THE WARRIORS – OS SELVAGENS DA NOITE (1979)

Estava revendo outro dia o DVD de THE WARRIORS que eu havia comprado há séculos, mas NUNCA tinha botado no aparelho para conferir. E, para minha surpresa, felizmente, descobri que a versão que eu tenho não é a director’s cut! Como eu não faço idéia do ano que essa versão do diretor foi lançada, julgo que a minha cópia veio antes. O filme foi relançado há uns dois anos por aqui e não sei também qual versão colocaram. A principal diferença é que a director’s cut possui uns efeitos de história em quadrinhos na edição de algumas transições que eu, particularmente, achei brega pra cacete. Prefiro a montagem original.

Mas isso não importa, THE WARRIORS é uma experiência obrigatória de qualquer jeito. E se alguém aí estiver lendo este comentário sem ter assistido ainda, recomendo que pare tudo agora e vá assistir! Se já passou mais de cinco anos que você viu, reveja! É impressionante a riqueza de detalhes que este filme possui. A cada revisão, novas descobertas.
Mas nem sempre foi tão fácil assistir ao filme. Nunca chegou a ser uma raridade, ou nada disso, especialmente aqui no Brasil foi bastante reprisado na TV e o acesso a ele nunca gerou algum tipo de complicação. Mas na época do lançamento, THE WARRIORS conseguiu fama de filme polêmico após confusões e quebra-quebra em alguns cinemas onde o filme era projetado. Em alguns países, como a Suécia, por exemplo, chegou a ser proibido.

Tá certo que é uma obra que faz um retrato perfeito sobre a onda devastadora das gangues nos anos 70 (embora seja baseado num livro da década de 60), tem um belo cartaz mostrando uma multidão de delinquentes com caras de poucos amigos, armados com bastões, e dizeres insinuantes. Então imaginem vocês assistindo a projeção na época do lançamento, dividindo o local com uma horda de membros de gangues, animados com um filme que fala sobre… eles!

Mas o que realmente me chama a atenção é a maneira na qual o diretor Walter Hill constrói sua fábula a partir de uma idéia tão simples. Os Warriors são uma gangue do sul de Manhattan que comparecem ao Bronx para participar de uma reunião com quase todas as tribos que planejam uma união para dominar a cidade.

“You’re standing right now with nine delegates from 100 gangs. And there’s over a hundred more. That’s 20,000 hardcore members. Forty-thousand, counting affiliates, and twenty-thousand more, not organized, but ready to fight: 60,000 soldiers! Now, there ain’t but 20,000 police in the whole town. Can you dig it?” É o que diz Cyrus, o líder da mais poderosa gangue da cidade e o cabeça da “rebelião”.

No entanto, Cyrus é assassinado à tiro enquanto ainda fazia o seu discurso no palanque. A culpa cai, injustamente, sobre os pobres Warriors. O resto do filme é a odisséia do grupo de volta ao seu território, tentando cruzar uma Nova York sombria e cheia de contratempos, esgueirando-se pelos becos e metrôs, correndo pelas ruas driblando policiais e trocando sopapos com os mais diversos membros de gangues.

Sem discursos morais, mensagens políticas ou temas complexos. Apenas uma aventurazinha superficial. É mais que suficiente para que Hill transforme isso aqui num pequeno clássico!

 

Mas não é, exatamente, um filme de ação. Na verdade, é até bem anticlimax… o fato é que toda a narrativa possui uma carga de tensão muito forte que compensa a ação, que acaba se concentrando no olhar dos personagens, nos seus atos, no mais simples diálogo… tudo se torna “ação” no contexto dramático construído em THE WARRIORS. É claro que temos algumas belas sequências de pancadaria que não poderiam faltar de forma alguma! A cena no banheiro é uma delas, além de ser uma prova da maestria de Walter Hill. Uma aula de montagem e cinema físico.

Também é curiosa a caracterização das gangues. Cada uma possui seu estilo próprio, seu vestuário, sua essência. É tudo tão bem definido nesse universo que algumas tribos urbanas poderiam ganhar filmes próprios! Eu seria o primeiro da fila para conferir um exemplar estrelado pelos The Baseball Furies, por exemplo, que é o grupo que usa uniforme de baseball e os membros pintam as caras!

 

 

Na vida real seriam ridicularizados, obviamente. Ser atormentado numa ruela escura à noite por uns carinhas de cara pintada? Certamente eu iria perder a carteira, mas não ia conseguir ficar sem tirar um sarro. Se bem que eu correria sério risco de levar uma paulada na nuca. Mas aqui é apenas um filme! Mesmo assim, é engraçado ver estampado uma seriedade absurda na cara dos persoangens enquanto vestem modelitos esquisitos.

Os Warriors inicialmente seriam formado apenas por negros, mas os produtores não aceitaram. Eles são bem discretos, o uniforme é apenas um colete básico. E vale comentar que na sequêcia da reunião logo no início, várias gangues reais estavam presentes, vestidos à carater com seus uniformes, o que gerou até uma certa tensão a mais nas filmagens.

Aliás, não vou nem entrar nos méritos das filmagens, que mereceria um post à parte. É notória a série de problemas que Hill e sua equipe tiveram para realizar THE WARRIORS. Mas é assim que nascem os clássicos, não? O filme deu início a uma série de exemplares sobre grupos de delinquentes, cheios de mensagens sociais e morais, algo que não existe por aqui. Mas também influenciou outras obras que também se assumiram como boa diversão de aventura/ação, como os clássicos italianos GUERREIROS DO BRONX e FUGA DO BRONX, ambos de Enzo G. Castellari.

O CAÇADOR DE TUBARÕES, aka Il cacciatore di squali (1979)

O máximo que O CAÇADOR DE TUBARÕES conseguiu fazer para me empolgar, foram algumas ceninhas filmadas sob a água, com dublês interagindo com tubarões e que certamente não foram filmadas pelo diretor da bagaça, Enzo G. Castellari. Na verdade, parecem tiradas de um documentário do Discovery Channel. De resto, o filme é uma monótona aventura de caça ao tesouro fazendo pose de filme de tubarão assassino, subgênero tão comum nos anos 70 após o sucesso de TUBARÃO, do Spielberg.

Nem a presença do ator Franco Nero ajuda a tirar o filme do buraco. O sujeito aqui é um americano que vive tranquilo numa praia paradisíaca em um país qualquer da América Central após perder sua família em um trágico acidente. Um pouco amargurado com isso, e com uma peruca loira ridícula, Nero passa seus dias capturando tubarões, comendo uma nativa, bebendo nos bares e trocando socos com arruaceiros… Um dia, o sujeito descobre um tesouro que foi parar no fundo do mar – no interior de um avião que caíra há algum tempo – e tenta retirar o dinheiro lá de dentro. Não demora muito, começam a aparecer umas figuras estranhas rondando o lugar, como o gangster do local, vivido por Eduardo Fajardo, e seus capangas, também em busca da grana.

Apenas uma desculpa para umas doses de tiroteios, explosões, pancadarias e uma longa perseguição que começa de carro, continua a pé e termina com Nero pilotando um avião atrás de seu alvo, tentando escapar numa lancha. Mas nada que lembre o Castellari de THE BIG RACKET ou INGLORIOUS BASTARDS, tudo filmado sem grandes inspirações e o esforço de inserir todos esses ingredientes apenas contribuem com a chatice que é O CAÇADOR DE TUBARÕES. Já disse que as cenas subaquáticas são interessantes, especialmente no final quando a sangreira rola solta e dá pra ver alguns membros decepados pelos ataques dos tubarões. E Franco Nero até tenta fazer um trabalho competente, embora fique difícil se levar a sério com a peruca! Hehe! Vale uma conferida, mas não esperem grandes coisas.

IN THE NAME OF THE KING 2: TWO WORLDS (2011)

Como eu havia prometido, aqui está a continuação do épico de fantasia de Uwe Boll, EM NOME DO REI 2, estrelado pelo Dolph Lundgren. O filme pode ser BAIXADO facilmente e já possui legendas em português. É só fazer uma pesquisa no google que vocês encontram fácil. E estou dizendo isso, incentivando o download, como forma de protesto contra essa babaquice de SOPA e PIPA que tem gerado discussões já faz um tempo, mas que explodiu de vez essa semana, por causa do fechamento do site Megaupload. Pau no c#$% de produtoras e senadores americanos que vem com essas idéias de jerico para acabar com a pirataria.

Mas enfim, os Anonymous já botaram o terror, por enquanto. Então vamos aproveitar e falar de coisa boa… er, nem tão boa assim, na verdade, porque diferente do primeiro filme, EM NOME DO REI 2 é bem fraco, apesar do Dolph como protagonista. Ele interpreta Granger, um policial, instrutor de artes marciais dos dias atuais, que é levado ao passado para cumprir uma profecia daqueles tempos. Seu objetivo é matar uma necromancer que lidera um exército que coloca em risco o trono do Rei, vivido por Lochlyn Munro.

E tanto personagem quanto ator parecem reagir da mesma forma diante do absurdo. Granger aceita com extrema facilidade o fato de ter viajado séculos no passado, bem longe de sua “casa”, sem saber se conseguirá retornar, fazendo piadinhas, aceitando na boa uma missão perigosa, enquanto o próprio Dolph Lundgren não parece se importar muito com o fato de estar nessa produção meia boca, com um orçamento bem abaixo que o do primeiro filme, que possuia um grande elenco de nomes conhecidos, boa produção, efeitos especiais convincentes…

E é exatamente pelo Dolph que EM NOME DO REI 2 vale ao menos uma espiada. O sujeito está engraçadíssimo, parece ter se divertido muito com as filmagens, deixado o filme com uma leveza, ao mesmo tempo, ele consegue ser badass, chutando bundas de cavaleiros de armadura, escudo e espada. Uwe Boll deve ter percebido isso e se aproveita muito do carisma e da força que o ator sueco transmite na tela. Tanto que a trama nem importa tanto. O filme é curto e a todo instante Boll joga o personagem em situações de ação.

E embora não sejam tão reconhecíveis assim, alguns integrantes do elenco mandam bem, na medida do possível, como Munro encarnando o Rei e a gata Natassia Malthe, do péssimo BLOODRAYNE 2, também do Boll. Além disso, temos um dragão em CGI que, como disse meu amigo Osvaldo Neto, parece trazido de um filme da The Asylum!

Não estou querendo empurrar pra ninguém que EM NOME DO REI 2 é uma maravilha do cinema moderno, pois não é mesmo, mas eu achei bem divertido. Se você é desses fãs ferrenhos que não deixa escapar nenhum filme do Dolph Lundgren, ou já é expert em curtir umas tralhas, então acho que vale a pena uma conferida.

EM NOME DO REI (In the Name of the King: A Dungeon Siege Tale, 2007)

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Resolvi fazer uma revisão de EM NOME DO REI antes de conferir a continuação, lançada recentemente lá fora no mercado de DVD, estrelado por um dos action heroes favoritos do blog, Dolph Lundgren. Mas mantenham a ansiedade por mais alguns dias, em breve faço o post de EM NOME DO REI 2, que aparentemente não possui qualquer ligação com este aqui. Por enquanto, fiquemos com o filme de 2007 que se revelou uma bela surpresa! Na minha cabeça, era uma tralha ruim de doer, mas divertido à beça pelos motivos errados. Na verdade, continua sendo isso mesmo, mas as suas virtudes se destacaram com mais ênfase dessa vez.

Ok, falar em virtudes num filme do Uwe Boll talvez seja um exagero, mas eu gosto de EM NOME DO REI! A história é simples, os diálogos são de rachar o bico de tão ridículos, tem muita ação, um elenco impressionante de rostos famosos fazendo cara de “que roubada que eu me meti!” e, claro, a direção do alemão maluco, pretensiosa até o talo, achando que está filmando um episódio da série O SENHOR DOS ANÉIS! Porra, Boll, coloque-se no seu lugar! Isso aqui é muito MELHOR que o O SENHOR DOS ANÉIS!!!

In The Name Of The King (2007)

Baseado em um jogo de video game, pra variar, a trama é uma típica aventura de fantasia comum, sem nenhuma complexidade, com um Rei precisando defender seu reino de uma mago maléfico e seu exército de Krogs, criaturas semelhantes aos Orcs, abalando a vida de um simples fazendeiro, que entra na situação para se tornar herói, mudar o seu destino e se descobrir como alguém muito mais importante do que esperava. Relevando a desnecessária longa duração, o negócio é meio que desligar o cérebro e embarcar neste universo criado pelo Boll e, naturalmente, observar os sub-astros de Hollywood pagando mico…

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Começando pelo protagonista, vivido pelo Jason Statham, que na verdade até que se sai bem como herói de ação, com aquela mesma expressão facial de todos os seus filmes. Ainda assim, acho o Statham um bom herdeiro das truculentas figuras de ação dos anos 80 e 90. Falta-lhe um pouco de carisma de vez em quando, mas gosto do trabalho dele em algumas coisas. Prosseguindo ainda com a lista de atores que o Boll, milagrosamente, conseguiu reunir aqui, temos Ron Perlman, Leelee Sobieski, John Rhys-Davies, Claire Forlani, Matthew Lillard, e as cerejas do bolo: Burt Reynolds, encarnando o Rei, e Ray Liotta, vivendo o mago malvado que deseja o trono.

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Estes dois últimos merecem um parágrafo à parte. Quando Reynolds surge em cena, vemos um ator deixar claro o quão empolgado ele está por fazer parte do filme. O sujeito mal se mexe na cadeira e cospe as falas com um desânimo subversivo… é de dar pena! A maior parte do tempo, Reynolds fica sentado ou deitado, mas até que participa um pouco de umas sequências de batalha. Aliás, sua participação é até maior do que eu esperava, especialmente depois da primeira aparição, com o olhar de arrependimento, mas louco pra receber o cheque logo e voltar pra casa. Mas a canastrice rola solta mesmo é com Ray Liotta! O sujeito está engraçadíssimo e muito à vontade! Diferente de Reynolds, percebe-se que Liotta se diverte com seu personagem, soltando aquelas gargalhadas que só ele faz… não tem como não se divertir com ele.

In The Name Of The King (2007)

Eu só não consigo entender de onde tiraram que o Uwe Boll é, ou foi, o pior diretor do mundo! Tá certo que fez ALONE IN THE DARK e HOUSE OF THE DEAD, mas pera lá! O cara também fez BLOODRAYNE, TUNNEL RATS, POSTAL e outros, que não são obras primas, mas demonstram um diretor com colhões e que sabe o que faz. Existem vários diretorezinhos de estúdios americanos que não chegam aos pés do Boll. São tão sem personalidade que nem são lembrados na hora de apontar o pior diretor da atualidade.

As sequências de guerra e confronto corpo a corpo de EM NOME DO REI, por exemplo, não fazem feio diante das realizadas pelos grandes estúdios. São bem elaboradas e executadas, embora não tenha muito sangue. Mas é realizado à moda antiga e sem frescuras, quase não se vê CGI sendo desperdiçado… No meio da batalha na floresta, há um longo travelling que mostra a extensão da batalha, com vários figurantes e muita noção de espaço e arquitetura de ação. Perto de algumas coisas que vi no cinema nos últimos anos, isso aqui é uma aula de direção.

Vamos ver agora como o Dolph Lundgren se sai sob a direção do Boll. Se for tão divertido quanto este aqui, já fico muito satisfeito.

A ESPADA E OS BÁRBAROS (1982)

A década de 1980 deixou um vasto acervo de filmes do gênero Sword and Sorcerer, estilo que tratava de tempos longínquos e misturava realidade e fantasia em aventuras alucinantes que marcaram época. A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo público jovem de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANEIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais “trash”, como DEATHSTALKER. A ESPADA E OS BÁRBAROS é um belo exemplar desse ciclo oitentista, que acabou nomeando o gênero com seu título original, THE SWORD AND THE SORCERER.

Mas infelizmente, e até curioso isso, A ESPADA E OS BÁRBAROS também acabou no ostracismo. Merecia ter-se tornado no mínimo um clássico! Além de ser uma ótima aventura com boas doses de violência, bastante humor, mulheres nuas e efeitos especiais à moda antiga de primeira qualidade, o filme foi um enorme sucesso comercial levando em conta seu orçamento discreto. Para ter uma noção, CONAN – O BÁRBARO, em toda sua magnitude, lançado no mesmo ano e com capital mais espaçoso que este aqui, arrecadou apenas dois milhões a mais. Nada mal para o estreante diretor havaiano Albert Pyun, um dos favoritos da casa.

Segundo o produtor Brandon Chase, valeu a pena arriscar com Pyun na direção. Havia cinco anos que os roteiristas Tom Karnowski, John V. Stuckmeyer e o próprio Pyun estavam trabalhando na idealização do projeto. Nada mais justo deixar que o jovem diretor, então com 26 anos, colocasse em prática os “ensinamentos” lhe passado por Takao Saito, diretor de fotografia de vários filmes do mestre Akira Kurosawa. Claro que pelo resultado na tela em muitos de seus filmes parece que seu aprendizado foram-lhes passado por um Ed Wood, mas Pyun mandou bem em muitos detalhes de A ESPADA E OS BÁRBAROS, especialmente no ritmo ágil que garante diversão, assumindo uma postura de aventura B sem grandes pretensões.

A trama é basicamente um conto de vingança. Temos o rei Cromwell (Richard Lynch) tentando conquistar um reino cujo exército é invencível, mas com a ajuda de Xusia, um feiticeiro monstruoso e muito poderoso, consegue vencer a batalha e fazer daquele local o seu reino maligno. A história continua anos mais tarde, quando Talon (Lee Horsley), o filho do rei assassinado que conseguiu escapar naquela altura, se torna um guerreiro mercenário e lidera um grupo de saqueadores que realiza jornadas de cidade em cidade. Quando retorna ao antigo reino em que vivia, Talon resolve se vingar daquele que matou seus pais, libertar o povo da tirania e ainda conquistar o coração de uma princesa.

Richard Lynch deve ter aqui um de seus melhores desempenhos. É desses atores que parece estar sempre dando tudo de si mesmo quando envolvido na maior das porcarias de baixo orçamento e que só aceitou fazer para pagar as contas atrasadas, o que acaba valendo a pena pela sua presença marcante nas fitas que participa. Já Lee Horsley, que dá vida ao herói, possui trejeitos que me lembram muito Errol Flynn: demasiado canastrão que sabe se impor em cena, especialmente quando está em movimento em sequências de ação. Inclusive a semelhança física entre os dois reforça esse devaneio meu…

Alguns dos pontos de maior relevância, entretanto, são os cenários, efeitos especiais e maquiagem. Logo no início, na caverna onde Cromwell ressuscita Xusia, há uma parede de rostos que adorna a tumba do feiticeiro cuja concepção visual é muito interessante. O próprio Xusia é um ser repugnante com um aspecto monstruoso bem legal. Brilhante também a trilha sonora de David Whitaker e a fotografia de Joseph Mangine que realçam muito bem a atmosfera das locações e ambientações.

Albert Pyun iniciou a carreira com o pé direito, não há dúvidas. Teve liberdade total para ousar, possuía muita gente boa trabalhando na produção e parte técnica, um excelente ator como Richard Lynch no elenco e não desperdiçou a oportunidade de realizar um belíssimo filme de aventura do estilo “Sword and Sorcerer“.

Uma pena que vários de seus trabalhos seguintes não tiveram o mesmo sucesso. Atualmente estamos aguardando ansiosamente por cada filme. Existem pelo menos quatro previstos para serem lançados este ano, incluindo TALES OF ANCIENT EMPIRE, sequência de A ESPADA E OS BÁRBAROS, que estava nos planos dos produtores desde aquela época.

TORNADO (1983)

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Últimos dias da Guerra do Vietnã. Um capitão americano sem coração (Tony Marsina) envia seus soldados do grupo de elite “Boinas Verdes” em missões de alto risco além das linhas inimigas. O sargento Maggio (Giancarlo Prete, aka Timothy Brent) não concorda muito com essas incumbências suicidas e sem sentido. Logo no inicio de TORNADO, durante uma destas missões, um soldado se fere e Maggio retorna para buscá-lo. O capitão ordena aos helicópteros que partam imediatamente, sem esperar o sargento que carrega bravamente seu amigo ferido.

Deixado para trás, Maggio utiliza-se de todas as suas técnicas especiais de combate e sobrevivência na selva para conseguir retornar ao posto americano. E consegue, levando o soldado – e a si próprio – com vida. Isso tudo em apenas 20 minutos de filme, dando uma verdadeira noção do que esperar de TORNADO.

Depois de uma tragédia, finalmente Maggio decide bater de frente com o capitão (e bater de frente significa um murro bem dado na cara do seu superior). Maggio é preso e escoltado para a corte marcial, mas consegue escapar e agora se encontra em pleno território inimigo tentando chegar à zona neutra, mas não sem antes enfrentar os vietcongs e os próprios soldados americanos! Não é de lascar uma trama como essa?

O script de TORNADO é cortesia de Tito Capri e Gianfranco Couyoumdjian (cujos currículos são repletos de pérolas do cinema popular de gênero), apesar da falta de originalidade, conseguem desenrolar um roteiro que bebe da fonte (leia-se: copia na cara dura) de vários filmes de ação e guerra que foram grandes sucessos e influenciaram dezenas de tralhas como esta aqui. O FRANCO ATIRADOR, APOCALYPSE NOW e RAMBO são os principais títulos que vêm em mente enquanto se assiste a TORNADO.

Algo absolutamente normal. Na década de 80, o cinema popular italiano entrava em decadência na mesma intensidade que a picaretagem dos produtores, roteiristas e diretores carcamanos aumentava. Margheriti, que era prolífico, foi um dos que mais se aproveitaram de reciclar boas idéias, retiradas de produções de sucesso, para transformá-las em filmes de baixo orçamento filmados onde Judas perdeu as botas. Isso, claro, muitos anos depois de ser respeitado como um dos grandes nomes do horror gótico italiano (embora tenha passado por praticamente todos os gêneros do cinema popular de seu país).

Embora TORNADO seja assumidamente barato e apresente os defeitos que este tipo de produção possui, o filme consegue passar a sua mensagem anti-bélica com muita clareza e autenticidade, ao invés de simplesmente explorar a violência da guerra sem qualquer tipo de reflexão. E isso fica evidente na presença do repórter vivido por Luciano Pigozzi, que tenta a qualquer custo investigar e denunciar os abusos cometidos pelo capitão.

TORNADO fecha uma espécie de trilogia da guerra do Vietnã que Margheriti realizou no inicio dos anos 80, composta também por THE LAST HUNTER e TIGER JOE, todos rodados nas Filipinas, local que serviu de cenário para centenas de produções italianas naquela época. O trabalho de direção de Margheriti aqui é bem típico ao específico cinema que estava fazendo, rodado às pressas, com orçamento risível, tentando ao máximo usar a criatividade (algo que nem sempre consegue), aproveitando atores, locações, objetos cenográficos e até mesmo sequências inteiras utilizadas em outros filmes. Várias cenas de ação que aparecem em TORNADO foram, inicialmente, filmadas para THE LAST HUNTER, mas com uma boa edição e muita cara de pau, isso se torna apenas mais um detalhe curioso e um charme a mais para os fãs de tosqueiras divertidas como esta aqui.

CONQUISTA SANGRENTA (Flesh+Blood, 1985), de Paul Verhoeven

Último filme do nosso prezado holandês doidão realizado na Europa antes de embarcar para os Estados Unidos, mas já rodado com dinheiro americano e falado em inglês (só depois de duas décadas ele voltaria ao seu país natal e realizaria A ESPIÃ). CONQUISTA SANGRENTA é uma aventura que se passa num ambiente medieval carregado de obsessões do diretor, ou seja, muita violência e sexo! O que é essencial aprender sobre Verhoeven é o seguinte: não importa o material, gênero, país em que trabalhe, tire as crianças da sala na hora de assistir a qualquer filme do sujeito!

A trama gira em torno de um grupo de mercenários rufiões, liderados por Martin (Rutger Hauer). Traído por um nobre, o bando seqüestra a donzela Agnes (Jennifer Jason Leigh), prometida de Steven (Tom Burlinson), filho do tal fidalgo, que tenta fazer de tudo para ter sua amada de volta. Apesar do ambiente medieval, o filme transcorre no ano de 1501, ou seja, num período de transição para a Era Moderna e o filme deixa esse detalhe bem evidente com o personagem de Steven, que é metido a homem da ciência e tenta criar invenções bélicas mirabolantes para recuperar Agnes, que já deixou de ser donzela há muito tempo nas mãos de Martin.

É curioso notar como Verhoeven consegue colocar o grupo de bárbaros mercenários, proxenetas, saqueadores, estupradores, homossexuais e prostitutas como os “bonzinhos” carismáticos da estória, enquanto o pobre moço perdido de amor é retratado como um vilão. No meio disso tudo, Agnes, uma personagem deveras ambígua. Gosta de pegar na espada de Martin, mas alimenta as esperanças de Steven. Aliás, J.J. Leigh está sensacional em seu desempenho e bastante desinibida. A recriação de época também merece destaque com os personagens sujos em ambientações igualmente imundas e insólitas, como na cena em que Agnes se encontra com Steven num cenário perfeito para iniciar um belo romance: debaixo de dois corpos putrefatos pendurados numa árvore…