IT – UMA OBRA PRIMA DO MEDO (1990)

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Assistir a IT – UMA OBRA PRIMA DO MEDO, a primeira adaptação do livro de Stephen King, lá nos anos 90 quando era moleque, foi uma experiência, digamos, interessante. Especialmente para a minha formação como admirador de filmes de horror.

Rever agora, depois dos 30, tendo uma consciência do que é realmente um bom filme do gênero para os “meus padrões”, tendo na bagagem John Carpenter, Dario Argento, Lucio Fulci, Tobe Hooper, David Cronenberg, Clive Barker e até o Tommy Lee Wallace (diretor deste aqui, e que fez o maravilhoso HALLOWEEN III), já não foi tão agradável assim… Se levar em consideração que na mesma semana conferi a nova adaptação, aí que a coisa fica mais feia ainda para o filme de 1990.

Confesso que nunca li It. Portanto, não farei aqui nenhum tipo de comparação com o material original. Algo que, na verdade, eu provavelmente não faria mesmo que tivesse lido… Mas é notório que se trata de um romance que é um calhamaço de mais de mil páginas e esta primeira adaptação deve ter tentado esgotar ao máximo o que havia no livro. Acabou virando uma mini-série de TV com três horas de duração. Depois foi lançado em vídeo, inclusive no Brasil, com uma duração menor, mas ainda um loooongo filme que, querendo ou não, marcou muito o período, principalmente no meio da molecada que assistia escondido dos pais para comentar com os colegas no recreio no dia seguinte.

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A trama, para quem tiver curiosidade, se passa nos anos 60, com um grupo de sete adolescentes na cidade de Derry, no Maine. Uma série de desaparecimentos e assassinatos misteriosos assola o local, incluindo o garotinho Georgie, o irmão mais novo de Bill, quem podemos chamar de personagem central dessa história. Esses amigos têm uma ideia do que está acontecendo, pois todos tiveram visões estranhas e encontros assustadores com a figura de um palhaço bizarro que chamam de Pennywise (Tim Curry). O grupo decide fazer algo em relação a isso e se aventura nos subterrâneos para tentar destruí-lo.

Trinta anos depois, o grupo relutantemente retorna para Derry quando Mike, o único que continuou morando na cidade, os chama para lhes dizer que Pennywise está de volta e os assassinatos estão acontecendo de novo. Apesar dos seus medos individuais, os amigos decidem mais uma vez entrar nos esgotos para enfrentar o palhaço do mal, ou seja lá o que for, e acabar com o horror de uma vez por todas.

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Tudo isso em três horas de filme, que se revelou nessa revisão um tédio. Precisei de três noites, assistindo uma hora em cada. Simplesmente não consegui embarcar mais nessa aventura como quando o fiz há vinte e poucos anos atrás… A narrativa até se esforça para manter um certo ritmo, com o enredo se entrelaçando com cenas dos personagens adultos e flashbacks com eles no verão de 1960. Que é onde se concentra as melhores partes de IT, conseguindo criar um clima de nostalgia representado nessas crianças desajustadas que acabam se tornando amigos para toda a vida e unem-se para lidar com o horror que as afeta. É cativante, de certo modo, e bastante identificável se você também foi um moleque desajustado de dez anos… Apesar de exemplos melhores tenham aos montes no período, como OS GOONIES, VIAGEM AO MUNDO DOS SONHOS, DEU A LOUCA NOS MONSTROS e até, por que não, CONTA COMIGO, também adaptado de King.

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Com os personagens menores, Tim Curry, como Pennywise, é mais assustador e memorável. Já adultos, com a turma mais velha lidando com o retorno do horror, a coisa perde a graça. Há algumas cenas divertidas, como quando se encontram depois de tantos anos, mas a química entre eles logo evapora com os atores adultos. É tudo tão frouxo… Algumas das cenas de horror nesses momentos também não têm o mesmo efeito, muito burocrático, sem inspiração, sem clima, especialmente quando voltam a entrar nos subterrâneos para o confronto final, que convenhamos, beira o ridículo.

O que ainda salva é o maravilhoso desempenho de Tim Curry. Sempre que eu recordava do filme durante todos esses anos, obviamente a primeira coisa que vinha na mente é a imagem de Pennywise aprontando as suas. É até desapontante perceber nessa revisão que, na real, ele aprece tão pouco em três horas…

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A verdade é que a cada ano que passa, esta versão de IT vai envelhecendo mal e ficando menos divertida. Revê-la agora gerou algumas pontas de decepção. Apesar disso, há uma parte de mim que sempre gostará de IT, da nostalgia e do que ele representa pra mim como obra de horror num momento mais puro e inocente da minha formação cinéfila. E parte disso tem a ver com Tim Curry, cuja performance como Pennywise é o que faz o filme. Dito isso, a nova versão que está nos cinemas é um daqueles raros casos de ser melhor que o original em todos os sentidos. Provavelmente amanhã devo postar alguma coisa sobre ele…

Mas e quanto a este aqui? Vocês ainda têm boas recordações? Já fizeram alguma revisão atualmente?

GODZILLA RAIDS AGAIN (1955)

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Primeira continuação de GODZILLA, que já comentei aqui no blog no no início de 2017. Não é melhor que seu antecessor, mas para quem curte esses clássicos filmes de Daikaiju (monstro gigante), GODZILLA RAIDS AGAIN é um prato cheio, até porque já aqui ele tem um outro monstro como oponente, o espinhoso Anguirus, para deixar as coisas mais hiperbólicas e divertidas. Só acho que perde para o anterior pelo tom muito sério e uma falta de refinamento, um certo cuidado visual e dramático que não vejo por aqui e que GODZILLA esbanjava. Obviamente a troca na direção, do genial Ishirō Honda, por Motoyoshi Oda tenha um bocado a ver com isso…

Na trama, temos Kobayashi, um piloto que durante um vôo precisa fazer um pouso de emergência em uma ilha. Só que não é uma ilha qualquer, e não demora muito o sujeito avista dois grandes monstrengos trocando desaforos numa batalha épica. Um piloto colega consegue resgatar Kobayashi em algum momento e eles sobrevoam a ilha e percebem que confronto é entre Anguirus e Godzilla. Todo mundo fica encucado quando ouvem que Godzilla foi avistado numa ilha em algum lugar do Pacífico.

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O que é estranho, já que Godzilla havia morrido por um dispositivo de destruição em massa no filme anterior… Mas GODZILLA RAIDS AGAIN não se preocupa muito em explicar seu retorno, e eu não faço questão em saber. Só quero ver monstros lutado, quebrando e explodindo coisas!

O exército japonês é convocado para reuniões de emergência para discutir a situação dos monstros. A oportunidade perfeita para apagarem as luzes e Takashi Kimura, um dos protagonistas do antecessor, levante e comece a falar da ameaça que estão lidando, além de mostrar “filmes caseiros” sobre Godzilla. O que nada mais é que cenas do primeiro filme, quando o espectador que já assistiu a GODZILLA tem a oportunidade de tirar um cochilo enquanto os realizadores resolvem resumir e reviver tudo o que aconteceu no filme de 1954.

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O sujeito disserta como Godzilla é um monstro fodão, praticamente indestrutível, arrasou cidades inteiras e como só foi possível pará-lo com um dispositivo destruidor de oxigênio. O problema é que o cara que criou tal arma está morto e levou consigo o segredo da fórmula para o túmulo. A apresentação do cara continua e continua, só faltou um power point, mas pelo menos temos as imagens do primeiro filme com Godzilla causando a maior destruição…

Eventualmente, Godzilla e Anguirus aparecem em alguma cidade japonesa e acabam numa refinaria de petróleo, como se fossem dois elefantes numa loja de cristal, explodindo tudo que vêem pela frente, num trabalho de efeitos especiais de maquetes sensacional como é o habitual dessas produções japonesas.

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Após quebrar a cara de Anguirus, Godzilla resolve bater em retirada e os militares tentam rastreá-lo para não perdê-lo de vista. Mas perdem. Como você perde uma lagartixa de trinta andares que está fodendo com a vida dos japoneses? Talvez seja porque seu rastreamento envolve pessoas escrevendo em tabuletas de giz, empurrando pequenos barcos modelo em mapas de mesas e enviando barquinhos de pesca para procurá-lo.

Mas o bom e velho Kobayashi finalmente localiza Godzilla na mesma ilha que havia realizado o pouso forçado no início do filme. O que leva a uma das cenas mais absurdas de todo o filme – Godzilla sendo derrotado, enterrado em uma avalanche (causada por Kobayashi), que mais parecem ser um monte de cubos de gelo, com seus bracinhos acenando freneticamente no ar! E pronto. Fácil assim. A arma de hidrogênio não foi capaz de matar Godzilla como todos esperavam, mas enterrá-lo em uma avalanche de neve e gelo é a solução perfeita! Esperem só até a chegada da primavera pra ver o que acontece…

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Apesar dessa galhofa toda no final, GODZILLA RAIDS AGAIN possui uma pegada mais séria do que deveria, o que os próximos filmes vão deixando de lado. Quero dizer, se você quer assistir a filmes do Godzilla pela gozação, este aqui não deve funcionar. Tirando os momentos mais insanos, o filme é bem paradão e mesmo assim não chega ao nível do tratamento de GODZILA, cuja história é realmente impactante sobre o alvorecer da era atômica. Mas, também não deixa de ser uma continuação digna do grande clássico que é o filme de 1954.

OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE (Murders in the Rue Morgue, 1932)

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De vez em quando eu entro numa de ensaiar uma maratona dos clássicos de horror da Universal, mas sempre assisto dois ou três e já abandono… Vamos ver se escrevendo sobre algum deles eu fico mais animado. OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, de Robert Florey, adaptação de Edgar Allan Poe e com o grande Bela Lugosi no elenco, foi um dos últimos que vi e que vale a pena expor algumas coisas por aqui.

Aliás, diretor e ator quase trabalharam juntos anteriormente no grande clássico do horror, FRANKENSTEIN. Não aconteceu, como se sabe. E tanto para Florey, substituído por James Whale, quanto para Bela Lugosi, a dissociação de FRANKESTEIN sinalizou inúmeros pontos de inflexão na carreira de ambos: Florey nunca mais teve a oportunidade de dirigir uma produção de tanto potencial, e Lugosi, ao se afastar do projeto, permitiu o surgimento de seu rival de tela, Boris Karloff, que, não demoraria muito, acabaria lhe eclipsando.

O prêmio de consolação do estúdio para Lugosi e Florey foi OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, que não teve o sucesso crítico ou popular que suas carreiras precisavam, apesar de ser um dos mais interessante e ousados filmes de horror do período, acredito eu, pelo menos dentre os poucos que já vi até o momento.

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É que Florey pega pesado na referência do expressionismo alemão, criando quadros realmente fortes e atmosféricos de uma Paris carregada e sombria para além da conta, além de nos oferecer algumas imagens inesquecíveis, e transgressoras para o período, de Bela Lugosi amarrando moças sequestradas a quadros de madeira em forma de X e lhes fazendo transfusões de sangue de gorila… De arrepiar.

Na trama, Bela Lugosi é o Dr. Mirakle, cientista que trabalha no campo da evolução humana e que está experimentando a hibridização entre macacos e humanos em Paris em 1845. Ele financia suas experiências exibindo seu gorila de estimação em um espetáculo em festivais. Fruto de suas experiências, ocasionalmente mulheres são encontradas flutuando no Rio Sena. E seu encontro com um estudante de medicina, o famoso Dupin (que nas histórias originais de Poe era um perspicaz detetive aos moldes de Sherlock Holmes), e sua namorada desencadeia uma série de incidentes infelizes…

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A história original de Poe tem o lance do mistério revelado num final surpreendente, mas aqui Florey transforma o texto de Poe num relato de puro horror com o fato de que já sabemos de antemão o que está acontecendo desde o início. Possivelmente uma sacada sábia, mas o roteiro de OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE (que teve ajuda do diretor John Huston) parece cheio de equívocos em alguns momentos, prejudicado pela decisão da Universal de fazer refilmagens e invadir o filme, que já estava concluído. No entanto, é uma obra que espreita um suspiro de inspiração audaz por parte de Florey em uma estética das mais sombrias e sinistras daquele período.

Altamente recomendado para quem quer se enveredar por aquelas plagas do cinema de horror, mas quer conhecer bons exemplares fora dos ciclos dos monstros clássicos, como DRÁCULA, FRANKENSTEIN, A MÚMIA e etc…

THE TWILIGHT ZONE: THE MOVIE (1983)

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Aproveitando a maratona ALÉM DA IMAGINAÇÃO, que comecei esses dias, vamos falar então da atualização que este clássico da televisão, criado pelo grande Rod Serling, recebeu nos anos 80. Mas estou falando do filme, THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, e não da própria série de TV que retornou nos anos 80 e que teve três temporadas entre 1985 e 1989.

Em 1983, Steven Spielberg produziu e co-dirigiu THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, versão cinematográfica do seriado. A ideia era reunir alguns dos nomes mais interessantes do cinema de fantasia e horror do período e compilar no formato de antologia um longa que fizesse uma homenagem aos clássicos episódios de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, mas também aproveitar dos novos recursos e tecnologias que os anos 80 possuíam em relação ao período em que o seriado clássico fora produzido.

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Além do próprio Spielberg na direção, temos Joe Dante (GREMLINS), George Miller (série MAD MAX) e o grande John Landis (UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES), que é um sujeito que eu tenho dado uma atenção especial aqui no blog recentemente. E obviamente não poderia deixar de citar  THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE como um dos seus principais trabalhos. Não apenas pelo seu talento envolvido nesse projeto, mas por ter acontecido aqui, exatamente aqui, sob a sua direção, a maior TRAGÉDIA já ocorrida e filmada na história do cinema. Mas já vamos falar sobre isso…

Antes, é preciso ressaltar que Landis é o único dos quatro diretores que teve um trabalho extra em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE e realizou também o prólogo. Esta introdução é uma história bem curtinha, no qual temos os astros Dan Aykroyd e Albert Brooks num carro ao longo de uma estrada no meio da noite. Entediado, eles começam a fazer joguinhos para passar o tempo, como tentar adivinhar temas de programas de TV, discutem a série ALÉM DA IMAGINAÇÃO clássica e até que ponto era assustador e tal…. O diálogo é ótimo e eu poderia ver duas horas de filme só com esses dois papeando! Até que em determinado momento, Aykroyd decide mostrar a Brooks algo REALMENTE assustador…

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É uma boa maneira de começar as coisas. Mantém o público ligado porque desconfiamos que alguma coisa vai acontecer, mas não se sabe o que… E configura de forma eficiente o clima do que está por vir em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE. Aykroyd e Brooks têm uma química excelente e é uma pena que nunca tenham trabalhado juntos de novo. Esse pequeno segmento é um dos mais memoráveis de todo o filme – se não for uma das melhores cenas de abertura de qualquer filme de qualquer gênero, de qualquer época…

É de John Landis também o primeiro episódio da antologia. Chama-se TIME OUT e é um típico conto clássico de ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Estrelado por Vic Morrow, vivendo um sujeito preconceituoso, que entra em um bar e insulta todas as minorias possíveis. Quando sai do local, ele simplesmente volta no tempo e se encontra na Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, e todos os nazistas pensam que ele é judeu. Então o prendem e tentam levá-lo para um campo de concentração. Mas então outras viagens temporais entram inexplicavelmente na sua jornada. É, por exemplo, confundido pela KKK, que pensam que ele negro e tentam pendurá-lo pelo pescoço, ou logo depois, quando termina no Vietnã em mais situações em que se vê confrontado pela sua raça ou cor de pele…

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Mas para além da “lição de moral” que o episódio passa, fica um gosto amargo assisti-lo depois de saber que foi  durante as filmagens deste pequeno segmento que Vic Morrow morreu tragicamente num acidente. Mas a coisa foi bem mais desagradável. A cena do episódio é a seguinte: Morrow carregava duas crianças em seu colo enquanto um helicóptero sobrevoava para resgatá-los. E agora já não é mais ficção, é a realidade: O helicóptero deu pane por conta das explosões no cenário, caiu e sua hélice em movimento simplesmente decapitou Morrow E AS DUAS CRIANÇAS. E as câmeras filmaram tudo isso. Apesar de não dar para ver muita coisa (a cena acontece num lago e quando a hélice bate nas vítimas, vê-se mais água do que alguma possível violência), não vou postar o video aqui, mas é fácil de encontrar no youtube.

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DVD REVIEW: MORTOS VIVOS (The Burning Dead, 2015); A2 FILMES

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Um dos primeiros títulos originais que MORTOS VIVOS recebeu durante sua produção foi VOLCANO ZOMBIES. Mudaram depois para THE BURNING DEAD, provavelmente para aproveitar de alguma maneira o sucesso da série THE WALKING DEAD. Mas o título original provisório, VOLCANO ZOMBIES, era simplesmente perfeito porque sintetiza tudo o que um indivíduo poderia querer saber sobre a obra em apenas duas palavras. Temos um vulcão e temos zumbis, que são er… Literalmente cuspidos do vulcão em erupção!

Depois de saber disso, qualquer outro detalhe sobre MORTOS VIVOS torna-se irrelevante. Mas vamos lá… Um vulcão entra em erupção nos arredores de uma pequena cidade do norte dos EUA, causando alarde e a evacuação de sua população. Alguns tontos, no entanto, não querem deixar suas casas. É o caso do velho Ben, que acaba colocando sua filha e neta em risco por conta disso. Além deles, outros personagens acabam presos nos arredores do vulcão, como o xerife local e dois vulcanólogos que trabalham na região. Só que o que esse povo todo não sabe é que o vulcão é o menor dos seus problemas e uma maldição envolvendo mortos-vivos acada despertando juntamente com toda a estrutura geológica.    

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Apesar da trama simplória, MORTOS VIVOS é bem sucedido em pelo menos uma coisa: não perde o humor. Quero dizer, a premissa e os efeitos especiais, por exemplo, são tão ridículos que é preciso ter muito bom humor da parte dos realizadores para mantê-los num filme que fizeram com tanto carinho. Temos aqui uma lista variada de elementos que, vistos com bom humor, vão te fazer soltar algumas boas risadas. Estou falando, obviamente, da lava de CGI mais falsa que nota de três reais; os intestinos das vítimas sendo puxados e mordiscados pelos zumbis; uma cena totalmente gratuita onde uma moça resolve fazer um topless do nada; e claro, o meu favorito, a horda de zumbis sendo arremessada de dentro do vulcão como foguetes rodeados de gosma verde. Uma coisa linda e neste exato momento estou rindo de mim mesmo enquanto escrevo isso só de lembrar.

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Enquanto não temos um roteiro decente, boas atuações, efeitos especiais de primeira qualidade, nem mesmo um clima pra ser chamado de filme de horror,  MORTOS VIVOS ainda assim possui seu charme, com um humor involuntário que não vai decepcionar.

E o Danny Trejo? Seu personagem aparece muito nas artes promocionais do filme, não é? Bem, na verdade, sua participação é mínima, como um índio Cherokee que conta histórias ao redor da fogueira sobre a maldição do vulcão. Seu trabalho é decente, de longe a melhor atuação, mas percebe-se claramente que a imagem do ator só foi utilizada para atrair os desavisados. Seu personagem realmente não participa de nada na ação.

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Como um filme de horror ou catástrofe, MORTOS VIVOS precisaria de muito trabalho… É basicamente um filme amador nesse sentido. No entanto, não tem receio algum de ser ridículo e diverte tranquilamente os fãs que possuem um espaço no coração reservado para esse tipo de tralha.

MORTOS VIVOS foi lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Focus Filmes, que está disponível em DVD para aluguel ou compra, assim como em serviços ‘on demand’ como o Looke e o NOW.

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AMERICAN POLTERGEIST: POSSUÍDOS (Encounter, 2016)

Mais uma contribuição da minha parte no blog Vá e Veja, escrevi sobre este pequeno filme de horror independente, AMERICAN POLTERGEIST: POSSUÍDOS, que foi lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar. O filme está disponível em DVD para aluguel ou compra, assim como em serviços ‘on demand’ como o Looke e o NOW. O longa é recomendado para quem curte filmes de assombração com uma pitada de sci-fi.

Clique aqui para ler os meus comentários sobre
AMERICAN POLTERGEIST: POSSUÍDOS no blog Vá e Veja.

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A NOITE DOS MORTOS VIVOS (The Night of the Living Dead, 1968)

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Morreu George A. Romero. Talvez o público mais jovem não tenha ainda muita noção, mas a importância que esse homem teve para o cinema, não só para os filmes de zumbis, não só para o gênero horror, é para o CINEMA mesmo, é algo simplesmente extraordinário. Pessoalmente, o cara foi responsável por algumas obras fundamentais na minha formação cinéfila, como DIA DOS MORTOS, OS CAVALEIROS DA NOITE e, claro, A NOITE DOS MORTOS VIVOS, seu primeiro trabalho.

Antes de A NOITE DOS MORTOS VIVOS, os zumbis eram trazidos à vida nos filmes, em sua grande maioria, em cerimônias voodoo como peões para seguir as ordens de seus mestres. De vez em quando alguns exemplares faziam algo diferente e mostravam mortos-vivos agindo em hordas bem parecidos com o que Romero viria a fazer, como em MORTOS QUE MATAM (64) ou O PARQUE MACABRO (62). Mas tudo mudou mesmo em 1968, com A NOITE DOS MORTOS VIVOS, quando Romero entra em cena e transforma a figura do zumbi numa metáfora político-social do indivíduo moderno. Além de injetar nessas criaturas um terror mais visual. Uma criatura putrefata que se levanta do túmulo para devorar as tripas dos vivos não era algo tão comum nos anos 60.

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O primeiro zumbi de Romero

Romero também estabeleceu as regras básicas para o milhares de zombie movies que viriam a seguir, como por exemplo a maneira de matar um morto-vivo… Como você pode matar algo que já está morto? Fácil! Atire na cabeça! Outra regra: Se você for mordido por um zumbi, você se transformará em zumbi! As causas e origens dos mortos voltarem à vida, no entanto, nunca são claramente explicadas nos filmes de Romero. Mas quem se importa?

A NOITE DOS MORTOS VIVOS começa com Barbra (Judith O’Dea) e Johnny (Russell Streiner), dois irmãos que chegam a um cemitério para colocar flores no túmulo do pai e se deparam com um zumbi lhes aporrinhando. Depois de matar Johnny, o morto-vivo persegue Barbra, que procura abrigo em uma fazenda aparentemente abandonada. Mas, não demora muito, Ben (Duane Jones) chega ao local fugindo desse inesperado horror e ajuda Barbra a bloquear a casa do iminente ataque de zumbis. As tensões aumentam também dentro da casa, quando uma família escondida no porão é revelada e instaura outros tipos de conflitos dentro desse pequeno universo particular, num complexo estudo do comportamento humano em situações extremas. Não é a toa que Romero escolhe o gênero terror para expressar sua desilusão no ser humano e mostrar pela imagem a que ponto podemos chegar na ânsia de nos devorar. No caso dos zumbis, o ato de devorar o outro é literal, mas por trás disso há uma grande metáfora de passar por cima, de engolir o próximo em nome dos interesses pessoais. Continue lendo →

THE BEYOND (1981)

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E eis que resolvi rever mais uma vez THE BEYOND este último fim de semana. Não é apenas o meu filme favorito do diretor Lucio Fulci, que considero um dos maiores autores do gênero, como é também a experiência de pesadelo definitiva no cinema, ou seja, do horror puro e cristalino em todos os sentidos possíveis. E não é lá muito fácil descrever o fascínio que tenho pela obra, a maneira como me impressiona a cada revisão. Mas a gente vai levando do nosso jeitinho de sempre…

THE BEYOND foi lançado no Brasil com o título TERROR NAS TREVAS e depois relançado como A CASA DO ALÉM, o que é estranho, já que o horror transcorre a partir de um hotel amaldiçoado e não de uma casa. O título original em italiano é L’ADILÀ, ou “o outro lado”, “o lado de lá”. Mas ainda tem um título mais longo: …E TU VIVRAI NEL TERRORE! L’ADILÀ. Nos Estados Unidos, o filme foi lançado primeiro como 7 DOORS OF DEATH, que foi bastante retalhado até o lançamento da versão definitiva: THE BEYOND, que é como eu gosto de chamar o filme mesmo.

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THE BEYOND começa na Louisiana, em 1927, com o assassinato de um pintor acusado de bruxaria no tal hotel. Em seguida, pula para 1981, altura em que uma jovem que herdou este mesmo hotel está prestes a reformá-lo e reabri-lo. O local, no entanto, aparentemente foi construído em uma das sete portas do inferno! Coisas estranhas começam a acontecer, pessoas são acometidas por mortes violentíssimas, no fim surge uma horda de zumbis e o Além… Os motivos para a maioria desses acontecimentos, no entanto, permanecem um tanto obscuros e sem qualquer sentido. Mas se levarmos em conta a lógica de sonho que Fulci propõe aqui, então na verdade tudo FAZ sentido.

O que o diretor faz é trabalhar os elementos sobrenaturais de maneira que desafiam a compreensão racional, abandona as estruturas tradicionais de um enredo para desorientar e confundir o público, que se vê diante de um estado de sonho e de pavor irracional. E a grande sacada de THE BEYOND é justamente levar até as últimas consequências esta lógica. É um pesadelo filmado, a imprevisibilidade reina, a sensação é de que qualquer coisa pode acontecer e que tudo é inesperado. O importante é como toda a estrutura narrativa é solta, como o filme se preocupa apenas na imagem e em construir uma atmosfera de puro horror.

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Eu sei, parece muito vago, muito abstrato… Na verdade, THE BEYOND até possui uma trama bem definida, mas é só um fiapo e Fulci não se interessa muito em desenvolvê-la nem se preocupa com a lógica, se o desencadeamento dos acontecimentos faz sentido… A chave é não fazer muitas perguntas, tal como nos comportamos nos sonhos. Durante essas horas de atividade cerebral, aceitamos o que está acontecendo, seja um pesadelo assustador ou um sonho divertido, mas raramente o questionamos. É assim que THE BEYOND deve ser visto. Por favor, não façam como o Roger Ebert…

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O roteiro de Fulci, escrito com o grande Dardano Sacchetti, é, segundo o próprio diretor, “Uma sucessão de imagens impactantes, caóticas e sem um fio condutor muito claro“. Já no prólogo se percebe o que Fulci quer dizer com isso, com a imagem em tom de sépia, em movimentos de câmera que guia o nosso olhar para os detalhes enquanto a edição faz o encadeamento das situações: uma garota encontra um antigo livro com as profecias de Eibon, que falam sobre os sete portões do Inferno, os quais, quando abertos, libertarão o Mal sobre a face da Terra; o pintor que realiza seu trabalho num quadro mórbido retratando o “Mar dos Mortos”; e homens carregando tochas e correntes se aproximando do local.

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Em seguida vemos as tais “imagens impactantes” que Fulci comenta, quando o pintor é espancado à correntadas, com cada pancada abrindo feridas enormes, mostradas em planos detalhes com direito a carne dilacerando e o sangue escorrendo para todos os lados. O sujeito é aprisionado pelos habitantes da cidade, ao mesmo tempo em que argumenta dizendo que o lugar foi construído sobre uma das sete portas do Inferno e que se o matarem não haverá como conter o Mal que ali vive. Claro que não adianta avisar: furiosos, os cidadãos pregam o sujeito na parede, com a câmera colada nos pregos penetrando nas mãos do coitado, e para finalizar corroem seu rosto com cal.

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OS GAROTOS PERDIDOS (The Lost Boys, 1987)

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É mais fácil as pessoas lembrarem do Joel Schumacher como o cara que colocou mamilos no Homem-Morcego, dirigindo tralhas como BATMAN & ROBIN (97), e esquecerem que a grande maioria de seus trabalhos são bem legais. Acabei de rever OS GAROTOS PERDIDOS, seu clássico oitentista de vampiros, que sempre reprisava na Sessão da Tarde e que fazia, no mínimo, uns vinte anos que eu não via. Continua uma delícia.

A trama do filme todo mundo deve se lembrar. Começa com uma mãe (Diane Wiest) e seus dois filhos (Corey Haim e Jason Patric) se mudando para uma pequena cidade costeira da Califórnia. A cidade é atormentada por gangues de motoqueiros, punks e drogados e alguns misteriosos desaparecimentos. Sam (Haim), o mais novo, não demora muito para fazer amizade com dois outros garotos que afirmam ser caçadores de vampiros, enquanto Michael (Patric), o mais velho, é atraído por uma gangue liderada por David (Kiefer Sutherland) e uma bela garota, Star (Jami Gertz). O que Michael acaba descobrindo da pior maneira possível é que a gangue é formada por… Isso mesmo, vampiros!

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Kiefer Sutherland e sua gangue de vamp… Ops, desculpem. Esta aqui é a banda Twisted Sister. A gangue de vampiros é essa aí embaixo. Mas, é quase a mesma coisa…

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No mesmo ano de 87, tivemos NEAR DARK, da Kathryn Bigelow, outro grande filme de vampiros que a princípio até poderia dialogar com OS GAROTOS PERDIDOS dentro do gênero, ambos têm aquele visual estilizado que parece um videoclipe da MTV dos anos oitenta e chupadores de sangue jovens vestindo jaquetas de couro… Mas enquanto NEAR DARK é mais sombrio e consegue se aprofundar em questões de ser um vampiro num mundo moderno, o filme de Schumacher não passa muito da superfície, do visual estiloso, da trilha sonora cheia de hits oitentistas… Mas ao mesmo tempo possui uma energia, várias sequências memoráveis, personagens legais, um senso humor bacana, e a maneira como Schumacher mistura todos esses ingredientes é que mantém o encantamento e torna o filme bem mais popular que seu “concorrente”.

O filme até possui um olhar sobre a cultura adolescente, um lance da busca por aceitação, especialmente com Michael fazendo de tudo para provar que pode fazer parte da gangue de David. Não se aprofunda tanto nesse ponto, mas duas sequências espetaculares saem dessa ideia, a corrida de motocicletas no alto da colina e a que se passa nos trilhos do trem. Ambas me deixaram pregado na poltrona de tensão… Mas a maior parte do filme é uma aventurazinha de comédia divertida com toques de horror protagonizada por Corey Haim e os irmãos Frogs, os caçadores de vampiros, encarnados por Corey Feldman e Jamison Newlander.

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Se há uma dupla teen que conquistou o público infanto-juvenil ontentista, essa dupla é formada pelos dois Coreys. Eu cresci assistindo aos filmes desses moleques e vê-los enfrentando vampiros era parte da magia de OS GAROTOS PERDIDOS. Os caras tinham tanta química, ao longo de vários trabalhos nos anos 80 e início dos 90 que já chegaram a protagonizar um reality show juntos (The Two Coreys), só que o programa foi um fiasco. Além disso, ambos estiveram envolvidos com drogas na adolescência, o que atrapalhou muito suas carreiras. Corey Haim morreu em 2010 aos 39 anos. Feldman pelo menos apareceu nas duas continuações que OS GAROTOS PERDIDOS possui, já nos anos 2000.

Vale ressaltar que OS GAROTOS PERDIDOS foi justamente a primeira vez que os dois trabalharam juntos.

O restante do elenco também se destaca. Kiefer Sutherland, em especial, está excelente como o líder da gangue de vampiros, com muita presença em cena, e Bernard Hughes, que faz o avô dos protagonistas, está simplesmente hilário, assim como todas as cenas em que os Frog Brothers aparecem. A sequência do jantar em que tentam desmascarar Max (Ed Herrmann) é engraçadíssima.

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A direção de Schumacher é inspirada, tem estilo, com várias sacadas visuais e bom trabalho de câmera, como as sequências aéreas que mostram o ponto de vista dos vampiros voadores. O sujeito tem muito bom olho também para a composição estética, nos pequenos detalhes que enriquecem o visual (os cartazes de pessoas desaparecidas) em como consegue casar as imagens e a trilha sonora de maneira tão efetiva, sem soar brega, como vários exemplos dos anos 80. A sequência de ação final é muito bem conduzida, uma boa mistura de humor, tensão, horror e até um bocado de gore, como na clássica cena “death by stereo“, ou na curta, mas ágil, luta entre David e Michael…

Enfim, legal rever OS GAROTOS PERDIDOS depois de tanto tempo. Há muita coisa que tinha esquecido e que veio à tona com muito prazer nos olhos. Realmente não lembrava que o filme era tão estiloso. Mas o melhor de tudo foi perceber que continua tão divertido.

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INNER GHOSTS: UM PROJETO DE HORROR QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

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Alguma vez você já quis contribuir e apoiar um filme de terror independente? Então aqui está a sua chance. INNER GHOST é um novo filme que está bem perto de ser concluído, mas, infelizmente, o dinheiro da pós-produção ficou escasso. Para aumentar os fundos restantes, os produtores começaram uma campanha pesada e bem legal de crowdfunding no kickstarter, a fim de conseguir colaboradores para terminar o filme.

Apesar do título e do elenco internacional, vale destacar que INNER GHOSTS é uma co-produção entre Brasil e Portugal. Foi o próprio produtor e roteirista Paulo Leite que entrou em contato comigo e me apresentou a história de INNER GHOSTS e fiquei imediatamente interessado. Continue lendo →

INCUBUS (1966)

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Pouco antes de tentar o papel de Capitão James T. Kirk no seriado STAR TREK, William Shatner fez um filme de horror, digamos, bizarro e pouco visto, chamado INCUBUS.

Foi pouco visto porque o negativo original do filme e quase todas as suas impressões foram misteriosamente perdidas ou destruídas pouco tempo após suas exibições iniciais em festivais de cinema. E Bizarro porque INCUBUS, embora filmado sob o sol da Califórnia, foi gravado em esperanto, que é o idioma artificial mais usado no mundo. Só para constar, o esperanto é uma linguagem criada no final do século XIX por L. L. Zamenof para estimular a paz e o entendimento entre os povos de diferentes nações.

INCUBUS foi escrito e dirigido por Leslie Stevens, um dos principais criadores da série de TV dos anos 60 THE OUTER LIMITS. No Brasil, conhecido como A QUINTA DIMENSÃO. Quando o programa foi cancelado, Stevens procurou uma maneira de se reerguer como diretor e, curiosamente, decidiu que um filme de terror artístico de baixo orçamento, falado num idioma que poucas pessoas entendiam, poderia ser a solução ideal.

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William Shatner, que é o protagonista de INCUBUS, lembra nos comentários do DVD quando se deparou com o roteiro de Stevens:

“(O roteiro) tinha uma dureza, uma simplicidade para tratar sobre o bem e o mal, era ao estilo grego na sua simplicidade e no modo como os acontecimentos caminhavam, no roteiro, para sua conclusão inevitável. Então eu li, liguei para ele (Stevens) rapidamente e disse: ‘Isso é maravilhoso, eu adoraria fazer”.

Neste ponto da carreira, Shatner já havia aparecido em vários papéis em seriados na televisão (incluindo o episódio de THE OUTER LIMITS “Cold Hands, Warm Heart“) e em papéis de secundários em algumas produções gabaritadas, como O JULGAMENTO DE NUREMBERG, de Stanley Kramer, e THE OUTRAGE, de Martin Ritt. Seus únicos trabalhos como protagonista até então fora THE EXPLOSIVE GENERATION, de Buzz Kulik, e o provocador THE INTRUDER, do mestre Roger Corman, que recebeu distribuição muito escassa.

Shatner também já declarou:

“Quando [INCUBUS] me foi apresentado, eu estava de certa forma no auge, pegando bons trabalhos e tendo demandas, e este era um filme pequeno, não era algo que você pode imaginar movimentando a minha carreira, mas era tão intrigante, e eu gostava muito de trabalhar com Leslie Stevens, que eu queria estar nele.”

A trama de INCUBUS se passa numa misteriosa ilha habitada por demônios. Um desses seres malignos, encarnado na figura de uma bela mulher, Kia (Allyson Ames), tenta seduzir Marc (Shatner), um soldado de coração puro e honesto. Inevitavelmente, o demônio apaixona-se por Marc e acaba sucumbindo por ir contra sua natureza, infectada pelo amor e pela bondade. Uma trama simples, mas realmente curiosa.

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Stevens queria “colocar seu filme em um lugar diferente”, então decidiu que os atores deveriam falar em esperanto. O diretor/roteirista imaginava que o idioma era estranho, exótico e arcaico o suficiente para criar um misterioso senso de surrealismo e alteridades, ou seja algo distinto de tudo que já havia sido feito.

Evidente que nem tudo saiu como desejado. INCUBUS estreou no Festival de Cinema de São Francisco em outubro de 1966 e um grupo de esperantistas gritava e rachava o bico em gargalhadas cada vez que os atores interpretavam mal a língua – especialmente Shatner, cujo esperanto foi prejudicado por seu sotaque francês (o sujeito passou grande parte da infância em Montreal).

Obviamente não é só a excentricidade do esperanto que torna o filme especial. INCUBUS é revolucionário em termos de estética e construção do horror, deliciosamente fotografado pelo gênio do preto e branco Conrad Hall e dirigido com maestria por Stevens. Imaginem um roteiro lisérgico de um Jess Franco ou Jean Rollin, mas filmado com o rigor e elegância de um Ingmar Bergman…

Apesar disso, o filme é marcado não apenas por seus valores artísticos, mas principalmente por causa dos estranhos incidentes associados a uma maldição supostamente colocada no filme.

Via IMDB:

Em seu comentário para o DVD, William Shatner lembrou um incidente que ocorreu quando o elenco e a equipe chegaram pela primeira vez em Big Sur, Califórnia. Ele se lembra de um hippie que se aproximou da equipe, indagando qualquer coisa. Shatner diz que o elenco e produção reagiram com certa hostilidade ao seu interesse, o que acabou irritando o sujeito, que em seguida, em voz alta, colocou uma maldição sobre a produção, que algumas pessoas acreditam realmente ter dado certo.

Essa tal de maldição teria sido responsável por uma série de incidentes que ocorreram no período de um ano após a produção do filme. Logo depois da sua versão inicial, limitada, o filme foi considerado perdido depois de ter sido destruído em um incêndio (acidentalmente em um laboratório de filmes francês, ou o próprio Stevens teria mandado destruir as cópias, enfim, nunca foi devidamente esclarecido); Um dos principais atores, Milos Milos, que interpretou o Incubus, matou sua amante, Carolyn Mitchell (curiosamente, a esposa de Mickey Rooney na época) e, em seguida, cometeu suicídio; Enquanto a atriz Ann Atmar, que interpretou a irmã de Shatner no filme também se suicidou.

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Enfim, acontecimentos trágicos à parte, INCUBUS foi recuperado após a morte de Stevens décadas mais tarde, em 1998, à partir de uma única cópia descoberta na França pelo produtor Anthony Taylor, e lançado em vídeo, em grande escala, pela Amazon. Hoje o filme já está remasterizado, tratado quadro a quadro e com legendas em inglês sobrepostas às francesas e disponível para quem quiser conferir.

E pra mostrar que eu sou um cara legal, basta apertar o play no video abaixo e desfrutar de um dos filmes de horror mais impressionantes de todos os tempos:

ALIEN³ (1992)

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Alguns dos meus últimos posts do ano passado aqui no blog foram sobre os dois primeiros filmes da franquia ALIEN, então não vejo porque não continuar… Até porque revi o terceiro episódio da série mais um vez por esses dias e vale a pena tecer uns breves comentários.

ALIEN³ é o primeríssimo trabalho de David Fincher como diretor, que era técnico de efeitos especiais e diretor de video clipes. O sujeito só aceitou a função de comandar a coisa aqui após alguns nomes (Renny Harlin, Walter Hill, que é o produtor) abandonarem o barco durante a pré-produção. Aliás, é um filme que até hoje possui uma carga de polêmicas de bastidores. Problemas com o roteiro (que fora reescrito trocentas vezes), interferências dos executivos dos estúdios pra cima do Fincher, diretor de primeira viagem, e o resultado final foi muito questionado na época. Por muito tempo ALIEN³ foi considerado a ovelha negra da série, até, é claro, surgir o quarto filme, dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet, que assumiu esse posto…

Hoje, tenho certeza de que ALIEN³ é uma obra equivocadamente subestimada. Tá certo que não chega a ser melhor que os dois filmes anteriores, dirigidos pelo Ridley Scott e James Cameron, respectivamente, mas basta as sequências da baratona alienígena perseguindo os personagens pelos corredores apertados de uma prisão num planeta qualquer para colocá-lo entre os melhores filmes de horror dos anos noventa. É uma autêntica aula de tensão e horror atmosférico, que se aproxima bastante do filme de 78, embora este aqui seja o mais sombrio, melancólico e dramático exemplar da série. 

O final deve ter feito muitos fãs ferrenhos deixarem as salas de cinema da época xingando a mãe do diretor, mas eu adoro e acho que fecha a trilogia de maneira sublime. Mas, inventaram de fazer um quarto filme… Agora preciso rever também antes de crucificar o francês maluco que dirigiu.

Leia também:

ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO (1979)

ALIENS (1986)

HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS (1988)

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Começando as atividades de 2017 com um dos filmes que me fez apaixonar pelo cinema B de uns caras como Jim Wynorski, Fred Olen Ray, Charles Band e outras figuras dessa mesma laia: HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS, de Fred Olen Ray! Um clássico do cinema exploitation oitentista divertidíssimo, curto e cheio de mulher pelada, filmado em cinco dias com um orçamento abaixo dos 50 mil dólares.

O filme já começa de forma sensacional, com esse aviso:

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Depois, temos a majestosa Michelle Bauer fazendo um strip tease e, totalmente nua, destroça um sujeito com uma motosserra! Os efeitos gore, se é que podemos chamar assim, são tão ridiculamente baratos que não podem ser levados a sério… Aliás, o filme inteiro não deve ser levado assim.

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Na trama, temos Jack Chandler (Jay Richardson), um detetive obviamente inspirado em Raymond Chandler, com direito a narração de Film Noir, cansado do mundo, sem dinheiro, fodido trabalha na procura de uma moça desaparecida, Samantha (a lindeza Linnea Quigley), nos arredores de Los Angeles.

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Enquanto ele segue as pistas da moça, a polícia local vem investigando uma bizarra série de assassinatos cujas vítimas são feitas picadinho por motosserras, como é mostrado na cena de abertura… Entre uma investigação e outra, Jack encontra um paralelo entre os assassinatos com a sua garota desaparecida, o que o leva a Mercedes, a prostituta interpretada por Bauer. Jack arranja um encontro com Mercedes num bar de strip tease e ao mesmo tempo em que investe na prostituta ele vê Samantha girando no palco. Pouco depois desta revelação Jack cai inconsciente por causa de uma droga que Mercedes colocou em sua bebida.

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Jack desperta para encontrar-se numa situação bem bizarra, amarrado e na presença de Mercedes, Samantha e um terceiro sujeito chamado de “The Master” numa espécie de seita misteriosa. E o filme vai ficando cada vez melhor. “The Master” (que é encarnado pelo próprio Leatherface do original O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, Gunnar Hansen) explica um bocado sobre a as propriedades sagradas da motosserra. WTF!!!

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O lance é que Samantha foi parar nesse culto da motosserra formado por prostitutas e stripers. O tal Mestre explica que a motosserra é a ligação cósmica que une todas as coisas no universo, num culto secreto que se originou há muito tempo no antigo Egito… Naturalmente! haha! Prestes a ser sacrificado e virar picadinho, Jack consegue escapar quando uma das serras fica sem gasolina e foge com Samantha.

De volta a seu escritório, os dois arranjam tempo para um pequeno romance, que serve também para preencher o tempo do filme, que já é breve demais. Logo, Samantha e Jack descobrem a localização secreta do templo cerimonial do culto de motosserra (ajuda muito que haja um cartaz de papelão apontando o caminho) e antes que você perceba, terá testemunhado um duelo de motosserras e o espetáculo cultural que é A Dança Virgem das Serras Elétricas Duplas!!!

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Dá pra perceber que o diretor e roteirista Fred Olen Ray não tem absolutamente nenhuma pretensão com HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS, a não ser nos divertir com essa historinha besta, uma boa dose de humor pastelão e de um elenco feminino lascivo que não tem receio de mostrar alguns pares de peitos, que é o grande e verdadeiro atrativo do filme. Os fãs das rainhas do VHS, como Michelle Bauer e Linnea Quigley, vão desfrutar bastante disso aqui. Principalmente quando estão com pouca roupa empunhando motosserras… Um fetiche estranho, mas que o filme entrega com perfeição.

ALIENS – O RESGATE (Aliens, 1986)

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James Cameron é fã de carteirinha de ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO (1979), de Ridley Scott, e precisou colocar em prova sua capacidade e talento – que não eram tão claros naquele período, – para ter seu nome escrito na cadeira de diretor desta continuação. Ainda estamos em 1980, passado apenas um ano do lançamento do original, os produtores já começam a viabilizar a idéia de uma sequência. O problema maior é encontrar um script que justificasse mais um filme.

Os produtores David Giler e Walter Hill chegaram ao pobre Cameron através do projeto de O EXTERMINADOR DO FUTURO (que ainda não havia sido realizado) e resolveram marcar um encontro para trocar idéias. Lá pelas tantas, depois de algumas doses de whisky, comentaram o desejo de realizar a continuação de ALIEN e Cameron se interessou subitamente. O tempo foi passando e, pós vários roteiros recusados, Cameron, que mal havia dirigido PIRANHA 2 e trabalhou apenas na parte técnica de algumas produções de ficção científica de baixo orçamento, conseguiu colocar na mesa dos executivos uma história que finalmente chamou-lhes a atenção. O roteiro ainda não estava pronto (e muita coisa foi mudada com outras pessoas metendo o bedelho), mas já era meio caminho andado; a base desse script eram idéias que o diretor estava desenvolvendo para um filme chamado MOTHER.

No entanto, era um risco colocar nas mãos de James Cameron a direção de um filme que exigia muito investimento, muita estrutura, muita coisa que aquele sujeitinho ainda não havia provado que sabia fazer. Ninguém podia assegurar que ele era realmente capaz de administrar todo o aparato que seria colocado em suas mãos. A prova de fogo foi o filme que Cameron estava realizando, ainda em fase de pré-produção. Se conseguisse ser bem sucedido, teria o emprego na continuação de ALIEN. Bem, todos nós sabemos que O EXTERMINADOR DO FUTURO foi um sucesso, então…

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ALIENS recebeu este título (e não ALIEN 2) porque em 1980, um italiano chamado Ciro Ippolito produziu, escreveu e dirigiu uma “sequência picareta” de ALIEN chamado ALIEN 2, com a trama se passando na terra. Mas ALIENS é um nome que se encaixa perfeitamente ao filme de Cameron, pois uma das principais diferenças do original é que, desta vez, Ripley (Sigourney Weaver) encara um exército de baratas espaciais ao invés de um único como no primeiro filme.

Sendo assim, o diretor de AVATAR tomou um caminho diferente ao de Ridley Scott. O primeiro filme da série era um exercício de claustrofobia, atmosférico ao extremo e trabalha muito bem o suspense. Sem dúvidas é um dos filmes contemporâneos mais eficazes nesse sentido e até hoje impressiona. Já o filme de James Cameron segue uma proposta que impõe um ritmo mais frenético à narrativa, com bastante ação, longos tiroteios, explosões, correrias, muita carnificina, etc (Cameron estava trabalhando também no roteiro de RAMBO 2 antes de começar este aqui, talvez estivesse muito focado nesses elementos…). O mais impressionante disso é que o respeito de Cameron pelo original é fundamental para balancear o tom entre os dois filmes. ALIENS possui atmosfera de horror suficiente para permanecer ao lado de ALIEN como clássico do gênero espacial e possui ação de tirar o fôlego suficiente para garantir a proposta de Cameron.

A trama de ALIENS se passa 57 anos após os acontecimentos do primeiro filme. Ripley desperta do seu sono criogênico depois de ter sua nave encontrada pela companhia na qual trabalhava; toma conhecimento de que toda sua família morreu; mal se recupera e já é persuadida para retornar ao planeta alienígena do primeiro filme numa missão para averiguar a situação dos colonos que agora habitam o local, já que a comunicação com eles fora interrompida. Ela se faz de difícil, etc, mas acaba aceitando e desta vez terá ajuda de um grupo de fuzileiros carregando um grande poder de fogo.

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O que se segue a partir daí é suspense intenso da melhor qualidade com altas doses de ação em cenários de ficção científica e atmosfera dark inspirados nas artes de H. R. Giger e intensificados pela ótima trilha sonora de James Horner; a contagem de corpos é altíssima, muitos fuzileiros matando aliens, sendo mortos também pra dar uma balanceada, embora o número de aliens seja bem maior, até chegar a um ponto em que Sigourney Weaver questiona James Cameron sobre o filme estar muito violento, ter muitas mortes e armas cuspindo fogo, e essas baboseiras, mas a resposta do diretor já demonstrava um sujeito que não se deixa levar por frescuras de ator: “Então vamos fazer uma cena que um Alien lhe ataca e você tenta bater um papinho com ele”.

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Além de Weaver, que recebeu uma indicação ao Oscar pela sua atuação, o restante do elenco merece uma atenção à parte. Temos Michael Biehn voltando a trabalhar com o diretor, Lance Henriksen fazendo um andróide para o desespero de Ripley (quem não se lembra de Ian Holm no primeiro filme?), Bill Paxton como alívio cômico involuntário, Paul Reiser, William Hope, Jenette Goldstein e outras feras que compõem um excelente time. E é curioso como grande parte deles são subestimados atualmente.

A versão que revi e recomendo fortemente é a estendida, na qual James Cameron realiza um estudo humano muito interessante com a personagem de Sigourney Weaver e ajuda bastante na compreensão de seus atos, no instinto materno com o qual ela acolhe e protege a garotinha, única sobrevivente dos colonos, enxergando a oportunidade de ter uma família novamente, já que a verdadeira se perdeu ao longo dos 57 anos. O confronto final entre Ripley e a alien rainha toma proporções épicas visto dessa forma. A protagonista tentando proteger sua “filha” e a criatura também com um instinto de proteção pelos seus ovos.

“Get away from her, you bitch!”

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Sobre a rainha e seu aspecto visual impressionante, vale destacar os incríveis efeitos especiais da equipe comandada pelo genial Stan Winston. É um troço realmente assustador! Não só ela, mas todos os aliens aparentam bem mais flexibilidade, agilidade e realismo em relação ao alien solitário do primeiro filme, embora o conceito de Giger ainda permaneça intacto. É a prova de que o talento manual de um verdadeiro gênio dos efeitos especiais sempre vai superar o resultado de um CGI.

Aliens é um filme inovador nos quesitos técnicos, afirmativa que pode ser reaproveitada em qualquer texto sobre os filmes dirigido pelo Cameron. Todas as suas obras seguintes revolucionaram o cinemão americano comercial de alguma maneira, seja nos efeitos especiais, sonoros ou até mesmo na forma como contar uma história, transformando seus trabalhos em experiências únicas para o público. Este aqui não foge à regra. É um espetáculo em todos os sentidos.

Feliz 2017 parra todos!

TEASER DE BLADE RUNNER 2049 + TRAILER DE ALIEN COVENANT + ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO (1979)

Primeiro, vamos ao teaser de BLADE RUNNER 2049:

Sou grande admirador de BLADE RUNNER – um dos trabalhos visuais mais colossais e deslumbrantes da ficção científica – e todo o universo que o rodeia, curto até a bagunça das variadas versões que o filme possui… Não sei bem o que pensar, entretanto, dessa continuação. Me parece boa, respeitosa, com o Ridley Scott comandando o barco na produção. E o Dennis Villeneuve é uma escolha interessante. Não sou grande fã de alguns de seus trabalhos, como OS SUSPEITOS, mas acho SICARIO muito bom. Não vi ainda ARRIVAL, uma incursão do diretor no sci-fi, mas pelas imagens do teaser dá pra criar boa expectativa, especialmente pela presença de Deckard (Ford) em cena. Na torcida por algo legal…

Agora, o trailer de ALIEN: COVENANT:

Ok, ainda é uma incógnita pra mim. Acho o retorno do Scott ao universo ALIEN, com PROMETHEUS, uma coisa linda. Portanto, meio que confio que COVENANT esteja em boas mãos e deva sair algo instigante, claustrofóbico e tenso pra caralho, espero… Claro que não deve chegar nos pés deste aqui:

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O que esse trailer, na verdade, me causou foi vontade de rever ALIEN – O 8° PASSAGEIRO pela milésima vez. Foi o que eu fiz e resolvi republicar esse textinho que escrevi no blog antigo.

É sempre bom relembrar o surgimento dessa belezinha. Em 1974, o jovem Dan O’Bannon escrevia um roteiro de ficção científica que acabou sendo DARK STAR, dirigido pelo então marinheiro de primeira viagem, John Carpenter. Eu adoro o filme, mas O’Bannon parece não ter ficado muito satisfeito com o resultado. A trama, entre outras coisas, é sobre a tripulação de uma pequena nave atormentada por um alien feito de bola de praia… sim, é tão genial e ridículo ao mesmo tempo.

Então o sujeito resolveu pegar alguns elementos de DARK STAR, buscou inspiração de alguns outros clássicos da ficção científica, como O PLANETA DOS VAMPIROS, para escrever um novo roteiro. Além disso, O’Bannon aproveitou sua aproximação com o artista H.R. Giger, da época em que estavam preparando a adaptação de DUNA, que teria a direção de Alejandro Jodorowski, para trabalhar na concepção visual desse novo projeto. Ainda teve o dedo de Walter Hill na produção e a direção de Ridley Scott… Então qualquer coisa que saísse dessa combinação de talentos seria, no mínimo, interessante. Calhou de sair ALIEN – O 8° PASSAGEIRO, ou seja, um dos maiores clássicos do horror espacial.

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Ao contrário de vários cinéfilos que conheço, não compartilho do mesmo desprezo pelo Ridley Scott. Não é um mestre, mas quando acerta demonstra que realmente sabe o que faz. Especialmente no início de carreira o sujeito estava em estado de graça! OS DUELISTAS, BLADE RUNNER e este aqui são obras de grande vigor cinematográfico… o problema é que quando erra, demonstra uma incompetência absurda. Basta lembrar de coisas como ATÉ O LIMITE DA HONRA ou sua versão de ROBIN HOOD.

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Em ALIEN a coisa é diferente. Scott aproveita da melhor maneira possível da força visual, do primor estético concebido por Giger, dos efeitos especiais, trilha sonora, para trabalhar o tenso climão claustrofóbico dos corredores escuros e cenários fechados da nave Nostromo em um crescente suspense. Sei que todo mundo está careca de saber sobre tudo isso, mas até hoje me encanta os detalhes e escolhas que Scott faz para a construção do horror. Todas as cenas dos ataques do alien, por exemplo, se baseiam muito mais na atmosfera do que a brutalidade. Se existe um filme que transcende o sentido de horror atmosférico é este aqui.

Dessa forma temos várias cenas brilhantes, como a que o personagem de Tom Skerritt, Dallas, adentra os apertados dutos de ventilação em busca do invasor indesejado. É tudo questão de manutenção de luz, sombras e noção de como utilizar os cenários… A criatura mesmo mal aparece durante todo o filme e mesmo assim, Scott tem nas mãos o suficiente para fazer a platéia gelar a espinha. Até hoje, já perdi as contas de quantas vezes já assisti ao filme, sei cada cena de cor e ainda assim me mantém vidrado. De fazer inveja a muito filmezinho de terror da atualidade.

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Algumas sequências são célebres. A visita de parte da tripulação à nave alienígena abandonada cheio dos famigerados ovos estranhos e o pobre John Hurt curioso botando a cara a “ver melhor”; Ian Holm se revelando após a violenta pancada na cabeça desferida por Yaphet Kotto; Sigourney Weaver de calcinha se preparando para a peleja final; e claro, o sensacional parto de John Hurt, dando à luz a uma lombriga de dentes afiados. Sem contar o aspecto incrível do monstro espacial, que me deixava arrepiado quando era criança e até hoje impressiona.

PANIC BEATS (1983)

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O prólogo de PANIC BEATS é uma das coisas mais absurdamente geniais que existe no cinema exploitation europeu! Uma sequência antológica e perturbadora, digna de um Lucio Fulci ou Jean Rollin, na qual um cavaleiro de armadura medieval, interpretado pelo grande Paul Naschy, persegue uma mulher completamente nua desesperada e gritando através de uma floresta nebulosa. A perseguição termina quando mulher cai por terra e é brutalmente espancada até a morte pelo cavaleiro com uma maça “estrela da manhã”. Aí vem os créditos iniciais e o resto do filme, que nunca chega ao nível do prólogo, mas que ainda possui algumas cartas na manga e vários bons momentos digno do cinema euro cult.

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Somos transportados para a moderna Paris, onde o bem-sucedido arquiteto Paul de Marnac (também interpretado por Naschy) recebe um diagnóstico médico de sua esposa,  Geneviève. Um coração fraco e doente torna imperativo que ela receba um longo descanso e evite grandes emoções. Paul sugere uma estadia prolongada em sua casa de campo, herdada de sua família, longe da cidade movimentada. Antes mesmo de chegar no local, no entanto, o casal já enfrenta algumas perturbações quando o carro fica sem gasolina e são atacados por um par de ladrões. Paul encara os vândalos numa situação meio bizarra e consegue afugentá-los e Geneviève consegue se controlar.

Finalmente o filme estabelece a ação na casa de campo. O local é cuidado por uma velha senhora, Maville, e sua jovem sobrinha fogosa Julie. E os de Marnac podem concentrar suas energias na recuperação de Geneviève e até mesmo tentar reavivar seu amor. Mas para Geneviève a paz e a tranquilidade são ilusórias. Ela acaba sempre se perturbando pela horrível lenda do antepassado de Paul, Alaric de Marnac, um cavaleiro do século XVI que assassinou sua esposa infiel e se tornou um devoto satanista, o mesmo sujeito do magnífico prólogo, obviamente…

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E aí vem o lado sobrenatural da coisa. Enterrado no cemitério local, a lenda diz que Alaric sai do túmulo a cada 100 anos para uma vingança sangrenta em qualquer noiva Marnac que não consegue cumprir os seus padrões. Uma noite, enquanto Paul está em Paris a negócios, Geneviève desmaia e quase morre de susto quando vê o fantasma de Alaric, de armadura e tudo mais, surgindo no local. Será que a lenda é real ou apenas ilusão provocada dos já desgastados nervos de Geneviève? Ou será que tem outras coisas bem mais complexas por trás de tudo?

Ainda sou um bocado neófito em termos de Paul Naschy. Assisti a pouca coisa que o sujeito fez, mas já deu pra notar porque foi um dos maiores atores do cinema exploitation. E, pelo visto, um grande diretor também. É o próprio Naschy quem dirige o ótimo PANIC BEATS e é o primeiro trabalho na função que eu parei para conferi. Naschy também escreveu o roteiro usando seu nome nome verdadeiro, Jacinto Molina, e demonstra que tem uma sólida ideia de como trabalhar com elementos estéticos e narrativos do horror gótico.

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Se não fosse pela quantidade de nudez e pelos assassinatos sangrentos que ocorrem ao longo do filme, poderia até se passar como um bom exemplar de thriller de horror old school que os italianos faziam nos anos 60, mas a violência gráfica e peitos de fora garante o toque preferencial de Naschy pelo excesso, pelo choque, pelo cinema de exploração, que particularmente eu aprecio mais… E Naschy é definitivamente um cara esperto, escrevendo um script para si mesmo em que garante uma série de cenas de pegação com mulheres nuas. Hehe!

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Obviamente PANIC BEATS é recomendado a quem já possui um certo gosto pelo exploitation europeu e sabe apreciar esse tipo de material. Temos um elenco bem afiado na medida do possível, especialmente Naschy, que é sempre um prazer poder vê-lo atuando, e que dirige habilmente a obra, sabe bem como extrair aquilo que é preciso para encher os olhos mesmo com um orçamento limitado. As sequências de tensão e suspense e até mesmo onde a violência explode na tela são muito bem cuidadas.

O filme, no entanto, tem lá seus problemas, tropeça em algumas ocasiões quando tenta se explicar demais, exagera nos diálogos expositórios e algumas sequências desnecessárias acabam por ser muito longas, quando poderiam ter simplesmente sido deixadas na sala de edição. Em suma, PANIC BEATS se arrasta em alguns momentos…

Ainda bem que os pontos positivos superam facilmente os negativos. E temos o prólogo… Só isso já vale o filme inteiro.

HALLOWEEN (1978)

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Este ano não fiz o meu habitual Especial de Halloween, com filmes de terror… Não tive nenhum motivo, apenas não me apeteceu. Mas como hoje ainda dá tempo de trazer algo aqui no blog sobre o tema, que tal falar um pouquinho de um dos maiores clássicos do gênero em todos os tempos e que carrega a data comemorativa estampada no título?Não sou muito chegado em escrever sobre as obras-primas já celebradas que existem por aí, prefiro comentar umas coisas obscuras e de qualidade duvidosa. Acho mais divertido. E considero HALLOWEEN, do John Carpenter, um filminho simplesmente GENIAL. Mas já que estamos exatamente nesta data especial, vou arriscar alguns comentários.

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Só pra provar o efeito que este filme teve no período do lançamento, basta observar o seu sucesso comercial. Com um orçamento de cerca de 300 mil dólares, arrecadou uns 60 milhões, tornando-se a produção independente mais lucrativa do cinema americano na época. Outra maneira de entender o fenômeno HALLOWEEN é de fato sentar a bunda no sofá e ver e rever e comprovar que se trata de uma das experiências mais fascinantes dentro do gênero do horror americano.

A trama, se formos parar pra analisar, é um fiapinho de nada sobre um assassino maluco e mascarado à solta numa pequena cidade na noite de Halloween, aterrorizando adolescentes. O que acontece é que essa historinha foi transformada, nas mãos de Carpenter, numa verdadeira aula de cinema, com uma assustadora coreografia de câmeras, iluminação, trilha sonora, em uma sucessão de planos/imagens que absorve o espectador num universo de horror de maneira única.

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HALLOWEEN cria um dos principais ícones do slasher americano, o serial killer Michael Myers, que é apresentado neste primeiro filme como um garoto que, no Dia das Bruxas, resolve pegar uma faca e descobrir como era sua irmã mais velha… por dentro. Tudo filmado num plano sequência de grande força visual, com uma câmera subjetiva onde nós adquirimos o olhar do precoce assassino. Após dez anos de confinamento num manicômio, Michael foge e retorna para Haddonfield para aterrorizar e fazer novas vítimas. Uma delas é Laurie, Jamie Lee Curtis, que consegue sobreviver e na sequência lançada em 1981 descobrimos que ela é a irmã de Myers.

O meu personagem favorito da série é o Dr. Loomis, encarnado pelo grande Donald Pleasence. O sujeito caça Michael Myers como Van Helsing caça vampiros, porque após anos e anos de estudos como psiquiatra de Michael, Loomis parece ser o único com a noção de perigo que é ter o Myers à solta zanzando por aí. A forma como demonstra isso é andar sempre com um 38 carregado. Não só neste, mas em quase todos os filmes da série em que o personagem aparece, Pleasence possui um desses desempenhos expressivos digno de nota.

9201859_orig1284125_origMas o grande destaque de HALLOWEEN e que o eleva ao status de clássico é mesmo a direção de Carpenter, com todo o trabalho de câmera e apuro visual, que eu não canso de elogiar, bastante influenciado por Dario Argento. Howard Hawks sempre foi uma inspiração óbvia do Carpinteiro, mas tanto pelo uso da câmera subjetiva, a maneira como se move, quanto pela estilização visual das cores e iluminação, fica claro, especialmente aqui, que Carpenter deu umas assistidas em PROFONDO ROSSO e SUSPIRIA antes de filmar HALLOWEEN. E o resultado visto na tela, somado à estranha e minimalista trilha sonora do próprio Carpenter, cria um clima de puro horror e tensão, praticamente estabelecendo um padrão para este tipo de produto. Quase todos os elementos que conhecemos dos slasher movies nasceram aqui e por isso nunca me canso dessa belezinha…

PLANETA DOS VAMPIROS (Terrore nello Spazio, 1965)

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Uma das provas definitivas de que o box Clássicos Sci-Fi da Versátil vale a pena é o fato de terem incluído essa pequena obra-prima do mestre italiano Mario Bava no meio de outras belezinhas. Poderia passar batido, não é filme dos mais populares atualmente, a moçada de hoje definitivamente não vai correr atrás, embora seja essencial a qualquer fã do gênero… Caramba, é uma das principais influências de ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO! Enfim, demonstra o bom gosto que a distribuidora dispõe em termos de curadoria. Já tinha assistido a PLANETA DOS VAMPIROS há alguns anos, mas me senti na obrigação de rever agora com o box em mãos e mais uma vez fui surpreendido com o refinamento das imagens de Bava, com a atmosfera de horror cuidadosamente elaborada ao narrar o conto sci-fi aterrorizante de uns astronautas que se metem em um monte de problemas no planeta Aura.

Duas naves interestelares, Argos e Galliot, estão em plena jornada espacial quando decidem investigar um misterioso sinal de SOS que emana do tal planeta chamado Aura. No momento em que chegam em órbita a merda é lançada no ventilador: As tripulações de ambas naves, após ficarem inconscientes, inexplicavelmente começam a atacar brutalmente uns aos outros com verdadeiras intenções assassinas. Apenas o capitão Markary (Barry Sullivan), da nave Argos, consegue se tocar da situação e evita maiores desastres. Os tripulantes passam a especular e fazer um balanço da bizarra situação, do que poderia ter causado todo o pandemônio e a relação com Aura, o planeta, que embora possua uma atmosfera respirável, possui uma paisagem infernal, borbulhando poços de lava e uma névoa onipresente…

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Mas será que a equipe da Galliot teve a mesma sorte? Uma mensagem desesperada chega a Argos vindo da outra nave, mas o contato é subitamente perdido. Markary organiza a sua tripulação para a busca, mas quando encontram a espaçonave irmã todos estão mortos. Aparentemente o mesmo surto de loucura psicótica que afetou Argos teve um efeito mortal sobre a tripulação da Galliot. Aos poucos, a coisa vai ficando cada vez mais esquisita, especialmente quando os corpos de alguns membros da tripulação da Galliot desaparecem misteriosamente e surgem logo a seguir controlados por uma força alienígena. Markary e seus oficiais tentam descobrir as intenções dessa inteligência extraterrestre desconhecida.

Em determinado momento, Markary encontra outra nave, gigantesca, com enormes aliens fossilizados a bordo. Foi de lá que veio o misterioso sinal… Várias situações surgem a partir desse plot e que não vale a pena ficar entrando em mais detalhes, mas claramente dá pra perceber que Dan O’Bannon provavelmente assistiu a PLANETA DOS VAMPIROS antes de escrever o roteiro de ALIEN (além, é claro, de IT! THE TERROR FROM BEYOND THE SPACE, outra referência óbvia que inspirou o filme de Ridley Scott). Mas é realmente impressionante quando os personagens deste aqui encontram a tripulação fossilizada dentro de uma nave abandonada. Recentemente revi com a minha mulher ALIEN pela milésima vez e, poucas semanas depois, assistimos a PLANETA DOS VAMPIROS. Eu ainda não tinha contado a ela sobre a influencia que um tinha pelo outro, mas no fim das contas nem precisei, de tão descarada que é essa sequência específica. Ela mesmo percebeu o óbvio.

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Os aliens fossilizados de PLANETA DOS VAMPIROS…

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… e os de Ridley Scott em ALIEN (1979).

Mas no que Ridley Scott busca um terror mais claustrofóbico, dark e realista em ALIEN, Bava exibe em PLANETA DOS VAMPIROS sua fascinação pelas histórias em quadrinhos, com um suspense de matinée divertidão e seu habitual uso de paletas de cores extravagantes para compor um visual mais fantasioso, com uma atmosfera exótica e irreal, mas ao mesmo tempo densa e sufocante à sua maneira. Bava já era um mestre de efeitos especiais e fotografia antes de se tornar diretor e um dos seus maiores talentos, inigualável na história do cinema, é sua capacidade de comandar produções de orçamento risível e dar a impressão de suntuosidade, grandeza e de que o dinheiro gasto era muito maior.

No caso de PLANETA DOS VAMPIROS, Bava reaproveitou cenários de HERCULES NO CENTRO DA TERRA, o seu peplum sensacional, para criar o visual do planeta Aura. Trabalhou sua habitual iluminação, com cores fortes e predominantemente vermelho e verde e jogou uma quantidade enorme de fumaça, neblina e voilá, temos aqui um planeta original e aterrador para uma aventura espacial! Já as naves em miniatura não são lá de encher os olhos e algumas cenas são até meio toscas, mas isso é o tipo de detalhe que confere um charme a mais à obra… E, mesmo assim, Bava é capaz de tirar leite de pedra, um autêntico mago dos efeitos especiais que era. A sequência do desembarque de Argos é muito eficaz visualmente, especialmente quando fica claro que a miniatura está sendo mergulhada num tanque de peixes com iluminação colorida que brilha através do vidro. Só mesmo Bava e sua equipe poderia fazer efeitos especiais tão baratos e toscos parecerem tão legais!

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Mas o filme não se resume a efeitos especiais. Uma das coisas que mais gosto em PLANETA OS VAMPIROS é como Bava utiliza vários elementos do horror gótico que ele mesmo ajudou a estabelecer na Itália nos anos 50 e 60, mas numa ficção científica no espaço sideral. Temos mortos-vivos, personagens saindo de sepulturas, o abuso de nevoeiros, até mesmo a construção atmosférica de horror que causam uma tensão bem mais intensa que os filmes do gênero naquele período estavam acostumados a causar. Na verdade, o filme funciona tão bem como um horror sombrio quanto o filme de ficção científica que ele pretende ser… É o conjunto disso tudo que torna o PLANETA DOS VAMPIROS tão singular.

No elenco, uma curiosidade, além de Barry Sullivan, temos a brasileira Norma Bengell fazendo um membro da tripulação de Argos e que se sobressai com um desempenho notável. O restante do elenco é formado por atores da Itália e Espanha, países que dividiram a produção de PLANETA DOS VAMPIROS. Um dos meus filmes favoritos do Bava, que ficou ainda melhor a cada revisão.

THE NEON DEMON (2016)

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Gosto do cinema do Nicolas Winding Refn desde VALHALLA RISING, que é uma boa representação do que podemos chamar de “estilo” do sujeito. Mas o que tenho reparado é que as pessoas esperam sempre um novo DRIVE. Claro, também acho sensacional, um dos melhores filmes da década até agora (e meu favorito do homem), mas embora tenha muito a mão do dinamarquês, é uma obra muito bem equilibradinha nos pólos forma x conteúdo. Só que isso não é bem Refn. Não vou entrar nos méritos dos filmes antes de 2010, mas Refn nunca foi comercial. Ele é frio, leeeeeento, é atmosfera e ambiente, composições kubrickianas, cores e estética, personagens que fazem pose, poucos diálogos, sem muita explicação narrativa, carrega aquela merda toda de simbolismo e um monte de coisa estranha acontecendo, e você tenta entender isso tudo, interpretar, mas fica frustrado e prefere desfrutar como uma obra surrealista, poética e autoral, mas que funciona de forma literal também, porque… Bem, às vezes um charuto é apenas um charuto, como dizia Freud. Ou seja, é tudo que eu detesto em vários diretores atuais, mas que no caso do Refn me fascina de uma maneira singular… Refn é isso, é VALHALLA RISING, ONLY GOD FORGIVES e, agora, THE NEON DEMON.

Enfim, THE NEON DEMON é uma fábula para adultos sobre o universo cruel da moda, dos corpos magricelas de modelos que parecem meninos de 12 anos desnutridos, um padrão da beleza perfeita da atualidade. Sou muito mais uma gordinha, mas isso é outra história. “Beauty isn’t everything. It’s the only thing“, diz um dos personagens numa das falas mais simbólicas do filme. É no meio disso tudo que entra a inocente Jesse (Elle Fanning), uma aspirante a modelo que possui uma aura sobrenatural de encantamento que ao mesmo tempo em que tem sua acensão garantida pelo efeito que provoca com sua “beleza perfeita”, é também envolvida por todas as merdas que esse meio sórdido carrega. Mau pra moça, bom pra nós que acompanhamos a coisa toda se degradando pra ela. Não vou entrar em detalhes, só digo que a faceta violenta do Refn não dá moleza por aqui. E à medida em que a coisa caminha para o desfecho, THE NEON DEMON toma proporções épicas de bizarrices.

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E não importa o quão repugnante são as situações, Refn filma tudo com a maior elegância e beleza possível. O grotesco é lindo em THE NEON DEMON. Fica bem claro pra mim que a única preocupação de Refn é com estética, cores, enquadramentos simétricos, a beleza das imagens em detrimento à própria narrativa, o que causa certa frieza e desconforto, mas que condiz perfeitamente com o universo do filme, e aí cito de novo o que aquele personagem diz: “Beauty isn’t everything. It’s the only thing“. Tudo bem pra mim, gosto de apreciar o espetáculo visual/sensorial de Refn. THE NEON DEMON é um filme para se ver, ouvir e sentir. Se tá tudo bem pra você também, então vai saber apreciá-lo.

Sobre THE NEON DEMON dialogar com o horror – na verdade foi anunciado como tal – quem conhece o Refn sabe que um filme de Vikings nunca vai ser só um filme de Vikings (VALHALLA), um car chase movie nunca será um car chase movie (DRIVE) e um kickboxer movie nunca vai ser um kickboxer movie (ONLY GOD) nas suas mãos, apesar de trabalhar com todos os elementos tais quais os gêneros estabelecem. THE NEON DEMON até possui vários ingredientes para saciar os fãs do horror, mas o estilo autoral do sujeito deve espantar o espectador “comum”. Em termos de história o filme nunca transcende o superficial, pelo menos não na forma convencional ou para aqueles que esperavam um novo DRIVE. Sobre o elenco, só tenho a dizer que o desempenho de Fanning é bem bom, assim como a de todo o elenco de desconhecidos. Já o Keanu Reeves tá sensacional e se destaca em todos os momentos em que aparece. E pra finalizar, descobri que justamente hoje é aniversário do Refn. Felicidades, man, e continue fazendo filmes sem concessões.

UM POUCO DE SANGUE…

… Só pra relaxar. Foi-me solicitada essa lista, dos meus slasher movies favoritos. Apesar da minha fissura pelo horror, não sou expert no subgênero. Muita coisa importante dentro do estilo eu ainda não conferi, o que é bom porque fazer essa lista me deu vontade de ver algumas coisinhas… Mas vocês vão notar a ausência de vários exemplares importantes. Enfim, deu pra chegar em dez títulos que gosto muito (apesar da trapaça no final da lista). Segue então um top 10 Slasher movies:

pieces310. O TERROR DA SERRA ELÉTRICA (Pieces, 1982), de Juan Piquer Simon

burning209. CHAMAS DA MORTE (The Burning, 1981), de Tony Maylam

alice-sweet-alice-remake08. COMUNHÃO (Alice, Sweet Alice, 1976), de Alfred Sole

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07. QUEM MATOU ROSEMARY? (The Prowler, 1981), de Joseph Zito. Tem texto dele aqui

af1da-BFD7F9D0-96E9-447B-857F-6A2A4E763BB906. O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (The Texas Chainsaw Massacre 2, 1986), de Tobe Hooper. Sim, eu adoro isso aqui!

impaled05. BANHO DE SANGUE (Bay of Blood, 1971), de Mario Bava. Também conhecido no Brasil sob o genial título O SEXO NA SUA FORMA MAIS VIOLENTA.

Stagefright-1987-Killer-Chainsaw-740x49304. O PÁSSARO SANGRENTO (Stagefright, 1987), de Michele Soavi

friday-the-13th-part-303. SEXTA-FEIRA 13 – Aqui começa a trapaça… Para não ficar enchendo a lista com vários filmes de uma mesma franquia, resolvi colocar a saga toda em destaque. Primeiro, pela representatividade que essa série possui no gênero, segundo, por ter criado um dos principais ícones do slasher, Jason Voorhees. Gosto basicamente de toda a série, mas destaco especialmente SEXTA-FEIRA 13 (Friday the 13, 1982), de Sean S. Cunninghan; SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 2 (Friday the 13th Part II, 1981), de Steve Miner; SEXTA-FEIRA 13 – PARTE III (Friday the 13th Part III, 1982), novamente do Miner, e a belezinha SEXTA-FEIRA 13 PARTE IV – CAPÍTULO FINAL (Friday the 13th: The Final Chapter, 1984), de Joseph Zito.

47968802. A HORA DO PESADELO – A mesma coisa aqui. Tirando um ou outro, gosto de todos os filmes da série, com destaque para A HORA DO PESADELO (A Nightmare on Elm Street, 1984), de Wes Craven; A HORA DO PESADELO 2: A VINGANÇA DE FREDDY (A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge, 1985), de Jack Sholder; A HORA DO PESADELO: OS GUERREIROS DOS SONHOS (A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors, 1987), de Chuck Russell, e uma maravilha chamada A HORA DO PESADELO 7 (New Nightmare, 1994), do Craven.

halloween_jamie-lee-curtis101. HALLOWEEN (1978), de John Carpenter