NOT OF THIS EARTH (1988)

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Remake de um sci-fi de mesmo título dirigido por Roger Corman em 1957, NOT OF THIS EARTH pode ser considerado tanto como uma gozação quanto uma lúdica homenagem aos clássicos do gênero. A ideia é do próprio Corman, que curtia refilmar os clássicos que dirigia e produzia, e colocou na direção o seu pupilo do momento, Jim Wynorski, que dava seus primeiros passos na carreira de diretor. Infelizmente, em 1988 o grande público já não queria ver um filme B com efeitos especiais fora de moda e historinhas ingênuas que não fazem a mínima questão de se levar a sério. Exceto, obviamente, os fãs ardorosos de tralhas divertidas de baixo orçamento, como esta maravilha da dupla Corman/Wynorski.

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Já nos créditos iniciais de NOT OF THIS EARTH uma montagem com cenas de vários clássicos produzidos pelo Corman insere de uma maneira bem interessante o espectador na onda dos sci-fi classe B, produções de baixo custo realizadas em tempo recorde. As filmagens deste aqui, por exemplo, foram cumpridas em apenas onze dias e meio, sendo que Jim havia apostado com Corman que conseguiria filmar em doze dias. E é com este espírito que o filme também deve ser visto. Uma diversão sem compromisso cheio de clichês que mistura elementos sci-fi com terror e comédia, várias cenas de nudez, situações engraçadas, personagens burlescos, reutilização de imagens de outros filmes, diálogos ridículos e todos os ingredientes de um ótimo filme B dos anos 80.

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Lords

Uma das principais atrações de NOT OF THIS EARTH é a atriz principal, a grande Traci Lords, em seu primeiro papel “sério” no ramo, levando em conta que já havia atuado em mais de 60 filmes pornôs até então. É uma pena, no entanto, que seus atributos físicos sejam tão pouco “aproveitados”, protagonizando apenas duas ceninhas de topless (mas algumas tetas fornecidas por outras atrizes são gratuitas suficientes para satisfazer o desejo do espectador por mais pele na tela). Até que Lords se sai muito bem interpretando uma enfermeira que acaba se envolvendo numa trama na qual um vampiro do espaço precisa colher sangue humano para tentar salvar o seu planeta, gerando situações divertidíssimas. O elenco ainda conta com algumas habituais figuras das produções de Wynorski, como Lenny Juliano e a bonitona Monique Gabrielle.

NOT OF THIS EARTH ainda viria a ser refilmado mais uma vez, em 1995, por Terence H. Winkless (diretor de BLOODFIST) e tendo Roger Corman novamente na produção.

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (Texas Chainsaw Massacre, 1974)

texas_chainsaw_massacre_uk_posterResolvi fazer um post sobre O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA… Porque sim.

Postar qualquer coisa sobre esse filme não precisa de muitos motivos. Mas o que falar dessa obra-prima? Trata-se de um dos meus favoritos do gênero sem nenhuma dúvida e sei que vou “chover no molhado” por aqui, porque é impossível não ficar babando o ovo dessa maravilha. Mas vamos começar pela história. Para provar que nem tudo precisa ser complexo para ser genial e transgressor, a trama é de uma simplicidade absurda: Cinco amigos percorrem as estradas texanas para visitar o túmulo e uma velha casa do avô de alguns deles e acabam virando banquete de uma família de canibais que vive na região.

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Uma das estratégia do diretor Tobe Hooper para atrair o público foi começar o filme com o aviso de que os acontecimentos prestes a desenrolar seriam reais (não eram, embora inspirados nos assassinatos cometidos pelo serial killer Ed Gein nos anos 50, e que também serviu de base para PSICOSE, de Hitchcock). Mas de nada adiantaria se O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA não cumprisse o que o seu título sugere. Não só cumpre como vai muito mais além, apesar de enganar muito por não ser um filme de extrema violência e sangue jorrando como suspeitam aqueles que se aterrorizam só de ouvir o título, mas nunca assistiram de fato. O filme choca não pelo que mostra, mas pelo que nos faz acreditar. E o grande efeito desse impacto é causado mais pela atmosfera angustiante de determinadas cenas do que baldes sangue jogado na tela.

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O golpe é mesmo nos sentidos do espectador. “Pesadelo filmado” acabou se tornando uma expressão adulterada pelo seu uso excessivo, mas aqui é perfeitamente cabível. A antológica cena do banquete com a família de canibais, os ângulos oblíquos dos enquadramentos, a luz desorientadora, o pandemônio auditivo, possui todos os ingredientes daquilo que é feito um pesadelo. E convenhamos: a ideia de um psicopata portando uma motosserra perseguindo uma garota inocente é algo simplesmente genial. E que culmina numa das sequências mais inesquecíveis, o final angustiante que tem desfecho na icônica imagem cristalizada de Leatherface (Gunnar Hansen), perfilado contra o sol fumegante, com sua motosserra erguida ao alto. Hooper inovou ao mostrar tudo isso num filme claustrofóbico, em 16mm (dando uma imagem mais próxima da ideia de gravações verdadeiras), totalmente seco… Um clássico.

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Hammer Time: O VAMPIRO DA NOITE (Dracula, 1958)

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Começando o carnaval, época boa pra ficar em casa e assistir a uns filminhos de terror… Estava meio receoso de começar uma série de textos tratando de TODOS os filmes sobre o universo Drácula que a Hammer criou nos anos 50, 60 e 70, porque o meu amigo Paulo Blob já fez isso recentemente no site Boca do Inferno. Todos textos obrigatórios, diga-se de passagem. Mas como resolvi rever alguns exemplares e finalmente conferir os que ainda não tinha visto, acho justo que eu faça pelo menos alguns breves comentários pra ficar registrado por aqui. Começando pelo começo, fiz uma revisão de O VAMPIRO DA NOITE, a primeira incursão da Hammer ao personagem de Bram Stoker e que gerou oito continuações oficiais. O filme reúne novamente Christopher Lee e Peter Cushing, os astros do primeiro filme de monstros clássicos da Hammer, THE CURSE OF FRANKENSTEIN (57), com o diretor Terence Fisher, que é responsável pela grande maioria desses filmes.

Ainda pretendo peregrinar nas outras séries de monstros que a produtora britânica realizou, mas vale destacar, a princípio, sobre essas obras seminais, algumas sacadas que os realizadores tiveram para conseguir atrair de volta a atenção do público a um tipo de horror que já estava em baixa no período e que favorece bastante, por exemplo, O VAMPIRO DA NOITE. A primeira coisa foi evitar o preto e branco tradicional das fitas de horror e colocar cores vivas estourando na tela, ou seja, agora era possível ver o sangue vermelhão derramado, e violência gráfica era algo que Fisher abusava bastante em seus filmes e que, querendo ou não, em plena década de 50 tinha um impacto danado. Em segundo lugar, esses filmes introduziram um bocado de erotismo às obras clássicas do horror, o que não seria comum nas versões da década de 30 e 40… E ver uma senhorita com um belo decote e olhar insinuoso era tudo que um senhor britânico de meia idade poderia querer ao entrar numa sala de cinema naqueles dias.

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O roteiro de Jimmy Sangster em O VAMPIRO DA NOITE não faz questão alguma de ser fiel aos escritos de Stoker. Entre as principais mudanças há o personagem de Jonathan Harker, interpretado por John Van Eyssen, que aqui aparece como aspirante a caçador de vampiros, assistente de Van Helsing (Peter Cushing), chegando ao castelo de Drácula (Christopher Lee) já ciente da natureza vampírica do Conde, mas passando-se por um bibliotecário. Drácula, que não é bobo, descobre a jogada e lasca uma mordida no pescoço do sujeito, que acaba se transformando num vampiro. Já Van Helsing deve ter ficado com saudade e, sem notícias do jovem Harker, acaba indo procurá-lo, seguindo seus passos até chegar no Castelo, descobrindo o que aconteceu com seu pupilo. Nada que uma estaca no coração não resolva. O problema é que o Conde já partiu para a Inglaterra em busca de uma nova vítima: Lucy, noiva de Harker. Van Helsing retorna a Londres para tentar impedir as intenções do vampirão.

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A partir daí, o filme se desenrola nos mesmo moldes dos tradicionais filmes de Drácula, até chegar no ponto onde Van Helsing e o Conde têm um duelo final. E aí, meus caros, a diferença está exatamente em ter em cena um Peter Cushing e Christopher Lee para tornar tudo mais genial. Cushing, especialmente, está excepcional como o caçador de vampiros incansável, uma mistura de cérebro com coragem, embora lhe falte porte físico. Já Christopher Lee tem presença física de sobra, tanto que seu Conde Drácula possui o total de apenas treze falas durante todo o filme. Mas nem faz muita falta, basta seu olhar esbugalhado, com sangue escorrendo da boca, sua expressividade incrivelmente magnética. Não à toa O VAMPIRO DA NOITE consagra Christopher Lee, assim como seu antecessor, Bela Lugosi, três décadas antes, como um ícone do horror vampiro para toda uma nova geração. O elenco de apoio também ajuda bastante e o destaque vai para Michael Gough, que interpreta o irmão de Lucy. Gough é lembrado bem mais velho por ser o mordomo Alfred dos filmes do Batman dirigidos pelo Tim Burton e Joel Schumacher.

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Em termos de direção, estética, fotografia e cenários, que belo filme é O VAMPIRO DA NOITE! Os planos nos interiores são muitíssimo interessantes, com o uso das cores vibrantes. E do lado de fora, aquelas paisagens pintadas à mão que tanto me encantam. A sequência final do já citado confronto entre Van Helsing e Drácula mostra bem do que esses caras eram capazes de fazer na construção da tensão, na elegância da ação, ao mesmo tempo tão seco e cru. Fisher não tava de brincadeira não… É um baita diretor, embora quase nunca seja lembrado como o mestre do horror que é.

Agora preciso ver o resto da série. Mas antes, mais uma revisão, AS NOIVAS DO VAMPIRO (60), novamente dirigido pelo Fisher e estrelado pelo Cushing, mas infelizmente sem Christopher Lee no papel de Drácula. O sujeito tava com medinho de ficar estigmatizado no personagem e tentou variar um bocado, mas acabou retornando em DRACULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS, em 1966… Mas a gente chega lá.

FILMES DE JANEIRO

Coisas que andei vendo no primeiro mês do ano…

Novos:
TUDO POR JUSTIÇA (Out of the Furnace, 2013), de Scott Cooper ★ ★ ★ ½
CREED (2015), de Ryan Coogler ★ ★ ★ ★
O REGRESSO (The Revenant, 2015), de Alejandro Gonzalez Iñarritu ★ ★ ★ ★
A GAROTA DINAMARQUESA (The Danish Girl, 2015), de Tom Hooper ★ ½
STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA (2015), J. J. Abrams ★ ★ ★ ½
A COLINA ESCARLATE (Crimson Peak, 2015), de Guillermo Del Toro ★ ★ ★
SPOTLIGHT (2015), de Tom McCarthy ★ ★ ★
CAROL (2015), de Todd Haynes ★ ★ ★ ½
A GRANDE APOSTA (The Big Short, 2015), de Adam McKay ★ ★ ½

A FÚRIA DO DRAGÃO (Fist of Fury, 1972), de Wei Lo ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
QUAL SERÁ NOSSO AMANHÃ (Battle Cry, 1955), de Raoul Walsh ★ ★ ★ ★
SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra, 1941), de Raoul Walsh ★ ★ ★ ★
COP LAND (1997), de James Mangold ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
BRADDOCK II – O INÍCIO DA MISSÃO (1985), de Lance Hool ★ ★ ★ – REVISÃO
MAN IN THE WILDERNESS (1971), de Richard C. Sarafian ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
HOUSE OF USHER (1961), de Roger Corman ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
THE PIT AND THE PENDULUM (1961), de Roger Corman ★ ★ ★ ★ ½ – REVISÃO
VELUDO AZUL (Blue Velvet, 1986), de David Lynch ★ ★ ★ ★ ½ – REVISÃO
LA SORELLA DI URSULA (1978), de Enzo Milioni ★ ★ ½
ANGELS HARD AS THEY COME (1971), de Joe Viola ★ ★ ★
THE HOT BOX (1972), de Joe Viola ★ ★ ★
FIGHTING MAD (1976), de Jonathan Demme ★ ★ ★ ½
CELAS EM CHAMAS (Caged Heat, 1974), de Jonathan Demme ★ ★ ★

RESPOSTA ARMADA (Armed Response, 1986)

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Tava com saudade de postar algo do Fred Olen Ray, então resolvi republicar esse texto velho do blog antigo. Trata-se de um típico filme que me conquista só de ver o pôster com os nomezinhos de David Carradine e do grande Lee Van Cleef juntos, fazendo expressões de poucos amigos. Coloquei o cartaz no final do post para vocês contemplarem também. Mas de cara já dá pra perceber que a diversão é garantida com RESPOSTA ARMADA, um filme de ação sem frescuras e sem compromisso com seriedade, que não está nem um pouco a fim de se tornar um clássico do gênero ou coisa parecida. Em compensação, é uma experiência totalmente agradável para os autênticos fãs de cinema classe B.

A trama não poderia ser mais simples e é centrada na família Roth, cujo pai, Burt (Cleef), e seus filhos Jim (Carradine), Clay (David Goss) e Tommy (Brent Huff), tornam-se alvos de um mafioso oriental, Akira Tenaka, vivido pelo ator japonês Mako, depois de tomarem posse de uma estátua que possui certo valor para o gangster. Como não estamos lidando com nada muito original ou complexo por aqui, o enredo acaba sendo movido mesmo pelas cenas de ação, pancadarias, tiroteios e perseguições que acontecem ao longo da narrativa e, claro, pelas figuras ilustres que vão surgindo em cena, interpretados por algumas estrelas dos filmes de baixo orçamento que já estamos acostumados a encontrar neste tipo de produção.

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Além de Carradine, Cleef e Mako, o elenco se completa com participações do sempre simpático Dick Miller, o bizarro Michael Barryman, eterno Pluto de QUADRILHA DE SÁDICOS aqui fazendo um capanga oriental (?), e até Ross Hagen. Impossível não se divertir com um elenco deste porte. No entanto, é mesmo o gafanhoto David Carradine quem deixa sua marca com uma ótima atuação. Seu personagem, o único com certa espessura, é um veterano do Vietnã que encara o problema familiar como um verdadeiro soldado traumatizado pela guerra. Mas meu personagem favorito é sem dúvida o calejado Lee Van Cleef, que está muito bem no papel do velho rabugento que não leva desaforo para casa e mesmo com a idade avançada participa da ação bem à vontade distribuindo chumbo e sopapos para cima dos bandidos. Continue lendo

ANGELS HARD AS THEY COME (1971)

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Jonathan Demme é mais lembrado por algumas obras de peso em Hollywood no início dos anos 90. No entanto, sua estreia no cinema foi mesmo com exploitations vagabundos de baixo orçamento. E o responsável por colocá-lo nessa posição não poderia ser ninguém exceto o mestre Roger Corman. Demme trabalhava com produção de filmes publicitários e acabou se encontrando com o Rei dos B Movies, que não quis perder muito tempo e lhe perguntou:

Ei, garoto, gostas de filmes de motocicleta?
Sim, Roger. Particularmente, gosto muito do seu THE WILD ANGELS (66) – respondeu Demme.
Ok, ótimo! Por que você não escreve um roteiro para um filme de motocicleta pra mim?

Bem, talvez não tenha sido com essas palavras exatas, mas segundo depoimentos do próprio Demme a coisa funcionou mais ou menos desse modo. O futuro diretor tinha então vinte e quatro anos e um parceiro, Joe Viola, que dirigia os filmes publicitários que produzia. Demme e Viola se reuniram e escreveram uma ideia que a princípio seria uma versão motorizada de RASHOMON, mas com muitas cenas de sexo e violência, algo que agradou bastante o Corman. Depois de escrito, a dupla sentou num café em Londres com o velho produtor e este leu cada uma das oitenta páginas do roteiro enquanto Demme e Viola esperavam em sua frente. Quando acabou, disse apenas “Humm… Isso aqui é muito bom! Acho que podemos fazer. Joe, você já é diretor de comerciais, e Jonathan, você é quem os produz. Por que vocês não vão à L.A. daqui a dois meses e realizam o filme?”. E foi assim que tudo começou para Demme. Vinte anos depois, o sujeito ganharia o Oscar de melhor diretor por O SILÊNCIO DOS INOCENTES.

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E o resultado é este ANGELS HARD AS THEY COME, que foi realmente dirigido pelo Viola enquanto Demme ocupou da produção. E no fim das contas, tem pouco, muito pouco a ver com o filme do Kurosawa que teoricamente fora inspirado. Mas cumpre o que promete, trata-se de um filme de gangues motocicletas com bastante sangue, muita pancadaria e vários peitinhos de fora… E embora eu ainda tenha uma porrada de exemplares para conferir, sempre tive uma queda por Biker Movies desse período. Até os filmes ruins acabam sendo divertidos. Não sei, são muitos atrativos juntos pra se ver… Personagens sujos e bêbados em festas, mijando uns nos outros, apostando corridas, arrastando pessoas amarradas em suas motos, mulheres desavergonhadas, enfim, todas essas coisas boas. E ANGELS HARD AS THEY COME acaba por ter tudo isso ao nosso dispor. Continue lendo

TOP 10 JOHN FORD

Hoje completa 122 anos do nascimento do grande mestre John Ford e por isso vamos de top 10 mesmo com os meus favoritos do homem:

stagecoach10. NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (Stagecoach, 1939)

green09. COMO ERA VERDE MEU VALE (How Green Was my Valley, 1941)

wagon08. WAGON MASTER (1950)

clementine07. MY DARLING CLEMENTINE (1946)

grapes06. AS VINHAS DA IRA (The Grapes of Wrath, 1940)

lincoln05. A MOCIDADE DE LINCOLN (Young Mr. Lincoln, 1939)

the quiet one04. DEPOIS DO VENDAVAL (The Quiet Man, 1952)

donovans03. OS AVENTUREIROS DO PACÍFICO (Donovan’s Reef, 1963)

lvalance02. O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (The Man who Shot Liberty Valance, 1962)

07_the_searchers__Blu-ray01. RASTROS DE ÓDIO (The Searchers, 1956)

TWIN PEAKS – PRIMEIRA TEMPORADA (1990)

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Não sei se estão sabendo, mas muito provavelmente em 2017 teremos o retorno de uma das séries mais geniais da história da televisão mundial e, de brinde, o regresso de um dos seus criadores, sujeito que há quase uma década tem deixado muita gente na saudade… Estou falando de TWIN PEAKS e do diretor David Lynch. Portanto, já estava com vontade de rever a série de qualquer jeito, mas como a patroa ainda não tinha visto o programa, resolvi aproveitar para apresentar a ela e voltar àquele universo estranho, àqueles personagens peculiares, aos mistérios e todas as coisas boas que a série teve pra oferecer…

Quando TWIN PEAKS passou por aqui na TV aberta no início dos anos 90, eu era muito moleque para entender o que acontecia ali. Além disso, não me organizava pra ver os episódios em sequência, nem mesmo assitia-os por inteiro… De todo modo, alguma coisa sempre me fascinou. Mas só fui ver e entender o que era mesmo quando saiu em DVD lá por volta de 2004. Já não era mais menino e pude apreciar a obra com a devida atenção. Desde então, TWIN PEAKS se tornou a minha série de TV favorita. Por mais que eu goste do estilo atual das séries, de uns BREAKING BAD’s, TRUE DETECTIVE’s e GAME OF THRONES da vida, era TWIN PEAKS que sempre teve um lugar favorito no meu coração… <3
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O SOLAR MALDITO (House of Usher, 1960)/O POÇO E O PÊNDULO (The Pit and the Pendulum, 1961)

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Resolvi rever HOUSE OF USHER e THE PIT AND THE PENDULUM, os dois primeiros filmes da série de adaptações de Edgar Allan Poe realizado pelo diretor e produtor Roger Corman nos anos 60. No final da década anterior, Corman já se apresentava como o diretor capaz de fazer imaginativos e divertidos filmes de gênero e que poderiam ser produzidos de forma rápida e barata, eram muito lucrativos e ainda serviam de escola para jovens entusiastas por cinema, como Monte Hellman, Jack Hill e Robert Towne. Quando adentrou os anos 60, o sujeito resolveu se meter nessas adaptações do Poe que os produtores da AIP estavam planejando. HOUSE OF USHER foi o primeiríssimo, portanto, não pode ser desconsiderado como um marco na história do cinema de horror.

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Mas apesar de Corman conseguir se aventurar com precisão no universo e espírito atmosférico de Poe, HOUSE OF USHER não poderia ser exatamente fiel ao texto, até porque seria meio complicado de fazê-lo como um filme de horror convencional. A trama se resume na chegada do jovem Winthrop (Mark Damon) na propriedade de Roderick Usher (Vincent Price) cuja irmã, Madeline Usher, está destinada a ser sua noiva. O problema é que Roderick é rebugento pra cacete, completamente obcecado por uma suposta maldição que percorre a linhagem dos Ushers, e faz de tudo para atrapalhar os dois enamorados. Inclusive, consegue convencer a sua irmã de que realmente suas vidas estão execradas.

O filme notabiliza o estilo genial e singular de direção de Corman, que de prolífico diretor de B movies em preto e branco passou a figurar lado a lado com outros mestres do horror gótico e atmosférico do período, como Terence Fisher e, mais tarde, Mario Bava. Econômico ao extremo, trabalhando com orçamento apertado, ao mesmo tempo charmoso e sofisticado, fazendo uso das cores com inteligência, criando atmosferas pertubadoras, se virando com todo tipo de recurso que conseguia com muita criatividade se transformaram em marca registrada da direção de Corman. E contava, aliás, com um time de primeira durante a produção, como o roteirista Richard Matherson, o diretor de arte Daniel Heller, o compositor Les Baxter e por aí vai…

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Um caso curioso em HAUSE OF USHER que mostra bem o estilo econômico de Corman: O sujeito ficou sabendo que um grande e antigo celeiro seria demolido e conseguiu permissão para que a produção pudesse botar fogo no local enquanto filmava. O resultado pode ser visto no climax, em vários planos do fogo consumindo a grande mansão dos Ushers, mas também em vários momentos do ciclo, já que Corman não deixaria de aproveitar essas mesmas imagens em futuras cenas de incêndios em mansões suntuosas em outros filmes…

E ainda temos Vincent Price, que se apresenta aqui num espetacular desempenho, com seus exageradas expressões faciais, que são uma delícia para quem admira seu trabalho. Não só neste aqui, mas toda a sua participação na série de adaptações do Poe significou a sua consagração como um dos gigantes do horror. Especialmente como Roderick Usher, surgindo imponente com uma cabeleira loura, sua atuação é magistral e, na minha opinião, só perde para Prospero, o maléfico príncipe de A ORGIA DA MORTE, um dos últimos e dos melhores exemplares do ciclo.

HOUSE OF USHER foi um sucesso comercial e fez com que os produtores demandassem mais. No ano seguinte veio THE PIT AND THE PENDULUM.

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Se THE PIT AND THE PENDULUM não for realmente a melhor dentre as adaptações da obra de Poe realizada pelo Corman, ao menos é provável que seja a mais assustadora. É desses filmes que faz bater uma melancolia ao refletir o que aconteceu com o cinema de horror… Por que não se filma mais com tanta elegância, beleza e atmosfera? Claro que existem ótimos casos que ainda salvam atualmente, mas de uma maneira geral o plano mais insignificante de um filme do Corman humilha qualquer coisa do gênero produzida por um grande estúdio americano nos últimos anos.

O filme começa nos mesmos moldes de HOUSE OF USHER, com o jovem Francis (John Kerr) chegando ao castelo de Don Nicholas Medina (novamente Vincent Price), mas dessa vez em busca de respostas sobre a recente morte de sua irmã, esposa de Medina. Francis desconfia bastante de seu cunhado, que aparenta estar escondendo alguma coisa, mas uma vez que a trama revela o passado de Nicholas, em sequências alucinatórias bem interessantes e coloridas, Francis passa a tomar conhecimento dos mais profundos medos de Medina, que acredita piamente que sua mulher foi enterrada viva. No caso, emparedada, uma tradição da família Medina… A trama central levanta questões sobre catalepsia e o pavor do enterro precoce, tema explorado com ênfase em vários exemplares da série, especialmente no filme seguinte, PREMATURE BURIAL, estrelado por Ray Miland. O assunto também é abordado em HOUSE OF USHER.

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O tormento por esse pensamento persegue Don Medina desde pequeno, quando viu seu pai, um entusiasta da inquisição espanhola (também vivido por Price) que possuía sua própria câmara de tortura no porão do castelo, praticando o hobby em sua mãe, deixando-a viva somente para poder enterrá-la ainda naquele estado. E Vincent Price está sublime, mais uma vez. Nicholas Medina é ambíguo na medida certa e suas transformações são retratadas com perfeição por Price, figura que se tornou essencial na composição do estilo de Corman, tão importante quanto o visual caprichado e a atmosfera densa. Outro grande destaque é a presença expressiva da musa do horror gótico, Barbara Steele, no papel de Elizabeth, mulher de Medina. Todos esses elementos ajustados num clímax de tirar o fôlego, quando o vilão da trama finalmente utiliza-se do famoso pêndulo cortante que desce gradativamente até partir ao meio a sua vítima amarrada logo abaixo, possibilitam THE PIT AND THE PENDULUM tornar-se digno de antologia.

HOUSE OF USHER e THE PIT AND THE PENDULUM são excelentes pontos de partida para se aventurar no ciclo de adaptações do Poe…O fato é que todos os filmes da série são obrigatórios a qualquer interessado por cinema de horror e alguns são verdadeiras obras-primas altamente recomendadas.

SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra, 1941)

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Vi outro Raoul Walsh por esses dias, HIGH SIERRA, um filmaço com elementos noir e estrelado pelo Humphrey Bogart, talvez o maior ator que o gênero já teve. Cínico como sempre, mas fazendo um anti-herói, um habilidoso ladrão ao invés do habitual detetive que o consagrou em filmes como O FALCÃO MALTÊS e À BEIRA DO ABISMO, impressiona muito seu desempenho por aqui, na pele de Roy “Mad Dog” Earle. E, convenhamos, companhar um Bogart inspirado torna qualquer filme uma experiência única.

A trama de HIGH SIERRA começa quando Earle sai da cadeia e já tenta emendar um novo golpe: um assalto a um hotel cheio de milionários. Contando com a ajuda de dois cúmplices inexperientes e uma dançarina que se apaixona por ele (Ida Lupino), Earle aguarda instruções em uma cabana nas montanhas, planejando se endireitar após este último assalto. É interessante olhar para Earle, perceber a sua complexidade e peculiaridades. Apesar da “profissão”, o sujeito não é um mal intencionado – embora utilize violência quando precisa. O passado sugere que Earle seja vítima do sistema e por isso se vê obrigado a ajudar uma família que passa necessidades, após perder tudo e tentar a sorte na cidade grande. Um reflexo da própria vida do protagonista, uma maneira de se reconectar com o que realmente gostaria de ser. O filme é sobre Earle tentando aceitar sua identidade, aceitar o fato de que é um bandido e tentar mudar isso é impossível. Continue lendo

MAIS FORTE QUE A VINGANÇA (Jeremiah Johnson, 1972)

E continua a onda de westerns de aventura setentistas por aqui. No último post, esqueci de citar o belo MAIS FORTE QUE A VINGANÇA. Então republico aqui o que escrevi há uns três anos no blog antigo.

O que dizem os escritos sobre o verdeiro Jeremiah Johnson, um sujeito que decidiu abdicar-se do mundo civilizado para descobrir os mistérios da vida na natureza, caçando animais e enfrentando índios, frio e solidão, é que acabou se tornando um bárbaro assassino comedor de fígados de peles-vermelhas… Lenda ou não, daria um bom exploitation que explorasse essa característica. Ou, nas mãos de um poeta da violência como Peckinpah, poderia render uma obra, digamos, diferenciada. E, de fato, o diretor de STRAW DOGS realmente foi cotado para dirigir MAIS FORTE QUE A VINGANÇA, cujo roteiro é do grande John Milius e teria Clint Eastwood no papel de Johnson.

Provavelmente por conta do álcool e outros entorpecentes, Bloody Sam acabou de lado – como vários outros projetos que o mestre não conseguiu se firmar – e Sydney Pollack ocupou a cadeira de diretor. Robert Redford, no fim das contas, foi quem encarnou o personagem do título original. O roteiro de Milius se manteve, mas aposto que o filme acabou suavizado… Não que isso seja um problema. MAIS FORTE QUE A VINGANÇA segue outra linha. É uma aventura contemplativa e reflexiva, um belíssimo western histórico que conta com um personagem magnífico, cuja vida retratada aqui, independente do grau de violência mostrada na tela, é simplesmente fascinante.

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Nunca sabemos os motivos que levaram Johnson a abandonar tudo. Sabemos apenas que foi soldado e há indícios de desilusões com o ser humano, mas seu passado é misterioso. Acompanhamos o protagonista a partir do momento que decide encarar a hostilidade da natureza. Mas seus primeiros passos como homem das montanhas não é fácil e é interessante vê-lo passando maus bocados em situações que dialogam com os clássicos embates “homem vs natureza”, na qual diretores como Werner Herzog transformariam em temas fundamentais. Continue lendo

FÚRIA SELVAGEM (Man in the Wilderness, 1971)

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Ainda na toada de O REGRESSO resolvi rever MAN IN THE WILDERNESS, de Richard C. Sarafian pra ver o que dava. Que filme sensacional! É muito melhor do que eu lembrava e bem diferente do filme do Iñarritu… Mas numa estúpida comparação das versões, este aqui ganharia de lavada. O filme me fez pensar um bocado na carreira de Sarafian, diretor de talento gigante mas extremamente subestimado e pouco lembrado. E quando o fazem é por VANISHING POINT, lançado no mesmo ano deste aqui. É um baita filmaço que ganhou seu status de filme cult com merecimento, mas não consigo ver lógica para que MAN IN THE WILDERNESS não tenha virado um clássico entre os westerns de aventura setentistas, ao lado de O PEQUENO GRANDE HOMEM, O HOMEM CHAMADO CAVALO, O GRANDE BUFALO BRANCO, e outros…

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E Sarafian estava em estado de graça quando filmou a história de Zach Bass, vivido por Richard Harris, num de seus melhores desempenhos, um desbravador do velho oeste que, após ser atacado por um urso selvagem, é deixado para morrer no meio do nada. Recupera-se dos ferimentos e parte para se vingar dos antigos companheiros, entre eles o diretor John Huston. Como disse no texto de O REGRESSO, o plot do filme de Iñarritu é exatamente a mesma coisa, mas os desdobramentos a partir desses eventos é que distanciam uma obra da outra. A começar pelo lado alegórico que contempla a obra de Sarafian, e que é justamente a parte piegas do filme de Iñarritu. Na verdade, não tinha intenção de ficar fazendo comparações, mas é difícil num momento em que O REGRESSO está tão em voga e tão fresco na cabeça… Vocês sabem, gosto dessa nova versão como um grande filme de aventura, mas está longe de ser a jornada mística e espiritual que Iñarritu gostaria que fosse em comparação com o que Sarafian realiza em MAN IN THE WILDERNESS. O processo de ressurreição e transformação, tanto na recuperação física, quanto psicológica, de Harris é arrebatador na sua perfeita comunhão com a natureza, na sua busca pela sobrevivência, encarando fome, frio, animais e o caralho e transcendendo seu desejo de vingança à outro nível espiritual… Continue lendo

THE HOST (1960)

Já tinha escrito sobre esse curta no blog antigo, mas como me deu saudade do Jack Hill, resolvi republicar. Hill já havia  dirigido algumas cenas de THE WASP WOMAN (59), que já comentei por aqui, para o seu mentor, Roger Corman, quando este precisou prolongar a duração do filme. O futuro diretor de SPIDER BABY nem chegou a ser creditado. A produção que marca a estreia oficial de Hill na direção é THE HOST, este curta metragem em preto e branco realizado quando ainda era estudante da UCLA e bem antes de se tornar um dos grandes mestres do cinema grindhouse americano.

Um fugitivo da lei encontra no México uma cidade antiga aparentemente abandonada. Entra para beber água e quase leva um tiro. Descobre que existe uma pequena população vivendo por lá e um espanhol que achou um tesouro no local e precisa roubar um cavalo para fugir. Persuadido por uma bela habitante, o fugitivo acaba matando o espanhol e se torna um deus. Quando descobre, também, onde o tesouro se encontra, decide ir embora levando tudo consigo. Mas é tarde. Já levaram seu cavalo. I Don’t want to be a god!!! – grita desesperado o sujeito nas últimas palavras ecoadas no filme. Continue lendo

O REGRESSO (The Revenant, 2015)

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2016, o ano em que gostei de um filme de Alejandro Gonzales Iñarritu. E gostei mesmo. Não que eu ache o sujeito dos piores diretores da atualidade, até tenho boas lembranças de 21 GRAMAS, por exemplo… Mas acho que AMORES BRUTOS não se segura numa revisão e BABEL e BIUTIFUL não fedem nem cheiram, na minha opinião. Meu problema era mais com BIRDMAN, uma punhetagem visual e egocêntrica pra lá de chata, que quase me causou úlcera no estômago… Não fosse a bela atuação do Michael Keaton, eu teria me jogado pela janela do meu apartamento… Ainda bem que moro no primeiro andar… Enfim, um ano depois, ou seja, agora, Iñarritu me aparece com O REGRESSO, um filme de aventura que, pelo trailer, já me enchia os olhos. A impressão que dava é que todo o estilo, ou seja, a masturbação visual, de BIRDMAN poderia trazer algo interessante à uma narrativa mais estimulante, como um filme de aventura, por exemplo. E de certa forma isso acabou acontecendo. 

O REGRESSO foi inspirado na mesma obra que deu origem a MAN IN THE WILDERNESS (1971), de Richard C. Sarafian, com Richard Harris interpretando um membro de um grupo de desbravadores do velho oeste que é deixado para morrer depois de ser atacado por um urso selvagem. Recupera-se dos ferimentos e parte para se vingar dos antigos companheiros. O plot do filme de Iñarritu, é exatamente a mesma coisa. Troca-se alguns detalhes, Harris por DiCaprio e a tecnologia atual que permite Iñarritu trabalhar um visual dentro daquilo que é sua verdadeira intenção com o filme. O fato é que O REGRESSO, assim como BIRDMAN, não deixa de ser mais uma demonstração de exibicionismo do diretor, que chega e diz “Olha, mamãe, o que sei fazer!” e começa a punhetagem e fazer acrobacias com a câmera para ser chamado de gênio e logo depois colocar a mão em mais um Oscar. Continue lendo

ESPECIAL DON SIEGEL #16: FLAMING STAR (1960)

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Elvis Presley pode ter sido o Rei do Rock, mas no cinema seu trabalho se resume a um punhado de bobagens ingênuas em veículos para o sujeito entoar suas canções e beijar garotas. Nada contra, mas também nada muito estimulante. Mas aí vem um diretor badass da estirpe de um Don Siegel, se metendo a dirigir um western que não se priva de tratar de temas delicados, não se esquiva de cenas de extrema violência (em comparação com as produções do período), e lhe é exigido que Elvis, o ator/cantor mimado e mais preocupado com sua imagem do que na qualidade de seus filmes, seja o protagonista.

Para a nossa sorte, prevaleceu o lado mais interessante dessa história. E o resultado do encontro Siegel x Elvis não poderia ser diferente: FLAMING STAR é considerado a obra-prima e o “filme sério” de Elvis Presley, mas mais do que isso, o filme é uma das mais perfeitas demonstrações de como Siegel era um diretor talentoso em vários aspectos. E já que estamos de volta com o especial do homem, nada melhor ressaltar sua grandeza defronte de uma produção como essa, que poderia ter sido mais um exemplar banal de Elvis usando um chapéu e tocando violão, mas que acaba por ser uma joia, um dos grandes westerns do período e maior do que tudo que Siegel havia feito até então.

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Sim, e me me refiro em comparação com VAMPIROS DE ALMAS e THE LINE UP, seus grandes trabalhos até aqui. E Siegel até permite, logo no início da fita, que Elvis pegue um violão e toque e cante para seus familiares, num clima leve de faroeste matinée. Mas esse clima logo se dissipa quando um personagem leva uma machadada na cabeça num ataque índio e o diretor não nos poupa de toda brutalidade. E ele deixa bem claro: estamos diante de um filme de Don Siegel e não de Elvis Presley. Continue lendo