diretor da bagaça, Enzo G. Castellari. Na verdade, parecem tiradas de um documentário do Discovery Channel. De resto, o filme é uma monótona aventura de caça ao tesouro fazendo pose de filme de tubarão assassino, subgênero tão comum nos anos 70 após o sucesso de TUBARÃO, do Spielberg.

Nem a presença do ator Franco Nero ajuda a tirar o filme do buraco. O sujeito aqui é um americano que vive tranquilo numa praia paradisíaca em um país qualquer da América Central após perder sua família em um trágico acidente. Um pouco amargurado com isso, e com uma peruca loira ridícula, Nero passa seus dias capturando tubarões, comendo uma nativa, bebendo nos bares e trocando socos com arruaceiros… Um dia, o sujeito descobre um tesouro que foi parar no fundo do mar – no interior de um avião que caíra há algum tempo – e tenta retirar o dinheiro lá de dentro. Não demora muito, começam a aparecer umas figuras estranhas rondando o lugar, como o gangster do local, vivido por Eduardo Fajardo, e seus capangas, também em busca da grana.

Apenas uma desculpa para umas doses de tiroteios, explosões, pancadarias e uma longa perseguição que começa de carro, continua a pé e termina com Nero pilotando um avião atrás de seu alvo, tentando escapar numa lancha. Mas nada que lembre o Castellari de THE BIG RACKET ou INGLORIOUS BASTARDS, tudo filmado sem grandes inspirações e o esforço de inserir todos esses ingredientes apenas contribuem com a chatice que é O CAÇADOR DE TUBARÕES. Já disse que as cenas subaquáticas são interessantes, especialmente no final quando a sangreira rola solta e dá pra ver alguns membros decepados pelos ataques dos tubarões. E Franco Nero até tenta fazer um trabalho competente, embora fique difícil se levar a sério com a peruca! Hehe! Vale uma conferida, mas não esperem grandes coisas.

CHILLERAMA (2011)

A idéia de CHILLERAMA até que é boa: uma antologia que serve de homenagem ao universo drive-in, juntando quatro cineastas especializados em terror de orçamento médio da atualidade. O grupo de camaradas responsáveis pelo feito é formado por Adam Rifkin, Tim Sullivan, Joe Lynch e Adam Green.

A história central se passa na noite de encerramento de um cinema drive-in e o cronograma, comandado por Richard Riehle, é uma maratona de autênticos filmes “trash”. Adam Rifkin (o veterano da turma de diretores) é quem solta o primeiro, WADZILLA. É um troço no mínimo hilário, sobre um sujeito que goza um esperma mutante, que se transforma num monstro gigantesto e aterroriza a população de uma cidade, remetendo aos sci-fi’s de monstros dos anos 50. Com participação de Eric Roberts bem canastrão e efeitos especiais tosquíssimos, o episódio é, de longe, o que temos de mais divertido na “programação” de CHILLERAMA.

Já o segundo, puta merda, é chato pra cacete! Dirigido por Tim Sullivan (da refilmagem de 2001 MANÍACOS), I WAS A TEENAGE WEREBEAR mistura JUVENTUDE TRANSVIADA, de Nicholas Ray, com filmes de lobisomem, sob uma temática homossexual e narrado como um musical. Sim, parece interessante, mas não é. Desnecessariamente longo e sem graça, serve apenas como um bom sonífero. Se forem realmente conferir CHILLERAMA, podem passar a fita pra frente nessa parte…

O episódio seguinte ajuda a subir o nível do projeto novamente. Adam Green (da série HATCHET, que eu já comentei aqui no blog), embora tenha detratores, é um sujeito criativo e consegue tirar boas risadas do público com seu THE DIARY OF ANNE FRANKENSTEIN. A história se passa na Segunda Guerra, temos um Hitler bancando o cientista maluco que resolve dar vida a uma criatura cujo objetivo é matar judeus. O resultado é um Frankenstein bizarro com costeletas de judeu ortodoxo. Filmado em preto e branco e cheio de falhas técnicas intencionais, o alvo de Green são os clássicos de horror dos anos 30, mas com os exageros habituais do diretor. 

Voltamos agora à trama inicial do drive-in, cujo responsável pela direção é Joe Lynch (de WRONG TURN 2). Intitulado ZOM-B-MOVIE, o bicho pega por aqui também com um ataque de zumbis de sangue azul e tarados por sexo. Na verdade, descobrimos no desfecho que também se trata de um filme… Metalinguagem de boteco à parte, a sequência final dos ataques de zumbis é carregada de violência, nudez gratuita e muito efeitos especiais old school, o suficiente para alegrar os fãs de um zombie movie sem muita exigência. O problema são as cenas que intercalam cada “episódio”, são bem fracas e prejudicam o andamento do projeto CHILLERAMA, que, no fim das contas, obteve resultados bem abaixo do que eu esperava, apesar de ter Richard Riehle.

No entanto, um filme como CHILLERAMA hoje é programa obrigatório para qualquer aficcionado por tralhas. De todo modo, minha recomendação é assistir apenas a WADZILLA e THE DIARY OF ANNE FRANKENSTEIN. Economiza tempo e pelo menos garante a diversão. Ou então, assista a esta belezinha AQUI.

MATADOR DE ALUGUEL (Road House, 1989)

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Em homenagem ao Ben Gazzara, que partiu dessa para “melhor” há alguns dias, resolvi escolher um título especial no qual os leitores mais assíduos do blog e fãs de filmes de ação iriam curtir à beça, porque ROAD HOUSE (vamos esquecer o título nacional) é um dos exemplares mais interessantes do “cinema de macho” americano dos anos 80. Mais cedo ou mais tarde eu teria que escrever algumas linhas sobre essa obra-prima, mesmo que Gazzara, o vilão do filme, não tivesse falecido recentemente.

Dirigido pelo pouco conhecido Howdy Herrington, ROAD HOUSE é a síntese de todo um gênero em sua fase áurea, com cada elemento disposto de maneira bem definida. Em se tratando de cinema físico americano exacerbado dos anos 80, ROAD HOUSE possui méritos suficientes para se manter no mesmo nível de alguns exemplares sempre lembrados como paroxismos do gênero: DESEJO DE MATAR III, COMANDO PARA MATAR, INVASÃO USA, e alguns outros…

Mas para quem tem Charles Bronsom, Chuck Norris, Schwarzenegger, Stallone, fica obviamente mais fácil deixar a marca desejada. Essas figuras exalam truculência em qualquer produção que estivessem envolvidos naquela época. À princípio, para quem ainda não teve o prazer de ver ROAD HOUSE, aceitar Patrick Swayze como herói de ação é mais complicado. O cara era conhecido como o dançarino de DIRTY DANCING, depois ficou eternamente ligado ao fastasminha apaixonado de GHOST, e nunca lembrado como herói de ação.

Minha relação com ROAD HOUSE é estranha por causa disso. Assisti quando era pequeno, na TV, e depois de um tempo esqueci da sua existência. Quando me lembrei do filme, já na adolescência, tive preconceito porque não comprava a idéia de que Swayze realmente quebrava o pau em cima dos arruaceiros… Resumindo, acabei revendo CAÇADORES DE EMOÇÃO dezenas de vezes até me convencer a dar uma nova chance a ROAD HOUSE.

Isso só aconteceu de fato há poucos anos, mas fez um belo estrago na minha cabeça e de lá pra cá, devo ter revisto pelo menos umas cinco vezes. Só não consigo entender as razões do filme não me marcar na época que vi, como os filmes do Van Damme, Stallone e Seagal faziam… porque depois que se assiste a ROAD HOUSE você tem plena confiança de que Patrick Swayse é um durão de primeira linha. Um autêntico herói de faroeste ou um samurai com um tremendo senso de justiça que nasceu na época errada, quando esse tipo de sujeito perdera seu espaço para uma sociedade submissa e passiva como a que temos hoje. Swayze vai ser sempre assimilado a Dalton, seu personagem aqui, o leão-de-chácara mais casca grossa da história do cinema!

Ok, era pra ser uma homenagem ao Gazzara, mas acalmem-se. O Swayze também morreu e eu não fiz uma homenagem dessa pra ele. Então, antes tarde do que nunca… e se existe um motivo para ROAD HOUSE ser extraordinário, é por causa de Swayze e a maneira como o roteiro, escrito por David Lee Henry, desenvolve seu personagem e sua visão de mundo. Um misto de John Wayne com Bruce Lee, o sujeito tem sua carga de mistérios que vai se revelando aos poucos. É educado, formado em filosofia, praticante de Tai Chi, destemido, valente e puta merda, sabe socar os adversários quando é preciso. Possui um lado casca grossa em contraste com outro lado sensível, o paradgma exato do badass perfeito.

O filme também dá boas dicas para quem quiser seguir a profissão de Leão-de-chácara. Basta observar os mínimos detalhes da “cartilha” que Dalton segue à risca tanto no cotidiano quanto na hora de executar o trabalho prático. Por exemplo, o que fazer com seu carro quando vários baderneiros foram jogados pra fora do bar aos socos e chutes por você e não lhe restam outra opção que não seja furar o pneu ou quebrar os vidros do seu veículo como vingança? Não se preocupem, pois o filme ensina como se precaver. Prestem bastante atenção também à cena na qual Dalton explica as regras de como agir quando o bar “pega fogo”… “Be nice”. E ande sempre com sua ficha médica na mochila. “Economiza tempo”, como diria  Dalton. E você já está pronto para seguir carreira.

Um elemento que nunca envelhece em filmes como este, são as adoráveis brigas de bar. Como isso é habitual na profissão do nosso herói, não poderia faltar algumas por aqui. Quem não gosta de uma confusão comendo solta, garrafas voando, mesas quebrando e vidros estilhaçando em um local como esse? Steven Seagal que o diga! A trama, para quem não conhece, é a seguinte: Dalton é um lendário segurança profissional de bares, casas de show, boates, etc, contratado para transformar o Double Deuce num lugar frequentável e de respeito. A situação no local é desprezível, toda noite se transforma num verdadeiro caos. Algumas atitudes do protagonista para botar tudo em ordem acabam batendo de frente com o chefão da cidade, Brad Wesley – Ben Gazzara. Da mesma maneira que uma típica premissa de western.

Durante o percurso, Dalton ainda tem tempo para o amor e se apaixona por uma médica, interpretada pela Kelly Lynch, por quem Wesley também sofre de amores. Isso me faz lembrar de mais um elemento essencial que torna ROAD HOUSE tão especial… temos um protagonista fodão, pancadaria à rodo e… ah, sim! Peitos! Apesar de magrela, Lynch faz o favor de ficar bem à vontade em frente às câmeras em uma cena, mas podemos contar com diversos peitos aleatórios que vão surgindo de vez em quando. Minha cena preferida: o strip-tease de Julie Michaels.

Outro elemento básico para o sucesso de um bom filme truculento dos anos 80 são as frases de efeitos. E nota-se logo de cara que o departamento de diálogos não estava de brincadeira. Em uma cena, a médica questiona Dalton a razão dele não querer anestesia antes de lhe costurar um corte provocado por uma lâmina. “A dor não machuca”, ele responde. Caramba! É o tipo de frase que você pode carregar para sempre na sua vida, soltar no momento certo entre os amigos e estes vão pensar “putz, esse cara é cool”… ou vão apenas lembrar que você é um nerd que fica encaixando citações de filmes em situações forçadas.

O elenco de ROAD HOUSE também não é de se jogar fora. Além de Swayze, Lynch e Gazzara, temos Sam Elliott desempenhando um veterano leão-de-chácara, parceiro de Dalton de longa data, que chega em determinado momento para lhe dar uma ajuda. Elliott é desses atores subestimados cujo carisma faz com que toda a atenção seja voltada para ele, roubando cada minuto que aparece. O diretor aproveita muito dessa vantagem e o filme ganha uma força a mais com sua presença. Marshall R. Teague, muito antes de estrelar filmes do Isaac Florentine, faz o capanga de Wesley que também tem conhecimento de artes marciais, um páreo duro para Dalton. E Keith David faz uma ponta simpática.

Ben Gazzara já estava rodado, com 59 anos quando trabalhou em ROAD HOUSE. É óbvio que não teria a mínima chance num corpo a corpo com o jovem e atlético herói, mas idade não significa muito para quem tem os meios necessários para foder com a vida de quem quiser. Sua composição vilãnesca é brilhante, tem estilo e Gazzara parece se divertir bancando o bandido rico e excêntrico que desperta o temor dos pobres cidadãos.

É um personagem complexo, na verdade, e Gazzara consegue transmitir no olhar o prazer de ser mau sem apresentar motivos para ser. Na verdade, o sujeito vive numa bosta de cidadezinha que não tem porra nenhuma para fazer (a não ser ir ao Double Deuce), embora tenha tudo o que o dinheiro pode comprar, menos a doutora Kelly Lynch. É, acho que temos motivos suficientes para o cara ter tanta maldade no coração. A situação beira o surreal quando Wesley ordena que um de seus capangas entre com seu monster truck dentro da concessionária de automóveis porque o dono atrasou o pagamento das tarifas impostas pelo facínora.

E é curioso ver um grande ator do porte de Gazzara entrando na brincadeira das frases de efeitos. Na sequência final, por exemplo, quando Dalton se esconde na sala de “troféus de caça” dentro da mansão de Wesley, cheio de animais empalhados. Gazzarra adentra empunhando uma pistola e diz “I see you found my trophy room. The only thing missing is your ass.”!!!

E eu disse que o vilão não teria chance alguma na porrada com Dalton, mas isso não significa que ele não tenha ao menos tentado! Sim, Dalton dá uma coça em Wesley, assim como dá em um monte de gente. As sequências de luta são excelentes, muito convincentes, com a direção segura de Howdy. Swayze parece ter praticado bastante também, pois seus movimentos e golpes são fantásticos! Sam Elliot dá umas porradas, mas fica mais no gingado do boxe, enquanto Swayze e Teague demonstram muita habilidade na ação de suas performances. O confronto entre os dois é o ponto alto de ROAD HOUSE, até porque o diretor faz um belo trabalho de preparação. Cada encontro entre os personagens durante o filme é detalhado como uma operação cirúrgica, acentuando cada olhar e gesto. Quando chega a hora, o diretor não decepciona e entrega uma luta brutal, longa e com um desfecho graficamente violento.

O filme recebeu o título aqui no Brasil de MATADOR DE ALUGUEL. Não sei onde a criatura que teve a brilhante ideia de colocar esse nome estava com a cabeça, porque não existe nenhum “matador” na trama. Muito menos algum que fosse “alugado”. Já assisti ao filme umas cinco vezes e não consegui encontrar o tal matador de aluguel do título…

ROAD HOUSE teve uma continuação, lançada diretamente no mercado de vídeo, em 2006. ROAD HOUSE 2: LAST CALL. Eu não assisti ainda e, para ser sincero, não parece grandes coisas, apesar de ter uns coadjuvantes interessantes como Richard Norton, Jake Busey e Will Patton. E pelo que li no imdb, o protagonista é o filho de Dalton que se tornou policial e blá, blá, blá… Como eu me conheço, sei que sou masoquista, devo assistir a essa tralha qualquer hora dessas.

Mas o que eu queria mesmo é que o Swayze estivesse vivo para reprisar o papel de Dalton em uma nova “aventura”… Poderiam chamar o Darren Aronofsky para dirigir. Seria algo dramático como O LUTADOR, com o Mickey Rourke, misturado com o climão divertido de ROAD HOUSE original, com o velho Dalton precisando botar um bar infernal em ordem, ao mesmo tempo em que tem problemas de relacionamento com o filho e essas coisas clichês que a gente gosta…

Enfim, acho que era tudo que eu tinha para dizer sobre ROAD HOUSE. Deve ter sido o maior texto que já escrevi para o blog. Então, se alguém teve saco para ler até aqui, já me sinto recompensado. Vale a pena descascar, no bom sentido, um filmaço como este, especialmente para que curte filme de ação e pancadaria dos anos 80, apesar da estranheza inicial de ter Patrick Swayze como herói de ação. Mas faço um alerta para quem não assistiu e ainda está com o pé atrás: o filme é obrigatório e o sujeito arrebenta. Podem confiar!

OS INTOCÁVEIS, aka The Untouchables (1987)

Assisti a uns filmes bem legais esta semana para comentar aqui no blog, mas não tive tempo ainda para escrever. E não, ainda não vi outro Castellari, mas fiquem tranquilos que em breve eu posto mais do italiano. Hoje revi este filmaço do Brian De Palma e decidi arriscar algumas palavras. De Palma é um dos meus diretores americanos preferidos ainda em atividade e é sempre interessante dissertar sobre seus filmes – se é que o sujeito ainda está realmente em atividade, só acredito nisso quando PASSION, seu próximo filme anunciado, estiver em fase de pós produção.

Enquanto isso, ficamos com as maravilhas que já realizou durante a carreira, como é o caso de OS INTOCÁVEIS, sobre o incorruptível agente do Tesouro, Eliot Ness, que trava uma batalha contra o execrável gangster Al Capone durante a Lei Seca americana e blá, blá, blá…

O enredo é bastante conhecido por todo mundo e já foi diversas vezes explorado em filmes e séries, mas não significa que tenha deixado de ser interessante. Além do belo roteiro, escrito por David Mamet, a grande proeza de OS INTOCÁVEIS está na eloquente e estilosa direção de De Palma, além da colaboração de alguns monstros da atuação, como Robert De Niro e Sean Connery e os jovens Kevin Costner, Andy Garcia e até Billy Drago. Trilha sonora marcante de Ennio Morricone, impecável direção de arte e fotografia, não poderia sair nada menos que um autêntico clássico daqui!

O Capone de Robert De Niro é algo simplesmente extraordinário. Bons tempos quando o ator podia fazer apenas umas cinco ou seis aparições num filme e ainda assim surpreender a cada cena. O sujeito leu todas as biografias de Capone, viu todos os filmes sobre o cara e conferiu ainda documentários da época para compor o personagem.

O resultado está na tela em cada gesto, cada olhar, cada sorriso, já vi esse filme umas quinze vezes e toda vez fico espantado com o desempenho do De Niro. Ao mesmo tempo que inspira simpatia, fazendo seus “capachos” rirem com suas piadas, o sujeito é totalmente brutal, como na impactante cena da explosão de ódio com um taco de baseboll na mão. Deve ser o Capone definitvo do cinema, não?

O fato é que Capone é um total contraponto do bem absoluto personificado no Eliot Ness de Kevin Costner, que não é ator que guardo muita admiração, mas até que se sai bem como o herói bonzinho. Já o velho Sean Connery é outro nível e mereceu o seu Oscar de coadjuvante pelo seu trabalho impecável em OS INTOCÁVEIS.

O sujeito faz o papel de Jim Malone, um correto guarda de rua prestes a se aposentar e por isso, a princípio, não aceita fazer parte do grupo. Mas depois se encarrega de fazer o “trabalho sujo” e ações mais violentas contra Capone. “Ele puxa uma faca, você saca o revólver. Ele manda um dos seus para o hospital, você manda um deles para o necrotério. Essa é a Lei de Chicago”. Uma aula de interpretação.

Malone ajuda Ness a escolher a dedo um cadete, que ainda não foi comprado por Capone, e entra em cena um jovem Andy Garcia. O quarto Intocável é o desajeitado, mas decidido, fiscal de rendas, vivido por Charles Martin Smith, que não hesita quando Malone lhe oferece uma escopeta para entrar em ação.

 

E o que não poderia faltar em OS INTOCÁVEIS são boas sequências de tiroteios em que o quarteto se envolve, estraçalhando os inimigos com chumbo grosso, como na parte que se passa na fronteira com o Canadá, quando interceptam um carregamento de bebidas. A dose de violência também não vai deixar na mão os amantes de uma sangreira, como o assassinato no elevador. Noutra cena, logo no início, De Palma explode uma garotinha segurando uma bomba numa maleta… se fosse filmado hoje, nesta “maravilha” de mundo politicamente correto que vivemos, o filme teria vários problemas… Temos até Brian De Palma brincando de Dario Argento, com o ponto de vista subjetivo na cena do meliante que tenta entrar na casa de Malone. Um puta trabalho de câmera!

Mas o ponto máximo de OS INTOCÁVEIS foi a cena da escadaria da Union Station, um misto de suspense e ação de cortar a respiração. Ness tenta capturar uma testemunha chave para o julgamento de Capone. O cerco armado. Uma mulher que acaba de chegar de viagem aparece com um carrinho de bebê e, com muita dificuldade, resolve subir a escadaria enquanto o local vai se enchendo de figuras ameaçadoras. Basta esses simples elementos em jogo para que De Palma bote para arregaçar num tiroteio desenfreado, cuidadosamente esculpido e editado, para servir tanto de atrativo para o público, demonstrando as façanhas dos Intocávais, quanto homenagem à uma das cenas mais famosas do cinema mudo, o massacre na escadaria do filme russo O ENCOURAÇADO DE POTENKIM, de Sergei Eisenstein.

Numa época em que eu não fazia idéia de quem era Brian De Palma, lá pelos meus dez anos, no início dos anos 90, tive contato com OS INTOCÁVEIS enquanto passava numa madrugada no Corujão da Globo e como não era sempre que eu podia dormir tão tarde, gravei em VHS. Aquela fita ficou até gasta de tantas vezes que passava no velho vídeo cassete quatro cabeças do meu velho. O filme não é nem o meu favorito do De Palma, mas acabo tendo uma ligação bem maior por conta da nostalgia, por ser um dos vários exemplares responsáveis por me fazer amar tanto o cinema.

IN THE NAME OF THE KING 2: TWO WORLDS (2011)

Como eu havia prometido, aqui está a continuação do épico de fantasia de Uwe Boll, EM NOME DO REI 2, estrelado pelo Dolph Lundgren. O filme pode ser BAIXADO facilmente e já possui legendas em português. É só fazer uma pesquisa no google que vocês encontram fácil. E estou dizendo isso, incentivando o download, como forma de protesto contra essa babaquice de SOPA e PIPA que tem gerado discussões já faz um tempo, mas que explodiu de vez essa semana, por causa do fechamento do site Megaupload. Pau no c#$% de produtoras e senadores americanos que vem com essas idéias de jerico para acabar com a pirataria.

Mas enfim, os Anonymous já botaram o terror, por enquanto. Então vamos aproveitar e falar de coisa boa… er, nem tão boa assim, na verdade, porque diferente do primeiro filme, EM NOME DO REI 2 é bem fraco, apesar do Dolph como protagonista. Ele interpreta Granger, um policial, instrutor de artes marciais dos dias atuais, que é levado ao passado para cumprir uma profecia daqueles tempos. Seu objetivo é matar uma necromancer que lidera um exército que coloca em risco o trono do Rei, vivido por Lochlyn Munro.

E tanto personagem quanto ator parecem reagir da mesma forma diante do absurdo. Granger aceita com extrema facilidade o fato de ter viajado séculos no passado, bem longe de sua “casa”, sem saber se conseguirá retornar, fazendo piadinhas, aceitando na boa uma missão perigosa, enquanto o próprio Dolph Lundgren não parece se importar muito com o fato de estar nessa produção meia boca, com um orçamento bem abaixo que o do primeiro filme, que possuia um grande elenco de nomes conhecidos, boa produção, efeitos especiais convincentes…

E é exatamente pelo Dolph que EM NOME DO REI 2 vale ao menos uma espiada. O sujeito está engraçadíssimo, parece ter se divertido muito com as filmagens, deixado o filme com uma leveza, ao mesmo tempo, ele consegue ser badass, chutando bundas de cavaleiros de armadura, escudo e espada. Uwe Boll deve ter percebido isso e se aproveita muito do carisma e da força que o ator sueco transmite na tela. Tanto que a trama nem importa tanto. O filme é curto e a todo instante Boll joga o personagem em situações de ação.

E embora não sejam tão reconhecíveis assim, alguns integrantes do elenco mandam bem, na medida do possível, como Munro encarnando o Rei e a gata Natassia Malthe, do péssimo BLOODRAYNE 2, também do Boll. Além disso, temos um dragão em CGI que, como disse meu amigo Osvaldo Neto, parece trazido de um filme da The Asylum!

Não estou querendo empurrar pra ninguém que EM NOME DO REI 2 é uma maravilha do cinema moderno, pois não é mesmo, mas eu achei bem divertido. Se você é desses fãs ferrenhos que não deixa escapar nenhum filme do Dolph Lundgren, ou já é expert em curtir umas tralhas, então acho que vale a pena uma conferida.

MALIBU EXPRESS (1985)

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Uma boa maneira de se iniciar no cinema de Andy Sidaris é conferir, antes de qualquer coisa, MALIBU EXPRESS. Não tem erro! É o primeiro trabalho do sujeito que contém a sua assinatura, com todos os elementos característicos que fizeram-no ganhar, er… “notoriedade”, digamos assim. Entre aspas mesmo. É que Sidaris não chegou nem perto de ter alguma notoriedade no mundo do cinema. Apenas os fãs mais ferrenhos de tralhas classe B ainda lembram o seu nome quando vão citar os diretores de filmes B prediletos.

Uma injustiça, por sinal. Basta observar os tais “elementos característicos” para perceber que Sidaris, na verdade, é um dos diretores mais importantes da história. Se esta arte, que chamamos de cinema, não foi criada para mostrar mulheres com peitos de fora atirando com metralhadoras freneticamente, então eu não sei pra que foi… E nisso, Sidaris era um genuino mestre!

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Diretor de séries esportivas nos anos 70, Sidaris só foi arriscar em longas apenas duas vezes naquela década, com STACEY (73) e SEVEN (79), filmecos de ação com algumas gostosas de brinde, que serviram de ensaio para o que viria a fazer em MALIBU EXPRESS. Este seu terceiro longa impulsionou a carreira de Sidaris, que se especializou no peculiar estilo soft-core de ação. Todos os seus trabalhos seguintes são narrados como tramas criminais (com boa dose de humor) recheados de explosões, tiros, e mulheres de topless! Apesar do seu conteúdo e da vulgaridade da violência e do sexo, o cinema de Sidaris, por incrível que pareça, é muito inocente, sincero e possui estilo próprio… Você bate o olho e sabe que está vendo uma produção do Sidaris.

Há algumas semanas, postei aqui, todo orgulhoso, por ter adquirido o box contendo 12 filmes do diretor e prometi que comentaria cada um à medida que fosse assistindo. Comecei, então, pela revisão de MALIBU EXPRESS, um dos meus favoritos do diretor. A trama é uma bagunça deliciosa e apresenta o detetive particular decadente Cody Abilene, típico herói oitentista, bigodudo, fã de Dirty Harry, que mora num barco… o único problema é que é péssimo atirador. Ele é contratado pela Condessa Luciana (a musa Sybil Danning) para investigar a morte de seu marido e, para isso, precisa se infiltrar na mansão de Lady Lilian Chamberlain, pois os possíveis suspeitos se encontram todos no local. Só que o sujeito acaba, sem querer, descobrindo um complexo caso de conspiração internacional envolvendo espiões russos.

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A grande variedade de suspeitos inclui figuras interessantes que vão surgindo ao longo do filme, aumentando ainda mais a confusão narrativa, mas sem tirar o interesse do espectador, já que a maioria são belos exemplares do sexo feminino que não se acanha em tirar a blusa logo que surge em cena. Mas há também outros casos como o travesti, o motorista garanhão cheio de músculo, o trio de vilões que fica sempre na cola do nosso herói. Ao longo da trama, Cody recebe ajuda de mais algumas garotas, que também não demoram muito para mostrar os peitões, como a policial Beverly (Lori Sutton) e a corredora de carros Khnockers (Lynda Wiesmeier). Sem contar a constante aparição de uma família de caipiras querendo bater um racha com Cody…

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É tanta coisa acontecendo, um turbilhão de situações, peitos, ação, que em determinado momento eu já não fazia idéia o que Cody estava investigando. É claro que se você vai assistir a um exemplar de Andy Sidaris esperando acompanhar cada detalhe do enredo, vai perceber que escolheu o filme errado! O negócio é relaxar e se divertir com toda a zombaria. E Sidaris não decepciona o seu público, principalmente quando se trata de mulheres sem roupa. Não passa 5 minutos sem um peito balançando na tela.

Há uma cena no meio do deserto, num local cheio de carros usados cuja proprietária aparece apenas para tirar a blusa assim que Cody aparece lhe pedindo um carro pra fugir. Não satisfeito, Sidaris ainda cria mais mais situações e personagens apenas para encher a tela com mais peitos, como as duas ninfetas taradas que vivem no barco vizinho ao do protagonista, a telefonista que sempre põe o peito pra fora pra conversar com Cody.. Ih, são tantas… Mas claro, não podia faltar Sybil Danning, no auge da formosura, beirando os quarenta, não fazendo feio diante das mocinhas, apesar da participação pequena.

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Bom, se por um acaso eu ainda não consegui convencê-los de assistir a esta belezinha com meu texto, acho que as imagens que coloquei devem dar conta do recado! Boa sessão.

O DEFENSOR, aka The Defender (2004)

O DEFENSOR possui um papel de extrema importância para a carreira de Dolph Lundgren, pois trata-se de sua estréia atrás das câmeras, assumindo a função de diretor. Pode não ser um dos melhores exemplares da filmografia do sueco, mas até que é uma agradável surpresa e demonstra que, ao longo do tempo, trabalhando com vários diretores do calibre de Mark L. Lester, Vic Armstrong, Anthony Hickox, Ted Kotcheff e outros, o sujeito conseguiu aprender o suficiente para não arruinar seu primeiro trabalho de direção.

 Dolph interpreta o líder de uma equipe de seguranças do governo e tem a missão de proteger a Conselheira de Segurança americana em uma misteriosa reunião em um hotel na Romênia. É claro que as coisas dão erradas e rapidamente o local se transforma numa zona de guerra e a equipe de Dolph fica encurralada no Hotel cercado de sodados de elite que querem vê-los mortos a qualquer custo.

Tudo faz parte de uma conspiração internacional para derrubar o presidente dos Estados Unidos, vivido por ninguém menos que o apresentador sensacionalista Jerry Springer, uma espécie de Marcia Goldsmith da televisão americana. Mas os detalhes da premissa não estão entre as maiores preocupações do diretor estreante, o roteiro é um fiapo e serve apenas como desculpa para preencher o filme inteiro com um montão de cenas de tiroteios, pancadaria e explosões. O resultado é um exercício de ação divertido. É bem clichezão e previsível também, mas para quem é fã do Dolph não deixa de ser um bom passatempo vê-lo aprontando as suas como action heroe e, claro, como diretor também.

Lundgren se aprimorou bastante com o passar do tempo. Ainda não vi todos os filme que dirigiu, mas o último, THE KILLING MACHINE aka ICARUS, é um belíssimo exemplar de ação do ciclo atual feito direto para o mercado de vídeo. Mas em O DEFENSOR o sujeito já consegue demonstrar uma certa segurança. Na verdade, seu trabalho aqui é bem melhor que uma porção de pretensos cineastas que tentam fazer ação nos nossos dias, inclusive alguns que tem à disposição milhões de dólares para torrar em produções medíocres, cheia de efeitos especiais de CGI e um elenco de estrelinhas hollywoodianas. Não troco um pequeno filme de ação do velho Dolph por nenhuma dessas mega produções.

Dolph está cheio de projetos ainda para este ano, mas o seu próximo trabalho como diretor se chama SKIN TRADE e parece interessante… Vamos aguardar. 

O ELIMINADOR, aka Hidden Agenda (2001)

Mais um trabalho do Dolph por aqui. Espero que não se importem… E infelizmente, mais um bem fraco. Mas, diferente de AGENTE VERMELHO – assunto do último post, que conseguiu garantir boas risadas apesar dos problemas – O ELIMINADOR é indiscutivelmente ruim e não tem graça alguma. Misteriosamente, o filme possui bastante comentários positivos na rede, algo que me surpreendeu. Ou eu sou burro pra cacete ou tem algo errado com essas pessoas. Mas vamos à trama:

Dolph interpreta um ex-agente especial do governo que criou um programa de proteção à testemunha altamente secreto e seguro. É um sujeito refinado, dono de um restaurante (que serve de fachada) lembrando um pouco ROCKY 6, com o personagem todo amigão indo às mesas bater papo com os clientes. O problema começa quando um assassino profissional, conhecido apenas como “o eliminador”, é o provável responsável por mandar os “protegidos” de Dolph comer capim pela raíz. E o que poderia iniciar a partir daí como um ótimo filme de ação, se transforma numa confusão narrativa de dar pena!

A premissa até que é interessante e poderia render um bom thriller nas mãos de roteiristas menos pretensiosos e um diretor mais competente, que soubesse filmar ação. O ELIMINADOR tenta ser daqueles filmes de conspiração inteligente e hermético, sem ter substância sufiente pra tanto. A trama é simples, mas tratada com uma complexidade narrativa que eu mesmo não fazia idéia do que estava acontecendo em alguns momentos. Fora a quantidade de personagens sem propósito algum para a história que vão surgindo a todo instante, reviravoltas metidas à espertinhas e que vão inchando o filme… e o saco do espectador. Por isso a minha surpresa com o povo elogiando a obra e até mesmo a suposta inteligência do roteiro.

As sequências de ação também não ajudam muito. Apesar de não ser o foco de O ELIMINADOR, as poucas que temos não empolgam, são filmadas sem muita inspiração pelo diretor Marc S. Grenier. A única cena que realmente acontece uma troca de tiros é a do final, dolorosamente chata e clichezona. Dolph protagoniza algumas lutinhas rápidas que são bacanas e é claro que o fator Dolph Lundgren é a única coisa que presta, fazendo uma persona diferente do seu habitual, mas ainda é muito pouco.

No fim das contas, é apenas uma tentativa frustrada do velho Dolph de fazer um thriller sério que, infelizmente, acabou parando nas mãos dos realizadores errados.

AGENTE VERMELHO, aka Agent Red (2000)

Fim das férias! Veremos se vou conseguir manter a mesma frequência de atualizações… até porque ainda tenho alguns Dolph’s para comentar. E por enquanto estava fácil, os três últimos filmes do sueco que comentei aqui recentemente são filmaços de primeira linha, ótimos veículos para o ator demonstrar seu potencial como action heroe. Mas com uma filmografia com mais de quarenta trabalhos, é óbvio aparecer uns exemplares bem fraquinhos… AGENTE VERMELHO, por exemplo.

Mas fiquem calmos, nem tudo está perdido! O filme é de uma imbecilidade que, de tão ruim, pode soar engraçado e divertido para aquele espectador específico e vacinado, que sabe relevar os equívocos da fita e entrar no clima desta bobagem sem noção. O que vocês precisam saber inicialmente é que algo deu muito errado durante as filmagens com o diretor Damian Lee. Quando o filme ficou pronto, o produtor Andrew Stevens disse que nunca tinha visto algo tão horrível na vida! Lee acabou demitido e foi substituido pelos salvadores da pátria, Jim Wynorski e o roteirista Steve Latshaw (entrevista com este último sobre o ocorrido logo abaixo). Com apenas três dias para tentar consertar o estrago, Wynorski refilmou mais de 40 minutos de projeção e mudou até a trama do filme. Para quem já viu o documentário POPATOPOLIS, sabe do que o homem é capaz.

Além disso, Jim é conhecido como o rei do stock footage. Ao invés de pegar uma câmera, juntar uma equipe técnica, figurantes, transportar tupo para locação ou estúdio, etc, ele simplesmente “rouba” cenas de outros filmes e insere onde precisa. Tudo de forma legalizada…

Para AGENTE VERMELHO foram utilizadas cenas de COUNTER MEASURES, de Fred Olen Ray, CONTAGEM REGRESSIVA, de Stephen Hopkins (com Tommy Lee Jones e Jeff Bridges), PROJETO SOLO, com o Mario Van Peebles, STORM CATCHER, do Anthony Hickox (que também tem o Dolph como protagonista), SUBMARINO NUCLEAR, de um tal de David Douglas, e, principalmente, MARÉ VERMELHA, do Tony Scott, com Gene Hackman e Denzel Washington. O resultado disso tudo é, no mínimo, engraçado, e a diversão reside justamente em tentar descobrir as cenas dos filmes que foram utilizadas. Um barato! Às favas com a trama, com o que está acontecendo, com atuações ruins, os diálogos risíveis e a direção péssima… eu quero saber de que filme veio a explosão de um helicóptero!

Há uma cena em que um sujeito pergunta ao personagem de Dolph se ele já ouviu falar do “agente vermelho”, um vírus utilizado pelos bandidos do filme para um ataque terrorista, e Dolph responde: “Parece título de um filme ruim”… Dolph é esperto, sabia muito bem onde estava pisando. Se tem algo que é preciso elogiar em AGENTE VERMELHO é a presença carismática deste ator, que parece estar pouco se lixando para a bomba que se meteu, e se diverte encenando umas lutinhas e tiroteios mal dirigidos, soltando umas frases constrangedoras.

Nem vou gastar muito falando da trama, porque é o que menos importa, mas se alguém ainda estiver interessado, trata-se de um rip-off de A FORÇA EM ALERTA, que se passa num submarino tomado por terroristas, mas com a impressão de ter sido dirigido pelo Ed Wood.

Para finalizar, AGENTE VERMELHO ainda conta com várias figuras fazendo pequenas participações durante o filme, colaboradores de Wynorski que devem ter aparecido pra ajudar o diretor durante os seus três dias de filmagens, como Peter Spellos, Melissa Brasselle, Lenny Juliano e outros… Bem, nem essa turma conseguiu salvar o filme, que é um autêntico lixo cinematográfico. Mas eu me diverti à beça assistindo, ri pra caramba apesar de tudo. Então, se decidir assistir, vá por sua conta e risco e não me culpe pela decepção. Estão avisados!

ENTREVISTA COM O ROTEIRISTA STEVE LATSHAW SOBRE AGENTE VERMELHO
Fonte: Ziggy’s Video Realm

Ziggy: How did you become involved with Agent Red?
Steve Latshaw: In 1998, I was approached by Andrew Stevens to rewrite my script Counter Measures as a Dolph Lundgren film. Some months later, I discovered they had instead hired Damian Lee to do the job (and also direct). I thought nothing more about it. A year and a half later, Andrew came back to me and said the film was in serious trouble.

Ziggy: After the film was initially completed, what happened next?
Steve Latshaw: I suspect there was much hand-wringing, recrimination, and general fear and loathing.

Ziggy: How much of the original filmed material was scrapped?
Steve Latshaw: About 40 minutes.

Ziggy: How much of an improvement would you say the final result was compared to the original product, and in what ways?
Steve Latshaw: 100%. In our version it at least plays as a movie, has action, pacing, and makes sense. (Within its own terribly unique framework.)

Ziggy: Even in its “refined” state, you yourself have mentioned that Agent Red is not really “any good”, and the film has since gained a reputation as one of the most horrible action movies in recent years. Do you have any thoughts about the movie’s reputation?
Steve Latshaw: As my name is not on it, I am the picture of indifference. At the end of the day, these are just movies. I dare say it plays better after a few drinks.

THE SHOOTER, aka Hidden Assassin (1995)

Para a “crítica séria”, Ted Kotcheff pode ter perdido o rumo em algum ponto de sua carreira após apontar como cineasta promissor nos anos 60 e 70, tendo realizado a obra prima PELOS CAMINHOS DO INFERNO. Nos anos 80, deu uma sacudida no cinema de ação com o primeiro RAMBO, que destoa totalmente do que o personagem virou nos filmes seguintes. Ainda pretendo escrever sobre a série, mas RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR é um marco no gênero. Gosto bastante das continuações como filmes de ação apenas. Já o primeiro possui envergadura crítica e é sensacional como exemplar do gênero.

Enfim, o último filme feito pra cinema dirigido pelo Kotcheff é este THE SHOOTER, pequena produção protagonizada pelo Dolph Lundgren… como disse no início do texto, para a “crítica séria”, isso aqui é como o fundo do poço para um diretor do calibre do sujeito. Mas para nós, fãs ardorosos do “inocente” cinema de ação de baixo orçamento, um filme do Dolph dirigido por um mestre é como um bife bem suculento acompanhado de uma montanha de batatinhas fritas: não tem como ser ruim!

Escrito por três roteiristas meia bocas, a trama de THE SHOOTER é simples, mas eficaz como thriller um pouco mais sério do que o Dolph costuma fazer. Após o assassinato de um embaixador cubano em território americano, o agente Michael Dane (Dolph) é enviado à Praga com a missão de capturar o principal suspeito pelo ocorrido. Trata-se de uma assassina profissional chamada Simone Rosset, vivido pela belezinha Maruschka Detmers – também lembrada pelo boquete explícito em DIAVOLO IN CORPO, de Marco Bellochio.

O problema é que há muito tempo Rosset não atua como assassina, levando uma vida pacata, cuidando de seu restaurante ao lado de sua companheira. E Dane passa a duvidar que ela tenha realmente agido. E quanto mais o herói cava fundo nas investigações, mais ele se vê submerso numa teia de conspiração extremamente perigosa. Nada muito elaborado como um MISSÃO: IMPOSSÍVEL, do Brian de Palma, que possui orçamento alto e elenco de primeira classe, mas para um B movie de ação, até que a trama surpreende com suas reviravoltas.

O que não é surpresa são as sequências de ação dirigidas por Kotcheff, filmadas com elegancia e sem exageros, na dose certa para um thriller como este, onde o foco não é exatamente as cenas de ação. Mas não deixa de ter momentos onde Dolph encarna o herói brucutu oitentista com uma camisa branca coberta de sangue, como na sequência final em um palácio em Praga. Aliás, a cidade é um excelente cenário, com uma variedade de locações propícias para o tipo de filme que temos aqui. Na verdade, Paris era a primeira escolha, mas as taxas de impostos para a produção na República Tcheca é bem mais em conta.

No entanto, isso não impede de haver uma sequência ótima de perseguição de carros em alta velocidade pelas ruas apertadas que é de tirar o fôlego. Há outra, à pé desta vez, que inicia numa estação e vai parar sobre um trem em movimento; temos Dolph empoleirado no parapeito de um edifício para acertar um atirador de elite posicionado em outro prédio, numa sequência tensa; um tiroteio explosivo quando Dolph resgata a mocinha prestes a ser executada à sangue frio e por aí vai… para um filme mais focado na trama, THE SHOOTER tem ação pra cacete!

Dolph Lundgren, com cabelinho na moda, está ótimo e possui muita química com Maruschka, que por sua vez também tem uma curiosa ligação com sua sócia, levantando a questão da preferência sexual da personagem, algo que torna o desenvolvimento da relação entra ela e Dolph muito mais interessante. Completando o elenco, temos Gavan O’Herlihy e John Ashton.

Graças a competente direção do veterano Ted Kotcheff e uma trama instigante, THE SHOOTER tem seu lugar garantido entre os melhores veículos de ação de Dolph Lundgren nos anos 90. Foi curiosamente lançado aqui no Brasil com o título de DESAFIO FINAL, provavelmente representando o que foi para o velho de guerra, Ted Kotcheff, realizar este seu último trabalho feito pra cinema…

THE INGLORIOUS BASTARDS, aka Quel Maledeto Treno Blindato (1978)

Para quem queria mais Castellari no blog, chegou a hora de THE INGLORIOUS BASTARDS! Não faz muitos anos que assisti pela primeira vez. Na verdade, foi logo quando Tarantino começou a possível “refilmagem” deste exemplar italiano e para não ficar pra trás acabei conferindo de uma vez. Na época, até comentei em poucas palavras por aqui. BASTARDOS INGLÓRIOS, do Tarantino, acabou não sendo refilmagem de nada, resultou em algo totalmente diferente (como era de se esperar), uma homenagem aos filmes de guerra, da mesma forma que BASTARDS já era, naquela época, um belo retorno aos filmes americanos do gênero, embora muito bem acompanhado ao estilo engajado de Enzo G. Castellari de filmar ação. Revi esses dias para poder comentar novamente essa maravilha e dar continuidade à peregrinação pelo cinema do diretor.

A trama é ambientada na França ocupada pelos nazistas em plena Segunda Guerra Mundial. Um grupo de soldados aliados, todos eles presos por crimes em serviço, precisam ser transportados para prestarem contas à corte marcial, mas durante o trajeto, o comboio é atacado e cinco condenados conseguem escapar. O filme é sobre a jornada desses desertores, os tais bastardos sem glória, tentando chegar à Suíça, atravessando um território cheio de nazistas, até se meterem sem querer numa missão altamente secreta cujo objetivo é sabotar um trem fortemente protegido. Uma aventura e tanto, especialmente nas mãos de um diretor cujo nome é sinônimo de ação.

E é exatamente a isso que BASTARDS se resume: rápidas sequências de ação, uma atrás da outra, sem muita enrolação, até chegar ao final explosivo no qual Castellari demonstra mais uma vez porque está entre os grandes mestres do gênero. Há uma abundância de tiroteios, explosões, situações de tensão, belo trabalho de dublês, centenas de corpos alvejados em grande estilo e em câmera lenta, lembrando outro certo diretor que fazia miséria com slow motion em cenas de ação: Sam Peckinpah. Mas a influência do diretor americano já é notória e eu já comentei aqui diversas vezes. E se o orçamento não permite explodir um trem de verdade, que explodam uma maquete e um trem em miniatura… o efeito é tosco, mas dá aquele charme estimulante que só o cinema classe B old school conseguia proporcionar.

Além disso, apesar de ir direto ao ponto no quesito ação, Castellari é inteligente o bastante para arranjar tempo para desenvolver cada um de seus persoangens, uma característica importante e comumente ignorado em filmes de guerra com vários personagens. E se no elenco não temos um Lee Marvin ou Charles Bronson, como em OS DOZE CONDENADOS – uma das principais influências de BASTARDS – ao menos conta com atores do calibre de Bo Svenson, Fred Williamson, Michael Pergolani, Raimund Harmstorf, Ian Bannen, etc, e pequenas participações de Joshua Sinclair e Donald O’Brien, que rouba a cena como um oficial nazista. Não é um elenco de se jogar fora e todos parecem se divertir enquanto brincam de fazer cinema.

 

Meu personagem favorito é o de Fred Williamson, apesar de adorar o Bo Svenson. Eu sempre me pego rindo da cena da cachoeira, onde várias alemãs tomam banho beeeem à vontade. Como os heróis estão disfarçados de nazistas, eles resolvem “chegar junto” e pulam na água pra “brincar” com as alemãs sapecas. O problema é que Williamson tem a pele um “pouco” mais escura que seus companheiros e logo elas percebem que se tratam de americanos e, assustadas, começam a atirar com metralhadoras totalmente nuas! Momento impagável deste maravilhoso clássico! Sem dúvida, um dos meus favoritos do Castellari.

Eu só não entendo até agora porque essa belezinha não foi lançada em DVD por aqui. Deveria sair com uma edição caprichada! Eu seria o primeiro da fila pra comprar. No Brasil, foi lançado na época do VHS, com o título de ASSALTO AO TREM BLINDADO.