ELES VIVEM (They Live, 1988)

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Comprei recentemente o primeiro volume de DVD’s da Versátil que traz alguns clássicos supimpas do cinema sci-fi, chamado justamente CLÁSSICOS SCI-FI Vol.1. E logo de cara  já mexem no meu coração apresentando ELES VIVEM, do bom e velho John Carpenter, no primeiro DVD da caixa… ai, ai…

Ainda não tinha saído por aqui em DVD, mas já vi e revi diversas vezes, inclusive depois de ter criado o blog, mas acabei nunca escrevendo coisa alguma sobre ELES VIVEM por achar que não tinha nada a acrescentar ao vasto número de resenhas que abordam o filme espalhados pelas internets. Ainda acho que não tenho nada a dizer, mas como acabei de rever, meus dedos coçaram e como o filme se revela mais atual como nunca, uns elogios a mais não vão fazer mal algum… ELES VIVEM merece, apesar de nunca ter sido um dos meus Carpenter’s favoritos. Tá lá entre os melhores dele, na minha opinião, mas não tem o fator nostálgico de um FUGA DE NOVA YORK, O ENIGMA DO OUTRO MUNDO ou OS AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO, que fizeram parte da minha infância, ou a aura que tanto me fascina em FUGA DE LOS ANGELES, que muita gente despreza. Só fui ver ELES VIVEM depois de velho. Foi amor à primeira vista, evidentemente, mas sem o mesmo encantamento dos outros supracitados.

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Mas ELES VIVEM possui algumas peculiaridades que valem a pena ressaltar. Por exemplo, é o filme mais abertamente político do Carpenter. Todos os filmes do homem possuem um subtexto político por trás da diversão, mas aqui é gritante, é como um soco no estômago do sistema capitalista, um olhar ácido sobre a obsessão consumista da era Reagan, que deve ter deixado muito republicano enfezado… Se bem que esse tipo de gente é meio estúpida e deve ter visto o filme apenas como um simples sci-fi de ação. O próprio Carpenter dizia que o filme era uma crítica feroz ao presidente americano da época, o meu xará Ronald Reagan… Mas vamos deixar os polos políticos um pouco de lado antes que eu comece alguma discussão nesse sentido, me acusem de petista e tal… o que me dá uma preguiça danada. Até porque o Carpenter não defende lados, é um anarquista revoltado contra o sistema.

Da mesma forma que Nada, vivido pelo Wrestler profissional “Rowdy” Roddy Pipper, o protagonista de ELES VIVEM. Um andarilho desempregado que é a figura perfeita do outsider carpenteriano, que acaba em Los Angeles em busca de trabalho e uma vida melhor. Arruma um serviço mixuruca na construção civil, faz amizade com Frank (o grande Keith David) e arranja um lugar para encostar a cabeça à noite numa especie de acampamentos de sem-teto onde funciona um projeto social. E aqui, no mais improvável dos locais, o sujeito acidentalmente se depara com um mistério de proporções épicas, que envolve toda a humanidade.

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A pequena igreja nos arredores, que cuida do projeto social, é também a sede de um movimento de resistência militante que luta contra o governo. Nada descobre que o local funciona como um pequeno laboratório para a fabricação de lentes para óculos de sol aparentemente inofensivos, bem como equipamentos de transmissão para invadir um canal de TV a cabo local e soltar manifestos contra o sistema. Mas o nosso herói só descobre mesmo com quem e o que está lidando quando, após uma batida policial brutal que destrói o acampamento, foge levando consigo alguns pares de óculos de sol que sobraram no local. Ao colocar nos olhos o utensílio, lhe é revelado um mundo bem diferente do que ele pensava estar vivendo. E que criaturas de outro planeta têm escravizado a raça humana sem sequer estar ciente disto.

O fato é que um sinal irradiado pelos alienígenas em todo o mundo interfere com o cérebro humano e faz com que os nós vejamos aquilo que eles querem, ou seja, que os extraterrestres com uma cara medonha de horrorosa se pareçam com pessoas normais. Além disso, outdoors, placas publicitárias, jornais, revistas e programas de televisão são disfarçadas de mensagens subliminares, comandando o povo da Terra a “obedecer”, “consumir” e não “questionar a autoridade”, entre outras coisas… Com a ajuda de colaboradores humanos, os alienígenas realmente executam tudo isso às escondidas enquanto exploram o planeta por poder e lucro.

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E é nesse mundo recém descoberto, na verdade uma metáfora óbvia da nossa realidade, que Nada se vê diante. Caçado pela polícia, passado por um louco varrido por todos (que não podem ver o que ele vê através dos óculos), o sujeito decide fazer alguma coisa para acabar com essa farra alienígena… Mas o que um pobre coitado como Nada pode fazer contra uma conspiração extraterrestre de escala planetária?

O roteiro escrito pelo próprio Carpenter, sob o pseudônimo Frank Armitage, baseado numa história em quadrinhos que já era uma adaptação de um conto de Ray Nelson chamado Eight O’Clock in the Morning, de 1963, não mergulha profundamente nos elementos clássicos e convencionais da ficção científica. Prefere manter-se na superfície, de uma maneira palpável. O nosso herói é apenas um homem comum em busca de trabalho, não um cientista, um médico, jornalista ou militar de alguma base secreta, como acontece na maioria dos casos. E o sujeito é tão confuso com as revelações, em tentar salvar a própria pele e em lutar contra o sistema que simplesmente não tem tempo para perguntas. E Carpenter confia no seu público, sabe que não somos burros e permite-nos ver e descobrir o mistério da mesma forma que os personagens, quando a tela fica em preto e branco e a “realidade” oculta aparece. Na mesma lógica, toda a ideia de como os alienígenas dominaram a Terra, a formação de um movimento de resistência e como eles descobriram toda a conspiração não é nada explicado durante o filme, deixando tudo para o espectador preencher os espaços em branco por conta própria, o que torna o filme ainda mais fascinante.

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Pipper, por mais canastrão que seja é surpreendentemente simpático e convincente no papel de Nada. O personagem foi escrito, na verdade, para o queridinho do Carpenter, Kurt Russell, e até acho que teria sido mais interessante com ele, mas como o velho Carpinteiro já tinha feito filmes demais com o homem, achou melhor trocar de ator… E foi uma boa escolha, na minha opinião. Pipper tem presença física e tem o dom de criar frases de efeitos que não estavam no roteiro, como na sequência mais icônica no filme, a cena do banco, na qual o sujeito entra armado até os dentes e solta a impagável linha:

I have come here to chew bubblegum and kick ass… and I’m all out of bubblegum.

E o que segue a partir daqui é sensacional, com muitos tiros e alienígenas morrendo à sangue frio. Outro momento bizarro é a famigerada luta entre Nada e Frank, na qual o primeiro tenta convencer o outro a colocar os óculos. Dura uma eternidade e é motivo de várias críticas pelo exagero da duração, mas ter Roddy Pipper e não aproveitá-lo com suas habilidades de wrestler é o mesmo que ir no Burger King e não abusar do refil… E Carpenter, apesar dos pitacos e aconselhamentos, resolveu manter a sequência em sua totalidade. Particularmente, acho um espetáculo. E ainda há a cena final, o desfecho, a cereja do bolo, quando tudo se escancara para a raça humana e um alien sendo cavalgado por uma loura de topless solta um impagável “What’s wrong baby?” antes de subirem os créditos finais…

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ELES VIVEM é essa belezura toda, um filme divertido, com uma veia niilista, política ácida e contundente contra o capitalismo e consumismo americano irracional, mas contada como uma sátira simples, de fácil compreensão e com um senso de humor dos mais inteligentes. E nas mãos do Carpenter não deixa de ser um filme de ação da mais alta qualidade, mesmo com o orçamento relativamente modesto. Um exemplar que serve tanto para uma tarde de domingo acompanhado de pipoca e cerveja quanto um manifesto politico reflexivo e que continua atual.

Sobre a edição da Versátil, vale destacar a qualidade da caixa, com várias maravilhas do gênero, algumas esquecidas e prontinhas para serem redescobertas. Tem PLANETA PROIBIDO, FUGA DO SÉCULO 23, OS MALDITOS, O PLANETA DOS VAMPIROS e A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO. Além de horas de extras. ELES VIVEM possui making off, comentários de vários sujeitos legais e entrevista com John Carpenter… Vale uma conferida.

INDEPENDENCE DAY (1996)

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Há vinte anos era mais fácil gostar de INDEPENDENCE DAY, de Roland Emmerich. Pelo menos pra mim, que era um moleque ignorante que não se preocupava com a imagem do imperialismo americano, atuações e diálogos ridículos e não tinha problemas em ficar vislumbrado com efeitos especiais de última geração… Hoje é mais complicado, algumas coisas tendem a incomodar e é comum vê-lo apontado como um desses típicos blockbusters sem cérebro e cheio de clichês simplistas… Mesmo assim, não sei porque fiz isso, me propus a rever INDEPENDENCE DAY (antes de conferir esta continuação que pintou nos cinemas) correndo riscos de achar um autêntico lixo.

Bom, mas aqui estou, sobrevivi a experiência de rever ID4 (como foi apelidado na época, em referência ao 4 de julho americano, Dia da Independência) vinte anos depois e, para minha surpresa, permanece totalmente assistível, continua uma boa diversão para uma tarde fria de domingo. Claro, envelheceu em alguns aspectos, até mesmo nos efeitos especiais, mas o filme chegou naquele estágio de envelhecimento em que encontra uma certa aura nostálgica, onde tudo funciona, onde traz certas sensações… E onde se percebe que o filme tem realmente suas qualidades.

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Até compreendo as porradas que levou da crítica e do público mais adulto da época, e que continua levando até hoje, mas ID4 é um filme que entende sua audiência e entrega exatamente o que esse público específico deseja. Aliás, não apenas ID4, mas toda a filmografia inspirada em desastres de larga escala do diretor Roland Emmerich. O cara fez GODZILLA, O DIA DEPOIS DE AMANHÃ, 2012, este novo INDEPENDENCE DAY e já prepara um filme em que a lua cai na terra… Sim, o sujeito é obcecado com a ideia de destruição, mas também realizou um dos filmes de ação mais divertidos dos anos 90, com dois astros do gênero favoritos do blog: SOLDADO UNIVERSAL, com Van Damme e Dolph Lundgren. Então o cara tem meu respeito. E sabe exatamente o que quer com seu cinema autoral de destruição, além de ser um fanfarrão que não se leva a sério.

É um pouco como o Michael Bay com o seus TRANSFORMERS. Acho que nunca revelei isso por aqui, mas sou fã dessa franquia (qualquer hora dessas vou escrever sobre todos) e tudo porque ela me entrega exatamente o que eu vou buscar quando me proponho a ver esses filmes: robôs explodindo coisas. Ponto. Não quero saber da construção dos personagens, do roteiro cheio de furos, se os acontecimentos são burros ou possuem lógica, eu estou cagando pra isso, quero ver robôs explodindo coisas! Aliás, eu sou fã do Michael Bay, mas isso é outra história… Voltando ao ID4, me peguei com a mesma sensação de quando vejo TRANSFORMERS.

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Trata-se de um filme de invasão alienígena, invasão hostil ainda por cima, numa escala nunca vista antes no cinema até aquele período. Portanto, a única coisa que importa pra mim, o que eu realmente quero com ID4 é ver esses alienígenas do caralho explodindo o máximo de coisas que puderem! O fato dos cientistas perceberem que uma nave do tamanho do Texas está se aproximando da terra só depois de passar pela lua importa? Quero que se dane… O fato do presidente dos Estados Unidos subir num caça e participar de um combate épico contra os alienígenas faz algum sentido? Não, mas tô cagando pra isso! Não é plausível todos os personagens principais milagrosamente acabem parando juntos no mesmo local? Desculpa, este filme não é pra você…

O que importa são as explosões! Importa o Empire Estate Building sendo explodido de cima a baixo, os carros e pessoas voando, sendo arremessadas, o fogo comendo tudo pelas ruas, aviões, helicópteros e caças em chamas, o cão pulando pra dentro do abrigo no último instante, num enquadramento ridículo, a Casa Branca indo pelos ares! É isso que importa. É isso que torna ID4 a grande experiência cinematográfica que é. O que vier além disso é lucro.

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E o que quero dizer com lucro são pequenos detalhes, pequenos toques de mestre que tornam o filme memorável. Algumas cenas são verdadeiros clássicos… Um crítico da veja escreveu na época que ID4 seria esquecido na temporada seguinte, mas desculpa lá, errou feio. Algumas cenas nunca serão apagadas. Todo o primeiro ataque das naves nas três cidades principais nos EUA (L.A., N.Y. e Washington) já estão cristalizadas nos anais do cinema de catástrofe e a imagem da Casa Branca explodindo é um marco e ícone dos filmes dos anos 90. Ninguém vai apagar isso.

Mas se eu tivesse um blog em 1996 e fizesse uma lista com as melhores cenas de ação do ano, com certeza ia colocar a sequência do primeiro contra-ataque americano investido na grande nave. Os pilotos percebendo o campo de força ao atirar seus mísseis e logo depois uma chuva de naves aliens partem pra cima deles arrasando com tudo, num tom de exagero delicioso. Will Smith consegue escapar numa perseguição deflagradora e com inteligência derruba uma das naves. E aí vem o grande toque de classe. Até então, o filme seguia o estilo Spielberg de não mostrar o visual das criaturas do espaço. Aliás, toda a construção do primeiro ato do filme, desde as sombras que surgem sobre as cidades e seus monumentos, até de fato mostrar alguma coisa é digno de nota. Enfim, encarando o desconhecido, Smith vai até a nave e abre o compartimento. O alien aparece em todo seu resplendor: repugnante, monstruoso e assustador. Eu consigo imaginar várias atitudes que o personagem tomaria. Um susto, sair correndo, cair pra trás, mas nunca imaginei que ia desferir um direto no queixo do alien, nocalteando-o… Caramba! Isso é simplesmente genial! Toda essa sequência termina assim, com um nocaute do alien. Acho que por isso Smith conseguiu aquele papel em ALI, do Michael Mann…

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Enfim, nunca fui fã do Smith, mas até gosto dele aqui, por mais simplória que seja seu personagem. Meu favorito, no entanto, é o especialista em informática Dave, vivido pelo grande Jeff Goldblum, talvez a única figura com uma construção mais elaborada. O filme ainda tem Robert Loggia, Randy Quaid, Adam Baldwin e várias figuras típicas do cinema dos anos 90. Mas destaco o Bill Pullman como o Presidente dos Estados Unidos mais estereotipado da vida! Toda vez que ele aparecia na tela eu rachava o bico! O cara é simplesmente o alívio cômico de ID4 e toda a sua participação é feita de caretas e frases patriotas piegas, o que torna o presidente americano mais cômico e ridículo de toda a história do cinema! Na verdade, a parte patriótica do filme é o que o torna chato em alguns momentos (assim como o excesso de personagens) e certos discursos motivantes dão vontade de vomitar, mas relevando isso, a coisa continua funcionando numa boa.

Eu até teria ainda mais coisas pra falar, ID4 é desses filmes cheio de detalhes, muito rico e que traz muito assunto à tona, como a maneira que o filme reflete o contexto de sua época, a era da informática… Estou falando sério! Estão rindo de que?! Mas realmente não vale o esforço, porque no fim das contas a única coisa que importa são as explosões e um soco no queixo de um alien. É o que torna o filme de Emmerich um autêntico clássico. E gostaria de terminar este singelo texto com esta singela imagem aí debaixo… E que venha este novo INDEPENDENCE DAY, que seja tão ridículo quanto este aqui, mas que daqui a vinte anos alguém perca seu tempo fazendo elogios dizendo o quão ele é divertido…

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90 ANOS DE JERRY LEWIS

 

Mas o filme que eu realmente gostaria de destacar é um mais obscuro chamado VISIT TO A SMALL PLANET, de 1960, que no Brasil saiu com o título de RABO DE FOGUETE, dirigido por Norman Taurog. Não é nenhuma obra-prima e não está nem perto de ser dos melhores filmes estrelados por Jerry Lewis, mas gosto de lembrar com carinho quando descobri esse filme num festival em homenagem ao ator que acontecia em janeiro de 2014, em Madri, na Espanha. Naquela ocasião, estava visitando o meu grande amigo Leopoldo Tauffenbach e na única oportunidade que teríamos não ia passar nenhum dos filmes mais consagrados do sujeito, apenas essa pequena comédia de ficção científica da qual nunca tinhamos ouvido falar. Uma pequena jóia de Lewis, baseado numa peça de Gore Vidal, em que o ator vive um alienígena causando suas habituais confusões. Surpreende muito pelo tom ousado de como tratar o sexo e por uma sequência GENIAL que se passa dentro de um bar beatnik, que só de lembrar já começo a rir… Vale a pena conhecer para homenagear um dos maiores gênios da comédia.

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NOT OF THIS EARTH (1988)

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Remake de um sci-fi de mesmo título dirigido por Roger Corman em 1957, NOT OF THIS EARTH pode ser considerado tanto como uma gozação quanto uma lúdica homenagem aos clássicos do gênero. A ideia é do próprio Corman, que curtia refilmar os clássicos que dirigia e produzia, e colocou na direção o seu pupilo do momento, Jim Wynorski, que dava seus primeiros passos na carreira de diretor. Infelizmente, em 1988 o grande público já não queria ver um filme B com efeitos especiais fora de moda e historinhas ingênuas que não fazem a mínima questão de se levar a sério. Exceto, obviamente, os fãs ardorosos de tralhas divertidas de baixo orçamento, como esta maravilha da dupla Corman/Wynorski.

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Já nos créditos iniciais de NOT OF THIS EARTH uma montagem com cenas de vários clássicos produzidos pelo Corman insere de uma maneira bem interessante o espectador na onda dos sci-fi classe B, produções de baixo custo realizadas em tempo recorde. As filmagens deste aqui, por exemplo, foram cumpridas em apenas onze dias e meio, sendo que Jim havia apostado com Corman que conseguiria filmar em doze dias. E é com este espírito que o filme também deve ser visto. Uma diversão sem compromisso cheio de clichês que mistura elementos sci-fi com terror e comédia, várias cenas de nudez, situações engraçadas, personagens burlescos, reutilização de imagens de outros filmes, diálogos ridículos e todos os ingredientes de um ótimo filme B dos anos 80.

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Lords

Uma das principais atrações de NOT OF THIS EARTH é a atriz principal, a grande Traci Lords, em seu primeiro papel “sério” no ramo, levando em conta que já havia atuado em mais de 60 filmes pornôs até então. É uma pena, no entanto, que seus atributos físicos sejam tão pouco “aproveitados”, protagonizando apenas duas ceninhas de topless (mas algumas tetas fornecidas por outras atrizes são gratuitas suficientes para satisfazer o desejo do espectador por mais pele na tela). Até que Lords se sai muito bem interpretando uma enfermeira que acaba se envolvendo numa trama na qual um vampiro do espaço precisa colher sangue humano para tentar salvar o seu planeta, gerando situações divertidíssimas. O elenco ainda conta com algumas habituais figuras das produções de Wynorski, como Lenny Juliano e a bonitona Monique Gabrielle.

NOT OF THIS EARTH ainda viria a ser refilmado mais uma vez, em 1995, por Terence H. Winkless (diretor de BLOODFIST) e tendo Roger Corman novamente na produção.

IDAHO TRANSFER (1973)

bscap0034O ator Peter Fonda possui três obras creditadas como diretor: o belo e poético western THE HIRED HAND (1971), o simpático WANDA NEVADA (1979) e este IDAHO TRANSFER, que resolvi assistir outro dia e acho que vale alguns comentários, um trabalho do homem praticamente esquecido, que é também um estranho sci-fi ecológico com viagem no tempo.

(Mas só para constar, não custa lembrar que apesar não receber créditos na direção de EASY RIDER, é notório que Fonda dividiu o serviço com o Dennis Hopper.)

IDAHO TRANSFER é basicamente um filme síntese dos temores setentistas em relação ao futuro da terra. Propõe que nós, seres humanos, vamos acabar nos destruindo e, mesmo conscientes disso, é inevitável. O que é bastante óbvio, na verdade, passados mais de quarenta anos que o filme foi feito, porque de fato estamos arrasando ecologicamente com o planeta, sabemos disso e mesmo assim vamos foder com tudo. Talvez naquela época isso não fosse tão claro quanto hoje. Talvez ainda tivessem esperança.

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Na trama um projeto científico torna possível a viagem no tempo. No entanto, apenas jovens com seus vinte e poucos anos são capazes de sobreviver às repetidas idas e vindas temporais. Durante essas jornadas, descobre-se que o futuro não é nada otimista e uma catástrofe ecológica pôs fim a vida na terra.

Coloca-se em prática, portanto, um plano secreto para enviar um grupo de jovens ao futuro com recursos e disposição para iniciar uma nova civilização. Mas a coisa desanda porque o projeto acaba ameaçado pelo governo fazendo com que os mancebos fiquem presos no futuro e obrigados a encarar essa realidade catastrófica que devastou a humanidade, além de outros detalhes que tornam a vida desses indivíduos ainda mais problemática… Continue lendo

OS INVASORES DE CORPOS (Invasion of the Body Snatchers, 1978)

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Ainda no clima de VAMPIROS DE ALMAS, resolvi assistir a OS INVASORES DE CORPOS, de Philip Kaufman, sua primeira refilmagem, lançada 22 anos depois. E que baita surpresa! Não esperava um filme tão bom, tão eficiente em termos de horror e suspense… Evidentemente, o contexto histórico e político dos Estados Unidos agora é outro, até mesmo o tipo de cinema que se praticava, na Nova Hollywood, havia mudado bastante nessas duas décadas que o separam, além de outras dezenas diferenças notáveis a olho nu, mas é impossível fugir de alguns temas e alegorias que permanecem intactas em relação ao filme original de Don Siegel. Continue lendo

ESPECIAL DON SIEGEL #10: VAMPIROS DE ALMAS (Invasion of the Body Snatchers, 1956)

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Por mais que coloquem o diretor Don Siegel como um dos grandes mestres do cinema policial, western e de ação norte-americano, o que de fato não deixa de ser, frequentemente é VAMPIROS DE ALMAS, um sci-fi aterrorizante de relativo baixo orçamento, o trabalho mais lembrado e celebrado de sua carreira e que o próprio diretor considerava um de seus prediletos. Mas realmente é uma obra bastante curiosa em diversos aspectos e acabou se tornando um dos filmes mais importantes e definitivos sobre invasão alienígena em pleno auge da ficção científica nos anos 50. Continue lendo

MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (Mad Max: Fury Road, 2015)

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Divagações rápidas sobre este novo episódio, pra fechar a série de comentários que fiz na semana passada. Estava aqui pensando… Trinta anos separam ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO de MAD MAX: FURY ROAD e, durante esse tempo, o cenário do cinema de ação foi de mal a pior. Tirando, claro, as raras exceções que ainda encontramos a cada ano, frequentemente soltamos um “não se faz mais filmes de ação como antigamente…”, lamento quase unânime entre os fãs de ação old school. E aí precisou vir esse senhor de setenta anos, que atende pelo nome de George Miller, retornando ao universo que criou há quase quatro décadas, para mostrar à maioria dos diretores atuais do gênero que, na verdade, eles não têm a mínima noção do que fazem. Continue lendo

MAD MAX – ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO (Mad Max Beyond Thunderdrome, 1985)

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E ontem foi o grande dia da estreia do tão aguardado MAD MAX: FURY ROAD, o quarto episódio da saga do personagem Max Rockatansky e suas desventuras no universo definitivo do pós-apocalipse. Mas, como só vou poder ver o filme hoje à noite, seguimos ainda com um dos antigos, MAD MAX – ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO, que até outro dia era responsável por fechar a trilogia com chave de ouro. Continue lendo

MAD MAX 2: A CAÇADA CONTINUA (Mad Max 2, aka The Road Warrior, 1981)

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Era para ter postado ontem sobre MAD MAX 2: A CAÇADA CONTINUA. Como se não bastasse a dificuldade que é escrever sobre meus filmes favoritos, como é o caso deste aqui, ainda apaguei sem querer um texto praticamente pronto e não consegui mais recuperá-lo. Tive que começar do zero, o que me desanimou… Mas como prometi que ia comentar sobre a saga de “Mad” Max Rockatansky, vamos tentar outra vez. Continue lendo

A MOSCA (The Fly, 1986)

tumblr_nlfbpo36Fu1qgwhqoo1_1280De vez em quando minha cidade apronta uma dessas. O Cineclube Metrópolis, que é o cinema que funciona dentro da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), tá com uma programação interessante para quem gosta de horror. Na última sexta-feira, por exemplo, passou A MOSCA, do David Cronenberg, e claro, dei um pulo para conferir. Essa semana ainda passa O ENIGMA DO OUTRO MUNDO, do Carpenter, e a semana que vem começa com REPULSA AO SEXO, do Polanski. Espero que continuem passando esse tipo de filme (mesmo que eu já tenha visto, faço questão de rever na tela grande). Continue lendo

ESPECIAL McT #10: ROLLERBALL (2002)

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Depois de recuperar seu prestígio como diretor, refilmando um clássico de Norman Jewinson, THOMAS CROWN – A ARTE DO CRIME, John McTiernan passou para o trabalho seguinte, um remake de um filme do Norman Jew… Opa! Curiosamente, ROLLERBALL é a releitura de um filme de 1975, dirigido pelo mesmo sujeito de CROWN, O MAGNÍFICO, o que, na verdade, não importa muito. O que vale mesmo é que o seu filme de 99 é um dos grandes trabalhos da carreira de McT, enquanto este aqui trata-se, sem nenhuma dúvida, do pior de todos. Continue lendo

THE WAR IN SPACE (1977)

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O grande sucesso de STAR WARS inevitavelmente gerou imitações baratas, tanto nos Estados Unidos quanto no mundo afora, que chupavam descaradamente ideias, elementos e até sequências inteiras do filme de George Lucas. Até o Japão, que sempre teve o gênero sci-fi muito bem estabelecido na sua cultura cinematográfica, entrou na dança. Produzido pela Toho, THE WAR IN SPACE, de Jun Fukuda, é conhecido por ser o grande rip-off japonês de STAR WARS. Só que diferente de outras versões que descambam para a picaretagem total, nota-se que o grande blockbuster serve apenas como inspiração por aqui e tirando um elemento ou outro, o filme não tem nada a ver com STAR WARS. Continue lendo

THE WASP WOMAN (1995)

UZy3tTHE WASP WOMAN faz parte de uma série de refilmagens que mencionei no post anterior, na qual o mestre Roger Corman, num acordo com o canal Showtime em meados dos anos 90, atualizou alguns clássicos que dirigiu, como BUCKET OF BLOOD (59), e produziu, como PIRANHA (78), de Joe Dante, e HUMANOIDS FROM THE DEEP (80), de Barbara Peeters, lançandos diretamente para a TV.

Dirigido por um dos pupilos mais prolíficos de Corman, Jim Wynorski, a trama de THE WASP WOMAN é exatamente a mesma do filme de 59. Janice Starlin (Jennifer Rubin), proprietária e principal modelo que estampa a publicidade de uma grande empresa de cosméticos, descobre que as ações vêm caindo e uma das propostas dos marketeiros é justamente recrutar uma modelo mais jovem (que vem a ser a deliciosa Maria Ford) para dar uma cara nova à empresa. Desconcertada com essa situação, Janice acaba dando uma chance a um cientista desacreditado, Dr. Zinthorp, que desenvolveu um estranho soro derivado de hormônios de vespas.

KULAeOs resultados não poderiam ser mais extremos: se por um lado as rugas e olheiras de Janice desaparecem e seu aspecto jovial é evidente, por outro ela desenvolve a capacidade de se transformar numa vespa gigante (com grandes peitos, porque… bem, é o Wynorski, né?) com um incontrolável desejo de matar qualquer um que tenha, em algum momento, se colocado contra ela.

Desconsiderando as desigualdades dos tipos de produções de classe B realizado nos anos 50 e um da mesma estirpe na década de 90, há duas grandes diferenças que saltam aos olhos entre o original e esta refilmagem. A primeira delas é o visual da criatura, a vespa-monstro com tetas, que apesar de ter uma mobilidade limitada consegue ter um impacto muito mais forte que a máscara tosca usada por Susan Cabot no filme original. O orçamento de ambos são mínimos, mas é fato que construir uma fantasia complexa como esta daqui era bem mai fácil nos anos 90…

F5f78A segunda diferença é o teor sexual de algumas situações, mais especificamente a exploração erótica de corpos femininos, com a presença de belos pares de peitos de fora balançando na tela. Claro que a sexualidade feminina entra no pacote filosófico de temas que o filme de 59 abordava, mas nudez seria algo quase impensável no filme de Corman. Já este material nas mãos de Wynorski, em plenos anos 90, fica difícil não ter, especialmente com Maria Ford no elenco, protagonizando algumas ceninhas interessantes. A personagem de Jennifer Rubbin apresenta também alguns momentos excitantes, uma pena que ela mesma não tenha mostrado nada de seus atributos e utilizou uma dublê de corpo nas suas cenas.

Ainda assim, em comparação com outros filmes do Wynorski, o que temos aqui é pouco em relação à nudez. É óbvio que o filme não devia depender disso, no entanto, e já entrando no ponto negativo do filme, uma quantidade maior de mulheres nuas ajudaria bastante. Apesar de ter algumas modificações e a visão de Wynorski impressa na tela, esta versão de THE WASP WOMAN sofre muito por ficar preso a um enredo escrito algumas décadas antes, o que torna o filme sem ritmo, cansativo e sonolento, em grande parte da projeção.

Le80HOs admiradores do trabalho do diretor vão perceber que THE WASP WOMAN está longe de ser dos seus melhores filmes, mas também não é uma total perda de tempo. Vale uma conferida nem que seja pelos momentos dos ataques da vespa-monstro peituda e pela oportunidade de ver algumas figurinhas legais do cinema classe B marcando presença, como Daniel J. Travanti, Gerrit Graham, o fiel colaborar de Wynorski Lenny Juliano, as deliciosas Melissa Brasselle e Julie K. Smith (numa ponta “piscou perdeu”) e até o diretor Fred Olen Ray. Então… por mais chatinho que possa ser em alguns momentos, já temos vários motivos pra conferir essa versão de THE WASP WOMAN. Mas não deixem de conferir primeiro o original!

A MULHER VESPA (The Wasp Woman, 1959)

wasp5A MULHER VESPA, dirigido pelo maior gênio dos filmes B americanos, Roger Corman, é claramente uma tentativa de aproveitar o sucesso do clássico A MOSCA DA CABEÇA BRANCA (1958), de Kurt Neumann, com o grande Vincent Price no elenco. Mas aqui é uma mulher, Susan Cabot, quem assume a posição de protagonista, dando vida a uma quarentona, dona de uma empresa de cosméticos. Além de proprietária, ela costumava ser o rosto bonito que enfeitava os anúncios publicitários da empresa, mas com o passar do tempo, a idade chega e ela resolve colocar uma pessoa mais jovem e menos enrugada para continuar a divulgação de seus negócios, acarretando uma inesperada diminuição retumbante de vendas. Em suma, para continuar sendo a garota propaganda que o público quer, Cabot acaba conhecendo um cientista maluco que desenvolveu um novo cosmético a partir das enzimas das vespas, transformando o envelhecimento da pele na beleza da juventude. A senhora começa a usar em si mesma o produto e em pouco tempo, está com rostinho de 20 anos novamente. É lógico que em algum momento algo daria errado, caso contrário, não teríamos um sci-fi de terror, e sim mais um drama sobre uma mulher em conflitos existenciais partindo numa jornada sem mapa para o interior dos imperativos selvagens de si própria… ou algo assim. thewaspwomanDe maneira gradativa, a natureza lasciva da vespa rainha inicia um processo de mutação física e de personalidade na nossa protagonista. À noite, ela se transforma numa espécie de híbrido metade mulher, metade vespa (mas nem chega perto do desenho do cartaz do filme, que é genial, diga-se de passagem), bem ao estilo Corman, com uma máscara mal feita cujo pescoço da atriz fica à mostra e umas luvas de forno trabalhada para dar a impressão de… mãos de vespa? Enfim, o resultado é um charme, prezando mais pela ideia absurda e criatividade do que pelas limitações orçamentárias. E isso vale não só para esse filme, mas para a obra inteira do Corman. Algumas curiosidades: A MULHER VESPA foi originalmente lançado nos drive-ins em sessão dupla com A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA, do Monte Hellman. Corman utilizou vários de seus colaboradores habituais em serviço, como Daniel Heller (diretor de arte) e seu irmão, o produtor Gene Corman (que faz uma ponta no filme), além de seus jovens e promissores pupilos. Um fato engraçado é que a duração final nessas sessões era tão curta que ficava impossibilitado de passar o filme na TV. Então Corman colocou Jack Hill, que ainda era cabaço na Corman Factory para escrever e dirigir algumas cenas adicionais, como por exemplo, todo o início do filme que se passa na fazenda produtora de mel. Hill se tornou mais tarde um dos grandes nomes do cinema exploitation americano. Na metade dos anos 90, Corman produziu uma série de  refilmagens que atualizava vários de seus clássicos de horror e sci-fi dos anos 50. Em 1995 saiu a de A MULHER VESPA, dirigido pelo grande Jim Wynorski (Breve aqui no blog).

Saiu num DVD duplo no Brasil, na coleção Sessão da Meia-Noite, junto com o filme O ATAQUE DAS SANGUESSUGAS GIGANTES (1959), de Bernard L. Kowalski.

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BIOHAZARD (1985)

biohazardFilme de início de carreira de Fred Olen Ray, o homem por trás de uma porrada de bagaceiras deliciosas como HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS e que possui no currículo mais 100 filmes como diretor. BIOHAZARD é uma mistura muito bizarra de sci-fi e terror, realizado de modo independente, com atores péssimos, produção tosca, mas com muita disposição em divertir um grupo específico de cinéfilos que adora exemplares que de tão ruins, tão mal feitos, se tornam ótimas diversões.

Há um tempo atrás cheguei a me questionar quanto a isso, mas não tem jeito: levando em conta o cinema atual, com suas cada vez mais raras exceções, prefiro sentar no sofá e desfrutar uma porcaria sem pretensão alguma, realizado orçamento minúsculo, como é o caso de BIOHZARD, do que ir ao cinema ver esses filmes pretensiosos que se levam a sério, superproduções das quais foram investidos rios de dinheiro, mas não chegam aos pés de tranqueiras que não possuem preocupação em atrair um grande público ou ganhar o Oscar de efeitos especiais (mas nada contra a este tipo de filme também).

vlcsnap-2011-12-11-12h56m39s51vlcsnap-2011-12-11-12h56m50s175E BIOHAZARD é um charme em vários sentidos. Não são poucas as vezes que aparece um microfone nos cantos da tela, ou então algum assistente de produção querendo fazer um ponta onde não devia, entre outros momento de rachar o bico. Se há algum elemento de qualidade é o trabalho de maquiagem de Jon McCallum. O próprio Fred costumava trabalhar como maquiador, mas nos seus próprios filmes deixava nas mãos de pessoas mais competentes este serviço fascinante e o resultado aqui é muito bacana.

Segundo o próprio diretor, BIOHAZARD é uma espécie de episódio da série de TV The Outer Limits combinado com bastante gore em efeitos de maquiagem. O filme é sobre uma experiência num laboratório secreto que dá errado, liberando uma criatura de outro mundo que causa o terror na cidadezinha onde o filme se passa.

biohazard3A criatura, só para constar, tem o tamanho de um garoto de cinco anos. Na verdade, quem estava dentro da fantasia era realmente um garoto de cinco anos, o filho de Fred.

Destaque para a cena em que um mendigo pendura um pôster do filme ET, do Spielberg, encontrada no lixo, e a criatura, na primeira oportunidade que tem, rasga e pisa em cima ferozmente! hehe! E também para o elenco, que conta com o grande Aldo Ray no papel de um general e outros colaboradores de Fred, a maioria um bando de desconhecidos que devem ser amigos do diretor. E, claro, a exuberante Angelique Pettyjohn, já velha conhecida desde os produtos B do fim dos anos 60. Tenho certeza que os cuecas de plantão vão gostar de algumas cenas com ela exibindo seus belos atributos mamários…

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THE LOST EMPIRE (1985)

vlcsnap-2014-05-12-20h51m46s192Antes de se tornar um dos diretores mais conspícuos do cinema classe B pós-80’s, Jim Wynorski ganhava experiência e bagagem cinematográfica trabalhando como roteirista, escrevendo artigos sobre filmes de gênero em publicações como a Fangoria e estando sempre envolvido em produções do mestre Roger Corman. Quando chegou o momento de realizar seu primeiro trabalho como diretor, juntou todos os clichês de seus filmes favoritos, se envolveu com várias pessoas ligadas ao tipo de cinema que queria fazer e misturou com com todas as suas obsessões próprias. O resultado é THE LOST EMPIRE, um sci-fi muito louco que possui ninjas assassinos, artefatos místicos, um feiticeiro decano, terras desconhecidas, mulheres peitudas com figurinos provocantes e um elenco bem batuta!

bbbbO enredo é tão divertido quanto bagunçado e acho que não valeria a pena ficar perdendo tempo explicando. Mas só prá dar um gostinho, trata-se de três beldades que vão parar numa ilha comandada por um feiticeiro chamado Dr. Sin Do para descobrir as circunstâncias do irmão de uma delas ter sido assassinado por um bando de ninjas. Lá acontece um torneio de artes marciais, ao mesmo tempo mulheres são mantidas escravas em trajes mínimos e, por fim, o tal Dr. possui planos diabólicos de combinar algumas pedras preciosas antigas que lhe darão poder para conquistar o mundo!

aaaa (1) aaaaÉ Jim Wynorski prestando homenagem às coisas que tanto ele quanto nós adoramos no cinema grind house e exploitation. Percebe-se em THE LOST EMPIRE influências do próprio Corman, mentor de Wynorski e produtor de vários de seus filmes (incluindo este aqui), Jack Hill, Russ Meyer (pelas várias cenas de peitos de fora), e até filmes de espionagem estilo 007. Jim nunca foi um diretor estiloso, mas sempre demonstrou habilidade para filmar cenas marcantes, sexys e engraçadas, além de muita personalidade para trabalhar com vários rostos famosos dos filmes B. Analisando a carreira do sujeito, percebe-se um sutil amadurecimento no trabalho de direção, especialmente nos anos 90, mas é incrível como Jim já tinha pulso firme pra fazer o que queria já nesta primeira experiência atrás das câmeras.

bbbbb ccccUm detalhe marcante neste debut é a quantidade de celebridades do cinema independente que Winorsky conseguiu reunir em THE LOST EMPIRE. Isso é que dá ter Roger Corman como padrinho. Do lado feminino, várias musas do cinema classe B que nunca tiveram receio de tirar a blusa, como Melanie Vincz, Raven De La Croix (que trabalhou com Russ Meyer), Angela Aames, Linda Shayne e a deusa exuberante Angelique Pettyjohn. Na ala carrancuda temos Blackie Dammett (também conhecido por ser pai de Anthony Kiedis, vocalista da banda Red Hot Chilli Peppers), o fortão Robert Tessier e o grande Angus Scrimm (o Tall Man, da espetacular série de horror PHANTASM), que faz o vilão Dr. Sin Do.

bbbbbbb dddddAtualmente, Jim Wynorski ainda se encontra em pleno vapor e já possui computada uma filmografia com mais de cem títulos. Nem todos são bons, muito menos obrigatórios. Mas para quem se interessa por cinema independente de gênero ou admira o trabalho do homem, THE LOST EMPIRE é imperdível.

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O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER (The Brain that Wouldn’t Die, 1962)

snapshot20101009192829O título desse filme é daqueles que fazem qualquer amante do cinema classe B ficar mais excitado que Testemunha de Jeová na seção de portas de loja de construção. O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER… É simplesmente muita tentação para os ouvidos. Mas até que me segurei por muito tempo! Sim, meus caros, há anos que tenho por aqui e só agora resolvi encarar essa tralha, dirigida por um tal Joseph Green, que de tão ruim, tão mal feita, tanto mau gosto reunido em película, é impossível não se divertir!

Com seus 82 minutos de duração, o enredo de O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER é facilmente resumido. Jason Evers – aqui creditado como Herb Evers – é o Dr. Bill Cortner, um cirurgião com métodos nada ortodoxos na prática de sua profissão e que nas horas vagas dedica-se, juntamente com um assistente com um braço deformado – o tradicional cúmplice que não pode faltar nesse tipo de produção – à pesquisa de um soro que tornaria possível o transplante perfeito de membros humanos. A natureza deste trabalho fica ainda mais evidente quando a noiva do sujeito, Jan (Virginia Leith), é decapitada num acidente de carro e o devotado noivo e “brilhante” cientista, mantém viva a cabeça de sua amada até que possa ser enxertada em um novo corpo.

Seguindo a cartilha dos cientistas de filmes B, Cortner inicia uma árdua jornada para encontrar o corpo ideal para Jan, o que significa visitar clubes de strip e concursos de biquinis, locais perfeitos para possíveis “doadoras”. No entanto, pela cara de safado malicioso do sujeito, mostrado em vários closes acompanhado de música jazz bem animada, fica difícil entender se há uma confusão nas intenções do filme, na direção de atores, na construção do personagem ou se Cortner está mesmo pouco se lixando e só quer ver moças desfilando em trajes mínimos.

Brain8O fato é que tanto Evers quanto o diretor Joseph Green parecem mais à vontade criando esse tipo de sequência, em locais vulgares com mulheres desinibidas, do que trabalhando o material sci-fi/horror com a tal cabeça viva falante, apesar destes elementos serem o foco. Pessoalmente, acho isso sensacional… E até ousado pra sua época, tanto que o filme acabou enfrentando diversos problemas com a censura, sendo lançado em 1962, três anos após as suas filmagens. Se formos parar para pensar, no final da década de 50 a mentalidade de certas figuras “do bem” talvez não estivesse muito confortável com a temática de O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER. E, para complicar ainda mais, trazia ainda cenas que o público não estava acostumado a ver na tela grande, nem mesmo quem fosse aficcionado por filmes de terror naquela altura. E estamos falando de uma produção que, por mais ridículo que hoje possa parecer, se levava bastante a sério (o que dá ainda mais motivos para dar boas risadas). Algumas imagens deveriam ter causado fortes emoções, como as cenas com a cabeça viva, falando naturalmente; ou o monstro mutante formado por vários membros alheios, fruto de experiências do Dr. Cortner que não dera muito certo; e até mesmo a cena incrível onde o braço de um dos personagens é arrancado violentamente, com bastante sangue escorrendo para todos os lados…

Sobre a cabeça falante, é preciso destacar a trucagem, por mais óbvia e tosca que fosse, e todo o aparato visual que fazem a absurda ideia da cabeça viva funcionar sem o corpo. Não é a toa que a imagem de Jen, com sua cabeça em cima de um tabuleiro de metal e os tubos e suportes acoplados à sua volta, acabou tornando-se um ícone na cultura pop do horror ao longo dos anos. A atuação de Virginia Leith também merece ser salientada, consegue dar alguma dignidade à sua “cabeça viva”, apesar da situação ridícula que se meteu…

brain4Ao contrário do que o título nacional indica, entretanto, o desejo do cérebro (ou da cabeça) era morrer sim. Jan fica puta da vida quando descobre que apenas lhe restou do pescoço pra cima e que o noivo é um baita maluco psicopata desumano para ter feito uma barbaridade científica dessas com ela ao invés de deixá-la morrer naturalmente. “Deixe-me morrer!“, é o que grita numa determinada cena. Portanto, ela planeja vingança. Mas o que uma cabeça pode fazer? Falar no ouvido do cara até ele morrer? Morder o nariz do sujeito? Felizmente, o tal monstro mutante, trancado numa sala – e também puto pra cacete – resolve ajudar a moça quebrando tudo num final épico.

Filmado em grande parte no porão da casa de alguém, O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER é um dos grande clássicos de quinta categoria do autêntico cinema trash americano. Fruto da imaginação de seu diretor, Joseph Green, que dirige da forma mais simples e econômica possível, e do produtor Rex Carlton, ambos escreveram o roteiro, genial e edificante, desta obra-prima da tosquice… Carlton cometeu suicídio alguns anos mais tarde. Mas não por causa deste filme ou de seus outros trabalhos da mesma laia, como BLOOD OF DRACULA’S CASTLE, de Al Adamson, o que seria até um motivo aceitável, mas por supostamente estar atolado em dívidas com a máfia… O filme foi lançado no Brasil num DVD duplo de uma coleção chamada Sessão da Meia-Noite, que trazia diversos clássicos B dos anos 50 e 60. A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA, primeiro filme de Monte Hellman e produzido por Roger Corman, faz dupla com este aqui.

MORTE PARA UM MONSTRO (Die, Monster, Die! 1965)

DieMonsterDie-CG06-tnOs aficcionados pela obra do escritor H. P. Lovecraft provavelmente vão querer conhecer MORTE PARA UM MONSTRO, de Daniel Heller, produção de James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, os cabeças da American International Pictures (AIP) – responsáveis por vários dos melhores trabalhos do genial Roger Corman. O filme adapta The Colour Out of Space, conto escrito em 1927 por Lovecraft. Ao contrário dos filmes de Corman, no entanto, especialmente as adaptações de Edgar Allan Poe, e já fazendo uma comparação um tanto cretina, até porque é impossível não pensar o filme como um sub-Corman, MORTE PARA UM MONSTRO pode soar um bocado simplista e até mesmo bobo em termos de conteúdo e personagens, mas ainda reserva alguns atributos interessantes para segurar a atenção.

A verdade é que as histórias de Lovecraft têm se demonstrado quase infilmáveis. Tirando, claro, as adaptações extremamente livres de Stuart Gordon, com o seu RE-ANIMATOR, FROM BEYOND e outros, quais filmes fielmente adaptados do autor americano resultaram em grandes obras? Bem, pelo menos eu não consigo me lembrar de nenhum exemplo e, assistindo a MORTE PARA UM MONSTRO, isso não mudou muito de figura, embora eu tenha curtido o filme, especialmente o que toca todo o conceito estético.

vlcsnap-2014-04-11-03h40m33s120_zps09db6bacNick Adams é Stephen Reinhart, um americano que chega à pequena cidade de Arkhan, na Inglaterra, em busca da mansão dos Witley, mas acaba sendo sendo extremamente mal recebido pelos locais no instante em que, apavorados, ficam sabendo que o rapaz está procurando tal lugar. Mesmo com os avisos de dar meia volta, retornar aos EUA e se enfiar debaixo das cobertas, Reinhart resolve seguir caminho. Ao se aproximar do seu destino, o rapaz percebe que algo estranho tem assolado a paisagem, especialmente aos arredores da mansão, totalmente desértico, com uma imensa cratera no chão, onde deveria haver uma vegetação verdinha, além uma névoa densa e constante realçando a atmosfera, provavelmente até o cheiro deveria ser incomum…

Uma vez dentro da mansão, as coisas não ficam melhores. Surge em cena Nahum Witley, personagem de Karloff, arrepiante como o patriarca da mansão, preso numa cadeira de rodas, mas que atormenta o pobre Reinhart dizendo que ele não pode ficar e deve ir embora imediatamente. Além disso, uma estranha luz verde fosforescente brilha no porão da casa, acrescentando ainda mais o número de bizarrices do local e instigando a curiosidade de Reinhardt. Mas nada disso impede o rapaz de permanecer no local. A atenção de Reinhart é somente à bela filha de Karloff, interpretada por Suzan Farmer, demonstrando ou uma estupidez sobre-humana ou um desejo incontrolável do cara em tirar o cabaço da moça, para não sair correndo dali o mais rápido possível!

vlcsnap-2014-04-11-03h41m05s185_zps01806678A primeira hora de MORTE PARA UM MONSTRO é basicamente resolvida na conversa, com uma narrativa lenta que trabalha os elementos do suspense de forma esporádica, para não dizer arrastada e enfadonha. Heller dirige o filme de maneira pesada, sem grandes inspirações com a câmera, mas bastante apoiado no visual que a obra possui e que é absurdamente fascinante, seja pela elaboração dos elementos estéticos ou pela forma como a cor é distribuída na tela. Isso a ajuda a manter o foco na história.

É curioso notar também que Heller foi diretor de arte de vários filmes de Roger Corman no ciclo Edgar A. Poe, cujo padrão estético reserva muita semelhança com MORTE PARA UM MONSTRO. Portanto, não é difícil identificar os motivos que fizeram Heller se preocupar mais com o visual do que com o ritmo da narrativa e detalhes de dramaturgia. E, neste caso, atrapalha um bocado o fato dos personagens não terem tanto carisma quanto deveriam, nem mesmo a presença de Karloff em cena é suficiente, um ator com bons recursos dramáticos para esse tipo de produção.

Die Monster Die - CG.avi_snapshot_00.53.42_[2012.12.15_23.46.45]Mas à medida em que os personagens aproximam-se das reais ameaças que a trama prepara e alguns corpos começam a aparecer misteriosamente, a coisa engrena e melhora consideravelmente. Reinhart, por exemplo, passa a bisbilhotar a estranha luz verde no porão e descobre que o artefato trata-se de um pedra que caiu do céu, ou como dizia aquele personagem do Ramón Valdéz, num episódio de Chapolim: “São aerolitos! Aerolitos!“. O velho Witley pegou o meteorito para usar a radiação nas suas plantas dentro de uma estufa, fazendo-as crescer e dar uma “bombada”.

O problema é que com o tempo, as plantas do velhote se transformam em criaturas bizonhas e o efeito colateral da radiação foi responsável pela morte de sua esposa, Letitia, e tem ferrado com sua saúde e a de todos que se aproximam do local, afetando até mesmo o ecossistema da região. Nahum planeja destruir o meteorito, mas as coisas só pioram… pioram para os personagens, claro, porque para o espectador é só diversão. Ao final, por exemplo, temos uma sequência espetacular na qual Karloff passa por uma transformação e torna-se numa espécie de Surfista Prateado com um brilho esverdeado, já “possuído” pelo meteoro, e tenta matar quem estiver em seu caminho.

DieMonsterDie-CG28-tn No fim das contas, MORTE PARA UM MONSTRO consegue deixar uma boa impressão, principalmente pelos acontecimentos do terço final, que é bem mais instigante para o público e mantém uma ação mais contínua na tela até certo ponto; o visual estonteante, que acaba sendo o principal elemento a ser apreciado, também contribui para a impressão final; e, claro, o Karloff, que apesar de não ser suficiente para contribuir com o ritmo na primeira metade do filme, ao menos participa com dignidade e consegue brilhar, literalmente e simbolicamente, na metade final. Ainda assim não dá para ignorar a falta de ritmo que o filme possui, o que pode tornar a experiência um bocado cansativa.

Vale ressaltar que MORTE PARA O MONSTRO não é a única adaptação cinematográfica do conto The Colour Out of Space. A mais famosa, além desta aqui, é A MALDIÇÃO – RAÍZES DO TERROR (87), um dos poucos filmes dirigidos pelo ator David Keith. Nunca vi, não sei se presta. Mas na dúvida, mesmo com todos os seus problemas visíveis, recomendo MORTE PARA UM MONSTRO.

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SOLDADO UNIVERSAL 2 (Universal Soldier II: Brothers in Arms, 1998)

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Matando a saudade de UNIVERSAL SOLDIER por esses dias, resolvi conferir logo de uma vez as continuações não oficiais que saíram nos anos 90 que eu nunca tinha visto. Não estou falando daquele UNIVERSAL SOLDIER: THE RETURN, que traz o Van Damme de volta e que, aliás, ignora completamente estes aqui. Refiro-me a uns lançados diretamente para TV, UNIVERSAL SOLDIER II: BROTHERS IN ARMS e UNIVERSAL SOLDIER III: UNFINISHED BUSINESS, que na verdade eram pilotos para um seriado que nunca foi aprovado. O que é um alívio, pois tendo como base esses dois filmes, a série seria um lixo.

Comecemos pelo segundo. UNIVERSAL SOLDIER II  parte exatamente de onde o filme do Emerich termina, reencenando a luta entre Luc Deveraux (Van Damme, aqui interpretado por Matt Battaglia) e Andrew Scott (Lundgren, aqui vivido por um zé mané qualquer que não lembra em nada o velho Dolph. Na verdade o Battaglia também não tem nada a ver com o Van Damme, mas como temos que aturá-lo no restante do filme, não vou reclamar desse detalhe). A trama mostra Deveraux tentando se readaptar ao mundo, especialmente nos prazeres carnais, dando umas beiçadas na repórter do primeiro filme, que agora é encarnada pela gatinha Chandra West. O filme teve também a “brilhante” ideia de inserir um irmão mais velho de Luc, Eric Deveraux, interpretado pelo grande Jeff Wincott, um soldado que também desapareceu em guerra muito antes de Luc.

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Mas o negócio aqui é o seguinte: depois da merda que deu no primeiro filme com o projeto Unisol, Gary Busey assume o comando do programa com intenções desonestas, na esperança de vender os unisoldiers para quem pagar mais caro. De alguma maneira ele arranja um dispositivo que consegue controlar a mente de Luc novamente e o reintegra ao programa. Para salvar o dia, a repórter apaixonada segue o sujeito e encontra na base de operações o tal irmão, Eric, que fez parte do projeto Unisol como uma das primeiras cobaias. Então ela o desperta, os dois libertam Luc e os irmãos unem força para derrotar Busey e seu exército de Unisoldiers… que na verdade são apenas três caras… o orçamento aqui não permitiu inventar muito.

Um dos principais problemas de UNIVERSAL SOLDIER II é a quase total falta de sequências de ação. Uns tiros aqui e ali, mas nada que chegue aos pés da super produção com Van Damme e Dolph; o filme acaba empurrando momentos de Luc “tentando ser humano” de maneira constrangedora e desperdiça Jeff Wincott, ator acostumado a encarar produções de baixo orçamento demonstrando segurança com seu talento em artes marciais. Aqui o sujeito aparece pouco e quase não participa das risíveis cenas de ação. E não explorar seu personagem, um unisoldier congelado desde o início dos anos 60 e que acorda nos dias de “hoje”, é algo que vai além da minha compreensão. Resta-nos a complicada tarefa de comprar a ideia de que o Matt Battaglia é o herói. Só que o cara é péssimo e acaba tornando tudo mais ridículo ainda por causa do interesse humano do filme…

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Já o Gary Busey como vilão principal é… Bem, pra quem tá se afogando, jacaré é tronco, não é? Busey é sempre expressivo em qualquer tralha que se mete e mesmo não estando tão à vontade acaba sobressaindo. E como aqui só tem merda em termos de atores, Busey passa a impressão de ser um gênio das artes dramáticas. Há uma cena no início, na qual Busey reúne os três melhores homens do exército para uma missão secreta e de repente saca uma metralhadora e fuzila os três, com lágrimas nos olhos, para que se tornem unisoldiers. Um dos pontos altos do filme, parece coisa de um Coppola ou Cimino. Brincadeira… Tá mais pra um Uwe Boll ou Albert Pyun, mesmo assim, a cena é um destaque.

Na mesma onda do Busey, gostei também da participação da repórter. Muito mais pelo fato do herói ser péssimo e não ter carisma algum do que qualquer outra coisa. E é bem melhor acompanhar a Chandra West em grande parte do filme do que o Battaglia tentando ser protagonista. Ah, e ainda tem uma pontinha cretina do Burt Reynolds que consegue ser ainda uma das melhores coisas do filme!

Mas atuações ruins eu aguento fácil. Situações constrangedoras é o charme de muito filme ruim que acaba sendo bom por motivos errados. Mas o que não suporto é um filme de ação sem ação. É o caso de UNIVERSAL SOLDIER II, que não merece nem o esforço de escrever esses parágrafos, portanto vou ficar por aqui. Mas aguardem que UNIVERSAL SOLDIER III vem aí.