
Assistir a IT – UMA OBRA PRIMA DO MEDO, a primeira adaptação do livro de Stephen King, lá nos anos 90 quando era moleque, foi uma experiência, digamos, interessante. Especialmente para a minha formação como admirador de filmes de horror.
Rever agora, depois dos 30, tendo uma consciência do que é realmente um bom filme do gênero para os “meus padrões”, tendo na bagagem John Carpenter, Dario Argento, Lucio Fulci, Tobe Hooper, David Cronenberg, Clive Barker e até o Tommy Lee Wallace (diretor deste aqui, e que fez o maravilhoso HALLOWEEN III), já não foi tão agradável assim… Se levar em consideração que na mesma semana conferi a nova adaptação, aí que a coisa fica mais feia ainda para o filme de 1990.
Confesso que nunca li It. Portanto, não farei aqui nenhum tipo de comparação com o material original. Algo que, na verdade, eu provavelmente não faria mesmo que tivesse lido… Mas é notório que se trata de um romance que é um calhamaço de mais de mil páginas e esta primeira adaptação deve ter tentado esgotar ao máximo o que havia no livro. Acabou virando uma mini-série de TV com três horas de duração. Depois foi lançado em vídeo, inclusive no Brasil, com uma duração menor, mas ainda um loooongo filme que, querendo ou não, marcou muito o período, principalmente no meio da molecada que assistia escondido dos pais para comentar com os colegas no recreio no dia seguinte.

A trama, para quem tiver curiosidade, se passa nos anos 60, com um grupo de sete adolescentes na cidade de Derry, no Maine. Uma série de desaparecimentos e assassinatos misteriosos assola o local, incluindo o garotinho Georgie, o irmão mais novo de Bill, quem podemos chamar de personagem central dessa história. Esses amigos têm uma ideia do que está acontecendo, pois todos tiveram visões estranhas e encontros assustadores com a figura de um palhaço bizarro que chamam de Pennywise (Tim Curry). O grupo decide fazer algo em relação a isso e se aventura nos subterrâneos para tentar destruí-lo.
Trinta anos depois, o grupo relutantemente retorna para Derry quando Mike, o único que continuou morando na cidade, os chama para lhes dizer que Pennywise está de volta e os assassinatos estão acontecendo de novo. Apesar dos seus medos individuais, os amigos decidem mais uma vez entrar nos esgotos para enfrentar o palhaço do mal, ou seja lá o que for, e acabar com o horror de uma vez por todas.

Tudo isso em três horas de filme, que se revelou nessa revisão um tédio. Precisei de três noites, assistindo uma hora em cada. Simplesmente não consegui embarcar mais nessa aventura como quando o fiz há vinte e poucos anos atrás… A narrativa até se esforça para manter um certo ritmo, com o enredo se entrelaçando com cenas dos personagens adultos e flashbacks com eles no verão de 1960. Que é onde se concentra as melhores partes de IT, conseguindo criar um clima de nostalgia representado nessas crianças desajustadas que acabam se tornando amigos para toda a vida e unem-se para lidar com o horror que as afeta. É cativante, de certo modo, e bastante identificável se você também foi um moleque desajustado de dez anos… Apesar de exemplos melhores tenham aos montes no período, como OS GOONIES, VIAGEM AO MUNDO DOS SONHOS, DEU A LOUCA NOS MONSTROS e até, por que não, CONTA COMIGO, também adaptado de King.

Com os personagens menores, Tim Curry, como Pennywise, é mais assustador e memorável. Já adultos, com a turma mais velha lidando com o retorno do horror, a coisa perde a graça. Há algumas cenas divertidas, como quando se encontram depois de tantos anos, mas a química entre eles logo evapora com os atores adultos. É tudo tão frouxo… Algumas das cenas de horror nesses momentos também não têm o mesmo efeito, muito burocrático, sem inspiração, sem clima, especialmente quando voltam a entrar nos subterrâneos para o confronto final, que convenhamos, beira o ridículo.
O que ainda salva é o maravilhoso desempenho de Tim Curry. Sempre que eu recordava do filme durante todos esses anos, obviamente a primeira coisa que vinha na mente é a imagem de Pennywise aprontando as suas. É até desapontante perceber nessa revisão que, na real, ele aprece tão pouco em três horas…

A verdade é que a cada ano que passa, esta versão de IT vai envelhecendo mal e ficando menos divertida. Revê-la agora gerou algumas pontas de decepção. Apesar disso, há uma parte de mim que sempre gostará de IT, da nostalgia e do que ele representa pra mim como obra de horror num momento mais puro e inocente da minha formação cinéfila. E parte disso tem a ver com Tim Curry, cuja performance como Pennywise é o que faz o filme. Dito isso, a nova versão que está nos cinemas é um daqueles raros casos de ser melhor que o original em todos os sentidos. Provavelmente amanhã devo postar alguma coisa sobre ele…
Mas e quanto a este aqui? Vocês ainda têm boas recordações? Já fizeram alguma revisão atualmente?


































































Mas o grande destaque de HALLOWEEN e que o eleva ao status de clássico é mesmo a direção de Carpenter, com todo o trabalho de câmera e apuro visual, que eu não canso de elogiar, bastante influenciado por Dario Argento. Howard Hawks sempre foi uma inspiração óbvia do Carpinteiro, mas tanto pelo uso da câmera subjetiva, a maneira como se move, quanto pela estilização visual das cores e iluminação, fica claro, especialmente aqui, que Carpenter deu umas assistidas em PROFONDO ROSSO e SUSPIRIA antes de filmar HALLOWEEN. E o resultado visto na tela, somado à estranha e minimalista trilha sonora do próprio Carpenter, cria um clima de puro horror e tensão, praticamente estabelecendo um padrão para este tipo de produto. Quase todos os elementos que conhecemos dos slasher movies nasceram aqui e por isso nunca me canso dessa belezinha…








10. O TERROR DA SERRA ELÉTRICA (Pieces, 1982), de Juan Piquer Simon
09. CHAMAS DA MORTE (The Burning, 1981), de Tony Maylam
08. COMUNHÃO (Alice, Sweet Alice, 1976), de Alfred Sole
06. O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (The Texas Chainsaw Massacre 2, 1986), de Tobe Hooper. Sim, eu adoro isso aqui!
05. BANHO DE SANGUE (Bay of Blood, 1971), de Mario Bava. Também conhecido no Brasil sob o genial título O SEXO NA SUA FORMA MAIS VIOLENTA.
04. O PÁSSARO SANGRENTO (Stagefright, 1987), de Michele Soavi
03. SEXTA-FEIRA 13 – Aqui começa a trapaça… Para não ficar enchendo a lista com vários filmes de uma mesma franquia, resolvi colocar a saga toda em destaque. Primeiro, pela representatividade que essa série possui no gênero, segundo, por ter criado um dos principais ícones do slasher, Jason Voorhees. Gosto basicamente de toda a série, mas destaco especialmente SEXTA-FEIRA 13 (Friday the 13, 1982), de Sean S. Cunninghan; SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 2 (Friday the 13th Part II, 1981), de Steve Miner; SEXTA-FEIRA 13 – PARTE III (Friday the 13th Part III, 1982), novamente do Miner, e a belezinha SEXTA-FEIRA 13 PARTE IV – CAPÍTULO FINAL (Friday the 13th: The Final Chapter, 1984), de Joseph Zito.
02. A HORA DO PESADELO – A mesma coisa aqui. Tirando um ou outro, gosto de todos os filmes da série, com destaque para A HORA DO PESADELO (A Nightmare on Elm Street, 1984), de Wes Craven; A HORA DO PESADELO 2: A VINGANÇA DE FREDDY (A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge, 1985), de Jack Sholder; A HORA DO PESADELO: OS GUERREIROS DOS SONHOS (A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors, 1987), de Chuck Russell, e uma maravilha chamada A HORA DO PESADELO 7 (New Nightmare, 1994), do Craven.
01. HALLOWEEN (1978), de John Carpenter