
Quando me deparei com ALTAS CONFUSÕES (Attack of the 60 Foot Centerfold), sobre uma modelo que cresce até proporções gigantescas graças a uma fórmula milagrosa, pensei imediatamente que, se o Fred Olen Ray não explorasse isso visualmente até as últimas consequências, seria um desperdício monumental de conceito. A história até poderia funcionar sozinha, ser engraçada, absurda, autoconsciente, mas convenhamos, uma mulher do tamanho de um prédio não é um detalhe narrativo, é a própria razão de existir do filme. A sua essência. Felizmente, Ray sabe exatamente o que faz, e não decepciona. Que me desculpem os moralistas, mas o que não falta aqui são closes generosos e um entusiasmo quase científico em registrar peitos em escala arquitetônica balançando na tela.

A trama é simples e direto ao ponto. Três modelos disputam o cobiçado primeiro lugar no concurso anual da revista Centerfold, reunidas para um fim de semana na mansão praiana do editor, longe da cidade e cheias de ambições. Entre sessões de fotos, rivalidades mal disfarçadas e avaliações “profissionais”, uma delas, vivida por J.J. North, decide beber uma fórmula secreta criada para realçar a beleza feminina. O plano sai do controle, e o que era uma competição editorial se transforma num problema de proporções gigantescas. Para a personagem, os efeitos colaterais são um pesadelo. Pra nós, pobres espectadores, a visão de uma mulher do tamanho de um edifício vagando pelo cenário com pouca ou nenhuma roupa é, que me desculpem mais uma vez os moralistas, no mínimo fascinante.
Mas ok, reduzir ALTAS CONFUSÕES apenas ao seu apelo visual seria injusto. Ainda que esse apelo seja tratado com extremo carinho, o filme funciona também como uma comédia B surpreendentemente divertida, recheada de homenagens ao cinema de ficção científica de baixo orçamento dos anos 50, especialmente ATTACK OF THE 50 FOOT WOMAN, de Nathan Juran. Os efeitos especiais são toscos, datados e absolutamente charmosos, reforçando aquele clima artesanal que transforma limitação técnica em estilo. As sequências ambientadas no laboratório onde a tal fórmula foi criada estão entre as mais engraçadas do filme, com destaque para um rato gigante que surge apenas para complicar a vida dos cientistas e justificar ainda mais nonsense em cena. O elenco, como era de se esperar, é um desfile de rostos conhecidos do cinema B e do círculo habitual de Fred Olen Ray: Tim Abell, Peter Spellos, Nikki Fritz, Michelle Bauer (lamentavelmente subutilizada aqui), John Lazar e até uma aparição relâmpago de Jim Wynorski.

ALTAS CONFUSÕES é exatamente aquilo que promete ser, nem mais, nem menos. Um filme exploitation consciente de si mesmo, exagerado, debochado, cheio de referências e completamente confortável com sua própria falta de pudor. Acho que nem preciso dizer muito mais. Quem se interessa por esse tipo de pérola já deve estar convencido a assistir o quanto antes.
É, como escreveu, você também viu esse, hehe.
Já vi O Ataque da Mulher de 15 Metros da década de 50 que de certa forma deve ter sido o que inspirou isso daí, e a gigantona lá também é muito gostosa.