LOBO SOLITÁRIO – NA TERRA DOS DEMÔNIOS (1973)

O quinto capítulo da saga, LOBO SOLITÁRIO – NA TERRA DOS DEMÔNIOS (Lone Wolf and Cub: Baby Cart in the Land of Demons), marca o retorno de Kenji Misumi à direção, algo que dá pra sentir imediatamente. Depois do desvio mais “pop” do filme anterior, aqui a série reencontra um equilíbrio mais preciso entre contemplação, densidade temática e as explosões de violência. É, para muitos (e talvez pra mim também), um dos pontos mais altos de toda a franquia. A trama é uma das mais interessantes e intrincadas até aqui, com Ogami Ittō, vivido novamente por Tomisaburo Wakayama, contratado por facções rivais do clã Kuroda para resolver uma conspiração envolvendo cartas reveladoras, a substituição de um herdeiro legítimo e o risco de destruição completa do clã. No centro disso tudo tá o abade Jikei, uma figura ambígua, que opera nas sombras e mantém ligações secretas com o clã Yagyū, inimigo mortal de Ittō. Como é comum na série, a política feudal serve tanto como pano de fundo histórico quanto um labirinto moral onde lealdade, poder e traição se embaralham constantemente.

O filme já começa de forma brilhante, com cinco mensageiros testando a força e a determinação de Ittō, cada um carregando uma parte do pagamento e um fragmento da missão. A cada encontro, um desafio, físico ou psicológico, e um avanço na compreensão do trabalho. Um deles, talvez o mais memorável, entrega sua mensagem enquanto queima vivo, com uma serenidade quase sobrenatural.

O confronto com o abade Jikei introduz uma camada filosófica ainda mais explícita na jornada de Ittō. Ao tentar assassiná-lo durante um festival, o Lobo Solitário descobre que ainda não está pronto, fica estático, não consegue agir e cumprir sua missão. E ainda ouve que seu alvo “se fundiu ao nada”, só podendo ser derrotado quando ele próprio atravessar a chamada “barreira sem portões”. Seja lá o que isso significa, mas acredito que sejam ideias influenciadas por conceitos do zen-budismo, que sugere um estágio de consciência onde não há mais distinção entre intenção e ação, entre vida e morte. Para um homem que já vive como um “demônio” na Terra, resta ainda um último passo, que é esvaziar-se completamente.

Perdido pela primeira vez, o ronin vive um episódio decisivo, quando Daigorō, o pequeno companheiro de jornada, é preso e brutalmente castigado em praça pública por se recusar a denunciar uma batedora de carteiras. Em silêncio, ele suporta a dor com uma dignidade quase impossível para uma criança, demonstrando uma determinação silenciosa que inspira o pai, sua resistência funciona como catalisador para que Ittō encontre força necessária para atravessar a tal “barreira sem portões” e atingir o nível final de sua arte.

A partir daí, o filme mergulha em ação quase constante. Itto supera ninjas, soldados mascarados, agentes do clã Yagyū e finalmente cumpre as suas missões, incluindo o assassinato de Jikei e até uma criança de cinco anos, numa sequência brutal, consolidando-se como o assassino perfeito. Toda a sequência de ação final, aliás, é magistral, um trabalho preciso, visceral e belíssimo de orquestração da violência. Misumi demonstra porque era o maioral nese tipo de filme, registra a ação como um pintor expressionista, transformando um massacre em arte. E sintetiza tudo o que a série construiu até aqui. NA TERRA DOS DEMÔNIOS funciona como a afirmação de um cineasta no auge de seu domínio formal. Misumi parece totalmente confortável em equilibrar ação, contemplação e espetáculo.

E agora que só falta um filme pra terminar a saga, percebe-se um Ogami Ittō se aproximando cada vez mais de uma figura quase mitológica, não apenas um homem em busca de vingança, mas alguém disposto a atravessar o próprio vazio para cumprir seu destino.

LOBO SOLITÁRIO 3: CONTRA OS VENTOS DA MORTE (1972)

O terceiro capítulo, LOBO SOLITÁRIO 3: CONTRA OS VENTOS DA MORTE (Lone Wolf and Cub: Baby Cart to Hades, 1972), dirigido novamente por Kenji Misumi, começa com um grupo de bandidos pervertidos atacando mulheres indefesas. Rapidamente são colocados em seus devidos lugares por um ronin mercenário. É uma abertura que segue o que já tava estabelecido na série, o tom brutal e direto, e que introduz uma figura interessante que funciona como espelho de Ogami Ittō. Quando os dois finalmente se encontram, há um reconhecimento silencioso entre iguais, mas o duelo é evitado, Ittō opta por um “empate”, acompanhando a decisão com reflexões que tocam no coração filosófico da série. Nas palavreas do próprio Lobo Solitário, ele e seu filho caminham como demônios pelo mundo, já mortos em vida, apenas cumprindo o percurso inevitável rumo ao inferno, ou algo do tipo… Não é a toa que o título internacional cita Hades, deus grego do submundo e dos mortos, governante do reino subterrâneo onde as almas residem.

Essa dimensão quase espiritual ou fatalista é algo que tá sempre presente nas histórias do Lobo Solitário, seja nesses filmes ou na obra original, o mangá Lone Wolf and Cub, de Kazuo Koike e Goseki Kojima. Aqui, no entanto, ela parece ganhar ainda mais espaço. Logo em seguida à abertura, o filme apresenta uma sequência na qual uma prostituta arranca a língua do cafetão com uma mordida, um gesto de violência desesperada que sintetiza o mundo degradado em que esses personagens habitam. Quando as autoridades surgem para prendê-la, Ittō e o pequeno Daigorō reconhecem nela algo familiar, como se compartilhassem a mesma condição de marginalidade. O que se segue é talvez o trecho mais revelador do código moral do protagonista. Para proteger a mulher, Ittō se submete a um teste de resistência, é suspenso de cabeça para baixo, mergulhado na água e espancado repetidamente.

Há algo de profundamente contraditório e fascinante na escolha desse mesmo homem capaz de massacres quase sobre-humanos e que agora aceita a humilhação e a dor quando isso significa preservar a dignidade de alguém mais frágil. Um código que mistura honra samurai com uma ética própria, deslocada, que reforça a ideia de que Ittō já não pertence ao mundo dos vivos nem ao dos mortos, mas a um limbo moral muito particular.

No miolo, o filme desacelera. É talvez o episódio mais introspectivo da série até aqui, menos interessado em acumular corpos e mais em observar seus personagens. Os momentos de Daigorō interagindo com a natureza funcionam como contraponto à violência constante, lembrando que, no centro de tudo, ainda existe uma criança atravessando esse inferno ao lado do pai. Essa estrutura mais pausada também reflete a própria lógica do material original, que alternava episódios de ação intensa com passagens mais meditativas, muitas vezes carregadas de referências ao budismo e à ideia de impermanência, com Ittō aceitando o caminho que escolheu.

Mas, como de costume, a calmaria é apenas temporária. O desfecho mergulha de volta no excesso com uma carnificina que eleva a série a um novo patamar de exagero. É aqui que surge um dos elementos mais icônicos e absurdos de toda a franquia, o carrinho de bebê equipado com armas de fogo! O que já era uma imagem poderosa se transforma em algo que beira o surreal. A batalha final entrega tudo o que se espera, cabeças decepadas, jorros de sangue avermelhados, e o retorno do ronin mercenário apresentado no início. Desta vez, não há recuo possível e Ittō enfrenta seu igual como se estivesse finalmente aceitando o inevitável.

Talvez não seja o filme mais explosivo da série até aqui, mas é certamente um dos mais densos. Entre momentos de contemplação e violência, CONTRA OS VENTOS DA MORTE aprofunda o mito de Ogami Ittō, reforçando a ideia de que sua jornada não é apenas uma busca por vingança, mas um mergulho consciente rumo ao inferno.

LOBO SOLITÁRIO – O ANDARILHO DO RIO SANZU (1972)

O segundo capítulo da saga começa exatamente onde o anterior parou, com pai e filho, o ronin errante Ogami Ittō e o pequeno Daigorō, percorrendo sua jornada pelas estradas sangrentas. LOBO SOLITÁRIO – O ANADARILHO DO RIO SANZU (Lone Wolf and Cub: Baby Cart at the River Styx), novamente dirigido por Kenji Misumi e estrelado por Tomisaburo Wakayama, mostra que a morte não vai dar sossego a Ittō, que não pretende recuar nem um centímetro da trilha da vingança e da violência estilizada que tornou a série famosa. Se A ESPADA DA VINGANÇA funcionava muito como apresentação de personagens e desse cenário todo, O ANADARILHO DO RIO SANZU mergulha direto na mecânica do mito desses personagens tão fascinantes. Ittō e o Daigorō já são figuras conhecidas naquele mundo, enquanto assassinos os aguardam em cada curva da estrada, e cada novo encontro parece mais um capítulo de uma lenda que cresce à medida que é contada.

Aqui surge uma nova adversária, Sayaka, líder de um grupo de ninjas mulheres conhecido como clã das Sombras, cuja especialidade é, nada mais, nada menos, que mutilar seus adversários impiedosamente. A introdução dessas assassinas é uma das sequências mais memoráveis do filme. Pra demonstrar sua habilidade, elas simplesmente retalham um ninja em pedacinhos, num espetáculo de lâminas, membros decepados, e uma coreografia montada de forma quase abstrata, o que mostra que Misumi tava bem inspirado ao filmar isso aqui. Ao descobrirem que Ittō foi responsável pela morte de uma de suas companheiras no filme anterior, passam a persegui-lo em busca de vingança.

Essa estrutura, encontros sucessivos com assassinos enviados contra o protagonista, vem diretamente do material original, o mangá Lone Wolf and Cub, criado por Kazuo Koike e ilustrado por Goseki Kojima, que mencionei no post do primeiro filme. Como disse por lá, nunca fui o leitor assíduo desse material, mas pelo contato que tive dá pra perceber que a obra é essencialmente episódica, composta por histórias relativamente curtas nas quais Ittō aceitava contratos de assassinato enquanto continuava sua jornada de vingança contra o clã Yagyū. Os filmes frequentemente reorganizam e condensam esses episódios, costurando-os em narrativas contínuas e O ANADARILHO DO RIO SANZU faz isso com bastante fluidez.

A viagem de pai e filho torna-se aqui ainda mais brutal. Assassinas surgem de todos os lados, e o pequeno Daigorō passa cada vez mais tempo no meio do fogo cruzado. Enquanto seu pai estraçalha adversários, coisas como um chapéu de palha transformado em arma, girando como um frisbee mortal cheio de lâminas, quase arranca a cabeça do garoto. Curiosamente, embora a contagem de corpos seja menor que no primeiro filme, as cenas de combate parecem mais elaboradas. Misumi trabalha com coreografias mais refinadas e composições visuais que por vezes beiram o sublime. Espadas cruzam o quadro em movimentos coreográficos, jatos de sangue pintam a paisagem como se fossem pinceladas expressionistas, e o próprio carrinho de bebê de Daigorō, cheio de armas ocultas, continua sendo um dos objetos mais engenhosos e icônicos do cinema de ação japonês.

O confronto final é um exemplo perfeito dessa dimensão quase operística da série e uma das minhas favoritas de toda a saga. Em meio às dunas de areia, Ogami Ittō aguarda calmamente a chegada de três inimigos conhecidos como “Os Deuses da Morte”. Cada um deles empunha uma arma diferente, garras de ferro, clavas e punhos cobertos de cota de malha. E tranformam o duelo numa espécie de ritual da morte. O último desses “deuses” reage ao ferimento fatal no pescoço com um inesperado momento de lirismo, comentando poeticamente sobre a própria morte segundos antes de sua jugular explodir num jorro vermelho que encharca a areia. Grotesco, mas também estranhamente belo. Esse equilíbrio entre brutalidade e poesia talvez seja a verdadeira assinatura da série.

Entre uma decapitação e outra, há sempre a imagem de Daigorō observando o mundo ao redor, ou de pai e filho retomando a estrada como se nada tivesse acontecido. O filme termina exatamente assim, os dois voltam ao caminho, empurrando o carrinho em direção a um horizonte incerto, prontos para a próxima aventura.

Muita gente considera O ANADARILHO DO RIO SANZU o melhor episódio da saga Lone Wolf and Cub. Ainda não tenho certeza se concordo, afinal, ainda há estrada pela frente e vou decidir isso depois que comentar cada um deles por aqui. Mas uma coisa é certa, a lenda de Ogami Ittō já tá plenamente formada aqui, avançando passo a passo, espada em punho, rumo ao rastro de sangue que tornaria essa série um dos grandes monumentos do cinema de ação japonês.

LOBO SOLITÁRIO – A ESPADA DA VINGANÇA (1972)

Recentemente parei pra assistir, finalmente, a adaptação do Lobo Solitário para o cinema. E pra não deixar este blog mais parado do que está, vou comentar todos aos poucos, a partir de algumas anotações que fiz no meu Letterboxd. Então vamos começar pelo começo, o primeiro capítulo da saga, LOBO SOLITÁRIO – A ESPADA DA VINGANÇA (Lone Wolf and Cub: Sword of Vengeance) que inaugura uma das séries mais cultuadas do cinema japonês de ação. Dirigido por Kenji Misumi e estrelado por Tomisaburo Wakayama, o filme adapta o mangá Lone Wolf and Cub, criado por Kazuo Koike e ilustrado por Goseki Kojima. Nunca li muita coisa, mas do pouco que tive contato dá pra perceber que é uma obra monumental, publicada a partir de 1970 que rapidamente se tornou um fenômeno no Japão, tanto pela violência estilizada quanto pela inesperada dimensão poética da relação entre pai e filho.

E a premissa desse primeiro filme tem basicamente essa essência. Acompanhamos o ronin errante Ogami Ittō, antigo carrasco oficial do xogunato, que após ser traído por seu clã e ter a esposa assassinada passa a vagar pelo Japão feudal em busca de vingança ao lado do pequeno Daigorō, seu filho pequeno, transportado em um carrinho, um ítem simbólico que se transforma numa imagem tão estranha quanto icônica, já que serve tanto de transporte pra criança, mas também como arma, com facas e lâminas escondidas, como se a própria infância estivesse sendo empurrada através de um mundo brutal.

Visto em retrospecto, o filme funciona muito como um prólogo expandido. Posiciona cuidadosamente as peças no tabuleiro, apresenta o passado de Ittō, estabelece o conflito com o clã Yagyū e delineia a jornada que pai e filho irão percorrer juntos. Há uma melancolia muito particular na figura desse guerreiro viúvo que caminha rumo ao inferno levando consigo o próprio filho, numa mistura de amor paternal e fatalismo que dá ao filme uma tonalidade quase elegíaca. As sequências de ação já deixam claro o tipo de espetáculo que a série irá oferecer. A katana de Ogami corta carne com precisão, e o sangue explode em jatos avermelhados, como pinceladas expressionistas que cobrem a paisagem. Uma violência estilizada que o cinema japonês da época dominava com perfeição, cheia de exageros, mas muito coreografada e ao mesmo tempo grotesca e estranhamente bela. Dario Argento já dizia que às vezes a violência no seu cinema é bela. E realmente aqui assume uma beleza visual difícil de descrever.

Acho que o que realmente diferencia A ESPADA DA VINGANÇA de um simples chanbara sanguinolento é a atmosfera quase mítica que envolve seus personagens. Ittō surge nessa jornada como uma espécie de lenda ambulante, não apenas um espadachim formidável. O filme insiste nessa aura, sempre com personagens secundários falando sobre ele em sussurros, inimigos tremem ao ouvir seu nome, e o pequeno Daigorō observando tudo com um olhar de criança que parece compreender tudo, mesmo tão precoce.

A obra original de Koike e Kojima era bem episódica, composta de pequenas histórias autônomas que misturavam ação, filosofia budista, política feudal e até momentos de humor. Os filmes precisaram reorganizar esse material em narrativas mais coesas, costurando episódios distintos para criar um arco dramático contínuo. Nesse primeiro capítulo, sente-se ainda um pouco dessa estrutura fragmentada, com alguns segmentos parecendo pequenas histórias dentro da história maior. Mas que contribui de alguma forma pra sensação de estarmos acompanhando uma figura lendária atravessando diferentes paisagens e destinos. É um início bastante sólido. Porém, percebe-se algo ainda preparatório. A narrativa carrega certo peso expositivo e a estrutura episódica às vezes diminui o impacto dramático. Claro, tudo que tornaria a série lendária já está aqui, sobretudo no contraste entre brutalidade e ternura, o imaginário quase operístico da violência, e sobretudo a imagem de pai e filho que avançam juntos por um mundo condenado.

Nas continuações, essa figura, o “lobo solitário e seu filhote”, vão se tornando cada vez mais mítica. Aqui, estamos apenas assistindo ao nascimento da lenda.

THE TALE OF ZATOICHI (1962)

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Quando os estúdios Daiei escolheram adaptar para o cinema a história de Zatoichi, um samurai cego que só havia aparecido em pequenas crônicas publicadas no final dos anos 40, eles não faziam ideia da extensão que seria o sucesso do personagem, que se transformaria num herói popular, ícone da cultura pop japonesa e renderia ainda mais de vinte filmes, seriados, além de spin-offs e revivals em tempos modernos, como a do Takeshi Kitano, em 2003… Ou aquela versão com o Rutger Hauer, FÚRIA CEGA.

Aqui, no entanto, é onde tudo começou. Dirigido pelo veterano Kenji Misumi e magistralmente personificado por Shitaro Katsu, THE TALE OF ZATOICHI inicialmente pode parecer muito influenciado por YOJIMBO, de Akira Kurosawa, lançado no ano anterior e que exibe uma trama similar em alguns pontos. Em ambos vemos um outsider itinerante de habilidade marcial fora do comum vagando em espaços rurais arruinados pelo conflito entre dois clãs rivais que disputam o poder local. Só que Zatoichi rapidamente se estabelece como um protagonista mais equilibrado e simpático, diferente do grosseiro Sanjuro, de Toshirô Mifune, embora as motivações dos dois permaneçam igualmente ambíguas, com a busca de dinheiro em ambos os casos soando como fachada para redenções morais não explícitas.

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A principal diferença de YOJIMBO, porém, é o fato de que THE TALE OF ZATOICHI se assume apenas como um entretenimento popular e não uma obra filosofica auto-consciente, como é o caso de Kurosawa. Até porque estamos falando de um sujeito cego que é capaz de encarar grupos inteiros de meliantes armados com objetos cortantes e ainda por cima se sair bem, como uma espécie de Matt Murdock/Demolidor do Japão feudal. Não dá tempo pra filosofias por aqui… E as sequências de ação são excepcionais, apesar do filme carecer de um pouquinho mais de combates de espada. Ficou um gostinho de “quero mais”…

Na verdade, THE TALE OF ZATOICHI poderia ser bem mais divertido se fosse mais focado no seu protagonista e com mais cenas de ação, mas o excesso de subtramas neste enredo que não chega nem a duas horas de duração é demais para suportar. O filme atira pra todo lado com histórias envolvendo estupro de uma moça, a gravidez de outra, a doença mortal de fulano, abuso, suicídio, alcoolismo, jogos de azar, amor, e vários outros tópicos… Me parece um pouco demasiado complexo para o que poderia ser bem mais simples. E fica faltando mais tempo para explorar a ação. Tá certo que, possivelmente, os realizadores optaram por retratar o fato de que Zatoichi não saca sua espada de forma vulgar e evita ao máximo o confronto. Mas, porra, eu ansiava por um pouco mais das habilidades do lendário samurai cego.

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Mas preciso ressaltar: quando Zatoichi resolve usar sua espada, o resultado é incrível, como no esperado e antológico duelo na pontezinha. São por esses momentos que o filme vale uma conferida.

Impossível deixar de destacar também o trabalho de Shintaro Katsu na pele de Zatoichi, que tem aqui um desempenho do cacete, muito convincente e carismático. É o que realmente segura THE TALE OF ZATOICHI e que faz o personagem tão fascinante. Vou continuar assistindo a série aos poucos e comento aqui a medida que for assistindo. Este aqui, apesar dos pesares, tem todos os méritos para ser o clássico das artes marciais que é. Mas espero que as próximas vinte e tantas continuações tenha um bocado mais de ação…