A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO (It Came from Outer Space, 1953)

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No mesmo DVD de ELES VIVEM, na caixa da Versátil Clássicos Sci-Fi Vol.1, temos o seminal A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO, do Jack Arnold. Não que o filme seja de fato o primeiro filme de ficção científica a explorar o tema dos alienígenas bonzinhos ameaçados pela ignorância e hostilidade natural dos seres humanos, mas meio que contribuiu para estabelecer um padrão no período para outros filmes posteriores, com uma magnifica história criada por um ícone da literatura sci-fi, Ray Bradbury, dirigido com mão firme e criatividade pelo grande Jack Arnold e muita personalidade para trabalhar os elementos visuais e efeitos especiais com os recursos da época.

Richard Carlson (de O MONSTRO DA LAGOA NEGRA) interpreta John Putnam, um astrônomo e escritor que vive na pequena cidade de Sand Rock, Arizona. Numa noite qualquer, ao invés de fazer umas bobiças com sua namoradinha, Ellen (Barbara Rush), o casal prefere ficar olhando as estrelas num telescópio, o que pra ele deve ser bem mais excitante. Mas acaba testemunhando uma bola de fogo que cruza os céus e bate com tudo em um ponto qualquer nas redondezas. Provavelmente um asteroide dos grandes, já que o impacto causa uma explosão no deserto. Putnam não se aguenta de curiosidade e vai até o ponto onde o suposto meteoro caiu e arrasta Ellen junto.

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Já no local, John Putnam toma coragem e desce sozinho na cratera gigantesca para investigar, mas acaba surpreendido ao descobrir que o casco quase todo enterrado pelo impacto é, na verdade, uma nave alienígena em forma de esfera. E na penumbra consegue avistar uma estranha criatura poucos instantes antes de um deslizamento de rochas soterrar por completo a nave sob toneladas de terra.

Putnam mal consegue escapar. Maravilhado com as coisas que viu, o sujeito tenta avisar as pessoas, meios de comunicação, polícia e etc, mas obviamente é taxado como um louco em busca de publicidade para seus próximos livros. Então, coisas muito estranhas começam a acontecer na região afetando outros moradores de Sand Rock. Pessoas desaparecendo e retornando de modo, digamos, diferente, sem emoções, algo bem parecido com o que aconteceria três anos mais tarde em VAMPIROS DE ALMAS, do Don Siegel. Além disso, aparições de criaturas monstruosas com um grande olho, atormenta os motoristas nas rodovias.

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Originalmente filmado em 3D, A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO possui uma escala bem menor em termos de consequências no confronto do homem x criaturas do espaço, em comparação com um GUERRA DOS MUNDOS, lançado no mesmo ano, que apresentava batalhas explosivas e deflagradoras. O filme é mais um estudo do conceito de como seria a reação inicial de seres humanos confrontados por extraterrestres de mentes superior, ainda que visualmente repulsivos, e tecnologia bem mais avançada, tentando ser o mais realista possível, mas sem deixar de ter sua carga de emoção e diversão em formato de aventura sci-fi que explora com perfeição os espaços, cavernas e estradas do deserto.

Putnam é o primeiro a perceber que, apesar de assumirem a forma física de alguns moradores da região, os alien só precisam mesmo é de tempo para consertar a nave pra retomar sua jornada. A reflexão que o filme propõe é que as criaturas poderiam destruir facilmente qualquer um que entrasse em seus caminhos, mas vêem num personagem como o do astrônomo um traço de bondade e caráter que impede que os visitantes ajam de maneira agressiva, já que a maioria dos seres humanos, de uma forma geral, já os teria hostilizado, não conseguem confrontar o desconhecido de outra maneira, embora Putnam seja obrigado a matar um deles em determinado momento, em legítima defesa, numa das cenas mais legais do filme… E Richard Carlson está sensacional no papel de Putman. O sujeito realmente parece levar a sério o personagem.

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Minha única implicância com A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO é que a aparência dos alienígenas seja revelada muito cedo. O visual é genial, apesar de intencionalmente horrível, também demonstra aquela falta de recursos na concepção do visual da época num típico B-Movie. E expôr as criaturas ainda nos primeiros minutos acaba com a possibilidade de um clímax mais impactante. A ideia original de Bradbury era drástica ao ponto de nunca mostrar o visual dos aliens. Não acho que seja pra tanto. Inclusive, uma das cenas mais marcantes é quando Putnam praticamente implora para que os visitante se mostrem no seu aspecto original e eles atendem saindo lentamente de uma mina abandonada. Infelizmente, a essa altura, já sabemos como ele são e a cena perde um bocado sua força.

Vale destacar também a direção de Arnold, que apesar dos pesares, numa cena como essa da mina faz miséria com a movimentação de câmera! Não importa, tanto cenas tão simples, como duas pessoas conversando, ou nas sequências das mais puras construções de atmosfera de suspense, o resultado é sempre sublime. Portanto, mesmo com um detalhe ou outro que implico, A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO continua facilmente a ser um dos melhores filmes de ficção científica dos anos 50, um autêntico clássico do gênero.

DELIRIUM (Le Foto di Gioia, 1987)

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Já disse por aqui que Lamberto Bava deveria ter investido seu talento mais em produções de ação, como o filmaço BLASTFIGHTER, do que tentar seguir os passos do papai Mario Bava em produções de horror… Claro, Bava filho tem seus bons exemplares do gênero no currículo, em especial quando se juntava a outro gênio, Dario Argento, e saia umas belezinhas como DEMONS, mas de uma forma geral nunca conseguiu chegar no nível de maestria dos grandes realizadores do horror italiano.

Isso ficou ainda mais claro depois que vi essa semana DELIRIUM. Quero dizer, não é um trabalho ruim, não tô falando que o Bavinha não deveria realizá-lo, mas percebe-se que o material tinha mais potencial nas mãos de um Argento, Lucio Fulci, Michele Soavi… Acaba resultando num filme sem tanta energia, sem inspiração – exceto nas sequências de tensão e assassinato mostrando a visão de um assassino perturbado. Mas na maior parte do tempo, Bava é bem burocrático com a câmera, pra não dizer preguiçoso…

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Mas pra falar a verdade, confesso que até que gostei do filme. E um dos principais motivos é o elenco. Temos a beldade Serena Grandi como protagonista, que surpreende interpretando uma editora famosa de uma revista masculina chamada Pussycat e que passa maus bocados quando um assassino à solta começa a deixar corpos de modelos espalhados no seu caminho. Serena é quem carrega o filme, com bastante presença (um mulherão desses… ai, ai), carisma e sem vergonha alguma de tirar a roupa, o que é importante… Aliás, o que faz DELIRIUM não perder o pique é justamente a boa dose de nudez, suficiente pra segurar a atenção. O que inclui outras figuras interessantes balançando os peitos na tela, como a cantora Sabrina Salerno. Tanto a cena do seu ensaio fotográfico, com as múmias se esfregando nela, quanto a sequência que é atacada por um enxame de abelhas são de encher os olhos; Daria Nicolodi e o grande George Eastman são sempre legais de se ver e estão realmente bem por aqui, mas não são os papéis pelos quais serão lembrados…

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Outro aspecto que gosto em DELIRIUM são os tais momentos de suspense e de assassinato, quando Bavinha mostra o ponto de vista doentio do serial killer, estilizando os cenários, emulando um Dario Argento na manipulação da fotografia, das cores, e mostrando as vítimas como criaturas híbridas, com cabeças monstruosas ou de inseto… Ideias inventivas que surgem no meio de uma direção que mais parece de telenovela na maior parte do tempo. O que é uma pena, porque nas cenas de suspense, Bava filho manda muito bem. Há um plano sequência no clímax que é de cair o queixo… Acaba sendo divertido de qualquer forma, pelo elenco, pela quantidade de nudez, a trama de giallo oitentista  – fazendo de tudo pra esconder a identidade do assassino do público – com uma pitada excitante de erotismo e surrealismo… Enfim, apesar de problemático, vale uma conferida. Continue lendo →

A BRUXA (The VVitch: A New-England Folktale, 2015)

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Apenas uns comentários rápidos sobre A BRUXA, de Robert Eggers, pra não passar batido… Até porque é preciso celebrar quando aparece algo assim, desse nível, em tempos que o cinema de horror anda na mesmice, tão genérico, salvo as poucas exceções que aparecem a cada ano. Um caso raro que realmente investe pesado na criação de uma atmosfera densa e angustiante, ao invés de ser mais outro filme de sustos histéricos, gerando momentos que fizeram algumas pessoas saírem um tanto agitadas da sala onde assisti. E foi interessante a experiência de ver um filme como este no escuro do cinema e perceber a reação do público diante de uma obra nada convencional para os padrões que esses comedores de pipoca estão acostumados. Um misto de pessoas que achavam o filme chato e lento com outras que literalmente estavam aterrorizadas de medo. Juro, uma moça bem na minha frente agarrada ao braço do namorado não parava de chorar e dizer “Quero ir pra casa, tô com medo”… Hahaha! Isso é ou não é espetacular?

Quanto a mim, achei A BRUXA uma pequena obra-prima, desses filmes que por mais que elevasse a minhas expectativas, conseguiu me surpreender e desconcertar. Simplesmente o melhor filme de horror desde… Não sei… Acho que o último filme de horror que mexeu tanto comigo assim foi o sueco DEIXE ELA ENTRAR (2008), de Tomas Alfredson… Ou seja, já faz um tempinho que não fico tão impressionado com um filme do gênero. Não que não tenhamos bons exemplos por aí. IT FOLLOWS, só pra citar, é um que não deixa de ser maravilhoso e entrou no meu top 10 do ano passado; mas nada que se compare com A BRUXA.

Não quero ficar descrevendo essa belezinha, mas digamos, basicamente, que é sobre uma família religiosa e puritana pra cacete, no século XVII, que após ser banida da comunidade local por motivos que a trama não faz a mínima questão de explicar, tenta sobreviver em outros cantos, longe de tudo e de todos, no interior da Nova Inglaterra, mas acaba tendo sua fé posta à prova quando se deparam com forças malignas que habitam a floresta próximo ao seu novo lar. O que se segue é uma história pesada, melancólica, cheia de paranoia e medo, com a família se rompendo. Mas sem criar discursos morais em relação a fé cega e desvairada dos personagens… O filme não os julga em momento algum por suas crenças ou por quem eles são, o que torna toda a calamidade da trama ainda mais devastadora.

Principalmente porque os eventos que ocorrem em A BRUXA nunca são sugestivos, ambíguos, ou colocam o espectador para refletir sobre a possibilidade de tudo não se passar de uma espécie de ilusão ou psicose coletiva por causa do fanatismo religioso da família… O filme deixa bem claro desde o início que todos os acontecimentos são reais e se manifestam de forma física. E a partir disso, meus caros, até eu, que me considero um “macaco velho” com filmes de horror, fiquei impressionado com algumas situações perturbadoras que o filme coloca na tela…

Não vou descrevê-las, mas duas cenas em especial tiveram grande impacto enquanto eu assistia ao ponto de não conseguir piscar os olhos. Fiquem atentos à cena do menino enfeitiçado, um dos trabalhos de encenação mais fortes que vi nos últimos anos, com destaque para a atuação do jovem Harvey Scrimshaw, cuja expressão corporal e a maneira que entoa seu monólogo final é de prender a respiração (aliás, o trabalho de todos os atores é simplesmente fantástico). A outra cena é perto do final, quando a violência finalmente explode… Sem querer estragar a surpresa, envolve um certo bode chamado Black Phillip, que tem tudo para se tornar o mais novo ícone do cinema de horror atual.

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Esses e outros momentos me fizeram contorcer na cadeira, de tão desconfortável que eu estava, com o nível de tensão e o clima pesado de medo que o diretor Robert Eggers, um estreante em longas, imprime com bastante cuidado e habilidade, especialmente na construção atmosférica. Todo o visual é trabalhado minunciosamente, com uma fotografia cinzenta e quase todo filmado à luz natural, para engolir o espectador pra dentro filme. E a trilha sonora, com seus acordes agudos e mistura de gritos e vozes cacofônicas, só reforçam esse efeito, criando um cenário de pesadelo enervante com uma tensão crescente que perdura até o final. E que final! Já me disseram que o filme deveria acabar antes, que o diretor não soube o momento de terminar… Discordo totalmente, o desfecho é lindo, é intransigente, é ousado e niilista… Enfim, arrebatador.

Não sei se teremos outro filme de horror em 2016 tão bom quanto A BRUXA, aliás, não sei se teremos um filme, independente do gênero, tão bom quanto este aqui. Claro, ainda é muito cedo pra falar, mas como sou sempre pessimista em relação ao cinema atual, não duvido de nada… Por enquanto, trata-se do melhor filme que vi em 2016. Uma curiosidade é que um dos produtores de A BRUXA é brasileiro, Rodrigo Teixeira, portanto, tem dedo nacional na bagaça. E fica aqui uma sugestão para quem curte um horror mais anacrônico, quem curte mais O BEBÊ DE ROSEMARY e O EXORCISTA do que as merdas que fazem hoje: Corram para as salas e desfrutem do melhor filme de horror dos últimos anos na tela grande. E aproveitem pra rir um bocado com a reação de uma parte do público que não está nem um pouco preparada para ter uma experiência como esta.

OBSESSÃO MACABRA (Premature Burial, 1962)

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Terceira adaptação de Edgar Allan Poe realizada pelo Roger Corman, PREMATURE BURIAL é geralmente considerado um dos mais fracos do ciclo, algo que eu concordo bastante, embora não signifique que seja um filme ruim. Muito pelo contrário, apenas não está a altura das outras obras. Acho que tem um bocado a ver com a ausência do grande astro da série, Vincent Price, que não pôde participar… Aliás, é o único filme do ciclo que ele não participa e tenho certeza que sua presença poderia transformar isso aqui num filme totalmente diferente. Para seu lugar foi contratado o Ray Milland, que não deixa de ser um baita ator também e eu não tenho problema algum em vê-lo como protagonista por aqui. Só que ele não tem a capacidade de Price em transmutar figuras fracas em grandes personagens.

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Explico melhor a bagaça. Ray Milland interpreta aqui um pintor que possui um pavor doentio da situação de ser enterrado vivo por engano. Epa, mas nós já vimos isso antes, não é mesmo? Os dois primeiros filmes da série que eu já comentei aqui possuem a catalepsia como um dos temas constantes. Mas isso não é problema algum, na verdade. A questão é que PREMATURE BURIAL peca por ter um protagonista atormentado de forma tola pela tal neurose.

Em HOUSE OF USHER você tem um Roderick Usher (Price) atormentado por uma suposta maldição da família, até que dá pra entender – os Usher tinham realmente um galeria de almas sebosas e psicopatas escrotos na árvore genealógica. Em THE PIT AND THE PENDULUM, a mesma coisa: Medina (Price de novo) é filho de um dos inquisidores mais tenebrosas da Espanha e viu, quando criança, o tio e a mãe serem torturados e a última ser emparedada viva… Já em PREMATURE BURIAL… putz, o cara SUSPEITA que o pai sofria de catalepsia e foi enterrado vivo (sem nenhum fundamento concreto, diga-se de passagem) e, com base nessa desconfiança sem pé nem cabeça, acredita que também sofre de catalepsia e que, fatalmente, será enterrado vivo. E é essa nóia sem lógica que leva o cara a se isolar do convívio social e dispensar uma noiva gata pra caramba e (ao que tudo indica) totalmente apaixonada por ele. Meio difícil não achar que o protagonista é meio tapado. E é apenas com isso que se constrói o filme…

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E tenho certeza que Vincent Price daria a carga de expressão, exagerada e necessária, para que esses detalhes passassem mais batidos… Não que o Milland esteja mal. Ele também encarna o papel com tanta convicção que você só pára para refletir sobre a babaquice do personagem depois de ver o filme umas duas vezes; tanto que na primeira vez que vi, nada disso me ocorreu. E acaba sendo mesmo um dos grandes deleites a presença de Milland, querendo ou não, sendo o personagem um fraco ou não. O curioso é que é um ator soberbo, ganhou um Oscar pelo seu desempenho em FARRAPO HUMANO (1945), de Billy Wilder, mas depois, não me pergunte como, acabou parando nos sets de produções de filmes B. Destaque para a pequena participação de Dick Miller, habitual colaborador de Corman..

Já no departamento visual de PREMATURE BURIAL, não há do que reclamar. A cena do devaneio de Milland testando – e dando tudo errado – as modificações que fez no seu “sepulcro” para o caso de acordar ao ser enterrado vivo, é de encher os olhos. A direção de Corman é econômica como sempre, mas o sujeito sabe como manter certo ritmo, sabe como trabalhar uma riqueza visual do mesmo calibre dos góticos da Hammer e nunca deixou a dever aos italianos, como Mario Bava, Antonio Margheritti e Riccardo Freda. Mais fraco do ciclo Edgar A. Poe sim, mas tão obrigatório quanto qualquer outro da série…

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NOT OF THIS EARTH (1988)

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Remake de um sci-fi de mesmo título dirigido por Roger Corman em 1957, NOT OF THIS EARTH pode ser considerado tanto como uma gozação quanto uma lúdica homenagem aos clássicos do gênero. A ideia é do próprio Corman, que curtia refilmar os clássicos que dirigia e produzia, e colocou na direção o seu pupilo do momento, Jim Wynorski, que dava seus primeiros passos na carreira de diretor. Infelizmente, em 1988 o grande público já não queria ver um filme B com efeitos especiais fora de moda e historinhas ingênuas que não fazem a mínima questão de se levar a sério. Exceto, obviamente, os fãs ardorosos de tralhas divertidas de baixo orçamento, como esta maravilha da dupla Corman/Wynorski.

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Já nos créditos iniciais de NOT OF THIS EARTH uma montagem com cenas de vários clássicos produzidos pelo Corman insere de uma maneira bem interessante o espectador na onda dos sci-fi classe B, produções de baixo custo realizadas em tempo recorde. As filmagens deste aqui, por exemplo, foram cumpridas em apenas onze dias e meio, sendo que Jim havia apostado com Corman que conseguiria filmar em doze dias. E é com este espírito que o filme também deve ser visto. Uma diversão sem compromisso cheio de clichês que mistura elementos sci-fi com terror e comédia, várias cenas de nudez, situações engraçadas, personagens burlescos, reutilização de imagens de outros filmes, diálogos ridículos e todos os ingredientes de um ótimo filme B dos anos 80.

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Uma das principais atrações de NOT OF THIS EARTH é a atriz principal, a grande Traci Lords, em seu primeiro papel “sério” no ramo, levando em conta que já havia atuado em mais de 60 filmes pornôs até então. É uma pena, no entanto, que seus atributos físicos sejam tão pouco “aproveitados”, protagonizando apenas duas ceninhas de topless (mas algumas tetas fornecidas por outras atrizes são gratuitas suficientes para satisfazer o desejo do espectador por mais pele na tela). Até que Lords se sai muito bem interpretando uma enfermeira que acaba se envolvendo numa trama na qual um vampiro do espaço precisa colher sangue humano para tentar salvar o seu planeta, gerando situações divertidíssimas. O elenco ainda conta com algumas habituais figuras das produções de Wynorski, como Lenny Juliano e a bonitona Monique Gabrielle.

NOT OF THIS EARTH ainda viria a ser refilmado mais uma vez, em 1995, por Terence H. Winkless (diretor de BLOODFIST) e tendo Roger Corman novamente na produção.

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (Texas Chainsaw Massacre, 1974)

texas_chainsaw_massacre_uk_posterResolvi fazer um post sobre O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA… Porque sim.

Postar qualquer coisa sobre esse filme não precisa de muitos motivos. Mas o que falar dessa obra-prima? Trata-se de um dos meus favoritos do gênero sem nenhuma dúvida e sei que vou “chover no molhado” por aqui, porque é impossível não ficar babando o ovo dessa maravilha. Mas vamos começar pela história. Para provar que nem tudo precisa ser complexo para ser genial e transgressor, a trama é de uma simplicidade absurda: Cinco amigos percorrem as estradas texanas para visitar o túmulo e uma velha casa do avô de alguns deles e acabam virando banquete de uma família de canibais que vive na região.

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Uma das estratégia do diretor Tobe Hooper para atrair o público foi começar o filme com o aviso de que os acontecimentos prestes a desenrolar seriam reais (não eram, embora inspirados nos assassinatos cometidos pelo serial killer Ed Gein nos anos 50, e que também serviu de base para PSICOSE, de Hitchcock). Mas de nada adiantaria se O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA não cumprisse o que o seu título sugere. Não só cumpre como vai muito mais além, apesar de enganar muito por não ser um filme de extrema violência e sangue jorrando como suspeitam aqueles que se aterrorizam só de ouvir o título, mas nunca assistiram de fato. O filme choca não pelo que mostra, mas pelo que nos faz acreditar. E o grande efeito desse impacto é causado mais pela atmosfera angustiante de determinadas cenas do que baldes sangue jogado na tela.

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O golpe é mesmo nos sentidos do espectador. “Pesadelo filmado” acabou se tornando uma expressão adulterada pelo seu uso excessivo, mas aqui é perfeitamente cabível. A antológica cena do banquete com a família de canibais, os ângulos oblíquos dos enquadramentos, a luz desorientadora, o pandemônio auditivo, possui todos os ingredientes daquilo que é feito um pesadelo. E convenhamos: a ideia de um psicopata portando uma motosserra perseguindo uma garota inocente é algo simplesmente genial. E que culmina numa das sequências mais inesquecíveis, o final angustiante que tem desfecho na icônica imagem cristalizada de Leatherface (Gunnar Hansen), perfilado contra o sol fumegante, com sua motosserra erguida ao alto. Hooper inovou ao mostrar tudo isso num filme claustrofóbico, em 16mm (dando uma imagem mais próxima da ideia de gravações verdadeiras), totalmente seco… Um clássico.

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Hammer Time: O VAMPIRO DA NOITE (Dracula, 1958)

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Começando o carnaval, época boa pra ficar em casa e assistir a uns filminhos de terror… Estava meio receoso de começar uma série de textos tratando de TODOS os filmes sobre o universo Drácula que a Hammer criou nos anos 50, 60 e 70, porque o meu amigo Paulo Blob já fez isso recentemente no site Boca do Inferno. Todos textos obrigatórios, diga-se de passagem. Mas como resolvi rever alguns exemplares e finalmente conferir os que ainda não tinha visto, acho justo que eu faça pelo menos alguns breves comentários pra ficar registrado por aqui. Começando pelo começo, fiz uma revisão de O VAMPIRO DA NOITE, a primeira incursão da Hammer ao personagem de Bram Stoker e que gerou oito continuações oficiais. O filme reúne novamente Christopher Lee e Peter Cushing, os astros do primeiro filme de monstros clássicos da Hammer, THE CURSE OF FRANKENSTEIN (57), com o diretor Terence Fisher, que é responsável pela grande maioria desses filmes.

Ainda pretendo peregrinar nas outras séries de monstros que a produtora britânica realizou, mas vale destacar, a princípio, sobre essas obras seminais, algumas sacadas que os realizadores tiveram para conseguir atrair de volta a atenção do público a um tipo de horror que já estava em baixa no período e que favorece bastante, por exemplo, O VAMPIRO DA NOITE. A primeira coisa foi evitar o preto e branco tradicional das fitas de horror e colocar cores vivas estourando na tela, ou seja, agora era possível ver o sangue vermelhão derramado, e violência gráfica era algo que Fisher abusava bastante em seus filmes e que, querendo ou não, em plena década de 50 tinha um impacto danado. Em segundo lugar, esses filmes introduziram um bocado de erotismo às obras clássicas do horror, o que não seria comum nas versões da década de 30 e 40… E ver uma senhorita com um belo decote e olhar insinuoso era tudo que um senhor britânico de meia idade poderia querer ao entrar numa sala de cinema naqueles dias.

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O roteiro de Jimmy Sangster em O VAMPIRO DA NOITE não faz questão alguma de ser fiel aos escritos de Stoker. Entre as principais mudanças há o personagem de Jonathan Harker, interpretado por John Van Eyssen, que aqui aparece como aspirante a caçador de vampiros, assistente de Van Helsing (Peter Cushing), chegando ao castelo de Drácula (Christopher Lee) já ciente da natureza vampírica do Conde, mas passando-se por um bibliotecário. Drácula, que não é bobo, descobre a jogada e lasca uma mordida no pescoço do sujeito, que acaba se transformando num vampiro. Já Van Helsing deve ter ficado com saudade e, sem notícias do jovem Harker, acaba indo procurá-lo, seguindo seus passos até chegar no Castelo, descobrindo o que aconteceu com seu pupilo. Nada que uma estaca no coração não resolva. O problema é que o Conde já partiu para a Inglaterra em busca de uma nova vítima: Lucy, noiva de Harker. Van Helsing retorna a Londres para tentar impedir as intenções do vampirão.

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A partir daí, o filme se desenrola nos mesmo moldes dos tradicionais filmes de Drácula, até chegar no ponto onde Van Helsing e o Conde têm um duelo final. E aí, meus caros, a diferença está exatamente em ter em cena um Peter Cushing e Christopher Lee para tornar tudo mais genial. Cushing, especialmente, está excepcional como o caçador de vampiros incansável, uma mistura de cérebro com coragem, embora lhe falte porte físico. Já Christopher Lee tem presença física de sobra, tanto que seu Conde Drácula possui o total de apenas treze falas durante todo o filme. Mas nem faz muita falta, basta seu olhar esbugalhado, com sangue escorrendo da boca, sua expressividade incrivelmente magnética. Não à toa O VAMPIRO DA NOITE consagra Christopher Lee, assim como seu antecessor, Bela Lugosi, três décadas antes, como um ícone do horror vampiro para toda uma nova geração. O elenco de apoio também ajuda bastante e o destaque vai para Michael Gough, que interpreta o irmão de Lucy. Gough é lembrado bem mais velho por ser o mordomo Alfred dos filmes do Batman dirigidos pelo Tim Burton e Joel Schumacher.

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Em termos de direção, estética, fotografia e cenários, que belo filme é O VAMPIRO DA NOITE! Os planos nos interiores são muitíssimo interessantes, com o uso das cores vibrantes. E do lado de fora, aquelas paisagens pintadas à mão que tanto me encantam. A sequência final do já citado confronto entre Van Helsing e Drácula mostra bem do que esses caras eram capazes de fazer na construção da tensão, na elegância da ação, ao mesmo tempo tão seco e cru. Fisher não tava de brincadeira não… É um baita diretor, embora quase nunca seja lembrado como o mestre do horror que é.

Agora preciso ver o resto da série. Mas antes, mais uma revisão, AS NOIVAS DO VAMPIRO (60), novamente dirigido pelo Fisher e estrelado pelo Cushing, mas infelizmente sem Christopher Lee no papel de Drácula. O sujeito tava com medinho de ficar estigmatizado no personagem e tentou variar um bocado, mas acabou retornando em DRACULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS, em 1966… Mas a gente chega lá.

O SOLAR MALDITO (House of Usher, 1960)/O POÇO E O PÊNDULO (The Pit and the Pendulum, 1961)

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Resolvi rever HOUSE OF USHER e THE PIT AND THE PENDULUM, os dois primeiros filmes da série de adaptações de Edgar Allan Poe realizado pelo diretor e produtor Roger Corman nos anos 60. No final da década anterior, Corman já se apresentava como o diretor capaz de fazer imaginativos e divertidos filmes de gênero e que poderiam ser produzidos de forma rápida e barata, eram muito lucrativos e ainda serviam de escola para jovens entusiastas por cinema, como Monte Hellman, Jack Hill e Robert Towne. Quando adentrou os anos 60, o sujeito resolveu se meter nessas adaptações do Poe que os produtores da AIP estavam planejando. HOUSE OF USHER foi o primeiríssimo, portanto, não pode ser desconsiderado como um marco na história do cinema de horror.

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Mas apesar de Corman conseguir se aventurar com precisão no universo e espírito atmosférico de Poe, HOUSE OF USHER não poderia ser exatamente fiel ao texto, até porque seria meio complicado de fazê-lo como um filme de horror convencional. A trama se resume na chegada do jovem Winthrop (Mark Damon) na propriedade de Roderick Usher (Vincent Price) cuja irmã, Madeline Usher, está destinada a ser sua noiva. O problema é que Roderick é rebugento pra cacete, completamente obcecado por uma suposta maldição que percorre a linhagem dos Ushers, e faz de tudo para atrapalhar os dois enamorados. Inclusive, consegue convencer a sua irmã de que realmente suas vidas estão execradas.

O filme notabiliza o estilo genial e singular de direção de Corman, que de prolífico diretor de B movies em preto e branco passou a figurar lado a lado com outros mestres do horror gótico e atmosférico do período, como Terence Fisher e, mais tarde, Mario Bava. Econômico ao extremo, trabalhando com orçamento apertado, ao mesmo tempo charmoso e sofisticado, fazendo uso das cores com inteligência, criando atmosferas pertubadoras, se virando com todo tipo de recurso que conseguia com muita criatividade se transformaram em marca registrada da direção de Corman. E contava, aliás, com um time de primeira durante a produção, como o roteirista Richard Matherson, o diretor de arte Daniel Heller, o compositor Les Baxter e por aí vai…

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Um caso curioso em HAUSE OF USHER que mostra bem o estilo econômico de Corman: O sujeito ficou sabendo que um grande e antigo celeiro seria demolido e conseguiu permissão para que a produção pudesse botar fogo no local enquanto filmava. O resultado pode ser visto no climax, em vários planos do fogo consumindo a grande mansão dos Ushers, mas também em vários momentos do ciclo, já que Corman não deixaria de aproveitar essas mesmas imagens em futuras cenas de incêndios em mansões suntuosas em outros filmes…

E ainda temos Vincent Price, que se apresenta aqui num espetacular desempenho, com seus exageradas expressões faciais, que são uma delícia para quem admira seu trabalho. Não só neste aqui, mas toda a sua participação na série de adaptações do Poe significou a sua consagração como um dos gigantes do horror. Especialmente como Roderick Usher, surgindo imponente com uma cabeleira loura, sua atuação é magistral e, na minha opinião, só perde para Prospero, o maléfico príncipe de A ORGIA DA MORTE, um dos últimos e dos melhores exemplares do ciclo.

HOUSE OF USHER foi um sucesso comercial e fez com que os produtores demandassem mais. No ano seguinte veio THE PIT AND THE PENDULUM.

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Se THE PIT AND THE PENDULUM não for realmente a melhor dentre as adaptações da obra de Poe realizada pelo Corman, ao menos é provável que seja a mais assustadora. É desses filmes que faz bater uma melancolia ao refletir o que aconteceu com o cinema de horror… Por que não se filma mais com tanta elegância, beleza e atmosfera? Claro que existem ótimos casos que ainda salvam atualmente, mas de uma maneira geral o plano mais insignificante de um filme do Corman humilha qualquer coisa do gênero produzida por um grande estúdio americano nos últimos anos.

O filme começa nos mesmos moldes de HOUSE OF USHER, com o jovem Francis (John Kerr) chegando ao castelo de Don Nicholas Medina (novamente Vincent Price), mas dessa vez em busca de respostas sobre a recente morte de sua irmã, esposa de Medina. Francis desconfia bastante de seu cunhado, que aparenta estar escondendo alguma coisa, mas uma vez que a trama revela o passado de Nicholas, em sequências alucinatórias bem interessantes e coloridas, Francis passa a tomar conhecimento dos mais profundos medos de Medina, que acredita piamente que sua mulher foi enterrada viva. No caso, emparedada, uma tradição da família Medina… A trama central levanta questões sobre catalepsia e o pavor do enterro precoce, tema explorado com ênfase em vários exemplares da série, especialmente no filme seguinte, PREMATURE BURIAL, estrelado por Ray Miland. O assunto também é abordado em HOUSE OF USHER.

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O tormento por esse pensamento persegue Don Medina desde pequeno, quando viu seu pai, um entusiasta da inquisição espanhola (também vivido por Price) que possuía sua própria câmara de tortura no porão do castelo, praticando o hobby em sua mãe, deixando-a viva somente para poder enterrá-la ainda naquele estado. E Vincent Price está sublime, mais uma vez. Nicholas Medina é ambíguo na medida certa e suas transformações são retratadas com perfeição por Price, figura que se tornou essencial na composição do estilo de Corman, tão importante quanto o visual caprichado e a atmosfera densa. Outro grande destaque é a presença expressiva da musa do horror gótico, Barbara Steele, no papel de Elizabeth, mulher de Medina. Todos esses elementos ajustados num clímax de tirar o fôlego, quando o vilão da trama finalmente utiliza-se do famoso pêndulo cortante que desce gradativamente até partir ao meio a sua vítima amarrada logo abaixo, possibilitam THE PIT AND THE PENDULUM tornar-se digno de antologia.

HOUSE OF USHER e THE PIT AND THE PENDULUM são excelentes pontos de partida para se aventurar no ciclo de adaptações do Poe…O fato é que todos os filmes da série são obrigatórios a qualquer interessado por cinema de horror e alguns são verdadeiras obras-primas altamente recomendadas.

BONE TOMAHAWK (2015)

BONE TOMAHAWK acabou virando o mais novo “clássico cult de todos os tempos” dos últimos dois meses, o que na minha opinião é até bastante compreensível, pra não dizer que não acho um exagero. Só não sei se com o passar do tempo vai conseguir manter essa distinção. Tirando, evidentemente, o “de todos os tempos”. Mas tem tudo pra ser lembrado como um dos grandes westerns da atualidade. E é óbvio que por ser um western, gênero que tanto amo (e que neste ano inclusive já nos brindou com algumas pérolas, como THE HOMESMAN, de Tommy Lee Jones, e SLOW WEST, de John Maclean), além de ser estrelado por ninguém menos que Kurt Russell, BONE TOMAHAWK já seria filme a ser aguardado com boa vontade e sorriso no rosto. Mas acho que nem o espectador mais otimista podia esperar uma obra tão rara, brutal e fascinante. Especialmente vindo de um diretor estreante.

Eu já sabia de antemão que o filme era um híbrido entre western com horror. Mas esse detalhe eu não quis revelar ao meu pai, com quem assisti e que não teria feito se soubesse da verdade. O velho não assiste horror de maneira alguma… A não ser os clássicos da Universal ou da Hammer, que segundo ele são bonitos e não assustam. Mas botar para ele ver horror da atualidade – apesar da maioria perder feio em estilo e atmosfera em relação aos mais antigos, mas que possuem uma carga histérica de violência e sustos que botariam o velho pra correr – já é motivo para sair resmungando e borrando de medo. Uma mocinha medrosa… Mas enfim, por que eu tô difamando meu pai dessa maneira? Bom, não faço ideia, só sei que perdi totalmente o raciocínio… Continue lendo →

QUEM MATOU ROSEMARY? (The Prowler, 1981)

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O diretor Joseph Zito pode estar um tanto esquecido atualmente, mas para um certo grupo de apreciadores de cinema de ação casca grossa oitentista, no qual eu me incluo, seu nome ainda possui muita representatividade no gênero e nunca será esquecido. E não é para menos, o cara tem no currículo MISSING IN ACTION, também conhecido como o primeiro filme do personagem Braddock, imortalizado pelo Chuck Norris; o filosófico e transcendental war movie, RED SCORPION, com Dolph Lundgren; e o clássico dos clássicos, o petardo INVASÃO USA, também com o Norris. Ou seja, mais respeito com o sujeito, por favor. E vale destacar também sua contribuição no horror, gênero que, na verdade, abriu caminho para Zito no mundo do cinema.

E já que estamos no mês do halloween, é no horror mesmo que vamos focar nossas atenções. QUEM MATOU ROSEMARY? é o terceiro trabalho de Zito (os outros dois são thrillers de horror que não tiveram muita expressão), um típico slasher com trama, personagens, direção, atmosfera, ritmo e elementos muito bem caracterizados pelo subgênero e que deu a ele a oportunidade de dirigir SEXTA-FEIRA 13 PARTE 4: O CAPÍTULO FINAL (84), um dos meus capítulos favoritos da série. Repito, portanto, mais respeito com o Sr. Zito. Continue lendo →

BEAST OF BLOOD (1970)

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A série Blood Island chega ao fim de um jeito bem diferente se comparado ao seus antecessores. BEAST OF BLOOD até consegue manter o mesmo clima, elementos, ambientações, mas desta vez assume uma postura mais de filme de ação e aventura em detrimento do horror, do monster movie, que era a tona dos dois primeiros episódios.

Outro detalhe curioso é sobre as minhas suspeitas de que cada filme da série era independente um do outro. Eu não estava totalmente correto. Apenas o primeiro exemplar, BRIDE OF BLOOD, não possui relação narrativa com os demais, enquanto BEAST OF BLOOD é uma continuação direta de MAD DOCTOR OF BLOOD ISLAND. É o que fica claro logo no prólogo, com o Dr. Foster (novamente John Ashley, a prova definitiva de que o ator realmente decidiu aproveitar ao máximo sua passagem pelas Filipinas) indo embora da Ilha exatamente após os eventos de MAD DOCTOR. Mas o monstro ainda está vivo! E ataca todos na embarcação com um machado, causa uma enorme explosão e o único que sobrevive é o pobre Dr. Foster, boiando em alto mar… E, claro, o monstro, que volta à ilha em que foi criado. Continue lendo →

MAD DOCTOR OF BLOOD ISLAND (1968)

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Como suspeitei no post anterior, MAD DOCTOR OF BLOOD ISLAND, o segundo exemplar da série Blood Island, não possui qualquer ligação com BRIDES OF BLOOD. Mas também não faz qualquer esforço para alterar a fórmula do seu “antecessor”, utilizando dos mesmos elementos visuais e narrativos, reciclando cenários e o elenco, como é o caso do americano John Ashley, que marca presença novamente encarando os monstros absurdamente toscos e mal feitos das Filipinas.

Dirigido novamente pela dupla Eddie Romero e Gerardo De Leon, MAD DOCTOR inicia inesperadamente com uma sequência promocional, na qual incita o público a tomar um líquido verde a fim de evitar uma transformação em monstro gosmento com cara de alface e sangue verde. Na verdade, tratava-se de mais uma campanha de marketing em que eram distribuídos esse líquido aos espectadores na entrada dos cinemas e drive in para que fosse ingerido durante determinado momento do filme. Seja lá qual o fosse o sabor, a ideia é simplesmente genial. Continue lendo →

BRIDES OF BLOOD (1968)

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BRIDES OF BLOOD é o primeiro exemplar de uma trilogia bizarra realizada nas Filipinas pelo produtor e diretor de filmes B local, Eddie Romero, em parceria com Gerardo DeLeon. Pelo que entendi, os três filmes não têm qualquer ligação narrativa (ainda não assisti aos outros, MAD DOCTOR OF BLOOD ISLAND e BEAST OF BLOOD), mas como possuem essa ambientação pitoresca em comum e foram realizados praticamente num curto espaço de tempo pelos mesmos diretores, acabaram interligados e conhecidos como Blood Island Films.

Na verdade, apesar de não fazer parte “oficialmente” desses filmes, Romero já havia rodado um exemplar de horror ambientado no mesmo local, quase dez anos antes de BRIDES OF BLOOD. O filme era TERROR IS A MAN, de 1959, também conhecido como BLOOD CREATURE e que de certa forma é o precursor da série Blood Island. Pelo visto um local propício para contar histórias de horror bem antes do que se imagina. Continue lendo →

A MÃO (The Hand, 1981)

mnVfSQrNas palavras do próprio Oliver Stone, “Eles tentaram me derrubar como diretor, mas eu retornei como roteirista”. Seja lá quem são “eles”, Stone estava se referindo ao período após a sua traumática estreia na direção (e que eu tentei explicar aqui) quando havia desistido de fazer filmes e passou apenas a escrevê-los. Finalizou quatorze roteiros em poucos anos, entre eles O EXPRESSO DA MEIA NOITE (78), que lhe rendeu um Oscar de roteiro adaptado.

Com um prêmio da Academia na prateleira, Stone voltou a pensar na possibilidade de dirigir. Nesse período, os roteiros de PLATOON (86) e NASCIDO EM 4 DE JULHO (89) já estavam prontos, mas os seus financiadores não queriam produzir algo que competisse com o sucesso de APOCALYPSE NOW (79), de Francis F. Coppola, e O FRANCO ATIRADOR (78), de Michael Cimino. Sem poder dedicar-se aos seus projetos pessoais, Stone conseguiu 6,5 milhões para fazer algo menos ambicioso.

Ambição, no caso, é algo relativo. Um Spielberg ou George Lucas, naquele período, com “míseros” 6 milhões, com certeza deveriam conter a ambição. Já o pobre Oliver Stone, coitado, levando em conta que iria ainda dar início ao seu segundo filme, estava com grana pra cacete! Teria um mundo de possibilidades para trabalhar. E aí? O que o sujeito faz? Um outro filme de horror… Continue lendo →

SEIZURE (1974)

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SEIZURE é o primeiro longa de Oliver Stone e encontra-se à milhas de distância do tipo de cinema que o sujeito faria ao longo da carreira. Ao contrário dos dramas políticos, traumas de guerra, ou tratados sobre a violência, o que temos aqui nada mais é que um exemplar de horror independente organicamente inserido no contexto do gênero feito nos anos 70. Um bocado pretensioso e bastante problemático no que cerne à narrativa, ao ritmo e etc, como é de praxe quando se trata do trabalho inicial de um cineasta sem muita experiência. Mas nada melhor que um filme seminal de um diretor hoje consagrado para descobrir algumas características da sua personalidade e histórias curiosas de bastidores.

Após retornar do Vietnã, em meados dos anos 60, Stone resolveu aliar sua habilidade na escrita com algo que nunca havia experimentado antes: a sétima arte. Entrou para NYU film school e teve como professor um sujeitinho de sobrancelhas grossas que faria uns filmes “razoáveis” como TAXI DRIVER e TOURO INDOMÁVEL… Nessa época, Stone chegou a realizar um curta metragem, muito bom aliás, LAST YEAR IN VIETNAM, o qual recebeu vários prêmios em festivais estudantis. Com este curta no currículo e mais a bagagem adquirida na universidade, Stone partiu para o Canadá com o propósito de realizar seu primeiro longa metragem. Continue lendo →

THE WHIP AND THE BODY (La Frusta e il Corpo, 1963)

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Muitos sites famosos de cinema por aí estão dando a notícia da morte do grande Christopher Lee relembrando seus “principais trabalhos”, ou seja, Saruman, na série O SENHOR DOS ANÉIS, e o Conde Dooku na última trilogia de STAR WARS. E tem gente que ganha dinheiro escrevendo essas merdas… Como eu não ganho nada para estar aqui escrevendo, também não vou tentar fazer jus ao nome deste magnífico ator, um dos últimos ícones do cinema clássico que nos deixa e que merecia vários artigos e resenhas de seus filmes espalhados para todo canto. Mas deixo aqui as minhas impressões sobre um filme especial, um dos meus favoritos com o Chris Lee, e que dificilmente será lembrado nos obituários dos grandes veículos de comunicação: THE WHIP AND THE BODY, dirigido pelo mestre Mario Bava. Continue lendo →

OS INVASORES DE CORPOS (Invasion of the Body Snatchers, 1978)

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Ainda no clima de VAMPIROS DE ALMAS, resolvi assistir a OS INVASORES DE CORPOS, de Philip Kaufman, sua primeira refilmagem, lançada 22 anos depois. E que baita surpresa! Não esperava um filme tão bom, tão eficiente em termos de horror e suspense… Evidentemente, o contexto histórico e político dos Estados Unidos agora é outro, até mesmo o tipo de cinema que se praticava, na Nova Hollywood, havia mudado bastante nessas duas décadas que o separam, além de outras dezenas diferenças notáveis a olho nu, mas é impossível fugir de alguns temas e alegorias que permanecem intactas em relação ao filme original de Don Siegel. Continue lendo →

ESPECIAL DON SIEGEL #10: VAMPIROS DE ALMAS (Invasion of the Body Snatchers, 1956)

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Por mais que coloquem o diretor Don Siegel como um dos grandes mestres do cinema policial, western e de ação norte-americano, o que de fato não deixa de ser, frequentemente é VAMPIROS DE ALMAS, um sci-fi aterrorizante de relativo baixo orçamento, o trabalho mais lembrado e celebrado de sua carreira e que o próprio diretor considerava um de seus prediletos. Mas realmente é uma obra bastante curiosa em diversos aspectos e acabou se tornando um dos filmes mais importantes e definitivos sobre invasão alienígena em pleno auge da ficção científica nos anos 50. Continue lendo →

A MOSCA (The Fly, 1986)

tumblr_nlfbpo36Fu1qgwhqoo1_1280De vez em quando minha cidade apronta uma dessas. O Cineclube Metrópolis, que é o cinema que funciona dentro da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), tá com uma programação interessante para quem gosta de horror. Na última sexta-feira, por exemplo, passou A MOSCA, do David Cronenberg, e claro, dei um pulo para conferir. Essa semana ainda passa O ENIGMA DO OUTRO MUNDO, do Carpenter, e a semana que vem começa com REPULSA AO SEXO, do Polanski. Espero que continuem passando esse tipo de filme (mesmo que eu já tenha visto, faço questão de rever na tela grande). Continue lendo →

DEMONS 2 – ELES VOLTARAM (Dèmoni 2… l’incubo ritorna, 1986)

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O primeiro DEMONS, segundo consta nos nos bastidores do cinema de horror italiano, foi realizado com o propósito de gerar lucro rápido, porque Dario Argento, um dos produtores e roteiristas do filme, havia estourado o orçamento de seu PHENOMENA e precisava recuperar essa grana. Com dinheiro bem mais reduzido, Lamberto Bava na direção, e umas ideias originais, o filme acabou indo além do esperado. Não apenas foi um sucesso de bilheteria, como tornou-se um dos mais representativos clássicos do gênero naquele período. Os produtores, obviamente exigiram uma continuação, DEMONS 2, que veio no ano seguinte. Continue lendo →