THE JOURNEY: ABSOLUTION (1997)

David DeCoteau é desses diretores de gênero de baixo orçamento, surgidos nos anos 80, que recomendo conhecer. É da mesma linhagem que um Jim Wynorski e Fred Olen Ray, que filmam em grande quantidade, com poucos recursos e entregam aquilo que os amantes de um filme B almejam: boas doses de violência e mulheres nuas em filmes curtos e despretenciosos cheio de atores legais… E com relativa qualidade.

O que torna DeCoteau especial é que ele é gay, então mesmo que seus filmes sejam realizados para um público hétero, não vão faltar muitas cenas de homens suados semi nus desfilando na tela. Em 1997, o sujeito lançou seu filme mais “ambicioso”, LEATHER JACKET LOVE STORY, um projeto autoral, em preto e branco, de temática gay, que passou em festivais de filmes independentes no período e que parece ser bem interessante. Sobretudo vindo de um diretor de tranqueiras como o DeCoteau. Nem Olen Ray e Wynorski fizeram algo do gênero…

De todo modo, naquele mesmo ano, DeCoteau volta a abraçar suas raízes ordinárias e lança também THE JOURNEY: ABSOLUTION, que é mais coerente com a sua obra. Enquanto LEATHER JACKET LOVE STORY rodava festivais, no mercado de vídeo chegava esse trabalho de contrato para a EGM Films do produtor John Eyres, uma ficção científica das mais vagabundas. A trama se se passa num futuro cuja maior parte da Terra havia sido destruída por um asteróide. Na trama, acompanhamos uma pequena colônia militar, na Nova América, que conseguiu sobreviver no Ártico, povoada basicamente por homens de pouca roupa que passam seus dias se exercitando.

Quando soldados começam a desaparecer misteriosamente nessa colônia, as autoridades enviam Ryan Murphy (Mario Lopez) para investigar tais desaparecimentos e o líder tirânico do local, o sargento Bradley (vivido pelo grande Richard Grieco). Enquanto testemunha cerimônias bizarras e técnicas de treinamento brutais, Murphy percebe que soldados desaparecidos é apenas o começo de uma conspiração que vai além do nosso mundo, envolvendo invasão alienígena e etc…

Sim, a trama parece promissora, mas não se apeguem muito a isso…

O que realmente temos em THE JOURNEY: ABSOLUTION é Mario Lopez e seus companheiros de quarto correndo pra lá e pra cá pelo cenário, pulando, abraçando e brigando em roupas íntimas. Afinal, como disse, é um filme dirigido pelo Decoteau, então obviamente a coisa vai dar a impressão de estarmos assistindo a um comercial de cuecas da Calvin Klein.

Eventualmente umas amiguinhas aparecem pra agradar ambos os públicos…

Lopez tem um rosto reconhecível, fez algum sucesso na televisão, mas se ele tava achando que esse tipo de material iria ajudar a dar um gás na carreira, acho que se enganou. Aqui ele até se esforça como herói, mas não consegue exatamente passar a ideia de fodão badass. Porém, para o tipo de produção que temos aqui, ele funciona como o herói solitário tentando investigar o local enquanto tem que lidar com um bando de rapazes desconfiados da sua presença. E para o propósito de DeCoteau de filmar jovens de corpos esculturais sem camiseta, o cara serviu bem.

Enquanto isso, o grande Richard Grieco engole o cenário com uma atuação maravilhosa, expansiva, suando, cospindo e gritando profusamente, até que os vasos sanguíneos em sua testa ameaçam se libertar, como ele “odeia ianques e retardados“. Isso quando não está cheirando roupas íntimas…

Grieco é um baita ator, uma dessas figuras do cinema B americano subestimadíssima, que nunca teve o merecido reconhecimento. E aqui mostra um bocado do que é capaz, parece estar se divertindo muito. É absurdamente ridículo, do jeito que a gente gosta.

E temos a personagem de Jaime Pressly, cuja aparição com a outra amiguinha da imagem lá de cima são as únicas presenças femininas do filme. Elas surgem meio que do nada nesse universo de homens pra dar uma alegrada no público que não quer ver só nádegas masculinas… O que inclui uma cena de sexo, típica de um Cine Privé, protagonizada por Pressly e Lopez.

O IMDB informa que THE JOURNEY: ABSOLUTION foi produzido com um orçamento de US $1,7 milhão. Vão me desculpar, mas já vi filmes com orçamentos menores com resultados bem mais interessantes. A coisa aqui parece que foi filmada com 1/3 desse orçamento. Basta observar as sequências com efeitos especiais, explosões digitais, é tudo muito tosco. Deve ser algum esquema de lavagem de dinheiro… Ou talvez Jaime Pressly cobrou bem caro pra ficar à vontade nas ceninhas acima. Nunca saberemos.

Não é exatamente um filme de ação, mas temos alguns momentos bacanas, com uns tiros e lutas. São escassas, concentradas mais no último ato e nada especiais também, mas até que são dignas e filmadas sem frescura.

E é isso por hoje. Não tenho lá muito o que falar de THE JOURNEY: ABSOLUTION, mas recomendo. Não é um filme exatamente bom, o roteiro, no fim das contas é um fiapo e não se sustenta por muito tempo, o ritmo acaba prejudicado e é meio chatão em alguns momentos, mas pode agradar os amigos que curtem uma boa e velha tralha de baixo orçamento dos anos 90. Ou pra quem quer ver moços musculosos em roupas íntimas, malhando e ficando suados. Então, não é de todo ruim… É medíocre, exagerado, ridículo, mas também tem seus momentos de humor involuntário e com Grieco em estado de graça.

ALMIGHTY THOR (2011)

Este aqui é complicado… Não sei nem por onde começar. Mas tudo bem, vamos pela história, que não possui qualquer relação com os quadrinhos do Deus do Trovão, mas já sabemos de antemão que se trata de mais uma produção da The Asylum, então não é surpresa alguma. Em ALMIGHTY THOR, Loki (Richard Grieco) não é irmão de Thor (Cody Deal), mas uma espécie de feiticeiro que surge sem muita explicação e usa seus poderes e umas criaturas que parecem cachorros misturados com dinossauros, feitos em um CGI bem fuleiro, para destruir Asgard em busca de um tal martelo da invencibilidade!
Odin, antes de ser morto (ah, não se preocupem com spoilers), se livra do martelo através de um portal mágico. Seu filho, Thor, junto com uma guerreira local, consegue passar pelo portal e vem parar aqui na terra, onde tenta encontrar o artefato para derrotar Loki!
Sim, até parece ser um filmaço, mas não se engane pela minha descrição, nem pelo poster ou trailer. ALMIGHTY THOR é uma porcaria extremamente mal dirigida, com efeitos especiais pobres, um roteiro risível, atuações constrangedoras, pós produção mal acabada, etc. Claro que tudo isso são detalhes que dão um charme às produções da The Asylum e divertem aqueles que sabem apreciar esse tipo de tralha. O problema é a “seriedade” com a qual a coisa é levada. O filme é arrastadíssimo, chato e sem graça… e nem cabe aqui a desculpa da falta de dinheiro da produção. Falta mesmo é bom senso dos realizadores…
As cenas da batalha do início dão vergonha alheia. A noção de tempo, espaço e continuidade é lançada às favas e é preciso ter estômago pra aceitar alguma coisa. Quando a trama passa a transcorrer na Terra, a impressão é de que o filme vai melhorar. Mas infelizmente consegue ficar pior!!! É uma encheção de linguiça que tem certa graça no início pela situação ridícula, do tipo tão ruim que chega a ser bom, mas depois meia hora assistindo a mesma coisa, fica difícil… De tempos em tempos temos umas ceninhas de ação, mas são rápidas e não dá pra animar muito a vida do espectador.
Das poucas centelhas de genialidade (sim, temos algumas, haha!), uma delas é este plano acima, onde Thor parte pra cima de Loki com uma UZI!!!! O martelo não é suficiente?! Esse era o espírito que o filme deveria manter do início ao fim, mas não consegue… Quem consegue é Richard Grieco, o único que parece à vontade, percebeu a bomba que se meteu e não está nem aí, apenas ri de si mesmo. Cody Deal faz um Thor patético, abobalhado, bunda mole e chorão…difícil, muito difícil…
Mas ainda assim, prefiro ALMIGHTY THOR do que o THOR do Kenneth Branagh!

PS: A direção é de Christopher Ray, filho do Fred Olen Ray!