E eis que Don Siegel resolve fazer um filme meio biográfico de uma das figuras criminosas mais fascinantes da história americana, Lester J. Gillis, mais conhecido por seu apelido, Baby Face Nelson. Tal fascínio é menos por uma eventual identificação do personagem com o público – o cara era um psicopata desprezível – e mais pelas possibilidades de um estudo de personagem cheio de características dramáticas e psicológicas e pelo momento histórico rico em detalhes. E a visão de Siegel sobre o sujeito em BABY FACE NELSON não poderia ser diferente: crua, revisionista e extremamente brutal. Continue lendo
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ESPECIAL DON SIEGEL #11: A RUA DO CRIME (Crime in the Streets, 1956)
É interessante um filme como A RUA DO CRIME na filmografia de Don Siegel logo após um clássico como VAMPIROS DE ALMAS. A história é “menor”, o orçamento continua curto, mas percebe-se claramente um sujeito bem mais maduro como diretor no trabalho visual, na decupagem, na direção dos atores, na dosagem do drama e até mesmo metendo o bedelho no roteiro. Foi escrito por Reggie Rose, que também é o autor da peça na qual o filme se baseia. Siegel conta em entrevista que fez várias modificações no material de Rose, colocando em risco a relação entre eles, mas que eram, de acordo com ele, “absolutamente necessárias do ponto de vista cinematográfico.” Continue lendo
“REBELS WITH CAUSE?”
OS INVASORES DE CORPOS (Invasion of the Body Snatchers, 1978)
Ainda no clima de VAMPIROS DE ALMAS, resolvi assistir a OS INVASORES DE CORPOS, de Philip Kaufman, sua primeira refilmagem, lançada 22 anos depois. E que baita surpresa! Não esperava um filme tão bom, tão eficiente em termos de horror e suspense… Evidentemente, o contexto histórico e político dos Estados Unidos agora é outro, até mesmo o tipo de cinema que se praticava, na Nova Hollywood, havia mudado bastante nessas duas décadas que o separam, além de outras dezenas diferenças notáveis a olho nu, mas é impossível fugir de alguns temas e alegorias que permanecem intactas em relação ao filme original de Don Siegel. Continue lendo
VAMPIROS DE ALMAS: LOBBY CARDS
ESPECIAL DON SIEGEL #10: VAMPIROS DE ALMAS (Invasion of the Body Snatchers, 1956)
Por mais que coloquem o diretor Don Siegel como um dos grandes mestres do cinema policial, western e de ação norte-americano, o que de fato não deixa de ser, frequentemente é VAMPIROS DE ALMAS, um sci-fi aterrorizante de relativo baixo orçamento, o trabalho mais lembrado e celebrado de sua carreira e que o próprio diretor considerava um de seus prediletos. Mas realmente é uma obra bastante curiosa em diversos aspectos e acabou se tornando um dos filmes mais importantes e definitivos sobre invasão alienígena em pleno auge da ficção científica nos anos 50. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #9: DOIS CORAÇÕES E UMA ALMA (An Annapolis Story, 1955)
Quando escrevi sobre NOITE APÓS NOITE, segunda publicação deste especial Don Siegel, iniciei o texto dizendo que o filme corria o risco de ser o trabalho mais fraco do homem. Enganei-me completamente. Não corria risco algum, mas também não tinha como eu adivinhar que DOIS CORAÇÕES E UMA ALMA seria tão ruim. Como tenho feito em quase todos os posts, passo a palavra ao diretor: “Certamente não é um bom filme“, disse Siegel a Peter Bogdanovich. Preciso acrescentar alguma coisa? Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #8: DINHEIRO MALDITO (Private Hell 36, 1954)
Considerando o resultado de REBELIÃO NO PRESÍDIO (54), DINHEIRO MALDITO pode ser encarado como um passo atrás para Don Siegel. Mas é um filme policial que tem seu interesse, com direção elegante do homem, boa fotografia com tons de film noir e uma dupla central de ótimos atores. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #7: REBELIÃO NO PRESÍDIO (Riot in Cell Block 11, 1954)
REBELIÃO NO PRESÍDIO é o primeiro grande e significativo filme que Don Siegel realizou até então e que justificaria a sua presença entre os maiores diretores americanos de sua geração. Tá certo que o filme não é tão comentado atualmente e o próprio diretor fez outros trabalhos melhores depois, mas o que quero dizer é, mesmo que Siegel tivesse encerrado sua carreira por aqui, seu nome já teria certa relevância na história do cinema. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #6: AVENTURA NA CHINA (China Venture, 1953)
Don Siegel fala muito “bem” sobre CHINA VENTURE: “Mas, como sempre, a praga parece me perseguir – e, em última análise, a culpa deve ser minha – a história era fraca”. Ok, o roteiro não era mesmo dos melhores, o orçamento não ajuda muito e o elenco – com exceção de três ou quatro nomes mais famosos – não deve ter pesado nos bolsos dos produtores, mas, de qualquer forma, reserva bons momentos, especialmente quando se trata de sequências de ação. Percebam que venho batendo nessa tecla a cada filme comentado neste especial, em como Siegel evolui na construção da ação e, bem, se estamos falando sobre um filme de guerra, não poderia faltar uns tiros e explosões, e aqui temos pelo menos três sequências excelentes que provam o talento do homem no assunto. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #5: MEDO QUE CONDENA (Count the Hours, 1953)
A primeira lacuna do Especial Don Siegel é o filme NO TIME FOR FLOWERS, conhecido no Brasil como ADORÁVEL TENTAÇÃO, de 1952, e que não foi possível localizar em lugar algum… Se alguém souber onde achar, é só falar que eu gostaria de dar uma conferida. Trata-se de uma comédia com a então esposa do diretor, Viveca Lindfors, apesar de não aparentar um exemplar muito expressivo na filmografia do homem, portanto, sem choro caso fique de fora. Sigamos em frente com MEDO QUE CONDENA que veio logo a seguir. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #4: ONDE IMPERA A TRAIÇÃO (The Duel at Silver Creek, 1952)
Primeiro filme colorido da carreira de Don Siegel e, mais importante, seu primeiro western. Tá certo que o diretor nunca chegou a fazer uma obra-prima do gênero, mas seus esforços sempre renderam excelentes exemplares, como OS ABUTRES TÊM FOME (1970) e O ÚLTIMO PISTOLEIRO (1976), que marca o encerramento da carreira do maior ator de faroeste de todos os tempos, John Wayne. Se formos considerar O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (1971) como um western, aí é outra história… Mas talvez a maior contribuição de Siegel no gênero tenha sido a de mentor de dois cabras porretas, Sam Peckinpah (seu assistente por muitos anos) e Clint Eastwood, o que o coloca merecidamente no panteão dos grandes mestres do faroeste. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #3: O CAIS DA MALDIÇÃO (The Big Steal, 1949)
THE BIG STEAL começa aos 45 minutos do segundo tempo, quando somos colocados no meio de uma trama onde todos os acontecimentos da premissa já ocorreram. “Colocados” seria muito leve. Somos arremessados no olho do furacão, com o Robert Mitchum trocando socos com um sujeito, escapando, perseguindo, a pé, de carro, trocando tiros, mais socos… Se o filme fosse mostrar sua história desde o início, o recorte que assistimos aqui seria a sequência de ação final. E acho que isso define bem o que é THE BIG STEAL: uma grande sequência de ação/perseguição, dilatada ao máximo, que fecha uma trama que nem chegamos a acompanhar. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #2: NOITE APÓS NOITE (Night Unto Night, 1949)
Correndo sérios riscos de ser o filme mais fraco de Don Siegel, NIGHT UNTO NIGHT, o segundo longa do homem, é claramente um trabalho de contrato, rotineiro, cujo material não apresenta nada muito consistente que interessasse ao diretor e ele acaba por não colocar sua alma no projeto. O que não significa também que seja ruim, a trama possui alguma graça e os personagens, ao menos um ou outro, são simpáticos. Continue lendo
ESPECIAL DON SIEGEL #01: ABERTA A TEMPORADA + JUSTIÇA TARDIA (The Verdict, 1946)
Os filmes de Donald Siegel nunca são o que aparentam ser. Caminham juntos, sem perder de vista, tanto o lado divertido da coisa quanto a reflexão que reverbera dos temas e personagens de sua obra. O estigma de “diretor de ação” se transforma em “intelectual da ação” e alguns de seus feitos fazem juz a alcunha. E é exatamente isso que vamos conferir a partir de hoje aqui no DEMENTIA¹³, num especial que vai peregrinar a filmografia do homem, descobrindo e redescobrindo filme a filme a trajetória desse senhor que, em quase meio século de serviços prestados à arte cinematográfica, pode ser perfeitamente considerado um dos mais marcantes e audazes realizadores do cinema americano. Continue lendo

















































